Estação Pedra Mole

antiga estação ferroviária em Ipatinga

A Estação Pedra Mole foi uma estação ferroviária que funcionava como terminal de passageiros no município brasileiro de Ipatinga, no interior do estado de Minas Gerais. Foi inaugurada em 1º de agosto de 1922, sendo a primeira estação de Ipatinga e da atual Região Metropolitana do Vale do Aço.[1][2]

Estação Pedra Mole
Estação Pedra Mole após restauro
Uso atual Atração turística
Linhas EFVM
Informações históricas
Inauguração 1 de agosto de 1922 (100 anos)
Fechamento Poucos anos após sua inauguração
Endereço Próxima ao bairro Castelo
Município Ipatinga, Minas Gerais
País  Brasil

Veio a ser desativada e abandonada poucos anos depois de sua construção, após a alteração do traçado da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) que corta a cidade, e suas ruínas se encontram à esquerda da foz do rio Piracicaba no rio Doce. Foi tombada como patrimônio cultural municipal pelo decreto nº 3.575, de 1996, e tudo que restou da obra original foi uma parede, suas fundações e um poço abandonado.[1][2]

A estação foi restaurada pela Usiminas e prefeitura de Ipatinga em 2019. As ruínas foram preservadas para contemplação de visitantes. Também foi construído um mirante para visualização do encontro dos rios. Uma trilha de 650 metros que parte do bairro Cariru em meio à mata fechada, equipada com totens informativos, possibilita o acesso ao complexo.[3]

As ruínas da Estação Pedra Mole ficam às margens da confluência do rio Piracicaba com o rio Doce, em frente à mata do Parque Estadual do Rio Doce (na outra margem da foz) e entre os bairros Castelo e Cariru. O acesso é feito pela Avenida Itália no bairro Cariru. A propriedade é privada, e pertence pertence à Usiminas.[4]

Atualmente, Ipatinga é servido pela Estrada de Ferro Vitória a Minas através da Estação Intendente Câmara.

HistóriaEditar

 
Fundação original da Estação Pedra Mole
 
Ruínas da parede original da estação

Diante do fato de a ferrovia representar um símbolo da modernidade, visualiza-se um desenvolvimento que a exportação do minério de ferro poderia trazer para a Minas Gerais. Por isso, foi projetada a Estrada de Ferro Vitória a Minas pelo Governo Federal, junto com os investimentos norte-americanos, sendo inaugurada a Estação Pedra Mole em agosto de 1922 junto à foz do rio Piracicaba, sob pressão dos políticos mineiros. Neste ano estava se iniciando o movimento modernista no Brasil, o que seria um bom pretexto para se inaugurar a estação.

O historiador Norberto Bahiense conta em seu livro O Caboclo Bernardo: O Naufrágio do Imperial Marinheiro a odisseia por ele vivida na inauguração da Estação Ipatinga: "A data de inauguração previamente combinada com o governo tinha que ser respeitada. Mas na hora e dia aprazados, nem as pontas dos trilhos haviam chegado ao local. Levávamos em um vagão o material indispensável, inclusive o respectivo agente que lá ficaria sob o temos da febre que era impiedosa. Anoitecia, e nas trevas que surgiam, a turma da construção, utilizando seus archotes, avançava, palmo a palmo, dormente a dormente, trilho a trilho".[5]

Antes de 1922, nenhum desbravador se aventurava a enfrentar os mosquitos e as febres que estes transmitiam na região. O primeiro desbravador a se fixar em Pedra Mole foi o baiano José Cornélio, um ex-encarregado de turma de carpinteiros da Vitória-Minas, que legitimou a terra em 3 de outubro de 1928. Era um terreno comprado ao estado sob os empréstimos do Sr. Alberto Giovanini, que dois anos mais tarde acamparia a área por falta de pagamento do valor combinado. Giovanini venderia posteriormente suas terras para a Belgo-Mineira, que se interessava em intensificar a exploração de carvão para abastecer os fornos das usinas de Monlevade e Sabará.

Na construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas, foi aproveitada a mão de obra provinda da Estrada de Ferro Leopoldina e da Central do Brasil. Vários trabalhadores chegaram, e a febre impiedosa atacava. Essa febre era a malária, também chamada de sezão ou maleita. Num só dia morreu 30 operários no trecho, e mesmo aumentando a dose de quinino a febre continuava. Foi assim que os construtores, liderados pelo Engenheiro-chefe do trecho, Benedito Otoni, solicitaram da empresa Vitória-Minas o embarque para Pedra Mole de 300 operários da Bahia. Dias depois quase todos morreram nas proximidades, sendo enterrados em cova rasa, quase que sobrepostos.

A Estação Pedra Mole funcionou por mais ou menos 3 a 4 anos. Não se sabe ao certo quanto tempo ela durou. Muitos dizem que foram 3 anos, enquanto outros falam de 4 anos. Os motivos de sua desativação também não sabemos, mas entres as hipóteses estão: o grande susto causado pelas mortes dos 300 baianos, no final da construção as estação e dos trilhos na região; a ineficácia das pontes nas áreas pantanosas próximas aos rios e lagoas; a proximidade com a Lagoa das Antas ou Lagoa do Roque, onde o mosquito responsável pelas doenças se proliferava com muita intensidade; a exiguidade de espaços para uma expansão, e a existência no local de um tipo de solo de fácil erosão.

A estação se foi, mas Pedra Mole ainda permaneceu como cemitério na cidade até 1942, quando Padre Diolindo instala um cruzeiro e inaugura o novo cemitério do pequeno povoado, ao lado da nova estação.

AtualmenteEditar

As ruínas da Estação Pedra Mole restam ainda ao pé do bairro Castelo e recebem proteção legal municipal. Como sitio tombado, existem propostas de revitalização da área, através da criação de um parque cultural e ambiental e implantação de novos trilhos, no qual uma Maria Fumaça percorreria a antiga estrada de ferro. Mesmo não correndo riscos de inundação, pelo fato de a área estar localizada em ponto mais alto em relação ao rio, é necessário fazer uma manutenção regular, pois a vegetação da mata ciliar vem encobrindo as ruínas da estação. No terreno de Pedra Mole somente o grande paredão lateral está em ruínas. A plataforma de embarque e desembarque está intacta. Como essa área é exposta a chuva e unidade da mata ciliar, a empresa projetou em seu entorno uma vegetação exuberante, que limitou o acesso de depredadores.

Com relação às intervenções arqueológicas, é possível observar que ainda não há nenhum tipo de estudo mais detalhado feito para apurar a importância arqueológica da Estação para a história de Ipatinga. A empresa detentora da área mantém a área fechada e um bosque ciliar. Ela reconhece o valor histórico da velha estação, mas aguarda do poder público municipal uma posição, para concretizar uma antiga proposta de transformar o local em um sitio histórico ecológico.[6]

Entrada para as ruínas da Estação Pedra Mole no Cariru
Totem informativo na trilha
Ruínas da Estação Pedra Mole
Foz do rio Piracicaba (à direita) no rio Doce vista do mirante da estação

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b Prefeitura (17 de abril de 2013). «História da Cidade». Consultado em 28 de abril de 2015. Cópia arquivada em 28 de abril de 2015 
  2. a b Revista Ipatinga Cidade Jardim (2 de agosto de 2014). «Estação Ferroviária "Pedra Mole"». Eu Amo Ipatinga. Consultado em 28 de abril de 2015. Cópia arquivada em 28 de abril de 2015 
  3. Jornal Diário do Aço (10 de dezembro de 2019). «Estação de Pedra Mole é restaurada». Consultado em 26 de janeiro de 2020. Cópia arquivada em 26 de janeiro de 2020 
  4. PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga. Inventário de Proteção do Acervo Cultural. _In Estação Pedra Mole. p1.
  5. BAHIENSE, Norbertino. O Cabloco Bernardo – O Naufrágio do Imperial Marinheiro.
  6. PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga. Inventário de Proteção do Acervo Cultural. _In Estação Pedra Mole. P 4.

Ligações externasEditar

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