Fábio de Antioquia

Fábio de Antioquia
Morte 256

Fábio de Antioquia foi bispo de Antioquia entre 251[1] ou 253[2] e 254 d.C,[3] acedendo ao trono em algum momento após o martírio de Bábilas (251) durante a perseguição de Décio, segundo Eusébio de Cesareia.[4]

HistóriaEditar

O episcopado de Fábio ocorreu numa época de intensa perseguição aos cristãos e ele, como líder da Igreja de Antioquia, trocou diversas correspondências com outros líderes da igreja para troca de informações sobre a situação dos cristãos nos principais centros do Império Romano.

Na primeira destas cartas, Dionísio, bispo de Alexandria, escreve para Fábio para contar sobre a perseguição de Décio em Alexandria (História Eclesiástica VI.41,[5] um trecho explícito) e reafirmando a coragem e o exemplo dos mártires mesmo sob as mais intensas torturas.

Com o relaxamento da perseguição e a ausência de Décio, em 251 d.C., as primeiras fagulhas do que se tornaria o cisma novaciano começaram a se acender. Em Roma, uma reunião de aproximadamente sessenta bispos se reuniu para condenar como herética a opinião de Novaciano, que pregava que todos os cristãos que haviam cedido às pressões pagãs durante a perseguição - ao invés de enfrentar o martírio - não deveriam ser recebidos de volta na comunhão da igreja, exceto se sujeitassem ao rebatismo. O Papa Cornélio era o líder da facção contrária, que advogava que os lapsi deveriam ser recebidos abertamente após a simples confissão dos pecados e a penitência correspondente. É neste contexto que Cornélio então escreveu para Fábio para lhe contar o resultado da reunião e avisá-lo sobre Novaciano, que é descrito nos mais duros termos. Eusébio de Cesareia preservou o texto completo da carta em sua História Eclesiástica (VI.43[6]).

Com o cisma já em efeito, com Novaciano eleito como antipapa e Cornélio reinando em Roma, Dionísio de Alexandria escreve novamente para Fábio, que parecia estar inclinado para o grupo novaciano, pedindo que ele respeitasse a opinião dos mártires de que os arrependidos deveriam ser recebidos de volta,[7] para isso, conta a história de Serapião, um lapsi já idoso que teria se mantido vivo até receber o perdão dos pecados, morrendo logo em seguida (H.E. VI.44[8]).

Por volta do ano de 254 d.C., um concílio foi realizado - ou estava planejado para ser realizado - em Antioquia a respeito do novacianismo a que Fábio estava inclinado a apoiar. Além dele, também estavam outros bispos de Tarso, Cesareia na Capadócia e Cesareia Palestina. Dionísio de Alexandria estava convidado também, mas o assunto acabou não tendo maiores consequências, pois Fábio morreu logo em seguida e foi sucedido por Demétrio, cuja opinião sobre a reconciliação com os lapsi era muito menos extremada.[9][10]

Ver tambémEditar

Precedido por
Bábilas
Bispo de Antioquia
251 ou 253254
Sucedido por
Demétrio

Referências

  1. «Patriarchs of Antioch: Chronological List» (em inglês). Syriac Orthodox Resources. Consultado em 24 de dezembro de 2011 
  2. «Primates of the Apostolic See of Antioch» (em inglês). St. John of Damascus Faculty of Theology, University of Balamand. Consultado em 24 de dezembro de 2011. Arquivado do original em 31 de julho de 2011 
  3. «Lista dos Patriarcas de Antioquia» (em inglês). Syriac Orthodox Resources. Consultado em 7 de maio de 2011 
  4. Eusébio de Cesareia. «39». História Eclesiástica. The Persecution under Decius, and the Sufferings of Origen. (em inglês). VI. [S.l.: s.n.] 
  5. Eusébio de Cesareia. «41». História Eclesiástica. The Martyrs in Alexandria. (em inglês). VI. [S.l.: s.n.] 
  6. Eusébio de Cesareia. «43». História Eclesiástica. Novatus, his Manner of Life and his Heresy. (em inglês). VI. [S.l.: s.n.] 
  7.   "Dionysius of Alexandria" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.
  8. Eusébio de Cesareia. «44». História Eclesiástica. Dionysius' Account of Serapion. (em inglês). VI. [S.l.: s.n.] 
  9.   "The Church of Antioch" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.
  10. Eusébio de Cesareia. «46». História Eclesiástica. Other Epistles of Dionysius. (em inglês). VI. [S.l.: s.n.]