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Fernando I da Romênia

Primeiros anosEditar

 
Fernando em 1878

Nascido em Sigmaringen, no sudoeste da Alemanha, o príncipe católico Fernando de Hohenzollern-Sigmaringen era o segundo filho do príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen e da infanta Antónia de Bragança, filha da rainha dona Maria II de Portugal e de seu consorte, Fernando de Saxe-Coburgo-Gota.

Após as renunciações de seu pai e de seu irmão mais velho, o príncipe Guilherme de Hohenzollern-Sigmaringen, o jovem príncipe Fernando, em novembro de 1888, tornou-se o herdeiro de seu tio, o rei Carlos I da Romênia, que não tinha filhos. O governo romeno não exigiu a sua conversão de catolicismo para a ortodoxia oriental, permitindo que ele permanecesse com a sua crença. Entretanto, seus filhos deveriam ser criados como ortodoxos, a então religião de Estado da Romênia.

O primo da mãe de Fernando, o czar Fernando I da Bulgária, estava no trono da Bulgária desde 1889 e se tornaria o maior oponente do reino de seus primos romenos. O imperador Francisco José I da Áustria (e também rei da Hungria e governante da Transilvânia, uma província com maioria de etnia romena) era primo da avó de Fernando, a rainha dona Maria II.

Sua tia, a rainha Isabel, planejava que ele se casasse com Elena Vacarescu, uma de suas damas de companhia. Porém, a Constituição romena não permitia o casamento do rei ou de seu herdeiro com mulheres de origem romena e a tentativa da rainha gerou um grande desconforto.

Casamento e filhosEditar

Em 1893, o príncipe herdeiro Fernando desposou uma prima distante, a princesa Maria de Edimburgo, filha do príncipe Alfredo, duque de Saxe-Coburgo-Gota e da ortodoxa grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia. Maria e Fernando eram ambos descendentes do duque Francisco de Saxe-Coburgo-Saalfeld. A princesa também era uma neta da rainha Vitória do Reino Unido e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Seus avós maternos, por sua vez, eram Alexandre II da Rússia e Maria de Hesse-Darmstadt. Isso a tornava prima-irmã do imperador reinante da Rússia, Nicolau II.

O casamento deles produziu três filhos (dos quais um morreu na infância) e três filhas:

  1. Carlos II da Romênia (15 de Outubro de 1893 - 4 de Abril de 1953), casado primeiro com Zizi Lambrino; com descendência. Casado depois com a princesa Helena da Grécia e Dinamarca; com descendência. Casado depois com Magda Lupescu; sem descendência.
  2. Isabel da Romênia (12 de Outubro de 1894 - 14 de Novembro de 1956), casada com o rei Jorge II da Grécia; sem descendência.
  3. Maria da Romênia (6 de Janeiro de 1900 - 22 de Junho de 1961), casada com o rei Alexandre I da Iugoslávia; com descendência.
  4. Nicolau da Romênia (5 de Agosto de 1903 - 9 de Junho de 1978), casado primeiro com Joana Dumitrescu-Doletti; sem descendência. Casado depois com Teresa Lisboa Figueira de Mello; sem descendência.
  5. Helena da Romênia (5 de Janeiro de 1909 - 24 de Janeiro de 1991), casada primeiro com o arquiduque António da Áustria; com descendência. Casado depois com Stefan Nikolas Issarescu; sem descendência.
  6. Mircea da Romênia (3 de Janeiro de 1913 - 2 de Novembro de 1916), morreu de tifo aos três anos de idade.

Sua esposa, entretanto, foi alegadamente infiel em outras fases do casamento, e supõe-se que a princesa Helena e o príncipe Mircea sejam, na verdade, filhos de Barbu Ştirbey, enquanto que o pai biológico da princesa Maria (a filha) foi o grão-duque Boris Vladimirovich da Rússia.

Rei da RomêniaEditar

 
Coroação de Fernando e Maria.

Fernando sucedeu ao seu tio como rei da Romênia em 10 de outubro de 1914, reinando até a sua morte, em 20 de julho de 1927.

Foi o 1.174º Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro, na Áustria (1909), e o 868º Cavaleiro da Ordem da Jarreteira, em 1924.

Primeira Guerra MundialEditar

 
Pôster britânico alusivo à adesão romena à Tríplice Entente contra seu primo, o Kaiser Guilherme II da Alemanha.

Apesar de ser membro de um ramo da família imperial Hohenzollern, Fernando presidiu a entrada de seu país na Primeira Guerra Mundial ao lado da Tríplice Entente contra os países das Potências Centrais, em 27 de agosto de 1916. Assim, ganhou o cognome O Leal, respeitando seu juramento, ao tomar posse perante o parlamento romeno em 1914: "Eu reinarei como um bom romeno".

Como consequência desta "traição" contra suas raízes germânicas, Guilherme II da Alemanha apagou o nome de Fernando dos registros da Casa de Hohenzollern.

Apesar dos contratempos com a entrada na guerra, quando Dobruja e Valáquia foram ocupadas pelas Potências Centrais, a Romênia lutou em 1917 e impediu o avanço alemão na Moldávia. Quando os bolcheviques pediram a paz, em 1918, a Romênia foi cercada pelas Potências Centrais e obrigada a aceitar o Tratado de Bucareste. Entretanto, Fernando I recusou-se a assinar o tratado. Quando os aliados avançaram na frente da Salônica, a Bulgária foi forçada a abandonar a guerra, Fernando ordenou a mobilização do exército e a Romênia voltou a lutar ao lado da Tríplice Entente.

O resultado do esforço de guerra romeno foi a união da Bessarábia, Bucovina e Transilvânia com o Reino da Romênia, em 1918. Fernando tornou-se governante de um Estado romeno bastante ampliado entre 1918 e 1920 - após a vitória da Tríplice Entente contra as Potências Centrais, uma guerra entre o Reino da Romênia e a República Soviética da Hungria e a Guerra Civil Russa -, sendo coroado Rei dos Romenos com grande pompa em 15 de outubro de 1922, na sede histórica do Principado de Alba Iulia, na Transilvânia.

O período da história romena que iniciou-se naquele dia foi e ainda é chamado de Grande União, ou "Marea Unire" [1][2]. Este período chegou ao fim com os tratados internacionais que levaram à Segunda Guerra Mundial, cederam partes da Romênia aos seus vizinhos e são amplamente vistos como uma tentativa de "provocar" o país a tomar partido e juntar-se à guerra [3].

Depois da guerraEditar

A política interna durante seu reinado foi dominada pelo conservador Partido Nacional Liberal, liderado pelos irmãos Ion e Vintilă Brătianu. A aquisição da Transilvânia, ironicamente, aumentou a base eleitoral da oposição, cujos principais partidos se uniram entre janeiro de 1825 e outubro de 1826 para formar o Partido Nacional Camponês.

Fernando morreu em Sinaia, em 20 de julho de 1927, e foi sucedido por seu neto, Miguel I, sob uma regência composta por três membros, um dos quais era o segundo filho de Fernando, príncipe Nicolau.

AncestraisEditar

Referências

  1. Florin Constantiniu, "The Great Union of 1918" in: "A Sincere History of the Romanian People", "Univers Enciclopedic" Publishing House, 1997, p. 301-302.
  2. Biografia de Vasile Goldiş na Wikipedia em inglês
  3. Duţu, Alesandru: Romania in World War II 1941-1945, Institute for Operative-Strategic Studies and Military History, Publishing House Sylvi, Bucharest 1997. ISBN 973-9175-24-4

NotaEditar

Ligações externasEditar

 
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Fernando I da Romênia
Casa de Hohenzollern-Sigmaringen
Ramo da Casa de Hohenzollern
24 de agosto de 1865 – 20 de julho de 1927
Precedido por
Carlos I
 
Rei da Romênia
10 de outubro de 1914 – 20 de julho de 1927
Sucedido por
Miguel I