Francesco Furini (Florença, entre 1600 e 1603) – Florença, 19 de agosto, de 1646) foi um pintor florentino da época do Barroco. Foi um artista peculiar, pois produziu quadros de um atrevido erotismo mesmo após ter sido ordenado sacerdote.

Francesco Furini
Francesco Furini
Autoretrat de Francesco Furini
Nascimento 10 de abril de 1603
Florença
Morte 19 de agosto de 1646 (43 anos)
Florença
Residência Florença
Cidadania Grão-Ducado da Toscana
Ocupação pintor, artista visual

Biografia editar

De família pobre e numerosa, era filho de um pintor de retratos, Filippo Furini, conhecido como Pippo Sciamerone. Francesco aprendeu com ele os rudimentos da arte, para depois completar a sua formação com Matteo Rosselli e Domenico Passignano, embora também tenha tido influência de Giovanni Biliverti.

Grande admirador da escultura clássica, que tinha podido estudar nas coleções dos Medici de Florença, visitou Roma em 1619, e aí conheceu o tenebrismo de Caravaggio e seus seguidores. Entre eles parece que teve uma especial relação com Bartolomeo Manfredi e com Giovanni da San Giovanni.

Em 1623 colaborou na finalização dos frescos do Palazzo Bentivoglio (hoje Pallavicini-Rospigliosi), encarregados pelo cardeal Guido Bentivoglio, e talvez também tenha participado nas pinturas murais inferiores da abside da igreja de SS Quattro Coronati, em Roma (1623-1624).

A sua primeira obra assinada é uma Crucificação de São Bartolomeu (1623, Todi, igreja de San Bartolomeo). Com quarenta anos, tornou-se pároco de Sant’Ansano em Mugello.

Uma das suas obras-primas é o conjunto mural em frescos do Palácio Pitti de Florença (1639-42), onde pintou, por encomenda de Fernando II de Médici, dois grandes lunetos com A Academia Platónica de Careggi e Alegoria da Morte de Lourenço, o Magnífico. Ambos os murais parecem um desafio de Furini face a Pietro da Cortona, que trabalhava no mesmo edifício nessa altura[1], e na realidade saem do estilo habitual de Furini.

Valoração crítica editar

A obra deste pintor reflete a tensão entre o maneirismo de Florença, já um tanto conservador, e as novidades do barroco. Abordou temas bíblicos e mitológicos com um sfumato de grande efeito. Apresenta certos paralelismos com Guido Reni.

O crítico Sydney Freedberg descreveu o estilo de Furini como «cheio de uma sensualidade mórbida». As suas figuras femininas frequentemente nuas contrastam com o seu sentimentalismo religioso. Críticos da época, como Filippo Baldinucci, repreenderam-no, e Baldinucci chegou a afirmar que Furini mandou destruir os seus quadros de nus após a sua morte; no entanto, o único facto provado é que continuou a pintar após ordenar-se sacerdote.

Exemplos disso são Lot e as suas filhas (Museo del Prado) e duas pinturas pertencentes à Casa de Alba: Alegoria da Verdade (Palacio de Liria, Madrid) e A criação de Eva (Palácio de Dueñas, Sevilha).

Bibliografia editar

  • Wittkower, Rudolf: Arte y Arquitectura en Italia: 1600-1750 Ediciones Cátedra, Madrid (2007) ISBN 978-84-376-2409-9
  • Sydney Joseph Freedberg (1978). Pintura en Italia, 1500-1600. Editorial Cátedra, Madrid. ISBN 84-376-0153-3
  • The Grove Dictionary of Art, MacMillan Publishers (2000)

Referências

  1. G. Cantelli, Disegni di Francesco Furini e del suo ambiente. Florença: Olschki, 1972
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