Guiana Britânica

atual República da Guiana
(Redirecionado de Guiana Inglesa)



Guiana Britânica
Flag of the navy of the Batavian Republic.gif
1814 – 1966 Flag of Guyana.svg

Bandeira de Guiana Inglesa

Bandeira

Localização de Guiana Inglesa
Continente América
País Guiana
Capital Georgetown
4° 39' N 74° 3' O
Língua oficial Inglês, Neerlandês
Governo Colônia
Período histórico Colonialismo
 • 13 de agosto de 1814 Tratado anglo-neerlandês de 1814
 • 26 de maio de 1966 Independência da Guiana
Área
 • 1966 214,970 km2

Guiana Inglesa ou Guiana Britânica (em inglês: British Guiana) era o nome de uma colônia britânica na costa do norte da América do Sul, agora independente (dentro do Commonwealth) e conhecida como República da Guiana.

A área foi reivindicada inicialmente pelos espanhóis, e logo após pelos neerlandeses, que organizaram as colônias do Essequibo, Demerara e Berbice. Estas três colônias foram tomadas pelos ingleses em 1796, oficialmente cedidas ao Reino Unido em 1814, e fundidas numa só colônia em 1831, passando a chamar-se Guiana Inglesa, cuja capital era Georgetown (conhecida como Stabroek antes de 1812). A Guiana tornou-se uma república independente do Reino Unido em 26 de maio de 1966.

HistóriaEditar

Os holandeses começaram a explorar e instalar-se na Guiana no final do século XVI, seguidos dos ingleses. Ambos começaram a comerciar com os povos Ameríndios. A Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais estabeleceu uma fortaleza em Kyk-over-al, entre 1616 e 1621, a qual chamaram de Condado de Essequibo. Tentativas de assentamento no interior fracassaram, e, em meados de 1700, os europeus estabeleceram-se na costa, onde criaram plantações trabalhadas por escravos africanos. As culturas principais eram o café, o algodão e o açúcar, tornando-se este último o principal produto. A qualidade do solo era pobre.

Os escravos que escapavam das plantações fugiam para as selvas, para viver com os indígenas. A mestiçagem racial e cultural deu origem aos denominados cimarrones. Em 1763, conduzidos pelo africano Cuffy - o herói nacional da Guiana -, os escravos sublevaram-se, no movimento conhecido como Rebelião dos escravos de Berbice. A revolta foi cruelmente esmagada.

Em 1796, a colônia neerlandesa foi tomada pelos ingleses. As colônias de Essequibo, Demerara e Berbice foram cedidas oficialmente ao Reino Unido no Tratado Anglo-Neerlandês de 1814 e no Congresso de Viena, em 1815. Em 1831, a administração de Essequibo, Demerara e Berbice foi unificada e o território foi denominado Guiana Inglesa.

Aos africanos, somaram-se posteriormente trabalhadores indianos, chineses e javaneses, atraídos pelos ingleses como mão-de-obra barata.

Os ideais de independência surgiram a partir de 1950, com o Partido Popular Progressista (PPP), que tinha em seu programa a proposta de independência nacional, a promoção de melhoras sociais e, a longo prazo, a adoção de um regime socialista. Cheddi Jagan, líder do PPP, ocupou por três períodos sucessivos o cargo de primeiro-ministro da Guiana Inglesa - em 1953 e em 1961, antes da independência - e, mais tarde, foi presidente da Guiana independente, de 1992 a 1997.[1]

Após anos de grande violência nas ruas, a Grã Bretanha reconheceu a independência da Guiana em 26 de maio de 1966, permanecendo na Commonwealth. O PPP foi dividido: a maioria dos afro-guianeses haviam-se nucleado no Congresso Nacional do Povo (CNP), enquanto que os guianeses de origem indiana seguiam fiéis a Jagan. Forbes Burnham, líder do CNP, assumiu o governo, apoiado por outras minorias étnicas.

Disputas territoriaisEditar

 
Guiana Inglesa, 1908

Em 1840 o Governo britânico designou a Robert Hermann Schomburgk a tarefa de demarcar a fronteira ocidental da Guiana Inglesa com a agora independente Venezuela. A Venezuela não aceitou a linha Schomburgk, que colocou toda a margem do rio Cuyuni dentro da colônia, e reivindicou todas as terras ao oeste do rio Essequibo como seu território, com base aos limites da Grã-Colômbia e os da Capitania Geral da Venezuela, direitos dos quais é herdeira de acordo no princípio do Uti possidetis iure.

Em 1897, o presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland, utilizou pressão diplomática para que as partes aceitassem uma arbitragem. O tribunal de arbitragem reuniu-se em Paris em 1898, sem nenhum representante venezuelano, e emitiu seu laudo de 1899. O tribunal atribuiu cerca de 94% do território em disputa aos britânicos. Anos depois, a Venezuela denunciaria esse resultado como tendencioso - produto de um acordo entre Rússia e Grã-Bretanha, decisão que ademais continha indícios que o fariam totalmente nulo, entre eles, excesso de poder (ver Ultra petita).

A questão manteve-se adormecida até 1962, quando a Venezuela renovou sua reivindicação, alegando que o laudo arbitrário não era válido, e a declaração era nula e errônea. O governo britânico rechaçou a alegação, afirmando a validade da atribuição de 1899. O Governo da Guiana Inglesa e, logo, sob a liderança do PPP, também rechaçou energicamente esta afirmação. Em 1966 quando a Guiana tornou-se independente, a Venezuela reconheceu o território da Guiana, mas só a parte a leste do rio Essequibo. Além disso, anexou nesse mesmo ano uma pequena porção da colônia, a ilha Anacoco. Os esforços realizados por todas as partes na questão para resolver o conflito, às vésperas da independência da Guiana, em 1966, fracassaram. Atualmente a disputa continua sem solução e está nas mãos de um delegado do Secretário Geral das Nações Unidas.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Larry Rohter, "Cheddi Jagan, Guyana's Founder, Dies at 78", The New York Times, March 7, 1997.