Guilhermino Augusto de Barros

Guilhermino Augusto de Barros
Guilhermino de Barros
Ignotos (pseud.)
Guilhermino Augusto de Barros in O Occidente (1900)
Deputado
Período (1858 a 1860) Vila Real
(1861-1863) Peso da Régua
Governador Civil
Período (1860-1861) Bragança
(1865-1868) Castelo Branco
(1865-1868) Castelo Branco
(1869-1870) Castelo Branco
(1977-1977) Lisboa
Dados pessoais
Nascimento 17 de novembro de 1827
Peso da Régua
Morte 16 de abril de 1900 (65 anos)
Lisboa
Nacionalidade português
Alma mater Universidade de Coimbra
Prêmio(s) Prémio D. Luiz (ARC)
Partido Histórico e mais tarde Progressista
Religião catolica
Profissão Político, administrador público, escritor

Guilhermino Augusto de Barros (Peso da Régua, 17 de Novembro de 1828Lisboa, 16 de Abril de 1900), foi deputado às Cortes eleito por Chaves, Vila Real, Idanha-a-Nova, e Covilhã. Par do Reino eleito e depois Par do Reino vitalício. Foi o primeiro Director Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, que exerceu por longo período de tempo. Director Geral da Indústria. Conselheiro de Estado e Juiz do Supremo Tribunal Administrativo. Foi também escritor e poeta.

Era filho de Francisco Manuel de Barros e de Maria Máxima de Carvalho.[1][2][3]

Resumo biográficoEditar

Guilhermino Augusto de Barros nasceu no Peso da Régua em 17 de Novembro de 1828, no seio de uma família de pequenos lavradores locais. Com o desenvolvimento do negócio do vinho, a família da mãe passara a ter algumas posses, o que permitiu que os filhos estudassem, concluíssem o liceu em Vila Real e fossem para Coimbra.

Guilhermino segue o percurso normal dos jovens da sua época, estuda em Coimbra, onde cria cumplicidades e faz amizades, ingressa num dos partidos políticos, e faz carreira pública e partidária. Carreira que o fará subir na escala social chegando no fim da vida a Conselheiro de Estado e Par do Reino, a maior das honras a que a geração nascida depois da constituição, aspirava. O filho de modestos lavradores da Régua chegava, no fim da vida, pelo seu mérito e labor, às honras e ao topo da escala social liberal.

A revolução de 1820, e as guerras que se seguiram, provocaram na sociedade portuguesa profundas alterações na ordem social estabelecida. As famílias dos Grandes do Reino, as famílias que frequentavam e ocupavam cargos na corte estavam no Brasil quando se deu a revolução, e mais tarde quase todos aderiram à facção miguelista que foi vencida. Assim, muitas das grandes casas aristocráticas estavam sem meios, os cargos na corte deixaram de ser remunerados, acabaram as comendas e as tenças, e o acesso aos cargos do estado era agora repartido, com os militares e políticos surgidos na nova ordem liberal. Esta nova ordem social permitiu que no século XIX aqueles que nasciam em berços mais modestos conseguissem com o seu esforço e percurso pessoal subir na escala social e económica. Guilhermino protagonizou um destes percursos de ascensão social e económica de uma família novecentista.

Guilhermino foi um homem do seu tempo e da sua época. Na adolescência assistiu às guerras civis que marcaram a primeira metade do século XIX, e que culminaram com o fim da Patuleia e com a Regeneração. Estudante em Coimbra seguiu os estímulos poéticos e líricos do romantismo. De passagem, frequentou no Porto, as tertúlias boémias e poéticas, no Aguia d’Ouro, e no café Guichard.

Iniciou a sua carreira na administração pública e na política partidária, no início da Regeneração. Acreditou e sonhou com um Portugal novo e regenerado, em que o estado funcionaria, e o progresso da nação, a educação e cultura do povo, não parariam de aumentar.

Admirou Castilho e Garrett, trocou correspondência com Herculano. Foi amigo de Camilo. Com Camilo partilhava opiniões e críticas sobre artigos de jornal, novelas e poemas.

Escreveu poesia para diversas publicações, poesia ultra-romântica, ao jeito e à moda da sua época. E escreveu um notável romance histórico: O Castelo de Monsanto.

Mas foi à frente da Direcção Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, que mais se notabilizou. Promoveu e alargou a base de funcionamento dos correios, criando um serviço postal como hoje o conhecemos. Participou em diversas conferências internacionais e em 1885 organizou um Congresso Postal em Lisboa. Escreveu relatórios e memorandos sobre os sistemas postais. Montou a rede de faróis da costa portuguesa, e mais tarde promoveu a criação da rede telefónica, assinando em nome do governo o contrato com os ingleses, que trouxeram o primeiro telefone para Portugal.

No fim vida escreveu o livro Os Contos do Fim do Século. Um poema épico de elogio aos homens que promoveram a mudança da sociedade portuguesa ao longo do século XIX. Nas suas palavras dedicado aos homens 1834, e com um elogio muito particular ao Duque de Ávila e Bolama, por quem Guilhermino nutria profunda admiração e respeito.

BiografiaEditar

Nasceu na Régua em 17 de Novembro de 1828 [1]

Em 1837 foi estudar para o Liceu de Vila Real, onde ficou a viver em casa do tio Frei José Justino de Carvalho, irmão de sua mãe.

Aí permaneceu até ao fim do Liceu em 1847. Em 1844 conheceu Camilo Castelo Branco, na Biblioteca Publica de Vila Real, amizade que se manteve pela vida fora.

Em 1846 está apto para se matricular na Universidade de Coimbra, mas devido à Guerra da Patuleia, a Universidade está fechada, matriculando-se apenas em 1847 [2]. Aluga um quarto no Bairro de São Bento, em frente ao jardim botânico. Em Coimbra conhece Manuel Vaz Preto Giraldes, de quem fica muito amigo. Manuel leva-o para a Casa da Graciosa, onde conhece o Conde da Graciosa. Este círculo de amizades e relacionamentos abrirá a Guilhermino diversas portas ao longo da sua vida.

Durante o período de estudante escreverá diversa poesia em publicações, como O Bardo (1852-1855) ou no jornal Novidades (sob o pseudónimo "Ignotos") tendo a Academia Real das Siências atribuído a um dos seus poemas o "Prémio D. Luiz".[1]

Em 1852 termina o curso de Direito, e poucos meses depois é nomeado secretário do Governo Civil de Vila Real, cargo que desempenhou por seis anos, tendo em alguns períodos sido Governador Civil Interino.

Em 1858 é eleito deputado pelo círculo de Chaves, iniciando uma carreira política e partidária. Segue para Lisboa onde partilha casa com José Luciano de Castro. Em 1860 [2][4] é nomeado Governador Civil de Castelo, que exercerá por um curto período até à queda do Governo de Loulé.

No fim do ano de 1864 há novas eleições e Guilhermino é eleito pelo círculo de Vila Real, iniciando-se a nova sessão legislativa em Janeiro de 1865. Na primavera a Câmara dos Deputados é dissolvida, e forma-se a coligação entre os Históricos e os Regeneradores, a Fusão, Guilhermino prescinde de ser candidata em favor de um regenerador, e por isso não será eleito. Em compensação é nomeado Governador Civil de Castelo Branco[1][2][3][4].

Na capital da Beira baixa fica a residir na Casa da Lousa, do seu grande amigo Manuel Vaz Preto. Como Governador Civil desenvolverá inúmeras acções para o estabelecimento da rede de escolas primárias, e do ensino liceal. Promove a fundação do Asilo da Infância Desvalida que iniciará actividade em 1866.

Em 1868 é eleito deputado pelo partido Histórico, no círculo de Idanha-a-nova. Regra a Lisboa.

Em Maio de de 1869 casa na capela da casa da Lousa, com Júlia Vaz Preto Giraldes, irmã de Manuel.

Em 1869 volta a ser nomeado Governador Civil de Castelo Branco.[1][2][3][4]. Desiludido com a política partidária decide recolher-se á vida familiar na Casa da Lousa. Nets período que se seguirá até 1877, dedica-se eao studo da história local, escrevendo um romance histórico, O Castelo de Monsanto, muito elogiado por Camilo Castelo Branco e por Pinheiro Chagas.

Entre 1869 e 1877 permanece retirado da política activa, vivendo na Casa da Lousa, Castelo Branco, em casa de seu cunhado. Neste período em que vive na Beira Baixa escreve o livro Castello de Monsanto, um romance elogiado por Camilo Castelo Branco,[1] e por Pinheiro Chagas.

Afastado da política activa não deixa de participar na vida do partido, sendo um dos promotores do Pacto da Granja, que em 1876 levará a fusão de Históricos e Reformistas e á formação do Partido Progressista.

Em 1877 é nomeado Governador Civil de Lisboa[3]. Instalada uma polémica absurda em torno das festas no Passeio Público, Guilhermino terá que sair do Governo Civil. Em Outubro e por compensação o Duque de Ávila chama-o para Director Geral dos Correios[4]. À frente da Direcção geral dos Correios promoverá a modernização e implementará muitos novos serviços.

Nestas funções, representou Portugal no "Congresso Postal de Paris" de 1978 tendo, então, sido agraciado com a Comenda da Legião de Honra pelo governo francês.[1]. Em 1885 é o anfitrião do Congresso Postal em Lisboa.

Em 1881 promove a integração do serviço de Telégrafos e Faróis de costa na direcção Geral, e visita todos os Faróis para remodelar e reconstruir este serviço.

Em 1882 é introduzido o serviço de telefones em Lisboa e depois no Porto.

Mais tarde, em 1898, solicitou a transferência para Director Geral do Comércio e Indústria,[2] voltando no entanto, na fase terminal da sua vida, ao cargo de Director Geral dos Correios.[1]

Deputado às Cortes entre 1858 e 1887,[3] Guilhermino de Barros foi eleito Par do Reino[1][2] em 1885 por Lisboa, sendo nomeado Par do Reino vitalício em 1898.[3]

Guilhermino Augusto de Barros morreu em 16 de Abril de 1900 em Lisboa.[1][2]

Jaz sepultado no jazigo de família, no Adro da Igreja de Alvações do Corgo.


[1] Certidão de matrícula da Universidade de Coimbra.

[2] Relação e Índice Alfabético dos Estudantes Matriculados na Universidade de Coimbra e no Liceu – 1847-48.

Casamento e descendênciaEditar

Casou em 19 de Maio de 1869 com Júlia Maria Vaz Preto Giraldes, filha de João José Vaz Preto Giraldes e de Maria Júlia de Aires, natural de Lisboa. Foi educada a custas de seu pai no Colégio em Lisboa, onde Guilhermino a conheceu.

Viveram na Casa da Lousa de 1869 a 1877, altura em que habitaram no Patio dos Girlades em Lisboa. Em 1889 passaram a habitar numa casa em Pedrouços. Tiveram 4 filhos:

- Guilhermino Augusto de Barros, nasceu em 1871 na Lousa, Castelo Branco, casou com Maria Sande de Maxia Aires de Campos (Ameal), filha dos primeiros Condes do Ameal.

- Manue Augusto Vaz Preto Giraldes de Barros, nasceu na Lousa em 1872, e faleceu em Cinfães com 20 anos.

- Maria Máxima Vaz Preto Giraldes de Barros, casou com Francisco de Ataide.

- João José Augusto Vaz Preto Giraldes de Barros, casou com Maria Cristina Queriol Macieira.

Bibliografia activaEditar

  • O Castelo de Monsanto, Século XV (Lisboa, Lallemant Frères, 1879) OCLC 79280868
  • Contos do Fim do Século (Lisboa, Imprensa Nacional, 1894) OCLC 4507606
  • Memória histórica àcêrca da telegrafia eléctrica em Portugal (Lisboa, Publicidade e Propaganda dos C.T.T., 1943) OCLC 57412744
  • Relatório Postal do anno  economico de 1877 - 1878, precedido de uma memória histórica relativa aos correios portugueses desde o tempo de D. Manuel até aos nossos dias. Lisboa: Grupo de Amigos do Museu dos CTT, Ed. facsimil. de Lisboa: Lallemant Fréres Typ., 1879.
  • Relatório do Director Geral dos Correios, telegraphos, pharoes e semaphoros relativo ao anno de 1889, PRECEDIDO PELA CONTINUAÇÃO DA HISTORIA DOS CORREIOS ATÉ AO FIM DE 1888: E DE UMA MEMORIA HISTORICA ACERCA DA TELEGRAPHIA VISUAL. Guilhermino Augusto de Barros, 1992. Lisboa: Grupo de Amigos do Museu dos CTT, Ed. fac-simil. de Lisboa: Imprensa Nacional, 1891.
  • Memória histórica acerca da telegrafia eléctrica em Portugal, 2.a edição, ampliada com notas, gravuras e retractos coligidos por Godofredo Ferreira. Lisboa: Publicidade e Propaganda dos C.T.T. Lisboa 1943.
  • Despedida do Director Geral Guilhermino Augusto de Barros aos funccionários de correios e telegraphos de todas as graduações. Lisboa, Imprensa Nacional, 1893.
  • Relatório para servir ao estudo das redes pneumáticas de Lisboa e Porto, telefonicas de Sintra e do resto do paiz, dos cabos submarinos dos Açores, Lisboa, Imprensa Nacional, 1889.
  • Relatório do Conselheiro director geral dos correios, telegraphos e pharoes. Conferência de Bruxellas, Lisboa, 1891.
  • Diccionario chorographico postal: com o horário da partida e chegada de malas do correio... / Augusto Soromenho; prefaciado pelo Conselheiro Guilhermino Augusto de Barros – Lisboa, Livraria Economica, 1893
  • Relatorio do Director Geral dos Correios, telegraphos, pharoes e semaphoros relativo ao anno de 1889 : precedido pela continuação da história dos correios até ao fim de 1888 : e de uma memória histórica acerca da telegraphia visual... / Guilhermino Augusto de Barros; Grupo de Amigos do Museu CTT. Ed. fac-similada, Lisboa, G.A.M CTT,1992

Bibliografia passivaEditar

  • António Canavarro de Valladares (1970). Camilo e Guilhermino de Barros. Vila Real: Junta Distrital. 52 páginas. OCLC 2896939 
  • Biografia de Guilhermino Augusto de Barros, manuscrito de Diogo de Azeredo Barata de Tovar (a publicar em 2016)
  • Guilhermino de Barros no site Douro Press.
  • Guilhermino de Barros no site de Pedro Almeida Vieira.
  • [ligação inativa] Governadores Civis de Portugal, no site do Ministério da Administração Interna.Camilo Castelo Branco - Boémia do Espírito - Porto 1866 (1ªedição)
  • Artur de Magalhães Basto - O Porto do Romantismo – Edições Caminhos Cruzados,
  • D. Jose Trazimundo Mascarenhas Barreto - Memórias do Marquês de Fronteira e d'Alorna D. José Trazimundo ditadas por ele próprio em 1861 / rev. e coord. Po r Ernesto de Campos de Andrada. - Coimbra: Imprensa da Universidade, 1928-1932.
  • História da Vila e Concelho do Peso da Régua - Imprensa do Douro
  • Fernando de Sousa - O Arquivo da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro - Edição da Real Companhia Velha – Porto 2003
  • Ulisses Vaz Pardal – Cem anos ao Serviço da Infância - Castelo Branco 1969
    • Carlos Reis e Maia da Natividade Pires - História crítica da Literatura Portuguesa, volume V – Edição de 1993
    • Jornal NOVIDADES de 16, 17 e 18 de Abril de 1900 – BPMP
    • Barroso da Fonte - Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto-Durienses
    • Relação e Índice Alfabético dos Estudantes Matriculados na Universidade de Coimbra e Liceu – 1847/48
    • Relação e Índice Alfabético dos Estudantes Matriculados na Universidade de Coimbra e Liceu – 1839/40
    • Relação e Índice Alfabético dos Estudantes Matriculados na Universidade de Coimbra e Liceu – 1841/41
    • Nuno Pousinho – Um Notável Rebelde - Revista de História – Novembro de 2002
    • Fernando Sousa e Silva Gonçalves – Os Governadores Civis de Vila Real – Vila Real 2002
    • José Luciano de Castro (24 de Setembro de 2011)
    • http://www.missionarios.boanova.pt/ser/historia (em 13 de Janeiro de 2013)
    • http://portugaldominicano.blogspot.pt/2008/09/antigo-colgio-de-s-toms-coimbra.html  (em 13 de Janeiro de 2013)
    • Antonio Cabral – Cartas de El-Rei D. carlos a José Luciano de Castro – Lisboa – maio 1927
    • Discurso Fúnebre recitado em 25 de Agosto de 1853 nas exéquias do ilustríssimo senhor José Bernardo Ferreira - Tipografia de Sebastião José Pereira- Porto, 1853.
    • Maria Luisa Nicolau de Almeida Olazabal - D. Antónia - 2011 - página 33, e 100-101.
    • Eurico Carlos Esteves Lage Cardoso, A História dos Correios em Portugal, Lisboa E.C.E.L, 1999.
    • Maria Fernanda Rollo, A Introdução do Telefone em Portugal, Revista INGENIUM, Ordem dos Engenheiros, Maio/Junho 2010.
    • Ricardo Revez, Camilo Castelo Branco: Romântico Integral, Revista História, n.º 75 Abril 2005.

Referências

  1. a b c d e f g h i «Necrologia : Concelheiro Guilhermino de Barros». Indica erradamente "1976" como ano em que foi Governador Civil de Lisboa. O Occidente n.º 767. 20 de Abril de 1900. p. 88. Consultado em 26 de maio de 2016 
  2. a b c d e f g Fonte, Barroso da (coord.) (1998). Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses. press-net do Douro. I. Guimarães: [s.n.] 656 páginas. ISBN 9789729674624. OCLC 44732449. Consultado em 26 de maio de 2016 
  3. a b c d e f Vasconcelos e Sousa;, Gonçalo de; Reis, José da Costa (1992). Costados Nobres de Portugal 1.ª ed. Porto: Livraria Esquina. 120 páginas. OCLC 34509636 
  4. a b c d Júlia Nunes; Madalena Bobone (coord.) (Julho de 2008). «Governadores Civis (1835 - 2008)» (PDF). Lisboa: Divisão de Documentação e Arquivo, Ministério da Administração Interna, Secretaria-Geral. pp. 20, 26, 56. Consultado em 26 de maio de 2016. Cópia arquivada (PDF) em 22 de janeiro de 2011 [ligação inativa]

Ligações externasEditar