Hayashi Razan

filósofo japonês
Hayashi Razan
Nascimento 1583
Quioto
Morte 7 de março de 1657 (74 anos)
Edo
Cidadania Japão
Etnia japoneses
Filho(s) Hayashi Gahō
Ocupação filósofo
Religião Confucionismo

Hayashi Razan (林 羅山? 1583 - March 7, 1657), também conhecido como Hayashi Dōshun,[1] foi um filósofo neoconfucionista que serviu como um tutor e conselheiro para os primeiros quatro xoguns do bakufu Tokugawa. Ele também é conhecido pela primeira lista das Três Vistas do Japão. Razan foi o fundador do clã Hayashi dos acadêmicos confucionistas.

Razan foi um acadêmico, professor e administrador influente. Junto com seus filhos e netos, credita-se a ele o estabelecimento da doutrina neoconfucionista oficial do xogunato Tokugawa. A ênfase de Razan nos valores inerentes à perspectiva conservadora estática forneceu os fundamentos intelectuais do bakufu Edo. Razan também reinterpretou o xintoísmo e assim criou uma fundação para o desenvolvimento do xintoísmo confucionista que se desenvolveu no século XX.

A fundação intelectual da obra da vida de Razan foi baseada em estudos antigos com Fujiwara Seika (1561–1619), o primeiro estudioso japonês que é conhecido por estudo aprofundado de Confúcio e os comentaristas confucianos. Este nobre kuge havia se tornado um sacerdote budista; mas a insatisfação de Seika com a filosofia e as doutrinas do budismo levaram-no ao estudo do confucionismo. No devido templo, Seika chamou outros estudiosos motivados a juntar-se a ele nos estudos que foram influenciados em grande parte pela obra do neoconfucionista chinês Zhu Xi (ou Chu Hsi), um sábio do período Sung.[2] Zhu Xi e Seikwa enfatizavam o papel do indivíduo como um funcionário da sociedade que se instala naturalmente em uma certa forma de hierarquia. Ele separava as pessoas em quatro classes distintas: samurai (classe governante), agricultores, artesãos e mercadores.

AcadêmicoEditar

Razan desenvolveu uma mistura prática das crenças e práticas xintoístas e confucionistas. Essa construção coerente de ideias inter-relacionadas levou eles próprios a um programa bem aceito de protocolos educacionais, de treinamento e de testes samurai e burocrata. Em 1607, Hayashi foi aceito como um conselheiro político para o segundo xogum, Tokugawa Hidetada.

Razan tornou-se o reitor da Academia Confuciana de Edo, o Shōhei-kō (depois conhecido como Yushima Seidō) que foi construído em terras oferecidas pelo xogum. Essa instituição permaneceu no ápice do sistema educacional e de treinamento nacional, que foi criado e mantido pelo xogunato Tokugawa. Razam tinha o título honorífico de Daigaku-no kami, que se tornou hereditário em sua família. A sua posição como líder do Seidō também se tornou hereditária na família Hayashi. Daigaku-no-kami,no contexto da hierarquia do xogunato Tokugawa, efetivamente se traduz como "Líder da Universidade do Estado".[3]

No contexto que seu pai gerou, Hayashi Gahō (anteriormente Harukatsu), trabalhou na edição de uma crônica dos imperadores japoneses compilada em conformidade com os princípios de seu pai. O Nihon Ōdai Ichiran desenvolveu-se em um texto de sete volumes que foi concluído em 1650. O próprio Gahō foi aceito como um estudioso notável nesse período. Mas as ligações de Hayashi e do Shōhei-kō com a circulação da obra são parte de uma explicação da popularidade desta obra no século XVIII ou XIX. Os leitores contemporâneos devem ter encontrado algum grau de utilidade neste sumário escrito a partir de reigostrs históricos.

A narrativa de Nihon Ōdai Ichiran para por volta de 1600, provavelmente em respeito às sensibilidades do regime Tokugawa. O texto de Gahō não cointuou até os dias presentes, mas ao invés disso, ele concluiu suas crônicas um pouco antes do último governante pré-Tokugawa. Este livro foi publicado em meados do século XVII e foi reimpresso em 1803, "talvez porque ele era uma obra de referência necessária para os oficiais."[4]

O sucessor de Razan como principal estudioso de Tokugawa foi seu terceiro filho, Gahō. Após a morte de Razan, Gahō terminou a obra que seu pai começou, incluindo um grande número de outras obras criadas para ajudar os leitores a aprender a história do Japão. Em 1670, a reputação acadêmica da família Hayashi foi polida quando Gahō publicou os 310 volumes de A História Compreensiva do Japão (本朝通鑑/ほんちょうつがん,Honchō-tsugan).[5]

As escritas de Razan foram compiladas, editadas e postumamente publicadas por Hayashi Gahō e seu irmão mais novo, Hayashi Dokkōsai (antigamente Morikatsu):

  • Hayashi Razan bunshū (as Obras Completas de Hayashi Razanreimpresso em 1918
  • Razan sensei isshū (Poemas do Mestre Razan), reimpresso em 1921

O neto de Razan, Hayashi Hōkō (antigamente Nobuatsu), dirigiu o Yushima Seidō e ostentou o título herdado Daigaku-no kami. O progênito de Hōkō continuaria a obra iniciada no século XVIII pelo patriarca Hayashi.

Teórico políticoEditar

Como um teórico político, Hayashi Daigaku-no-kami Razan viveu para testemunhar sua teoria filosófica e pragmática tornar a base da ideologia dominante do bakufu até o final do século XVIII. Esta evolução desenvolvida em parte da equiparação de Razan entre os samurais e a classe governante culta (embora os samurais fossem em sua maioria analfabetos no início do xogunato Tokugawa). Razan ajudou a legitimar o papel do bakufu militar no começo de sua existência. Sua filosofia também é importante no sentido de que encorajou a classe samurai a cultivar eles próprios, uma tendência que se espalharia durante sua vida e além. O aforismo de Razan encapsula esta visão:

"Nenhum aprendizado verdadeiro sem armas e nenhumas armas sem aprendizado."[6]

Hayashi Razan e sua família teriam um papel importante em ajudar a cristalizar os fundamentos teóricos do regime Tokugawa.

Em janeiro de 1858, seria Hayashi Akira, o descendente hereditário Daigaku-no-kami de Hayashi Razan que dirigiria a delegação bakufu que buscou conselho do imperador em decidir como lidar com as potências estrangeiras.[7] Esta seria a primeira vez que o conselho do Imperador foi ativamente buscado desde o estabelecimento do xogunato Tokugawa. A consequência mais facilmente identificada dessa abertura de transição seria o número crescente de mensageiros que fluíam constantemente entre Tóquio e Quioto durante a década seguinte. Não há ironia no fato deste estudioso/burocrata do século XIX se encontraria em um nexo fundamental administrando a mudança política – movendo-se sem ter dúvidas através de águas desconhecidas com teorias bem assentadas como o único guia.[8]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Ponsonby-Fane, Richard A.B. (1956). Kyoto: the Old Capital of Japan, 794-1869, p. 418.
  2. Ponsonby-Fane, R. (1956). Kyoto: the Old Capital of Japan, 794-1869, p. 418.
  3. Ponsonby-Fane, p. 418.
  4. Screech, Secret Memoirs of the Shoguns: Isaac Titsingh and Japan, 1779-1822. p. 65.
  5. Brownlee, John. (1999). Political Thought in Japanese Historical Writing, p. 120
  6. Blomberg, Catherina. (1999). The Heart of the Warrior, p. 158.
  7. Cullen, L.M. (2003). A History of Japan, 1582-1941: Internal and External Worlds, p. 178 n11.
  8. Ponsonby-Fane, p. 324.

NotasEditar

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar