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Janira Da Rocha Silva
Janira Rocha discursando no plenário Barbosa Lima Sobrinho, Palácio Tiradentes (Alerj)
Deputado estadual por  Rio de Janeiro
Período 1 de janeiro de 2011
até 31 de janeiro de 2015
Dados pessoais
Nascimento 30 de dezembro de 1961 (57 anos)
Nova Iguaçu,  Rio de Janeiro,  Brasil
Cônjuge Fernando De Lima
Partido PT (1982-1995)
PSTU (1995-2000)
PSOL (2004-presente)
Profissão Servidor público da Previdência Social

Janira Da Rocha Silva (Nova Iguaçu 30 de dezembro de 1961), é uma politica brasileira, ex-deputada estadual pelo estado do Rio de Janeiro, eleita em 2010.[1]

Infância e JuventudeEditar

Criada em uma família de baixa renda, filha de mãe alcoólatra e pai ausente, Janira Rocha desde muito jovem, presenciou uma rotina de violência dentro e fora de casa. Foi vítima de violência sexual cometida pelo avô na infância e na adolescência por um tio. Esta desestrutura familiar a levou a morar nas ruas por cerca de dois anos e meio. Acolhida pela mãe de uma amiga, neste período, trabalhou como operária, feirante, babá, vendedora ambulante e empregada doméstica para viabilizar seus estudos. Em 1980, aos 19 anos, formou-se professora "normalista".

Aos 12 anos de idade teve contato com o grupo "Juventude Operária Católica", onde começou a pensar o mundo politicamente. A descoberta do debate político neste espaço religioso foi decisivo na sua formação.

Durante a ditadura civil-militar (1964-1985), Janira mora na Casa do Estudante (CEU), no bairro do Flamengo (RJ), entre 1982 a 1988. Lá, palco de inúmeras discussões políticas, despertou seu lado socialista e o espírito de liderança conhecido por todos. Em 1984, Janira Rocha se torna servidora pública federal do INSS e entra para a faculdade de História na Universidade Federal Fluminense (UFF). Neste momento, entra em contato com a luta dos servidores públicos, proibidos de se organizarem sindicalmente pela Ditadura Militar ainda vigente. Uma vez os servidores proibidos de fazer qualquer manifestação política, Janira Rocha decide ingressar no movimento sindical mesmo de maneira clandestina.

Vida SindicalEditar

Janira inicia sua militância sindical ajudando a fundar o Sindicato dos trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (SINDSPREV) no início da década de 80, que só é formalizado legalmente após aprovação da Constituição Federal em 1988. Nesta luta, Janira torna-se referência nacional na defesa dos trabalhadores e na busca por direitos iguais, não apenas na área da saúde, mas em diversas outras categorias e movimentos sociais pelo país.

No SINDSPREV, Janira militou pelo fim da Ditadura, pelo Direito de Greve e de livre organização dos servidores, nas Greves Gerais da década de 80 e no movimento "Fora Collor". Foi contrária ao processo de privatização do Estado durante o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), lutou pela reintegração dos Mata Mosquitos da Funasa (1999), se posicionou contrária à privatização dos hospitais estaduais no governo de Marcello Alencar (PSDB-RJ), foi um dos nomes principais da greve nacional do funcionalismo público contra a Reforma da Previdência no governo Lula em 2003.

Trajetória partidáriaEditar

No ano de 1982 participa da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio de Janeiro. Em 1995, sai do PT e entra no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) onde permanece até 2000. No ano de 2002, integra o Movimento da Luta Socialista (MLS), que depois se unifica com o Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL). Em 2004 Janira se une a outros políticos que saíram do PT e participa da fundação do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) [2]. No ano de 2006, participa da campanha para presidente da República de Heloísa Helena pelo Psol. Janira integra o Coletivo “Psol do Povo” no Rio de Janeiro e apoia, nacionalmente, o Campo Majoritário dirigido pela tendência Ação Popular Socialista (APS).

Eleita pelo Psol em 2010, Janira Rocha assume seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio (ALERJ) e faz mandato como a deputada que defende a causa dos menos favorecidos, dos trabalhadores mais humildes e dos servidores públicos.

Primeiro MandatoEditar

Presente ao lado dos profissionais de Saúde, dos servidores estaduais da Educação, da Segurança Pública, dos catadores de lixo, dos movimentos sociais como o MTST (Sem Teto) e impactados pelos grandes empreendimentos e eventos do Rio de Janeiro. Janira Rocha torna-se porta-voz da população mais carente na ALERJ, utiliza o mandato para denunciar as injustiças sociais e arbitrariedades das classes dominantes.

Participou pessoalmente da histórica mobilização dos bombeiros e policiais militares, em 2011, por melhores salários e condições de trabalho. Uma das marcas do seu mandato é a exigência do governo transparente e honestidade no uso dos recursos públicos. Como integrante das comissões de Orçamento e de Saúde da ALERJ, Janira Rocha atuou na fiscalização dos gastos governamentais e das unidades de saúde pública, denunciando os desmandos do governo Sérgio Cabral (PMDB) nas concessões de benefícios fiscais para grandes empresas e nas privatizações dos serviços de saúde pública através das Organizações Sociais (OS). Janira foi relatora da Comissão Especial que investigou os crimes ambientais cometidos pela siderúrgica TKCSA na Zona Oeste do Rio, integrou a CPI que analisou a tragédia ocorrida na Região Serrana em 2011 e presidiu a Comissão Especial dos Lixões, que apurou a política de desativação dos lixões em todo o estado, além de compor as Comissões Permanentes de Orçamento e de Saúde.

DenúnciaEditar

Janira Rocha sofreu processo de cassação por prática de cotização em seu gabinete. A acusação surgiu de um suposto dossiê de ex-assessores do mandato. A executiva nacional do Psol e a Comissão de Ética arquivaram o processo de expulsão da deputada do partido, uma vez que a prática de contribuição financeira é prevista pelo estatuto partidário e nenhuma outra acusação foi provada. O processo na ALERJ foi paralisado na Comissão de Constituição e Justiça do parlamento por apresentar erros jurídicos.[3]

SaúdeEditar

No ano de 2013, em função de tratamento para disfunção metabólica recomendada por médicos, Janira Rocha realizou cirurgia bariátrica e emagreceu mais de 40 quilos.[4]

CaronaEditar

Janira Rocha acompanhou o pedido de asilo político dos ativistas Eloísa Samy, David Paixão e Camila Nascimento no Consulado do Uruguai, no Rio de Janeiro, em julho de 2014. Acompanhada por advogados da OAB-RJ, a deputada participou das negociações e, frente a negativa do Governo Uruguaio de conceder asilo aos três, deu carona aos ativistas para que deixassem o local.[5][6]

Referências

  1. «Janira Rocha (2010)». UOL Eleições 2010. Consultado em 5 de Novembro de 2014 
  2. ROCHA, J.(2004), "Os trabalhadores precisam de um Novo Partido porque querem lutar", entrevista com Janira Rocha. In: Revista Crítica Social, nº 4, pág 44, Rio de Janeiro: Editora Adia, 2004.
  3. «PSOL arquiva processo contra a deputada estadual Janira Rocha». o Globo. 27 de março de 2014. Consultado em 5 de Novembro de 2014 
  4. «Médicos da Alerj vão examinar deputada Janira Rocha». O Globo. 24 de outubro de 2013. Consultado em 5 de Novembro de 2014 
  5. «Governo uruguaio nega asilo político a ativistas brasileiros». Ultimo Segundo/iG. 22 de Julho de 2014. Consultado em 5 de Novembro de 2014 
  6. «Carona e estado de exceção». Folha de S.Paulo. 4 de agosto de 2014. Consultado em 11 de Novembro de 2014