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José Manuel de Carvalho
Nascimento 15 de setembro de 1844
Morte 24 de abril de 1904 (59 anos)
Cidadania Portugal
Ocupação padre católico
Religião Igreja Católica

José Manuel de Carvalho (Tourigo, 15 de Setembro de 1844Angra do Heroísmo, 24 de Abril de 1904) foi o 18.º bispo da Diocese de Macau (1897 a 1902) e o 31.º bispo da Diocese de Angra (1902 a 1904).

BiografiaEditar

José Manuel de Carvalho nasceu no então lugar de Tourigo, hoje freguesia mas ao tempo pertencente à freguesia do Barreiro de Besteiros, concelho de Tondela.

Concluiu o curso do Seminário em Viseu, cidade onde foi ordenado sacerdote a 21 de Setembro de 1867. Após a ordenação foi contratado como preceptor dos filhos de António Maria Vilhena de Vasconcelos e Menezes, o 1.º marquês de Reriz, em São Pedro do Sul, acompanhando o seu percurso académico até à Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito no ano de 1871. Terminado o curso, fixou-se em Viseu, sendo professor do Liceu e no Seminário daquela cidade.

Por iniciativa do conselheiro Jacinto Cândido da Silva, então Ministro da Marinha e Ultramar e antigo colega universitário, foi apresentado a 4 de Fevereiro de 1897 para o lugar de bispo de Macau. Foi confirmado para o lugar por breve do papa Leão XIII datado de 19 de Abril de 1897. Foi sagrado a 29 de Agosto daquele ano, embarcando seguidamente para Macau. Durante o seu bispado, ele dividiu Timor Português, naquela altura dependente da Diocese de Macau, em dois missões centrais ou vicariatos gerais (Lahane e Soibada), em 1900. Nesse mesmo ano, consagrou a diocese ao Sagrado Coração de Jesus. Apoiou as actividades religiosas, educacionais e assistenciais oferecidas à diocese pelas Filhas Canossianas da Caridade, que expandiram para Hainão em 1901. Abriu uma nova missão portuguesa em Heung-shan. Tanto Hainão como Heung-shan, que eram territórios chineses livres da ocupação portuguesa, estavam sob jurisdição eclesiástica da Diocese de Macau.

Regressou a Lisboa por motivos de saúde, onde chegou a 8 de Abril de 1901. Foi transferido para a Diocese de Angra a 9 de Junho de 1902, da qual tomou posse a 16 de Agosto daquele ano através do seu procurador, o vigário capitular José dos Reis Fisher. A posse foi-lhe conferida pelo presidente do cabido e tesoureiro-mor, João Paulino de Azevedo e Castro, então professor do Seminário Episcopal de Angra, mas já apresentado como seu sucessor como prelado da Diocese de Macau. Fez a sua entrada solene na Sé Catedral de Angra a 11 de Novembro de 1902, sendo recebido com as honras do estilo, as quais incluíram uma mensagem de boas-vindas proferida pelo visconde da Agualva, então vice-presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

Pouco depois da sua chegada aos Açores procedeu à cerimónia de sagração do seu sucessor em Macau, o bispo D. José Paulino de Azevedo e Castro, realizada a 27 de Dezembro de 1902 na Igreja de Nossa Senhora da Guia do Convento de São Francisco de Angra.

No governo da diocese realizou visitas pastorais e fez recomendações sobre a catequese e serviços paroquiais, insistindo na necessidade de manter um adequado registo paroquial, preocupação que já vinha do tempo do seu antecessor D. João Maria Pereira de Amaral e Pimentel. A 10 de Agosto de 1903 aprovou um novo regulamento para o Seminário Episcopal de Angra, estabelecendo nos dormitórios o sistema de cubículos de lona, separando os alunos nas camaratas, e incluindo no currículo obrigatório as aulas de música e canto gregoriano.

Por provisão de 28 de Fevereiro de 1904 mandou celebrar condignamento o 50.º aniversário da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição de Maria, sendo o correspondente Ano Jubilar assinalado por cerimónia realizada a 8 de Dezembro daquele ano.

Faleceu repentinamente na noite de 24 de Abril de 1904, sendo o seu funeral realizado com grande solenidade, acompanhado por uma força militar, que deu as descargas do estilo ao baixar do corpo à sepultura, ao mesmo tempo que salvava a artilharia do Castelo de São João Baptista do Monte Brasil.

ReferênciasEditar