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Leonor Tomásia de Távora, 3.ª Marquesa de Távora

D. Leonor Tomásia de Lorena e Távora
Marquesa de Távora
Condessa de São João da Pesqueira
Condessa de Alvor
D. Leonor Tomásia de Lorena e Távora. Museu dos Condes de Castro Guimarães.
Cônjuge Francisco de Assis de Távora, 3.º Conde de Alvor
Casa Casa dos Távoras
Nascimento 15 de março de 1700
  Mogadouro, Bragança, Reino de Portugal
Morte 13 de janeiro de 1759 (58 anos)
  Santa Maria de Belém, Lisboa, Reino de Portugal
Pai Luís Bernardo de Távora, 5.° Conde de São João da Pesqueira
Mãe Ana de Lorena
D. Leonor de Távora.

Leonor Tomásia de Lorena e Távora, 3.ª Marquesa de Távora (Mogadouro, 15 de março de 1700Lisboa, 13 de janeiro de 1759) foi uma nobre portuguesa do século XVIII, melhor conhecida por ter sido uma das vítimas executadas durante o Processo dos Távoras.

BiografiaEditar

Família e títulos nobiliárquicosEditar

Filha de D. Luís Bernardo de Távora, o 5.º Conde de São João da Pesqueira (1677-1718), e de D. Ana de Lorena (1681-1748), esta filha do 1.° Duque de Cadaval, D. Leonor tornou-se a única herdeira de seu pai em 1716, quando o seu irmão, D. António Bernardo de Távora (1699-1716), morreu aos 17 anos. Dois anos mais tarde, seu pai também faleceu, e ela tornou-se, por direito, a 6.ª Condessa de São João da Pesqueira.

No dia 21 de fevereiro de 1718, dias depois de se tornar condessa, D. Leonor desposou em Mirandela o seu primo D. Francisco de Assis de Távora, filho mais velho de D. Bernardo de Távora, o 3.° Conde de Alvor e de D. Joana de Lorena. A Gazeta de Lisboa noticia o casamento, dizendo: "Francisco de Assis de Távora, filho primogénito do Conde de Alvor, se recebeo na Villa de Mirandella da Provincia de Traz os Montes, com a senhora D. Leonor de Távora, filha única, & herdeyra do Conde de S. João, & da Casa dos Marquezes de Távora, seus avós."

Deste casamento nasceram treze filhos, dos quais quatro chegaram à idade adulta:

  • D. Mariana Raimunda Bernarda de Távora (1722-?), que desposou D. Jerónimo de Ataíde, 11.º Conde de Atouguia;
  • D. Luís Bernardo de Távora (1723-1759), 4.° Marquês de Távora, executado juntamente com os pais, que desposou sua tia paterna D. Teresa de Távora e Lorena, amante do rei D. José I;
  • D. Joana Bernarda de Távora e Lorena (1724-1724);
  • D. Bernardo José António Filipe Baltazar de Távora (1725-1725);
  • D. Margarida de Távora (1726-1735);
  • D. Ana de Távora (1727-?);
  • D. António de Távora (1728-1731);
  • D. Leonor Tomásia de Lorena e Távora (1729-1790), que desposou D. João de Almeida Portugal, 2.º Marquês de Alorna, mãe da Marquesa de Alorna;
  • D. Inês de Távora (1731-?);
  • D. Nuno de Távora (1732-1732);
  • D. Raimunda de Távora (1733-1735);
  • D. José Maria de Távora (1736-1759), executado juntamente com os pais;
  • D. Maria de Távora (?-1748).

Em 8 de fevereiro de 1721, o avô paterno de Leonor, D. António Luís de Távora (1656-1721), o 2.° Marquês de Távora, faleceu, e ela adquiriu mais um título nobiliárquico, o de 3.ª Marquesa de Távora. Em abril de 1744, com a morte do sogro, ela torna-se também, em virtude de seu matrimónio, Condessa de Alvor.

Intrigas com a Coroa e morteEditar

 
Suplício da Marquesa de Távora (Sociedade de Socorros Mútuos Marquês de Pombal).
 Ver artigo principal: Processo dos Távoras

Quando o seu marido se tornou Vice-Rei das Índias, D. Leonor de Távora acompanhou-o em viagem ao Oriente, onde escreveu uma carta aos filhos, relatando as viagens, documentos hoje arquivados na Torre do Tombo - "Carta que a Exma. Senhora Marqueza de Tavora escreveu para seus Filhos, estando na India".

Não ocultava o desdém que sentia por Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, e sua oposição ao ministério dele. Ligada aos jesuítas, D. Leonor tinha no padre Gabriel Malagrida não só o seu conselheiro espiritual, como também director de suas acções. Logo sua casa se tornou um foco de oposição contra Pombal, o qual estava ciente disso. A origem da situação, no entanto, crê-se residir no facto de D. Leonor exigir a anulação canónica do casamento de seu filho mais velho com a amante do rei, D. Teresa de Távora e Lorena, sua cunhada e sua nora. A posição adoptada pela Marquesa de Távora relativamente à situação, desagradou grandemente o rei, o qual mandou o seu ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, tentar persuadir os Marqueses de Távora de que D. Teresa deveria retomar a vida conjugal normal com o marido Luís Bernardo de Távora. Porém, os Marqueses foram irredutíveis, D. José I requereu pessoalmente a D. Francisco de Assis que fosse esquecido o "suposto affair" de D. Teresa, em troca de favores e títulos no governo. D. Francisco de Assis declinou a proposta do rei, irritando-o mais profundamente.

Em 3 de setembro de 1758, o rei visita D. Teresa sua amante, ao regressar do encontro com a Marquesa-nova, a carruagem toma a estrada de volta ao Paço. Por volta das onze e meia da noite, homens encapuzados abriram fogo sobre a caruagem que transportava o soberano, ferindo-o assim como ao cocheiro. Contudo, o súbdito conseguiu escapar, conduzindo o rei até a casa do Marquês de Angeja, na Junqueira, tendo lá pemanecido até alvorecer. Regressou, então, ao Paço numa carruagem real, escoltado por um corpo de militares. D. José ordenou que o seu predilecto ministro, Carvalho e Melo, levasse a cabo uma investigação sobre o atentado. Sendo assim, o ministro aproveitou a situação como pretexto para atear um processo de perseguição aos seus maiores opositores, nomeadamente a família Távora, culpando e incriminando sectores do clero e da nobreza pelos crimes de Traição.

Acusada, sem provas objectivas, de ter sido a primeira instigadora da tentativa de assassinato do rei D. José I, a Marquesa de Távora, bem como todos os seus parentes, foi presa em sua casa, na noite de 13 de dezembro de 1758, e levada ao Palácio de Belém, onde esteve presa no Pátio dos Bichos. No dia 12 de janeiro de 1759, a sua sentença foi dada: ela seria decapitada e a sua cabeça exposta ao público, e todos os seus bens seriam confiscados pela Câmara Real. A morte dela, de seu marido e de seus filhos Luís Bernardo e José Maria, dentre outras pessoas tornaram o cruel e sangrento episódio, na História de Portugal, conhecido como "O Processo dos Távoras".

A execução da sentença ocorreu em Belém, no Cais Grande, onde se construiu especialmente para tal feito um alto e grande patíbulo, em madeira, sobre o qual se achavam os postes, as rodas, as aspas e outros utensílios. No dia 13 de janeiro de 1759, D. Leonor foi torturada a ponto de pedir pela morte, sendo decapitada. Os restos mortais foram posteriormente queimados e as cinzas lançadas ao Rio Tejo.

BibliografiaEditar

  • Távora, Luíz de Lencastre. D. Leonor de Távora. O Tempo da Ira. O Processo dos Távora. Quetzal Editores. 2002