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Mapa da Linha de Transmissão de Tucuruí.
Usina Hidrelétrica de Tucuruí, de onde parte o projeto

A Interligação Tucuruí-Macapá-Manaus, mais conhecido como Linhão de Tucuruí[1] é uma linha que leva ao energia produzida na Hidrelétrica de Tucuruí à região ao norte do Rio Amazonas, no Brasil. A linha de transmissão atravessa o Rio Amazonas à altura dos municípios paraenses de Porto de Moz e Almeirim. De lá, o ramo oriental leva energia a Macapá, capital do Amapá e o ramo ocidental leva a Manaus, no estado do Amazonas. As torres de apoio à extensão de cada lado do rio Amazonas são quase tão altas quanto a Torre Eiffel, em Paris.

O trajeto entre Manaus e Boa Vista, de pouco mais de 700 Km, foi licitado em 2011 e deveria ter sido entregue em 2015, mas as obras não saíram do papel devido ao impasse da passagem do Linhão no território indígena Waimiri-Atroari, localizado entre os dois estados. O novo prazo previsto para conclusão das obras é 2021.

Durante o projeto e a execução das obras foram observados atrasos na emissão das licenças ambientais e desafios legais, uma vez que a linha cruza território de povos indígenas e eles não tinham sido consultados[2]. Embora tenham sido feitos esforços para evitar danos ambientais, existiu uma controvérsia sobre o impacto da construção e também sobre o corredor de manutenção das torres.

HistóricoEditar

 
Linhas de transmissão em Tucuruí.

Até recentemente, as áreas do Brasil ao norte do Rio Amazonas, incluindo totalmente os estados do Amapá e Roraima, e partes dos estados do Pará e do Amazonas, não estavam ligados à rede de energia elétrica nacional brasileira[3]. Estas áreas dependiam principalmente da geração de energia térmica subsidiada[3]. A Usina Hidrelétrica de Balbina não fornece mais que 20% da demanda de eletricidade de Manaus.

A Interligação Tucuruí-Macapá-Manaus foi construída para ligar as comunidades do norte para a rede nacional e para atender ao crescimento da demanda de energia, particularmente na região de Manaus. A energia hidrelétrica da rede poderia substituir a maior parte da geração de energia cara e poluente de petróleo e gás. O projeto proporcionaria energia mais barata, mais limpa e mais confiável além de eliminar o subsídio para geração térmica[3].

ProjetoEditar

 
Torre às margens do Rio Amazonas.

O projeto envolveu a construção de sete linhas de energia de circuito duplo com um comprimento total de cerca de 1.800 quilômetros (1.100 milhas), que liga oito subestações[3]. Sete das subestações foram construídos a partir do zero. A grade usa 3.600 torres de transmissão, com uma extensão média de 500 metros (1.600 pés) entre torres. A extensão do Rio Amazonas no ponto de travessia é de 2,5 quilômetros (1,6 milhas).

O projeto construiu um circuito duplo com uma tensão de 500 kV entre a usina hidrelétrica de Tucuruí e a região de Manaus. Ele é executado através de subestações intermediárias nos municípios de Anapu, Almeirim, Oriximiná e Silves. A linha que liga Amapá à rede nacional possui um circuito duplo de 230 kV, corre a partir da subestação Jurupari em Almeirim as subestações em Laranjal do Jari e Macapá[3]. A Hidrelétrica de Tucuruí tem uma capacidade instalada de 8.370 MW. A capacidade total de transporte das linhas de alta tensão é de 2.400 MW.

Junto com os cabos elétricos, foram adicionados cabos de fibra óptica ao longo das linhas de transmissão para utilização na Internet de banda larga e telefonia[3]. A rede de fibra óptica com várias transportadoras 100 g foi instalado pela TIM Brasil, projetado com 17 vãos ópticos. Os vãos eram o maior tempo possível devido ao custo e dificuldade de manutenção de sites de regeneração.

ConstruçãoEditar

O projeto foi dividido em segmentos de três construção, operação e manutenção. A empresa espanhola Isolux Corsán ganhou as concessões para os lotes A e B, e um consórcio de Eletronorte, Abengoa e Chesf venceu as disputas para construção do lote C. Uma companhia foi formada para cada concessão. O lote A, com início em Tucuruí e fim em Jurupari operado por LXTE é 527 quilômetros (327 milhas) de comprimento. O lote B operado por LMTE vai desde Oriximiná via Jurupari até Macapá e possui um total de 713 km (443 milhas) de comprimento. Por fim, o lote C teve início em Oriximiná e fim em Manaus, operado pelo MTE (Manaus Transmissora de Energia) e com um comprimento de 586 quilômetros, ou 364 milhas. O custo estimado foi de cerca de R$ 3 bilhões, financiado pelo Banco de la Amazonía[3].

Devido à importância ambiental da região amazônica o projeto teve que ser desenvolvido visando um impacto mínimo. Por esta razão, as linhas de transmissão tiveram que ser construídas, sempre que possível, ao lado de rodovias existentes. Em muitas seções altas torres tiveram que ser construídas para transportar as linhas acima copas das árvores e assim evitar cortes ou derrubada total das árvores[3].

Ver tambémEditar

Referências

  1. CARVALHO, Naide. CEA consolida projeto estratégico com a conexão do Amapá ao linhão de Tucuruí Arquivado em 21 de setembro de 2016, no Wayback Machine.. Acesso em Agosto de 2015
  2. Amazonia Real. Justiça derruba exigência de consulta aos índios Waimiri Atroari sobre as obras do Linhão de Tucuruí. Acesso em Agosto de 2015
  3. a b c d e f g h DOYLE DE DOILE, Gabriel Nasser; NASCIMENTO, Rodrigo Limp. Linhão de tucuruí – 1.800 km de integração regional. Acesso em Agosto de 2015