Louis Antoine Léon de Saint-Just

político francês

Saint-Just (25 de agosto de 1767, Decize, (Nièvre) - 28 de julho de 1794, Paris) foi um aspirante a literato, pensador e político revolucionário francês.

Louis Antoine Léon de Saint-Just
Nascimento 25 de agosto de 1767
Decize
Morte 28 de julho de 1794 (26 anos)
Paris
Sepultamento Cimetière des Errancis
Cidadania França
Alma mater
Ocupação político, escritor, revolucionário, poeta
Causa da morte guilhotina

Foi eleito para a Convenção em 05 de setembro de 1792, e votou pela execução do Rei. Seu discurso em favor da execução do monarca é considerado um dos mais importantes e eloquentes do processo, e foi determinante para a condenação de Luis XVI. Em 30 de maio de 1793 foi eleito membro do Comitê de Salvação Pública, onde se destaca como um dos líderes. Nesta fase, desenvolve teorias sobre o governo revolucionário, e se torna um dos defensores da política do Terror. Foi denunciado no tribunal da Convenção dos Girondinos, e pelos extremistas e moderados de seu próprio partido, os Montanheses. Depois, encarregado da reorganização do exército, fez ali um extraordinário trabalho. Toda a sua ação política visava criar uma "democracia" de pequenos proprietários, de trabalhadores e artesãos, fiéis à República. Foi guilhotinado em 28 de julho de 1794.

Por sua intransigência durante o período de Terror, foi apelidado "arcanjo do Terror" e "arcanjo da Revolução".

BiografiaEditar

Filho de Louis Jean de Saint-Just de Richebourg (1716-1777), um capitão da cavalaria, condecorado com a ordem de Saint-Louis, e de Marie-Anne Robinot (1736-1791), filha de um notário. Saint-Just tinha duas irmãs mais novas, Louise-Marie-Anne de Saint-Just de Richebourg e Marie-Françoise-Victoire de Saint-Just de Richebourg.

Depois de frequentar a escola de sua pequena cidade, Saint-Just foi internado de 1779 a 1785 no colégio Saint-Nicolas des Oratoriens em Soissons (agora colégio Saint-Just), um estabelecimento tombado onde seu tio e seu pai já haviam estudado e onde ele se aproxima de filhos da classe rica e dominante da província.

Depois de ter fugido da casa materna para ir a Paris após uma discussão, ele foi internado em uma casa correcional, na rue de Picpus, de setembro de 1786 a março de 1787, após uma lettre de cachet obtida contra ele por sua mãe. O episódio da casa de correção provavelmente influenciou seu poema Organt, uma crítica à monarquia absoluta e à Igreja, às vezes de caráter pornográfico e na tradição cínica, publicado na primavera de 1789.

Depois tornou-se escrivão do procurador Maître Dubois de Soissons, matriculou-se em outubro de 1787 na Faculdade de Direito de Reims, que Brissot e Danton já tinham frequentado, antes de retornar no ano seguinte a Blérancourt, onde permaneceu até setembro de 1792.

Vida políticaEditar

Saint-Just assiste aos primeiros movimentos da Revolução Francesa em Paris, depois parte para se juntar à família em Blérancourt, onde se torna tenente-coronel da guarda nacional em julho de 1789. O contato com a população rural contribui para a sua formação como homem político e ele acaba por se envolver com os problemas locais.

Revolucionário de caráter exaltado, participa da Festa da Federação, em 1790, e faz parte do cortejo que escoltou Luis XVI, após a sua tentativa de fuga.

Conhece Robespierre, para quem escreve uma primeira carta em agosto de 1790, e acaba por tornar-se um dos seus partidários mais próximos. Junto com Couthon, eles formam o "triumvirat" mais temido durante a Revolução Francesa. Assim como Robespierre, Saint-Just é fascinado pela cultura greco-romana (de onde se origina a idéia de democracia e a República).

Eleito deputado em 1791 na Assembleia Legislativa, recusam-lhe o direito de assumir o cargo em função de sua idade (24 anos). Eleito em 1792 para a Convenção, onde ele é o caçula, ele se torna rapidamente um de seus principais oradores. No processo contra Luis XVI, ele profere as célebres frases: "Não se pode reinar inocentemente" e "Todo rei é um rebelde ou um usurpador".

Sua retórica impecável, inspirada em Rousseau, e seu rigor contra os inimigos da Revolução fazem dele não só a voz dos Montanha mas, na sequência, do Comitê de Salvação Pública, contra os Girondinos. Ele acaba por tornar-se um dos articuladores da queda dos dantonistas e dos hebertistas.

Durante a crise de Thermidor, ele tenta, com Barère, restabelecer o consenso dentro dos comitês, organizando a reunião do 5 Thermidor (calendário revolucionário). Nesta ocasião, ele é incumbido de ler um relatório diante da Convenção, sobre as horas que sacudiram o governo revolucionário. Mas o discurso de Robespierre diante da Assembléia, no 8 Thermidor, acelera o desfecho da crise.

No dia seguinte, ele é interrompido logo no início de seu discurso, por Tallien e a prisão de seu grupo é decretada. Libertado graças à insurreição de Paris, ele é preso pelas tropas fiéis à Convenção na manhã de 10 Thermidor e é guilhotinado com os principais partidários de Robespierre, à tarde, sem direito a julgamento.

ObrasEditar

L'Esprit de la Révolution et de la Constitution de France (17901791). Nesta obra, Saint-Just expõe suas reflexões sobre a Revolução Francesa e a base das idéias que ele desenvolvera em 1792. O texto que fez sucesso no meio político, de acordo com as palavras de Bertrand Barère, é uma defesa da monarquia constitucional. Além disso, é notória a influencia que Montesquieu e Rousseau tiveram sobre estes pensadores revolucionários.

  • Les Fragments d'institutions républicaines (17931794).
  • Du droit social ou principes du droit naturel (De la Nature, de l'état civil de la cité ou les règles de l'indépendance du gouvernement -1791-1792).
  • Arlequin-Diogène, peça de teatro (1787).
  • Organt, poema (1787-1789).

BibliografiaEditar

  • Saint-Just, On ne peut pas régner innocemment (Discours sur les Constitutions de la France), Mille et une Nuits, Paris, 1997.
  • Saint Just, Œuvres complètes, Ivrea, Paris, 2003.
  • Madeleine Anna Charmelot, Saint-Just ou le chevalier Organt, Editions Sésame, 1957.