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Como ler uma infocaixa de taxonomiaMalacostraca
Diastylis bradyi (Cumacea)
Diastylis bradyi (Cumacea)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Subfilo: Crustacea
Classe: Malacostraca
Ordens
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Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Malacostraca

Malacostraca é uma classe do subfilo Crustacea, pertencente ao filo Arthropoda, com aproximadamente 40200 espécies, sendo que grande parte destas é de conhecimento popular, como exemplo os caranguejos, lagostas, camarões e o krill. [1]

A maioria das propostas de classificação divide as espécies de Malacostraca em três subclasses, sendo estas: Eumalacostraca, Hoplocarida e Phyllocarida. No entanto, a subdivisão dos Malacostracos em subclasses ainda é um tema a ser debatido onde não se tem certeza se os Hoplocarida seriam um grupo separado ou se estes se encontram dentro da subclasse dos Eumalacostracas [1], neste verbete iremos considerar os Hoplocarida como uma superordem de Eumalacostracas.

Algumas características morfológicas são importantes na determinação dos malacostracos

  • Corpo formado por 19 ou 20 segmentos, sendo o segmento cefálico com 6, o tórax com 8 e o pléon com 6 segmentos, com exceção de Leptostraca que possui 7 segmentos no pléon. [1][2]
  • Posição definida dos gonóporos, sendo os femininos no sexto toracômero e os masculinos no oitavo. [2]
  • Antênulas e antenas geralmente birremes. [1]
  • Segmentos abdominais com apêndices birremes. [3]

Índice

EtimologiaEditar

O nome Malacostraca, criado pelo zoólogo francês Pierre André Latreille em 1802 [4], tem origem grega onde μαλακός (malakós) significa macio e ὄστρακον (óstrakon) significa concha, sendo assim o grupo seria caracterizado por uma concha macia [5], no entanto este nome não representa a verdadeira natureza destes organismos já que estes apresentam a carapaça macia somente após a muda sendo o restante do tempo rígida. [6]

ClassificaçãoEditar

A subdivisão da classe Malacostraca ainda não está completamente definida, havendo muita discordância entre os autores. À baixo está apresentada a divisão segundo Richard Brusca no livro Invertebrados:

  • Ordem Leptostraca: Inclui  cerca de 40 espécies marinhas e bentônicas, que apresentam as características típicas dos malacóstracos, exceto pela presença marcante de sete pleômeros livres em vez de seis. A maioria é suspensívora e vasculha sedimentos acumulados no fundo do mar. [1]
  • Superordem Hoplocarida
    • Ordem Stomatopoda: Possui cerca de 500 espécies viventes também conhecidos como tamburutacas ou tamarutacas. Se comparado com a maioria dos malacóstracos, seu abdômen é musculoso e notavelmente espesso e robusto. São encontrados em ambientes marinhos tropicais ou subtropicais vivendo em tocas escavadas, em rachaduras ou fendas e são carnívoros bem-sucedidos de peixes, moluscos, cnidários e até de outros crustáceos. [1]
  • Superordem Syncarida: Cerca de 285 espécies descritas, representando um grupo-chave na evolução dos eumalacóstracos como seu táxon mais primitivo da fauna atual. Nadam ou rastejam, e embora existam poucas informações sobre a maioria da biologia das espécies, nenhum sincárido é marinho. [1]
    • Ordem Anaspidacea: Apresentam apenas um par de maxilípedes e uma distribuição estritamente de florestas gonduânicas habitando ambientes de água doce, como superfícies de lagos abertos, riachos, lagoas e tocas de lagostim. [1]
    • Ordem Bathynellacea: Se diferenciam dos anaspidáceos por não apresentarem maxilípedes e ocorrem em habitats de águas subterrâneas e intersticiais no mundo inteiro. [1]
  • Superordem Eucarida: Os representantes deste grupo, apesar de serem altamente diversificados, apresentam um cefalotórax característico com uma carapaça completamente fundida com todos os segmentos torácicos. [1]
    • Ordem Euphausiacea: Composto por aproximadamente 90 espécies ocorrendo em todos os ambientes oceânicos. São espécies pelágicas e gegrárias, ocorrendo em grandes cardumes (Krill). Suas principais características são: ausência de um maxilípede, brânquias não recobertas pela carapaça e pereópodes birremes. Em geral, os eufasiáceos são suspensívoros, embora também possa haver predação e detritivoria. [1]
    • Ordem Amphionidacea: Esta ordem possui uma única espécie conhecida, Amphionides reynaudii, encontrado no plâncton marinho do mundo inteiro em profundidades de até 1.700 metros. [1]
    • Ordem Decapoda: Composto pelas espécies mais conhecidas de crustáceos, reconhecidos como algum tipo de camarão, caranguejo, lagosta ou lagostim, com cerca de 18.000 espécies ocorrendo em todas as profundidades dos ambientes aquáticos e até mesmo terrestres. Se diferem de outras espécies de Eucarida por sempre possuírem três pares de maxilípedes e cinco pares de pereópodes, dando o nome ao grupo. As estratégias alimentares dos decápodes incluem suspensivoria, predação, herbivoria, saprofagia e outras mais. Além disso, esta ordem pode ser dividida em duas subordens: Dendobranchiata e Pleocyemata, que possui entre suas 11 infraordem: Branchyura e Anomura. [1]
  • Superordem Peracarida: Com cerca de 25.000 espécies, representam um grupo de crustáceos muito bem sucedidos ocorrendo em habitats diversos, sendo a maioria marinha, porém com alguns representantes terrestres e de água doce, além de várias espécies que vivem em fontes termais com temperaturas entre 30 e 50°C. [1]
    • Ordem Mysida: Com cerca de 1050 espécies de morfologia externa semelhante aos camarões, variando de 2mm a 8cm de tamanho e encontrados em todas as profundidades oceânicas ou até mesmo na região entremarés. [1]
    • Ordem Lophogasrtida: Suas 60 espécies possuem grande variedade de tamanhos (a maioria medindo entre 1 e 8 cm de comprimento, embora algumas espécies cheguem a 35 cm) e com uma ampla distribuição oceânica. [1]
    • Ordem Cumacea: Incluem cerca de 1000 espécies no mundo inteiro entre 0,5 e 2 centímetros de comprimento, sendo a maioria marinha, ainda que sejam conhecidas algumas espécies de águas salobras. [1]
    • Ordem Tanaidacea: A maioria das 1500 espécies conhecidas é de pequeno tamanho vivendo em habitats bentônicos marinhos do mundo inteiro, em águas salobras ou praticamente doces. Os membros dessa ordem são conhecidos em todo o planeta. [1]
    • Ordem Mictacea: Esta ordem apresenta apenas 6 espécies conhecidas, geralmente muito pequenos e vivendo em águas de cavernas. [1]
    • Ordem Spelaeogriphacea: Possui apenas 4 espécies conhecidas, sendo ainda muito pouco conhecido sobre a sua biologia. [1]
    • Ordem Thermosbaenacea: Possui aproximadamente 34 espécies conhecidas, sendo uma delas, Thermosbaena mirabilis, encontrada em fontes hidrotérmicas de água doce na América do Norte, onde vive sob temperaturas acima de 40°C. [1]
    • Ordem Isopoda: Incluem cerca de 10.500 espécies marinhas, dulcícolas e terrestres, cujo comprimento varia de 0,5 a 500 mm. Além disso, alguns grupos como Epicaridea e Flabellifera são parasitas. [1]
    • Ordem Amphipoda: As cerca de 11.000 espécies apresentam grande variação de tamanho, desde animais minúsculos de 1 mm até espécies bentônicas gigantes de 29 cm de comprimento. Os animais estão distribuídos na maioria dos habitats marinhos e de água doce, constituindo uma porção expressiva da biomassa em muitas áreas. Os isópodes e os anfípodes compartilham muitas características e são frequentemente considerados intimamente relacionados. [1]

Morfologia geralEditar

Embora seja difícil abranger a diversidade de formas dos Malacostracos, existem algumas características morfológicas que todos (ou a maior parte) dos grupos apresentam, que são [3]:

  • Primeiro par de antenas multirreme (geralmente birrreme);
  • Segmentos abdominais com apêndices birremes;
  • Olho naupliar com quatro ocelos;
  • Endopoditos nas pernas torácicas são estenopódios;
  • Último par de apêndices abdominais modificados em urópodes;
  • Carapaça não recobre os apêndices;
  • A posição de abertura dos gonópodes é fixa (sexto tarcômero nas fêmeas e oitavo nos machos);
  • Estômago com câmaras cárdica e pilórica para trituração, hidrólise e filtração.

EcologiaEditar

Os Malacostracos vivem em habitats diversos, especialmente marinhos e de água doce, onde possuem ampla abundância. Algumas espécies ocupam ambientes extremos de fontes termais, com temperaturas em torno de 50°C. Existem ainda, três ordens com representantes terrestres ou semi-terrestres, que são Amphipoda (alguns representantes da família Talitridae), Isopoda (como os tatuzinhos-de-jardim) e Decapoda (alguns caranguejos). Os hábitos alimentares variam muito entre os grupos, existindo espécies suspensívoras, predadoras, herbívoras, detritívoras ou carnívoras. Algumas espécies são gegrárias e outras solitárias, podendo viver no fundo do mar ou na região pelágica, nas mais diversas profundidades [1].

DistribuiçãoEditar

De maneira geral, os Malacostracos possuem uma ampla distribuição mundial, nos mais variados ambientes, devido à sua grande riqueza de espécies, sendo considerada uma das classes mais diversas na natureza [7]. Abaixo trataremos da distribuição de alguns grupos mais especificamente.

Entre os Leptostraca, o gênero Nebalia é o mais bem estudado e suas espécies ocorrem todos os oceanos do mundo, com registros em ambas as costas da América do Norte [3] e nas proximidades do Mar Egeu [8], por exemplo.

Na subclasse dos Eumalacostraca, temos a ordem Stomatopoda com ampla distribuição em mares tropicais. Syncarida com distribuições quase globais, com exceção da Antártida [9]. Ainda nesta subclasse, Decápodes possuem muitos representantes, então é esperado que sua distribuição seja extremamente ampla por todo o mundo. O camarão branco e o camarão rosa, espécies bem exploradas pela pesca, por exemplo, estão amplamente distribuídos pela costa leste dos EUA [3]. Outras espécies podem ser encontradas distribuídas amplamente, desde o polo sul ao polo norte, como o siri-azul comestível (Callinectes sapidus) [8].

Já os Euphausiacea tendem a ter uma distribuição cosmopolita e cerca de ⅔ das espécies conhecidas ocorrem em todos os oceanos. Qualquer região oceânica considerada comporta tipicamente muitas espécies utilizando recursos que são muito semelhantes [3].

Entre os Isópodes marinhos, temos o famoso piolho do mar, com distribuição localizada especialmente entre o norte da África e o sul da Europa e na costa leste dos EUA. Outra espécie também muito popular é a barata-do-mar (Ligia oceanica), distribuída no norte, especialmente na costa leste dos EUA e em toda a Europa, embora outras regiões do mundo também apresentem registros deste isópode [8].

Importância econômicaEditar

Em vista da grande diferenciação atual das espécies de crustáceos, os representantes dos Malacostracos exercem um grande papel na vida humana. Desempenham papéis ecológicos importantes em suas teias alimentares e também servem de alimento ou parasitam outras espécies importantes economicamente [7].

Muitas espécies são significativos itens de pesca para diversos países, fornecendo recursos para usos em indústrias farmacêutica e cosmética, na agricultura e medicina [7].

Entretanto é na indústria alimentícia que ocorre o principal uso desses animais pelos seres humanos, sendo que grandes indústrias se baseiam em torno da captura ou cultivo de lagostas, siris, camarões e caranguejos, por exemplo. Também existe um comércio relativo ao fornecimento desses animais para aquários, ou ainda para serem usados como alimentos para peixes e anfíbios [10]. Juntos, os malacostracos fornecem mais comida para os seres humanos do que todos os outros grupos de invertebrados juntos [11].

Os decápodes possuem os representantes mais conhecidos popularmente justamente devido à exploração comercial exercida sobre essa ordem, já que muitos são comestíveis e altamente consumidos. Os camarões, por exemplo, são responsáveis pela maior e mais valiosa pesca de crustáceos do mundo. Enquanto os caranguejos das infraordens Branchyura e Anomura possuem grandes áreas de pesca marinha em vários oceanos [12]. Além disso, existem várias espécies de lagostas que são exploradas comercialmente em distintas partes do mundo devido ao seu alto valor econômico[13] . A ordem Euphausiacea, representada em especial pelo krill, também desempenha um importante aspecto econômico. A maior demanda atual destes animais vem da indústria da aquicultura, pois o krill é uma opção de alimento (ração) para peixes de interesse econômico, como o salmão, devido ao seu alto conteúdo nutricional [14].

Ligações externasEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Malacostraca
  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x Brusca, Richard C., author. Invertebrates. [S.l.: s.n.] ISBN 9781605353753. OCLC 928750550 
  2. a b Ricther, S. (2000). «Phylogentic analysis of the malacostraca (Crustacea)». Humboldt-Universität zu Berlin, Institute für Biologie 
  3. a b c d e Barnes, Robert D. (19--). Zoologia dos invertebrados. [S.l.]: Roca. OCLC 181901543  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. Dupuis, Claude (1974-1). «Pierre Andre Latreille (1762-1833): The Foremost Entomologist of his Time». Annual Review of Entomology (em inglês). 19 (1): 1–14. ISSN 0066-4170. doi:10.1146/annurev.en.19.010174.000245  Verifique data em: |data= (ajuda)
  5. Oxford English Dictionary (3ª edição). Osford University Press. Setembro, 2005.
  6. Vickers-Rich, Patricia. (1996). The fossil book : a record of prehistoric life Dover ed ed. Mineola, N.Y.: Dover Publications. ISBN 0486293718. OCLC 35033613 
  7. a b c Szaniawska, Anna (27 de outubro de 2017). «General Characteristics of Malacostraca». Cham: Springer International Publishing: 29–31. ISBN 9783319563534 
  8. a b c «WoRMS - World Register of Marine Species». www.marinespecies.org. Consultado em 12 de junho de 2019 
  9. Camacho, A. I.; Valdecasas, A. G. «Global diversity of syncarids (Syncarida; Crustacea) in freshwater». Dordrecht: Springer Netherlands: 257–266. ISBN 9781402082580 
  10. Daphne G. Fautin, Dan Atwater (2014). «Malacostraca». University of Michigan museum of zoology. Consultado em 12 de junho de 2019  |ultimo= e |autor= redundantes (ajuda)
  11. Tirmizi, Nasima M.; Kazmi, Quddusi B. (1993). «An Illustrated Key To The Malacostraca (Crustacea) Of The Northern Arabian Sea». Pakistan Journal of Marine Science 
  12. Provenzano, Anthony Jr. (1985). Economic Aspects: Fisheries and Culture. [S.l.]: Academic Press. 358 páginas 
  13. Silva, Kátia C. A.; Cintra, Israel H. A. (2003). «Lagostas Capturadas Durante Pescarias Experimentais para o Programa Revizee/Norte (Crustacea, Nephropoidea, Erynoidea, Palinuroidea)». Boletim téc. científico 
  14. Forest, J.; Charmantier-Daures, M. (2004). Treatise on Zoology - Anatomy, Taxonomy, Biology. the Crustacea, Vol.9. [S.l.]: Adivisory Editors