Manoel Nunes Coelho

Manoel Nunes Coelho
Bispo da Igreja Católica
Bispo de Luz
Atividade eclesiástica
Diocese Diocese de Luz
Nomeação 10 de junho de 1920
Predecessor criação diocese
Sucessor Dom Belchior Joaquim da Silva Neto, C.M.
Mandato 1920 - 1967
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 7 de abril de 1907
Nomeação episcopal 10 de junho de 1920
Ordenação episcopal 11 de novembro de 1920
por Dom Joaquim Silvério de Souza
Lema episcopal Fragilitati Nostrae Praesidium
Brasão episcopal
BishopCoA PioM.svg
Dados pessoais
Nascimento Virginópolis
12 de fevereiro de 1884
Morte Luz
8 de julho de 1967 (83 anos)
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Ambrosina de Magalhães Barbalho.
Pai: Miguel Nunes Coelho
dados em catholic-hierarchy.org
Bispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Dom Manoel Nunes Coelho (Patrocínio de Guanhães, atual Virginópolis, MG, 12 de fevereiro de 1884 - Luz, MG, 8 de julho de 1967) foi um sacerdote e bispo católico diocesano brasileiro.

BiografiaEditar

Manoel Nunes Coelho nasceu em Patrocínio de Guanhães, atual Virginópolis, Minas Gerais, filho de Miguel Nunes Coelho e Ambrosina de Magalhães Barbalho. Fez seus estudos primários em sua terra natal, indo para o Seminário Arquidiocesano de Diamantina, onde cursou Filosofia e Teologia. Foi ordenado presbítero com apenas 23 anos de idade, em 07 de abril de 1907, na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, junto do Seminário, por Dom Joaquim Silvério de Souza, então arcebispo daquela arquidiocese mineira. Aos 07 de julho de 1907 celebrou a sua primeira missa solene. Foi Vigário de Sant’Ana do Suassuhy – hoje Coroaci, sua única Paróquia, a partir de 31 de maio de 1908, ali permanecendo por 12 anos. Muito contribuiu para a elevação espiritual dos seus paroquianos, devido o abnegado exemplo de uma vida sacerdotal laboriosa e exigente. Era conhecido como Pe. Nelo. Acompanhou o seu arcebispo em uma viagem à Europa, Terra Santa e Egito, no ano de 1914.

Foi eleito bispo aos 10 de junho de 1920, da recém criada Diocese de Aterrado (08 de julho de 1918), sendo agrado bispo aos 14 de julho de 1920, por Dom Joaquim Silvério de Souza, na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, em Diamantina. Tornava-se sucessor dos apóstolos, com apenas 36 anos de idade, 13 anos depois de ser ordenado padre, no mesmo lugar e pelas mesmas santas mãos de seu bispo.

Dom Manoel tomou posse como 1° bispo da então Diocese de Aterrado aos 10 de abril de 1921. Tinha como lema episcopal “Fragilitati Nostrae Presidium” (Proteção para nossa fraqueza). Podemos afirmar, sem nenhum medo de errar, que ele foi corajoso desbravador. Chegando na Vila do Aterrado (Luz) buscou logo a sua emancipação política. Na época, o pequeno arraial era distrito de Dores do Indaiá. Encontrando resistência por parte das lideranças políticas de Dores do Indaiá e do Estado, dirigiu-se ao Presidente Arthur Bernardes, no Rio de Janeiro – antiga capital da República, e conseguiu por decreto federal a criação do Município de Luz, aos 07 de setembro de 1923. Conseguiu também a criação da Comarca de Luz. Já em 1922 instalou a Tipografia Diocesana, criou o Jornal “Luz do Aterrado”, “Aterradense” e mais tarde virou “A Luz”. Escreveu muitos documentos de formação religiosa, moral e política, procurando formar e orientar o seu rebanho, conforme a doutrina cristã.

Dom Manoel favoreceu enormemente a cidade de Luz, tomando a iniciativa em diversas benfeitorias públicas (calçamento das ruas, serviços de água e luz, construção de residências, etc.) No âmbito religioso, incentivou as pias Associações (Apostolado da Oração, Mães Cristãs, Legião de Maria, Filhas de Maria, Sociedade São Vicente de Paulo, etc.) visitava regularmente a Diocese, promoveu a Visita Domiciliar e novena de Nossa Senhora das Vitórias, com o objetivo de fomentar a oração pelas vocações e angariar recursos para formar os padres da diocese. Realizava todos os anos, em Luz, no Palácio Episcopal, os Retiros Vicentinos, que chegaram a reunir cerca de 700 confrades. Criou as paróquias de Capitólio (15 de junho de 1924), Estrela do Indaiá (09 de março de 1929), Lagoa da Prata – São Carlos Borromeu (15 de julho de 1932), Medeiros (15 de janeiro de 1954), Matutina (21 de agosto de 1944), Moema (23 de junho de 1957), Paineiras (26 de março de 1952) e Pains (31 de outubro de 1925). Na sede da Diocese, além do Colégio e do Hospital São Rafael, do abrigo para vocacionadas à vida religiosa, Dom Manoel deixou uma marca inapagável do seu episcopado: a majestosa Catedral de Luz, construída em menos de seis anos (27 de outubro de 1935 a 21 de setembro de 1941). Recebeu, junto com a Primeira Turma, a Medalha da Inconfidência, instituída pela Lei Estadual de 20 de fevereiro de 1952.

Já idoso, alquebrado pelo desgaste físico e doente, pediu ao Papa um auxiliar, recebendo o na pessoa de Dom Belchior Joaquim da Silva Neto, seu Bispo Coadjutor, em 29 de maio de 1960.

Um artigo do Pe. Ivo Urbano Moreira, então vigário de Dores do Indaiá, no Jornal “O Liberal”, assim descreve a morte de nosso primeiro bispo: “...no silencio e esquecimento, aos cuidados de seus familiares, numa dependência do Palácio Episcopal, passou Dom Manoel os seus últimos dias de vida. A paralisia e a cegueira foram o martírio de quem se dedicou por mais de 46 anos, como verdadeiro pastor na defesa de seu rebanho. Faleceu aos 83 anos de idade, cerca de 9:30 horas do dia 07 de julho de 1967, (60 anos após a celebração de sua primeira missa) e foi sepultado no dia 9 de julho, um domingo”.

Hoje, seus restos mortais descansam na Cripta da Catedral, na qual foi por ele mesmo construída. 

Precedido por
-
 
Bispo de Luz

19211967
Sucedido por
Belchior Joaquim da Silva Neto