Manuel de Vuzi da Nóbrega

Manuel de Vuzi da Nóbrega (?-1715) foi o manicongo (rei) do Reino do Congo em Ambamba-Lovata de 1678 e 1715.

Manuel de Vuzi da Nóbrega
Manicongo
Duque de Umbamba
Rei de Ambamba-Lovata
Reinado 1678-1715
 
Casa Quimpanzo
Nome completo Manuel de Vuzi a Nóbrega
Ne Njinga a Ngenge
Morte 1715
  Ambamba-Lovata
Mãe Suzana de Nóbrega

BiografiaEditar

Manuel de Vuzi da Nóbrega foi filho de Dona Suzana da Nóbrega e irmão de Daniel, morto em 1678 durante o saque de São Salvador pelas tropas de Pedro III. Manuel refugiou-se na então província de Lovata, sul de Soyo, cujo conde era protetor tradicional dos Quimpanzo. [1] A destruição da capital mergulha o Reino do Congo em uma guerra civil ainda mais dura e devastadora, findada apenas vinte anos depois com João II e Pedro IV. Durante este tempo Manuel sucede seu irmão Daniel como governante de Ambamba-Lovata, controlado pela Casa de Quimpanzo.

Devido a sua ascendência real e a grande autoridade moral e política da rainha Ana Afonso de Leão, Manuel participa ativamente das negociações entre as facções de poder que visavam reunificar o reino e por fim a guerra. O apoio de Ana Afonso vai para João II, governante de Lemba-Bula, mas devido a recusa do nobre de obedecer certas clausulas, como a de restaurar São Salvador como capital, o apoio de Ana passa para Pedro IV com influência do padre capuchinho Francesco de Paiva. [2] Graças a influência da rainha, os principais líderes das facções de poder apoiam Pedro Afonso de Água Rosada.

Durante a coroação de Pedro IV em 1702 ocorre um novo ataque, desta vez de João II de Lemba, que interrompe a cerimônia e faz Pedro e seus aliados e seguidores fugirem para Quibango, dando continuidade a guerra. Manuel toma partido de João II de Lemba e lidera um exercito contra Pedro Vale das Lagrimas, duque de Umbamba. Apesar não ter o derrotado, Manuel se autoproclama como duque de Umbamba e constrói uma nova capital chamada Quindezi na região. A rainha Ana Afonso, a pedido do sobrinho, reúne um exercito de 20 mil soldados com seu sobrinho Daniel, duque de Umpemba, o rei-eleito Pedro IV Afonso e António III Bareto da Silva, conde de Soyo. O status quo foi finalmente negociado pela rainha e pelo conde de Soyo, fazendo com que Pedro IV fosse coroado em 1706. Manuel de Vuzi manteve alguma de suas reivindicações e conquistas e aproximou-se do movimento antonianista. [3]

Em 1714, Pedro Vale das Lagrimas iniciou uma campanha devastadora contra seu antigo amigo e agora rival, que foi espancado e decapitado no ano seguinte. Umbamba é dividida em duas partes; Grande Umbamba que permaneceram leais aos sucessores de Ana Afonso que governam Incondo e Ambamba-Lovata que permanece no coração do poder dos Quimpanzo e que reconhece os descendentes de Suzana de Nóbrega. [4]

Ver tambémEditar

Referências

  1. CEstA, Centro de Estudos Ameríndios da USP (30 de março de 2011). «Centro de Estudos Ameríndios da USP – CEstA». Cadernos de Campo (São Paulo, 1991) (20). 349 páginas. ISSN 2316-9133. doi:10.11606/issn.2316-9133.v20i20p349-350. Consultado em 9 de junho de 2021 
  2. «Africa: Revista do Centro de Estudos Africanos». African Studies Companion Online. Consultado em 9 de junho de 2021 
  3. Thornton, John K. (1998). Africa and Africans in the making of the Atlantic world, 1400-1800. John K. Thornton Second edition ed. Cambridge: Cambridge University Press. OCLC 817935777 
  4. «Supplementum Epigraphicum GraecumNevinneh (prope Laodiceam Combustam). in aula domus. Op. cit. 202». Supplementum Epigraphicum Graecum. Consultado em 9 de junho de 2021