Pedro IV do Congo

Pedro IV Afonso (c.1666 - 21 de fevereiro de 1718) foi manicongo (rei) de Reino do Congo entre 1709 e 1718. Foi um dos responsáveis pela reunificação do Congo após quarenta e quatro anos de guerra civil, onde o país esteve dividido entre várias facções de poder e casas que reclamaram o trono. Pedro teve sua base nas montanhas de Quibango e ao reunir o reino estabeleceu um sistema de monarquia eletiva chamada "linhagens rotativas", onde a sucessão real seria eleita por um conselho das casas de Quimpanzo, Quinzala e Água Rosada.

Pedro IV
Manicongo
Rei do Congo
Reinado 15 de fevereiro de 1709 a 21 de fevereiro de 1718
Rainha Hipolita-Maria de Quimpanzo
Coroação 2 de agosto de 1696
Sucessor(a) Manuel II
Rei de Quibango
Reinado 1 de dezembro de 1695 a 15 de fevereiro de 1709
Predecessor Álvaro X
Sucessor Reino Unificado
 
Descendência António de Água Rosada
Maria de Água Rosada
Casa Água Rosada
Nome completo Pedro Afonso Nasamu Amvemba Agua Rosada
Nascimento 1666
  Quibango
Morte 21 de fevereiro de 1718 (52 anos)
  São Salvador
Pai Sebastião I
Religião Catolicismo

Primeiros anosEditar

Pedro Afonso Nasamu Amvemba de Água Rosada nasceu por volta de 1666, sendo o terceiro filho de Sebastião I, governante de Quibango durante a guerra civil. Pedro assumiu o governo de sua região em 1695, após a morte de seu irmão Álvaro X. [1] Pedro foi um dos primeiros membros da Casa de Água Rosada, fundada por seu pais com a união de um governante Quimpanzo e uma princesa Quinzala. [2]

Ao chegar ao trono de sua região, Pedro ambicionou por ser reconhecido e apoiado como único rei do Congo. Seu maior rival foi João II, na região de Lemba. Pedro reconquistou São Salvador em 1696 com apoio de grandes casas e facções de poder que desejavam o fim da guerra. Em 2 de agosto de 1696, ele foi coroado em São Salvador como Pedro IV Afonso. Mesmo assim teve de fugir logo após sua entronização, já que temia uma represália de João II. Pedro voltou para Quibango e estabeleceu novas alianças, casando-se, em julho de 1699, com Hipólita-Maria de Quimpanzo, filha de Pedro Constantino da Silva, sobrinho da rainha Ana Afonso de Leão.

Início do reinadoEditar

Em 1700, o padre capuchinho Francesco de Paiva, ordenado pelas forças portuguesas, se compromete a apoiar religiosamente a reunificação do Congo. [3] Francesco apoia Pedro Afonso, que para ele parecia ser o mais qualificado. Em uma grande conferência em 1700, os principais governantes e facções de poder juraram fidelidade a Pedro Afonso como legitimo rei e declararam o fim da guerra.

A coroação teria ocorrido no Sábado Santo de 1702, mas no final da quaresma de 8 de abril de 1702, Dom Manuel de Vuzi da Nóbrega ataca a cidade e impede que a cerimônia fosse terminada. Os novos conflitos fazem a guerra ter continuidade e a unidade do reino novamente em jogo.

Os antonianosEditar

 Ver artigo principal: Quimpa Vita

A jovem Dona Beatriz se apresentou como uma médium de Santo António.[4] Ela havia fundado uma seita religiosa conhecida como Antonianos, depois de ter um sonho onde o santo a avisava para trazer Pedro de Água Rosada de volta a São Salvador, onde ele reinaria como legitimo soberano. Por apoiar Pedro IV, Dona Beatriz é condenada pela inquisição portuguesa por falsas profecias e por destorcer a imagem de um santo católico com um ser da mitologia congolesa.

Pedro prossegue com sua campanha de unificação sob sua coroa, ainda utilizando os dogmas e visões apresentados pela profeta. Uma das condições para que a profecia se cumprisse era a reconquista de São Salvador. Pedro Constantino da Silva é mandado para restabelecer o controle na antiga capital, mas de última hora acaba por aderir ao movimento antoniano e usurpa o poder, se proclamando como rei em 1704.

Dona Beatriz é abandonada por Pedro Constantino após dar a luz em 1705. Seu filho era fruto da relação com um de seus mais fieis seguidores chamado João Barro. Após este ato, Dona Beatriz é condenada a morte por heresia e feitiçaria pelo padre capuchinho Bernardo da Gallo. Ela teve a chance de se redimir por seus pecados, mas não o fez e foi queimada viva em 2 de julho de 1706. [5]

ReunificaçãoEditar

Em 15 de fevereiro de 1709, Dom Pedro IV Afonso, á frente de um exercito de 20 mil homens com o apoio de Ana Afonso de Leão, enfrenta as tropas de Pedro Constantino da Silva. Derrotado, Pedro é capturado e logo decapitado. Logo após isso, Pedro IV se muda definitivamente para São Salvador. Este é reconhecido como o fim da guerra e reunificação do reino, apesar das regiões de Lemba e Umbamba ainda manterem independência.

O novo rei, afim de evitar novos conflitos, reestabelece o Conselho Real, que se tornaria responsável por eleger os soberanos ao final de cada reinado, escolhendo entre as casas de Quinzala, Quimpanzo e Água Rosada. Todas descendente de Afonso I. Após isso, os dois pretendentes restantes, João II de Lemba e Manuel de Vuzi da Nóbrega aceitam os termos e suas regiões se reintegram ao Congo. Com isso a guerra civil acaba de vez.

Dom Manuel Macasa de Quimpanzo casa-se com a filha de Pedro IV, Maria de Quimpanzo, tornando-se "Príncipe do Congo". Pedro IV permaneceria por alguns anos no trono, mas sem nunca ser coroado oficialmente. Pedro IV Afonso faleceu em 21 de fevereiro de 1718, sendo sucedido por seu genro Manuel II. [6]

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. «Africa: Revista do Centro de Estudos Africanos». African Studies Companion Online. Consultado em 9 de junho de 2021 
  2. «Africa: Revista do Centro de Estudos Africanos». African Studies Companion Online. Consultado em 9 de junho de 2021 
  3. Schroeder, Edward H. (janeiro de 2002). «Book Review: "Christen und Gewuerze." Konfrontation und Interaktion kolonialer und indigener Christentumsvarianten ("Christians and Spices." Confrontation and Interaction between Colonial and Indigenous Varieties of Christianity)». Missiology: An International Review (1): 95–96. ISSN 0091-8296. doi:10.1177/009182960203000108. Consultado em 9 de junho de 2021 
  4. Schroeder, Edward H. (janeiro de 2002). «Book Review: "Christen und Gewuerze." Konfrontation und Interaktion kolonialer und indigener Christentumsvarianten ("Christians and Spices." Confrontation and Interaction between Colonial and Indigenous Varieties of Christianity)». Missiology: An International Review (1): 95–96. ISSN 0091-8296. doi:10.1177/009182960203000108. Consultado em 9 de junho de 2021 
  5. Thornton, John K. (2020). A history of West Central Africa to 1850. Cambridge, United Kingdom: [s.n.] OCLC 1122686306 
  6. Thornton, John K. (2020). A history of West Central Africa to 1850. Cambridge, United Kingdom: [s.n.] OCLC 1122686306