Ana Afonso de Leão

Ana Afonso de Leão (1625-1710) foi a rainha de Incondo que governou várias regiões do dividido Reino do Congo durante a guerra civil.

Ana Afonso de Leão
Manicongo de Incondo
Rainha de Incondo
Reinado 1673 - 1709
Antecessor(a) Afonso III
Sucessor(a) Ninguém, reino unificado
Rainha Consorte do Congo
Reinado Novembro - Dezembro de 1665
Antecessora Hilária
Monarca Afonso III
 
Cônjuge Afonso II
Casa Quinzala
Nascimento 1625
Morte 1710 (85 anos)

BiografiaEditar

Nascida por volta de 1625, Ana Afonso de Leão foi irmã do rei Garcia II e esposa do efêmero rei Afonso II. [1] Durante a guerra civil entre as casas de Quinzala e Quimpanzo, que devastou o Congo entre 1665 e 1709. Ana Afonso estabeleceu um reino independente entre 1682 e 1714, que incluía as regiões de Incondo, Umbamba e Umpemba, ficando assim conhecidos como "A Terra da Rainha".

Viúva desde 1669, retirou-se para Incondo entre Ambriz e Nicuso, sendo considerada a matriarca da Casa de Quinzala, quando empreendeu combates entre 1682 e 1693 contra Manuel I. No final de 1691, Manuel I e seus aliados de Soyo invadem as terras de Ana Afonso e faz ela e seus aliados fugirem. Pouco depois, em 1692, Manuel é derrotado e morre no ano seguinte.

A rainha se exila em várias regiões, bem como em Ingando. Em setembro de 1696, dois de seus capitães, Dom António Afonso e Dom Garcia Macunga dão batalha a Pedro Constantino e retomam Incondo, antiga residência central da rainha.

Devido a sua ascendência real, a autoridade de Ana Afonso era grande e ela participou ativamente das negociações de paz entre as facções de poder para por fim na guerra. Em 1696, havia dois grandes concorrentes; Pedro IV Afonso e João II de Lemba. O apoio de Ana Afonso recai sobre João II, mas pela recusa de certas clausulas para reunificação, João perde o apoio das demais facções e do governo português de Luanda.[2] Ana Afonso, por sua vez, não aceita apoiar a candidatura de um Quinzala. No entanto, devido ao apoio e a insistência do padre Francesco de Paiva, ela acaba por ceder o apoio a Pedro Afonso de Água Rosada. [3] Graças a sua influência, os principais líderes do país juram também fidelidade a Pedro IV Afonso, sendo assim coroado em 2 de setembro de 1696. No entanto devido a muitos obstaculos, a guerra civil se estende até 1709.

Não se sabe a data correta da morte de Ana Afonso de Leão. Sabe-se que ela ainda estava viva em 1707, quando enviou cartas ao papa Clemente XI. Dona Ana teria morrido em 1710, pouco após a reunificação total do Congo.

FamíliaEditar

Ana Afonso teve vários familiares responsáveis importantes para o Congo. Era tia de Aleixo Afonso, duque de Umbamba, Pedro Constantino da Silva e de Manuel Masaca, rei do Congo entre 1718 e 1743, Daniel, marquês de Umpemba e Álvaro, duque de Umbata, que tentou se impor como governante de Incondo entre 1700 e 1707. Sua sobrinha, Dona Catarina, governou como duquesa de Owando após a morte de seu marido, Dom Clemente.

Referências

  1. CEstA, Centro de Estudos Ameríndios da USP (30 de março de 2011). «Centro de Estudos Ameríndios da USP – CEstA». Cadernos de Campo (São Paulo, 1991) (20). 349 páginas. ISSN 2316-9133. doi:10.11606/issn.2316-9133.v20i20p349-350. Consultado em 9 de junho de 2021 
  2. THORNTON, JOHN K. (novembro de 2006). «ELITE WOMEN IN THE KINGDOM OF KONGO: HISTORICAL PERSPECTIVES ON WOMEN'S POLITICAL POWER». The Journal of African History (3): 437–460. ISSN 0021-8537. doi:10.1017/s0021853706001812. Consultado em 9 de junho de 2021 
  3. Thornton, John K. (2020). A history of West Central Africa to 1850. Cambridge, United Kingdom: [s.n.] OCLC 1122686306