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Octávio Brandão
Octávio Brandão Rego
Nome completo Octávio Brandão Rego
Nascimento 12 de setembro de 1896
Viçosa, AL
Morte 15 de março de 1980 (83 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade  Brasil
Ocupação político
Religião Ateu


Octávio Brandão Rego (Viçosa, 12 de setembro de 1896Rio de Janeiro, 15 de março de 1980) foi um político e ativista brasileiro, militante e teórico do Partido Comunista Brasileiro que influenciou uma geração de militantes de esquerda e foi responsável pela difusão dos conceitos marxistas no Brasil, além de ter no currículo a autoria de uma das mais belas obras sobre o complexo estuarino-lagunar Mundaú-Manguaba, o clássico — esgotado — Canais e Lagoas.

Índice

BiografiaEditar

No início do século 20, Brandão, numa época em que a oligarquia latifundiária e o poder político interferiam com muito mais virulência no cotidiano do Estado, chocou a sociedade alagoana com seus conceitos e atitudes libertárias. Filho de uma tradicional família católica, aos 16 anos rompeu com o catolicismo, para o desespero de parentes e familiares. Precursor da reforma agrária no Brasil, se aventurou em peregrinações pelo interior de Alagoas e pregou a divisão da terra.

Octávio Brandão não havia completado nem 20 anos quando entrou na luta pela jornada de trabalho de oito horas -“perturbou” tanto a burguesia da capital que foi ameaçado de morte e teve de deixar sua terra natal.

Fez parte do movimento anarquista brasileiro das primeiras décadas do século XX.

Seu primeiro trabalho intelectual, Aspectos Pernambucanos nos Fins do Século XVI, foi publicado em 1914 no Diário de Pernambuco.

Graduou-se pela Universidade do Recife como Farmacêutico. Em 1919 Astrojildo Pereira o visitava na farmácia em que trabalhava e emprestava alguns livros marxistas. E, assim, começou a ler as traduções francesas de livros de Marx, Engels e Lênin.[1]
Em 1923 Octávio Brandão realiza a primeira tradução brasileira do Manifesto Comunista de Marx e Engels, a partir da edição francesa de Laura Lafargue, que foi publicada no jornal sindical Voz Cosmopolita.

Em 1920 ligou-se ao Grupo Clarté de Paris e através do Grupo Comunista Brasileiro Zumbi filiou-se ao PCB, no segundo semestre de 1922, tornando-se dirigente nacional.

Em 1924 inicia o Agrarismo e Industrialismo no qual tenta aplicar as bases do Imperialismo: Fase Superior do Capitalismo de Lenin a realidade brasileira [2] [3], mas acaba colocando o Industrialismo como um polo a quem se deveria apoiar contra o Agrarismoconservador. Concluiu “a parte fundamental” do livro menos de um mês depois. O texto, em forma de esboço, circulou em cópias datilografadas, servindo de subsídio para as teses que Astrojildo Pereira apresentou ao II Congresso do Partido Comunista do Brasil (16 a 18 de maio de 1925). O livro só foi publicado em abril de 1926, sob o pseudônimo de Fritz Mayer e com indicação falsa do lugar de edição (Buenos Aires) para despistar a polícia política de Artur Bernardes.[4]

A dialética de Brandão se reduzia à tríade “tese-antítese-síntese”, uma fórmula simplificadora muito difícil de ser encontrada em Hegel, mas que Brandão aplicava, avidamente, a tudo. O esquema triádico era aplicado, por exemplo, à interpretação do levante de 1924 e resultava no seguinte: Artur Bernardes, presidente da república, representante do agrarismo feudal, era a tese; Isidoro Dias Lopes, o general sublevado, representante da pequena-burguesia e do capital industrial, era a antítese; e a síntese, ainda por vir, era a revolução proletária, comunista.

Empolgado com sua dialética, Brandão submetia a trajetória do movimento operário no Brasil ao mesmo esquema triádico; e concluía: a tese era o período inicial, da hegemonia anarquista; a antítese era o período das perseguições desencadeadas por Epitácio Pessoa; e a síntese, mais uma vez, era o período da revolução proletária, inaugurado pela fundação do PCB.

Também à época desta reviravolta ideológica, Octávio Brandão deu informações consideradas dúbias pelos movimentos sindicais da época ao pesquisador John W.F. Dulles.

Em 1925 esteve à frente da criação de A Classe Operária, o primeiro jornal de massas do Partido Comunista, da qual foi o primeiro editor. Dois anos depois foi editor-chefe do diário “A Nação”. As idéias comunistas passaram a serem difundidas mais amplamente entre os trabalhadores.[5]

Em 1928 foi eleito como um dos intendentes para o Conselho de Intendência do então Distrito Federal pelo Bloco Operário e Camponês, frente eleitoral criada pelo PCB que então estava na clandestinidade.[6]

Logo após a guinada esquerdista da III Internacional, as idéias originais de Brandão sobre a revolução brasileira foram condenadas e acusadas de direitistas e mencheviques. Teve que fazer uma humilhante autocrítica e foi destituído dos cargos da direção partidária.[5]

Perseguido e deportado pelo governo Vargas, em 1931 foi deportado para a Alemanha em consequência de suas atividades políticas. No entanto, conseguiu rumar para a União Soviética, onde permaneceu exilado por 15 anos. De lá, criticou a deflagração dos levantes militares de novembro de 1935, sob o comando de Luís Carlos Prestes, já então membro do PCB. Durante a Segunda Guerra Mundial trabalhou na Rádio de Moscou, produzindo programas em língua portuguesa. Também trabalhou na organização da Internacional Comunista , regressando somente em 1946.[6]

Em 1947 de volta ao Brasil, foi eleito como um dos vereadores para a Câmara do então Distrito Federal, pelo PCB. Em 1948, porém, foi cassado juntamente com todos os parlamentares do PCB, após o cancelamento do registro do partido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em maio do ano anterior. Em seguida, passou a viver na clandestinidade, assim permanecendo até 1958.[7]

Apenas em 1958, durante a presidência de Juscelino Kubitschek, pode voltar à vida legal. Aqueles, no entanto, foram dias dramáticos para os comunistas. Dois anos antes, Khrushchov havia denunciado os crimes de Stalin e aberto uma crise sem precedente no movimento comunista internacional. Brandão foi atingido por essa crise e acabou, lentamente, se afastando da militância partidária. O descaso da direção do Partido pelos seus antigos militantes também contribuiu para sua atitude.

Voltou mais uma vez à clandestinidade em 1964, com a implantação do regime militar, só vindo a reaparecer publicamente em 1979. Morreu na cidade do Rio de Janeiro, em 1980.[7]

ObrasEditar

Figura essencial para a compreensão da história sociocultural de Alagoas, somente nos últimos anos seu nome vem sendo lembrado. Estudioso e pesquisador que foi, deixou um acervo monumental, o qual é utilizado até hoje como fonte para vários estudos acadêmicos desenvolvidos no Brasil.

Escrito nos idos de 1916-1917, o livro Canais e Lagoas representa um dos poucos registros da natureza que circundava o complexo lagunar Mundaú-Manguaba, quando a intervenção humana ainda não havia provocado mudanças significativas nesse notável ecossistema.

O livro traça um roteiro preciso do quão exuberante era a mata atlântica e seus recursos hídricos à época em que foi escrito e, por isso mesmo, serve de precioso contraponto ao absurdo representado pelo processo de irresponsável ocupação do solo que caracteriza, principalmente, a zona costeira do Brasil e, particularmente, o litoral de Alagoas.[8]

Octavio Brandão, na verdade, foi nosso primeiro ecologista. Era dono de um idealismo sem limites e de grande coragem cívica, ainda que sofresse a frustração de não encontrar entre grande parte dos intelectuais da época `calor e simpatia, apoio e estímulo, justiça e compreensão´.[9]

O livro Agrarismo e Industrialismo, de Octávio Brandão, é pioneiro na reflexão dos comunistas sobre a sociedade brasileira.

Em 1958, Octávio Brandão publicou O niilista Machado de Assis, primeira obra dedicada ao tema. O livro apresenta uma análise biográfica impressionista por meio da qual, ao atribuir o niilismo como um defeito tanto do autor quanto da obra, tenta desqualificar o escritor. Embora claramente secundário dentro da fortuna crítica machadiana, o livro de Brandão teve o mérito de levantar a discussão sobre o tema do niilismo na obra de Machado de Assis. No entanto, o pressentimento da importância do conceito de niilismo para a compreensão da obra machadiana é desproporcional à capacidade analítica para esclarecê-lo[10]

Referências

  1. «Octávio Brandão: Uma Leitura Marxista dos Dilemas da Modernização Brasileira. Alexandre M. E.Rodrigues in - Revista Intellectus / Ano 05 Vol. I - 2006 p 3» (PDF). Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  2. BRANDÃO, O. Uma Etapa da História de Lutas. In: Brandão, O. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil – 1924. 2 a edição. São Paulo: Anita Garibaldi, [1957] 2006, p.149-150
  3. Felipe de Castilho Lacerda, O Livro na Política: Agrarismo e Industrialismo de Octávio Brandão, XXII Encontro Estadual de História, 2014 Santos pp 12-13
  4. «Biografia de Brandão no Arquivo Edgard Leuenroth». Consultado em 13 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 17 de junho de 2016 
  5. a b «Octavio Brandão e as lutas do seu tempo - Fundação Maurício Grabois». Consultado em 13 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 24 de dezembro de 2010 
  6. a b «Blog do Majella , Octávio Brandão». Consultado em 13 de fevereiro de 2012 
  7. a b «Otávio Brandão | CPDOC». cpdoc.fgv.br. Consultado em 29 de setembro de 2015 
  8. «Octávio Brandão o peregrino das lagoas e dos ideais socialistas». Consultado em 13 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 26 de janeiro de 2012 
  9. «Observatório da Imprensa- À memória de Octavio Brandão». Consultado em 13 de fevereiro de 2012 
  10. «A voluptuosidade do nada: o niilismo na prosa de Machado de Assis». Biblioteca Digital (UFMG). Consultado em 29 de setembro de 2015 

BibliografiaEditar

  • ARQUIVO EDGARD LEUENROTH. Inventário analítico do acervo de Octávio Brandão. Campinas, IFCH/Unicamp, 1985.
  • AMARAL, Roberto Mansilla. Uma memória silenciada: idéias, lutas e desilusões na vida do revolucionário Octávio Brandão (1917-1980). Niterói, 2003, Dissertação (Mestrado em História) --- Universidade Federal Fluminense
  • BARROS, Luitgarde Oliveira Cavalcanti. Octávio Brandão, centenário de um militante na memória do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: UERJ, Cultural – SR3; Arquivo Público, 1996, p. 211.
  • BRANDÃO, Octavio. O niilista Machado de Assis. Rio de Janeiro: Organização Simões, 1958.
  • RODRIGUES, Edgar. Entre Ditaduras. Rio de Janeiro: Achiamé, 1993.
  • KRAUSE, Gustavo Bernardo. O bruxo contra o comunista ou: o incômodo ceticismo de Machado de Assis. Kriterion. Belo Horizonte, n. 115, p. 235-247, 2007.
  • KONDER, Leandro. El marxismo en la cultura brasileña. Nueva Sociedad. Buenos Aires, n. 66, pp. 98 – 104, Mayo-Junio 1983.

Referências

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