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Os Doze Pares da França

Os doze Pares de França são personagens da Matéria de França. Constituem uma tropa de elite, formada por 12 cavaleiros que são a guarda pessoal de Carlos Magno da França, liderada por Rolando, sobrinho do rei.

OrigemEditar

A Canção de Rolando descreve como, na Batalha de Roncesvales, travada em 778, Rolando e outros paladinos francos foram massacrados numa passagem dos Pirenéus por guerreiros vascões. No poema, Rolando e os outros pares são traídos por Ganelão, um nobre franco que concerta um ataque junto ao Rei Marsílio, de Saragoça. Os mouros atacam e matam a todos a retaguarda franca, comandada por Rolando. Na segunda parte do poema, Carlos Magno regressa e vinga a morte de sua tropa de elite conquistando Saragoça e executando Ganelão[1].

Influência no BrasilEditar

A partir da Canção de Rolando surgiram muitas outras obras literárias medievais que apresentavam Carlos Magno, Rolando e os pares como campeões da luta da cristandade contra a ameaça islâmica. No Brasil, contudo, a obra que ganhou destaque foi a Segunda parte da História do Imperador Carlos-Magno e dos doze pares de França, atribuída a Nicolás de Piamonte. Segundo Luís da Câmara Cascudo, foi um dos livros mais populares no país ao longo do século XIX e até o início do século XX, sendo lida em voz alta para grandes audiências, de modo que "nenhum sertanejo ignorava as façanhas dos Pares ou a imponência do Imperador da barba florida"[2].

A popularização da lenda tornou os Doze Pares personagens frequentes da literatura de cordel, figurando em títulos como A história de Carlos Magno e os Doze Pares de França, de João Lopes Freire; Batalha de Oliveiros com Ferrabrás e A prisão de Oliveiros e seus companheiros, de Leandro Gomes de Barros; A morte dos 12 Pares de França, de Marcos Sampaio; História completa do Cavaleiro Roldão, de Antonio Eugenio da Silva; Roldão no Leão de Ouro, de João Martins de Athayde[3]; e História de Carlos Magno e os Doze Pares de França, de Antônio Deodoro dos Santos[4].

O Monge José Maria, líder do movimento do Contestado, tinha a História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França como seu livro preferido. Ele estabeleceu para uma tropa de elite formada por 24 cavaleiros, que chamou de Doze Pares de França. Melhor armados que os outros combatentes e montados em cavalos brancos suntuosamente arreados, eles carregavam estandartes com uma cruz no centro[5].

Outras representaçõesEditar

As Cavalhadas recriam a batalha entre os Doze Pares e 12 príncipes mouros[6]. O confronto também é recriado em celebrações do Tambor de Mina[7].

Durante a ditadura militar, a canção Os Doze Pares de França, de Toquinho e Belchior, foi censurada, sob a alegação de que a letra exaltava a França e por isso, em comparação, desprezava o Brasil[8]. A música foi gravada no álbum Toquinho canta - Pequeno perfil de um cidadão comun, de 1978[9].

Em 1990, a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro desfilou no carnaval do Rio de Janeiro com o enredo Sou Amigo do Rei, criado por Rosa Magalhães, recontando a história de carlos Magno e seus Doze Pares. O samba-enredo foi composto por Alaor Macedo, Arizão, Demá Chagas, Pedrinho da Flor e Fernando Baster e a escola terminou a apuração em terceiro lugar[10]

Ver tambémEditar

Referências

  1. ARIAS, Ademir. A presença dos traidores na história de Carlos Magno e dos Doze Pares da França. In: Mongelli, Lenia Márcia. [ttps://books.google.com.br/books?id=Fx9kx4y6fWMC E Fizerom taes Maravilhas... Histórias de Cavaleiros e Cavalarias]. Ateliê Editorial, 2012
  2. MACEDO, José Rivair. Mouros e cristãos : a ritualização da conquista no velho e no Novo Mundo. Bulletin du centre d’études médiévales d’Auxerre | BUCEMA [En ligne], Hors-série n° 2, 2008
  3. WANDERLEY, Naelza de Araújo. A matéria carolíngea no sertão: a cavalaria em rimas e versos nordestinos. Boitatá: Revista do GT de Literatura Oral e Popular da ANPOLL – ISSN 1980-4504. P. 252
  4. AYALA, Maria Ignez Novais. Riqueza de pobre. Literatura e sociedade, . 2 n. 2 (1997). P. 163
  5. CALONGA, Tania Aparecida da Silva. [ O movimento messiânico do Contestado]. rEVISTA oRACULA, v. 11, n. 16 (2015)
  6. Cavalhadas revivem batalhas medievais e animam festejos em Pirenópolis. Época, 3 de julho de 2015
  7. FERRETI, Mundicarmo. Repensando o turco no tambor de mina. Afro-Ásia n. 15 (1992)
  8. Músicos silenciados. DM, 21 de dezembro de 2015
  9. Toquinho canta - Pequeno perfil de um cidadão comun. Toquinho 50 anos
  10. Fica técnica 1990. Academia do Samba

Ligações externasEditar