Abrir menu principal

Wikipédia β

Carlos I
Dinheiro de Carlos, c. 812–814
Imperador dos Romanos
Reinado 25 de dezembro de 800
a 28 de janeiro de 814
Coroação 25 de dezembro de 800
Sucessor(a) Luís I
Rei dos Lombardos
Reinado 10 de julho de 774
a 28 de janeiro de 814
Coroação 10 de julho de 774
Predecessor Desidério
Sucessor Luís I
Rei dos Francos
Reinado 9 de outubro de 768
a 28 de janeiro de 814
Coroação 9 de outubro de 768
Predecessor Pepino
Sucessor Luís I
Co-monarca Carlomano I (768–771)
 
Esposas Desiderata da Lombardia
Hildegarda de Vinzgouw
Fastrada
Luitgarda
Descendência Carlos, o Jovem
Pepino da Itália
Rotrude
Luís, o Piedoso
Lotário
Berta
Gisela
Teodrada
Hiltrude
Casa Carolíngia
Nascimento 2 de abril de 742
  Frância
Morte 28 de janeiro de 814 (71 anos)
  Aachen, Sacro Império Romano-Germânico
Enterro Catedral de Aachen, Aachen, Alemanha
Religião Cristianismo calcedônio
Pai Pepino, o Breve
Mãe Berta de Laon
Assinatura Assinatura de Carlos I

Carlos Magno (em latim: Carolus Magnus, alemão: Karl der Große, francês: Charlemagne; 2 de abril de 742Aachen, 28 de janeiro de 814)[1] foi o primeiro Imperador dos Romanos de 800 até sua morte, além de Rei dos Lombardos a partir de 774 e Rei dos Francos começando em 768. A denominação dinastia Carolíngia, que pelos sete séculos seguintes dominaram a Europa, no que veio a ser posteriormente chamado Sacro Império Romano-Germânico deriva do seu nome em latim "Carolus".[2][3]

Por meio das suas conquistas no estrangeiro e de suas reformas internas, Carlos Magno ajudou a definir a Europa Ocidental e a Idade Média na Europa. Ele é chamado de Carlos I nas listas reais da Alemanha (como Karl), na França (como Charles) e do Sacro Império Romano-Germânico. Ele era filho do rei Pepino, o Breve e de Berta de Laon, uma rainha franca. Carlos reinou primeiro em conjunto com seu irmão Carlomano, sendo a relação entre os dois o tema de um caloroso debate entre os cronistas contemporâneos e os historiadores.[4]

Monarca guerreiro, expandiu o Reino Franco através de uma série de campanhas militares, em particular contra os saxões pagãos cuja submissão foi bastante difícil e muito violenta (772-804), mas também contra os lombardos em Itália e os muçulmanos de Espanha, até que este se tornou o Império Carolíngio, que incorporou a maior parte da Europa Ocidental e Central. Durante o seu reinado, ele conquistou o Reino Itálico.

Posteriormente, o exército de Carlos, em retirada, sofreu a sua pior derrota nas mãos dos bascos na Batalha de Roncesvales (778) (eternizada A Canção de Rolando, de teor fortemente fictício). Ele também realizou campanhas contra os povos a leste, principalmente os saxões e, após uma longa guerra, subjugou-os ao seu comando. Ao cristianizar à força os saxões e banindo, sob pena de morte, o paganismo germânico, ele os integrou ao seu reino e pavimentou o caminho que levaria à futura dinastia Otoniana.

Soberano reformador, preocupado com a ortodoxia religiosa e cultura, ele protegeu as artes e as letras. O seu reinado também está associado com a chamada «Renascença carolíngia», um renascimento das artes, religião e cultura por meio da Igreja Católica.

O seu trabalho político imediato, o império, não lhe sobrevive, no entanto, por muito tempo. Em conformidade com o costume sucessório germânico, Carlos Magno promove a partir de 806 a partilha do império entre os seus três filhos.[5] Após numerosas peripécias, o império acabará finalmente partilhado em entre três dos seus netos (Tratado de Verdun).

A fragmentação feudal dos séculos seguintes, mais a formação na Europa de Estado-nações rivais, condenaram à impotência aqueles que tentaram explicitamente restaurar o império universal de Carlos Magno, em particular os governantes do Sacro Império Romano-Germânico, de Otão I em 962 no século XVI, e até mesmo Napoleão Bonaparte, perseguido pelo exemplo dos mais eminentes dos Carolíngios.[6]

As monarquias francesa e alemã descendentes do império governado por Carlos Magno na forma do Sacro Império Romano-Germânico cobriam a maior parte da Europa. Em seu discurso de aceitação do Prêmio Carlos Magno, o papa João Paulo II se referiu a ele como Pater Europae ("Pai da Europa").[7][8][9][10]: "...seu império uniu a maior parte da Europa Ocidental pela primeira vez desde os romanos e a Renascença carolíngia encorajou a formação de uma identidade europeia comum"[11][12]

A figura de Carlos Magno foi objeto de discórdia na Europa, incluindo a questão política entre os séculos XII e XIX entre a nação germânica que considera o Sacro Império Romano-Germânico como o sucessor legitimo do imperador carolíngio e a nação francesa que é de facto um elemento central da continuidade dinástica dos Capetianos.

Os dois principais textos do século IX que retratam o Carlos Magno real, a Vida de Carlos Magno, de Eginhardo, e a "Gesta Karoli Magni", atribuída a um monge da Abadia de São Galo chamado Notker, igualam as lendas e mitos enumerados nos séculos seguintes: «Há o Carlos Magno da sociedade vassálica e feudal, o Carlos Magno da Cruzada e da Reconquista, o Carlos Magno inventor da Coroa de França ou da Coroa Imperial, o Carlos Magno mal canonizado, mas tido como verdadeiro santo da igreja, o Carlos Magno da boa escola».[13]

Índice

ContextoEditar

Dinastia carolíngia
Pipinida
Arnulfida
Carolíngia
Após o Tratado de Verdun (843)

Carlos Magno é o mais ilustre representante dos soberanos da dinastia carolíngia, à qual deu o seu nome. Neto de Carlos Martel, é filho de Pepino, o Breve e de Berta de Laon dita a "Grande Pia".

Problemas relativos ao seu nascimentoEditar

A data e o local de nascimento são objeto de controvérsia, devido à ausência de registos concordantes nos documentos da época.

Data de nascimentoEditar

A data mais provável para o nascimento de Carlos Magno pode ser inferida a partir de uma série de fontes. A data de 742 pode ser calculada a partir da informação de Eginhardo sobre a morte de Carlos em janeiro de 814 aos 72 anos, mas ela tem a deficiência de localizar o nascimento antes do casamento de seus pais, que teria sido em 744. O ano que aparece nos Annales Petaviani como sendo 747 seria mais provável se não contradissesse Eginhardo e outras fontes ao alegar que Carlos seria menos do que septuagenário. Um calendário da Abadia de Lorsch afirma que teria sido o dia 2 do mês de abril.[14]

Em 747, esta data caiu na Páscoa, uma coincidência que certamente seria lembrada, mas não foi. Se a Páscoa estivesse sendo usada como o início do ano-calendário, então 2 de abril de 747 pode ter sido, pelos padrões modernos, 2 de abril de 748 (que não caiu na Páscoa). A data que se suporta melhor pelas evidências é 2 de abril de 742, baseando-se principalmente pelo fato de Carlos ser um septuagenário quando morreu.[14] A conclusão de que Carlos seria um filho ilegítimo (pela data do casamento de seus pais) não é, contudo, sustentada por Eginhardo.

Local de nascimentoEditar

O lugar de nascimento de Carlos Magno não é mencionado em nenhuma fonte do seu tempo. A indicação mais antiga, relativa a Ingelheim am Rhein, vem de Godofredo de Viterbo (autor italiano do século XII) e é mantida por alguns autores.[quem?]

Outro lugar de nascimento considerado é Quierzy-sur-Oise, que é uma antiga casa de campo real merovíngia em Aisne, entre Noyon e Chauny. Os seus pais casaram-se lá. Esta pequena cidade foi entre 600 e 900, a capital do Reino Franco. Muitos eventos ocorreram lá, incluindo três conselhos.

De acordo com outros historiadores, Carlos Magno estabeleceu na Austrásia, particularmente na atual região de Liège, em Herstal ou Jupille, residência mais frequente de Pepino, o Breve e alguns ancestrais dos carolíngios, incluindo Pepino de Herstal, o pai de Carlos Martel

Aquisgrano também foi considerada como possível local de nascimento.

Infância e juventudeEditar

Eginhardo, o seu biógrafo, nos conta sobre os primeiros anos da vida de Carlos Magno:[15]:

Seria tolo, eu acho, escrever uma palavra sobre o nascimento e infância de Carlos, ou mesmo sobre a sua meninice, pois ainda jamais se escreveu sobre o assunto e não há ninguém vivo agora que possa dar alguma informação sobre o assunto. Assim, eu afirmo que este período é desconhecido e que passo logo a descrever seu caráter, seus atos e outros fatos de sua vida que merecem ser contados, sendo que primeiro farei um relato sobre seus atos em casa e no estrangeiro, depois sobre seu caráter e objetivos, terminando com sua administração e sua morte, sem omitir nada que mereça ser contado ou que seja necessário saber.

Portanto, as informações sobre o seu nascimento são escassas. Carlos Magno é pela primeira vez mencionado num diploma de 760 sobre a abadia de Saint-Calais. No que concerne ao período de reinado de seu pai, sabe-se que Carlos Magno integrou uma série de acontecimentos. Ele encabeçou a delegação que acolheu o papa Estevão III em Champanhe em 754, e foi consagrado pelo papa juntamente com seu irmão Carlomano. Ele participou numa operação na Aquitânia em 767-768 e estava com a sua mãe na procissão que trazia Pepino, o Breve para Saint Denis. No que concerne à sua educação, concorda-se que não aprendeu a escrever enquanto jovem. Mas talvez seja apenas a caligrafia, e não a escrita básica. Contudo, sabia ler e conhecia o latim. A sua língua materna é a da Francônia.

Reinado precoce: com Carlomano (768-771)Editar

Carlos Magno fica ocupado pelos assuntos da Aquitânia (veja abaixo), os quais ele consegue resolver sem a ajuda de seu irmão.

De seguida, vem a questão dos casamentos lombardos, que ocupam os anos de 769-771.

Os mais poderosos cargos entre os francos, o mordomo do palácio (Maior Domus) e um ou mais reis (rex ou reges) eram apontados através de eleição popular, ou seja, sem uma regularidade, mas conforme a necessidade aparecia de eleger oficiais ad quos summa imperii pertinebat - "a quem os assuntos de estado eram pertinentes". Evidentemente, decisões durante este ínterim poderiam ser tomadas pelo papa, e seriam depois ratificadas pela assembleia do povo, que se reunia uma vez por ano.[16]

Antes que Pepino, o Breve, inicialmente um prefeito, fosse eleito rei em 750, ele manteve o cargo "como se fosse hereditário" (velut hereditario fungebatur). Eginhardo explica que "a honra" era geralmente "dada pelo povo" aos mais distintos, mas Pepino e seu irmão, Carlomano, a receberam por hereditariedade, assim como pai deles, Carlos Martel. Havia, porém, uma certa ambiguidade sobre esta "quase-herança". O cargo era tratado como uma propriedade conjunta: uma prefeitura mantida pelos dois irmãos em conjunto.[17] Cada um, porém, tinha sua própria jurisdição geográfica. Quando Carlomano decidiu renunciar para se tornar um monge beneditino em Monte Cassino,[18] a questão sobre o que fazer com a sua "quase herança" foi resolvida pelo papa. Ele converteu a prefeitura em um reinado e premiou Pepino com a posse conjunta das propriedades de Carlomano. Além disso, Pepino agora ganhara o direito de passar suas posses adiante por herança.[19]

Esta decisão não foi aceite por todos os membros da família real. Carlomano havia consentido na guarda temporária de sua parte, que ele pretendia passar para o seu próprio filho, Drogo. Pela decisão do papa, sobre a qual é possível enxergar a influência de Pepino, Drogo foi desqualificado como herdeiro em favor de seu primo Carlos. Ele foi às armas em oposição à decisão e foi acompanhado por Grifo, um meio-irmão de Pepino e Carlomano, a quem havia sido dada uma parte da herança de Carlos Martel (que lhe fora dele roubada) e era mantido quase aprisionado por seu meio-irmão após uma tentativa de tomar as suas heranças pela força. Por volta de 753, o assunto estava resolvido: Grifo perecera em combate na Batalha de Saint-Jean-de-Maurienne, enquanto que Drogo fora caçado e aprisionado.[20]

Com a morte de Pepino, em 24 de setembro de 768, o reinado passou conjuntamente para seus filhos, "com o apoio divino" (divino nutu).[19] De acordo com sua a Vita, Pepino morreu em Paris. Os francos, "em assembleia geral" (generali conventu) deram a ambos o título de rei (reges), mas "dividiram o todo do reino igualmente" (totum regni corpus ex aequo partirentur). Os Annales[21] contam uma versão diferente: o rei morreu em St. Denis que é, porém, parte da França. Os dois "lordes" (domni) foram "elevados ao estatuto de rei" (elevati sunt in regnum), Carlos no dia 9 de outubro, em Noyon, e Carlomano numa data desconhecida em Soissons. Se Carlos de fato nasceu em 742, ele tinha 26 anos de idade, já tendo participado de diversas campanhas ao lado do seu pai - o que ajuda a entender o seu gênio militar. Carlomano teria somente 17 anos.

O linguajar utilizado em ambos os casos sugere que não houve "duas heranças", o que teria criado dois reinos distintos governados por dois reis, mas uma única herança e um reinado conjunto mantido por dois reis iguais entre si, Carlos e seu irmão Carlomano. Como antes, jurisdições separadas foram conferidas a cada um deles. Carlos recebeu a parte original de Pepino como prefeito: as bordas do reino, margeando o mar, nominalmente a Nêustria, a Aquitânia ocidental e a parte norte da Austrásia, enquanto Carlomano recebeu a parte originalmente pertencente ao seu tio, mais as internas: a parte sul da Austrásia, a Septimânia, a Aquitânia oriental, a Borgonha, a Provença e a Suábia, além das terras na fronteira com a Itália. A questão sobre se estas jurisdições eram heranças conjuntas que reverteriam para o outro se um deles viesse a morrer ou se seriam herdadas pelos descendentes do morto jamais foi satisfatoriamente resolvida pelos francos. Em 771, depois de pouco mais de três anos de governo e relativa paz entre os dois irmãos, Carlomano morreu de repente no palácio carolíngio de Samoussy[22] perto de Laon. Imediatamente após a sua morte, Carlos aproveita o seu reino, usurpando a herança de seus sobrinhos. A viúva de Carlomano, Gerberga, fugiu para a Itália com o rei dos lombardos, com seu filho e alguns apoiantes.

Carlos é agora governante de todo o reino franco.

As razões para o expansionismo territorialEditar

Segundo alguns autores, a insegurança das fronteiras do território franco foi um dos fatores que desengatou sua política expansionista. A dinastia merovíngia assumiu um reino rodeado de povos hostis e ainda controlados por dinastias locais bastante independentes, como os Frisões e saxões, ou áreas ainda não completamente controladas, como a Alemannia, a Bavieria e a Aquitânia. Dessa forma, os carolíngios se encontravam cercados por povos que tanto poderiam organizar incursões dentro de seu território, como também se aliar aos inimigos da dinastia. Em outros momentos, a própria política de alianças dos Carolíngios os levou a intervenções como as lideradas por Carlos Martel contra os Sarracenos em 732, em favor da Aquitânia, ou as intervenções de Pepino o Breve, na Itália como retribuição aos favores do Papa Zacarias. Muito Também pelo interesse por novas terras e riquezas para recompensar a confiança e o apoio dos grandes e poderosos que contribuíam para a manutenção do expansionismo carolíngio.[23]

O reino franco em 768 e o seu ambienteEditar

 
Evolução do território franco. As conquistas de Carlos Magno estão em verde claro. Os territórios além-fronteira representados em verde são os vassalos do Império Carolíngio.

O reino incluía os territórios solidamente mantidos pelos Francos: Austrásia, Nêustria, Borgonha, Provença, Alemânia, e os territórios semi-autónomos: a Aquitânia (com a Gasconha e a Septimânia), a Baviera e a Frísia.

Fora do reino, encontravam-se:

Os mais distantes: os Escandinavos da Dinamarca; os Eslavos (Veletos, Obotritas), do lado de lá do Elba; os Ávaros (semi-nómadas turcomanos) na Panónia.

O Império Bizantino na Ásia perdeu muito território devido à expansão árabo-muçulmana; em geral, as relações dos Bizantinos com os Francos seriam bastante tensas. O império muçulmano, na Ásia e em África, era dirigido pelo Califado Abássida, com o qual, pelo contrário, as relações eram muito boas, na ausência de hostilidade religiosa, enquanto havia uma disputa religiosa com Bizâncio.

O papado está sempre sob tutela do Império Bizantino. No entanto, encurralado pela sua luta contra o império muçulmano, o basileu não tem mais meios de proteger Roma ameaçada pelos Lombardos. O papado vira-se cada vez mais para os Francos,[24] em particular para a família carolíngia que sustêm os papas desde a época de Carlos Martel.

A organização política do reino francoEditar

No reino franco, os poderosos (principalmente os duques, condes e marqueses) acolhiam homens livres que educavam, protegiam e alimentavam. A entrada nestes grupos fazia-se numa cerimónia de recomendação: estes homens tornavam-se guerreiros domésticos ligados à pessoa do senhor. O senhor devia entreter esta clientela através de doações para manter a sua fidelidade.[25]

A moeda de ouro tornou-se rara devido à distensão das ligações comerciais com o Império Bizantino (que perdeu o controlo do Mediterrâneo ocidental em favor dos muçulmanos). A riqueza dificilmente pode vir da guerra. O que leva a saque e permite eventualmente conquistar terras que podem ser redistribuídas.[26] Na ausência de expansão territorial, os laços vassálicos distendem-se. Para se sustentar, o poder deve entender-se. Desde gerações, os Pipinidios estenderam assim os seus domínios, e os seus condes, enriqueceram-se, cederam terras aos seus próprios vassalos. Carlos Martel e Pepino, o Breve mostram à Igreja uma grande parte de sus bens para os atribuir aos vassalos. Isto permite-lhes aos mesmo tempo estabilizar as suas conquistas, e ter os meios para estar à cabeça de um exército sem igual no Ocidente medieval[27]

Carlos Magno tem o mesmo problema: deve estender-se em permanência para entreter os seus vassalos e evitar a dissolução das suas possessões. Durante todo o seu reinado, ele tenta fidelizá-los por todos os meios: fazendo-os jurar por demarcação de terras (única riqueza na época) que elas devem ser-lhe restituídas pela sua morte, enviando missi dominici para os controlar e para fiscalizar o que acontece no seu império.[28]

O exército e a guerra na época de Carlos MagnoEditar

Esta página ou secção não cita fontes confiáveis e independentes, o que compromete sua credibilidade (desde agosto de 2014). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

O princípio fundamental do exército de Carlos Magno que permanece o do exército franco: era composto por homens livres que tinham o direito e o dever de frequentar o exército ( incluindo os territórios recentemente conquistados). O exército podia ser convocado todos os anos durante a guerra (primavera-verão). De facto nos 46 anos de reinado de Carlos Magno, só dois anos é que ele não convocou o exército (790 e 807).

Os historiadores estimam os efectivos potencialmente mobilizados de 10 000 a 40 000 homens.

Concretamente, a cada ano uma assembleia de grandes do reino, deveria representar todos os povos livres, vulgarmente chamados senhores do campo de maio; esta assembleia tomava diversas decisões ( ou melhor: subscrevia as decisões do rei) e em particular a de lançar uma expedição contra um inimigo em particular. Esta decisão era difundida pelos interessados, fosse pelos vassalos diretos do rei com os seus dependentes, fosse pelos condes, bispos e abades com os moradores da sua jurisdição. Cada guerreiro mobilizado devia transportar o seu equipamento e os seus víveres para três meses[29] e apresentar-se no ponto de reunião do exército (ou dos diferentes corpos previstos).

As forças mobilizadas dividiam-se em cavalaria pesada, cavalaria ligeira e infantaria. O exército de Carlos Magno não parece utilizar muito material técnico, em particular nas poucas cidades em que existiam (Pavía, Saragoça, Barcelona...).

Além disso, Carlos Magno dispunha de um certo número de guerreiros dependentes diretamente dele, que formavam a sua guarda, e que podiam ser utilizados para operações urgentes.

Durante as três primeiras décadas do reinado de Carlos Magno, o território do reino aumenta consideravelmente, embora de forma mais ou menos sólida: integração completa dos duques da Aquitânia e da Baviera; conquista do reino dos Lombardos (774), de Saxe, alguns territórios na Espanha, as possessões bizantinas e nos países eslavos; expedições contra os Ávaros e os Bretões.

A consolidação e o alargamento do territórioEditar

Rebelião na AquitâniaEditar

Uma herança nos países que estavam anteriormente sob o direito romano (ius) representava não apenas transmissão de propriedades e privilégios, mas também as obrigações e adversidades vinculadas a ela. Pepino, ao morrer, estava construindo um império, uma tarefa muito difícil[30]

Naquele tempo, construir um reino agregando pequenos territórios não era em si algo difícil... Mas mantê-lo intacto após ter se formado era uma tarefa colossal.... Cada um dos estados menores... tinha sua "pequena soberania"... que ... se dedicava principalmente a.... conspirar, pilhar e lutar.

Formação da Nova AquitâniaEditar

 Ver artigo principal: Aquitânia
Beato Carlos Magno
Relicário do Beato Carlos Magno
Nascimento 2 de abril de 742 em Liège
Morte 28 de janeiro de 814 (71 anos) em Aachen
Veneração por Igreja Católica (Alemanha e França)
Beatificação 814, Aquisgrano por um bispo da crote, posteriormente confirmado pelo papa Bento XIV[31]
Canonização 1166 por Antipapa Pascoal III[31]
Principal templo Catedral de Aachen
Festa litúrgica 28 de janeiro (Aachen e Osnabruque)
Atribuições Flor de lis; Águia Alemã
Padroeiro Amantes (lícitos e ilícitos), crianças na escola, Reis da França e da Alemanha, cavaleiros, pessoas no cadafalso, cruzados
  Portal dos Santos

A Aquitânia enquanto ainda estava sob domínio Romano, tinha um território que

compreendia todo o sul da Gália, era altamente romanizada e tinha a língua romana

como base. Como a hispânia havia sido povoada povos que que falavam diversas

línguas, incluindo o Celta. Entre a Aquitânia e a Hispânia estavam os Euskaldunak,

romanizados como vascões ou bascos, vivendo no País Basco, a "Vascônia", que se

estendia por um território que estava em acordo com a distribuição

dos topônimos atribuíveis aos bascos, principalmente na parte oriental dos Pirenéus,

mas também mais ao sul, chegando ao rio Ebro, na Espanha, e ao norte, até o Garone,

na França. O nome francês, Gasconha, é derivado de "Vascônia".

Após a queda dos romanos, os visigodos os substituíram na Espanha e pelos Francos e

visigodos ao Norte, porém a Aquitania nunca efetivamente integrada a política no

Reino Franco, passou a ser uma espécie de terra complementar. Embora eles tivessem

uma autoridade estatal, estas tribos germânicas se assentaram de forma tênue. Elas

não mantiveram a língua por muito tempo, se acabaram se rendendo as populações

falantes do românico, que sempre mantiveram predominância quantitativa. Mesmo

em Touluse, que fora capital de um reino Franco, o românico se sobrepôs. As

autoridades mantiam relações com os Bascos, povos nunca antes dominados, até a

metade do século VII, por serem povos bastante combativos, mantiam vantagem na

região, até então. Eles começaram a atacar o norte e o leste de suas fronteiras num

território que já era governado pelos Merovíngios tomando escravos ao norte e

vendendo ao sul. Exércitos foram enviados pelos Francos e, quando os bascos não

conseguiam derrota-los, eles recuavam para as montanhas.

Por volta de 660 d.C., o ducado da Vascônia, foi unido sob ordens do Duque de

Aquitâniapara formar um reino único sob Félix de Aquitânia a partir de Toulouse. Este

seria um reinado conjunto com Lupus I, de apenas 28 anos, o rei basco. O reino era

independente e soberano. Por outro lado, a Vascônia desistiu de suas atitudes

predatórias para passar a atuar na política europeia. Contudo, arranjos que Félix havia

feito com os agora fracos merovíngios se mostraram inúteis e inválidos. Ao morrer, em

770, a propriedade conjunta reverteu inteiramente para Lupus. Como os bascos não

tinham nenhuma lei sobre a herança conjunta, apesar de praticarem a primogenitura,

Lupus foi, de fato, o fundador da dinastia hereditária dos reis bascos e de uma

Aquitânia expandida.[32]

Aquisição da Aquitânia pelos carolíngiosEditar

As crônicas latinas sobre o final do Reino Visigótico deixam muito a desejar: a identificação de personagens, várias lacunas e numerosas contradições.[33] As fontes sarracenas, porém, apresentam uma visão mais coerente, como a Ta'rikh iftitah al-Andalus ("História da conquista de al-Andalus") por Ibn al-Qūṭiyya, "o filho de uma mulher goda", onde a citada Sarah seria a neta do último rei de toda a Hispânia visigoda, que se casou com um sarraceno. Ibn al-Qūṭiyya, que tinha outro nome muito muito mais longo, certamente confiava, em algum grau, na tradição oral desta família. Se todos os reinos foram destruídos pela invasão dos sarracenos, então Rodrigo parece ter reinado por uns poucos anos antes da maioridade de Áquila. O reinado deste último, por sua vez, pode ser localizado com alguma segurança no noroeste da Península, enquanto que Rodrigo parece ter reinado no resto, notadamente em Portugal.

De acordo com ele,[34] o último rei visigodo de uma Hispânia unida morreu antes que seus três filhos, Almundo, Rômulo e Arbasto, chegassem à maioridade. A mãe deles era regente em Toledo, mas Rodrigo, o "ministro" do exército, deu um golpe militar e capturou Córdova. De todos os possíveis desfechos, ele escolheu impor um governo conjunto dos três herdeiros verdadeiros sobre diferentes jurisdições. A evidência de uma divisão de alguma forma pode ser encontrada na distribuição das moedas cunhadas com o nome de cada rei e também nas listas reais.[35] Vitiza foi sucedido por Rodrigo, reinando sete anos e meio, e um tal Áquila, que reinou por três anos e meio.

Áquila é indubitavelmente Áquila II das moedas e das crônicas, que as crônicas afirmam ser filho de Vitiza. Como ele entra na árvore genealógica da família da mulher goda é um problema. Um erro de cópia na transmissão do manuscrito de seu filho já foi proposto: "w.q.l.h" ("Waqla") se tornaria "r.m.l.h" ("Rumulu") - o árabe, assim como o hebraico, escreve apenas as consoantes. Ardabasto é geralmente identificado como sendo Ardo, o rei da Septimânia (713-720).[36] A localização da parte de Almundo ("Olemundo"?) não foi preservada, mas que ele certamente tinha uma é um fato que se infere pelos eventos seguintes.

No relato, um mercador cristão, Juliano, deixou a sua filha sob a guarda de Rodrigo (a mãe havia morrido recentemente) enquanto ele viajava a negócios a pedido de Rodrigo no Norte da África. Quando ele retornou, ele descobriu que sua filha havia sido seduzida por Rodrigo. Fingindo não se importar e aceitar o evento, ele convenceu Rodrigo a enviá-lo em outra viagem. Chegando ao destino, porém, ele foi diretamente a Tárique e o convenceu a invadir al-Andalus. No caminho, o profeta Maomé teria aparecido para Tárique num sonho e estimulado-o a continuar. Quando os sarracenos desembarcaram no sul da Espanha, Rodrigo, que tinha se estabelecido em Córdova, procurou os três filhos de Vitiza pedindo por ajuda na defesa comum. Os três vieram, mas não chegaram sequer a entrar na cidade, enviando um emissário a Tárique em vez disso para afirmar que Rodrigo não era melhor do que um cão e oferecendo sua submissão e ajuda em troca de manterem suas terras ancestrais e seus privilégios.[37] A oferta foi aceita e Rodrigo foi derrotado na Batalha de Guadalete. Não fica claro se os reis visigodos lutaram contra ele ou apenas evitaram ajudá-lo. "Pressionado pelas armas, ele se atirou na água e nunca mais foi encontrado".

Os três reis viajaram então até Damasco para confirmar a sua submissão[38]: "Áquila foi nomeado rei dos godos, mas em 714 ele viajou com os seus irmãos para Damasco e vendeu o reino para o califa Walid I (r. 705-715) por terras e dinheiro". Ardo continuou como um rei-cliente na Provença. Com a morte de Almundo, ele se apoderou da parte dele contra a vontade de seus herdeiros, que foram até a Síria para apelar ao califa. Os sarracenos rapidamente tomaram partido e atacaram Ardo, contudo os herdeiros também jamais recuperaram as suas terras. Um deles se tornou um bispo cristão e a menina, Sarah, aceitou se casar com um sarraceno, entrando para a história como "a mulher goda" da crônica de Ibn al-Qūṭiyya, com um papel importante na Espanha moura.

Os sarracenos atravessaram as montanhas dos Pirenéus para capturar a Septimânia de Ardo e lá encontraram a dinastia basca da Aquitânia, sempre aliada dos godos. Odo, o Grande da Aquitânia foi a princípio vitorioso na Batalha de Toulouse (ou de Bourdeaux) em 721.[39] As tropas sarracenas gradualmente se acumulavam na região e, em 732, avançaram sobre a Vascônia, derrotando Odo na Batalha do Rio Garonne. Eles tomaram Bordeaux e estavam avançando em direção a Tours quando Odo, incapaz de pará-los, apelou ao seu arqui-inimigo, Carlos Martel, o prefeito dos francos. Em uma das marchas-relâmpago que fariam a fama dos reis carolíngios, Carlos e seu inimigo cruzaram o caminho do inimigo entre Tours e Poitiers, resolvendo definitivamente a questão na famosa Batalha de Tours, parando ali o avanço sarraceno na Europa. Os mouros foram derrotados de forma tão conclusiva que eles recuaram para além das montanhas, jamais retornando, deixando a Septimânia como parte da Frância. Odo pagou o preço e terminou com suas posses incorporadas ao reino de Carlos, uma decisão que era repugnante para ele e para os seus herdeiros.

Perda e recuperação da AquitâniaEditar

Após a morte de seu filho, Hunaldo se aliou com o Reino Lombardo, uma violação da soberania da Frância. Porém, Odo havia deixado o reino de forma ambígua para os seus dois filhos "conjuntamente", Hunaldo e Hatoo. Este último, leal à Frância, entrou em guerra com o irmão para se apoderar do reino todo. Vitorioso, Hunaldo cegou e aprisionou o irmão, mas se sentiu tão mal com o ato que renunciou e entrou para uma igreja como monge para se penitenciar.[40] Seu filho, Waifer recebeu a herança adiantada e se tornou duque da Aquitânia, herdando também a aliança com os lombardos. Waifer decidiu honrá-la, repetindo a traição do pai, o que ele justificou argumentando que quaisquer acordos com Carlos Martel teriam se invalidado com a sua morte. Como a Aquitânia agora era herança de Pepino, ele e seu filho, o jovem Carlos, caçaram Waifer, que só tinha condições de conduzir uma guerra de guerrilha, e o executaram.[41]

Entre os contingentes do exército franco estavam bávaros sob Tassilo III, duque da Bavária, um membro da família Agilofing, herdeiros da família real bávara. Grifo tinha se instalado como duque, mas Pepino o substituiu por um membro da família real, Tassilo, que ainda era um infante, e se tornou o protetor do garoto após a morte de seu pai. A lealdade dos Agilofings sempre foi uma dúvida, mas Pepino conseguiu extrair diversos juramentos de lealdade de Tassilo. Porém, ele se casou com Liutperga, uma filha de Desidério, rei dos lombardos. Num momento crítico da campanha, Tassilo, com todos os seus bávaros, abandonaram a batalha. Fora do alcance de Pepino, ele repudiou a lealdade à Frância.[42] Pepino não teve chance de responder, pois ficou doente e, depois de algumas semanas da execução de Waifer, faleceu.

O primeiro evento do reinado dos irmãos foi a rebelião da Aquitânia e da Gasconha, em 769, no território agora divido entre os dois reis. Anos antes, Pepino já havia suprimido a revolta de Waifer e agora um outro Hunaldo, diferente do anterior, liderou os exércitos da Aquitânia até chegar em Angoulême. Carlos se encontrou com Carlomano, mas ele se recusou a participar, retornando para a Borgonha. Carlos foi à guerra liderando um exército até Bordéus, onde ele montou uma fortaleza em Fronsac. Hunaldo foi forçado a fugir para a corte do duque Lop II da Gasconha (ou Lupus). Este, temendo Carlos, entregou Hunaldo em troca da paz. O rebelde foi colocado num mosteiro e a Aquitânia finalmente se submeteu completamente à Frância.

Em 781, Luís é coroado em Roma rei da Aquitânia. Este reino da Aquitânia permanece na mesma até à chegada do império de Luís em 814, com duas dependências: o Ducado da Gasconha, no sul da Garona, onde Sancho Lopo sucedeu a Lupo II; o Condado da Septimânia (Narbona, Carcassona), dirigido pelo conde Milo, um visigodo e depois por Guilherme de Tolosa, conde de Toulouse e marquês da Septimânia a partir de 790 em diante.

A ItáliaEditar

De todas as guerras de Carlos Magno aquelas em que ele se envolveu contra os Lombardos são as mais importantes pelas consequências políticas e são também aquelas onde se demonstra mais claramente a ligação intimamente ligada à conduta de Carlos, ao seu pai. A aliança com a cúria romana exigida, não só no interesse do país, mas mesmo do rei dos Francos. Pepino, o Breve esperava, no fim do seu reinado, um acordo pacifico com os Lombardos. Em 770, Carlos assinou um tratado com o duque Tassilo III da Bavária e se casou com uma princesa lombarda (geralmente conhecida como Desiderata da Lombardia), filha do rei Desidério, para cercar Carlomano com seus aliados. Embora o papa Estêvão III a princípio tenha sido contrário ao casamento com a princesa lombarda, ele logo perceberia que nada tinha a temer de uma aliança franco-lombarda. Os Lombardos continuaram a atacar Roma e o seu rei conjecturou intrigas perigosas com o duque da Baviera e a propria irmã de Carlos.

Em 773, Carlos Magno interveio na demanda do papa contra Desisério. O exército franco atravessou os Alpes durante o verão de 773, cercou Pavia (setembro) e ocupou assim facilmente o resto do Reino Lombardo. Pavia esfomeada e vítima de epidemias caiu em 774. Carlos Magno assumiu ele próprio o título de "rei dos Lombardos": Gratia Dei Rex Francorum et Langobardorum («rei dos Francos e dos Lombardos pela graça de Deus») a 10 de julho de 774 enquanto que certos historiadores afirmam que ele foi proclamado rei pelo arcebispo de Milão que lhe colocou a Coroa de Ferro lombarda na cabeça. Desidério foi enviado como monge na abadia de Corbie e o resto da sua família também foi neutralizada, à excepção de Adalgis que se refugiou em Constantinopla. O ducado de Espoleto submeteu-se à dominação franca e aceitou como duque um protegido do papa, Hildebrando. O ducado de Benevento permaneceu nas mãos de Arigis, genro de Desidério, mas deve fornecer reféns, em particular o seu filho Grimoaldo que foi elevado na corte. Em 776, os Francos conquistam o ducado do Friul.

Menos de um ano após seu casamento, Carlos Magno repudiou Desiderata e rapidamente se casou novamente com uma garota suábia de 13 anos chamada Hildegarda. A esposa repudiada voltou para a corte de seu pai em Pavia. Os lombardos, furiosos, teriam se aliado com Carlomano, agora rebaptizado Pepino, que foi coroado em Roma rei de Itália, título que não correspondia a um Estado formal. Por seguinte, Pepino assume sob o controlo de Carlos Magno a função de rei dos Lombardos. A principal personalidade do reino é Adalardo, primo de Carlos Magno. Os problemas são assim numerosos: as relações com Arigis e com os bizantinos.

Assim, o Estado lombardo, desde o nascimento tinha posto um fim à unidade política de Itália, atraindo sobre ela, moribunda, a conquista estrangeira. Ela não era mais doravante que um apêndice da monarquia franca da qual não se devia separar, no fim do século IX, para cair rapidamente sob domínio germânico. Devido a um reverso completo do sentido da história, ela que tinha anexado o norte da Europa era agora mantida anexada por ele; e este destino não está num sentido que uma consequência das mudanças políticas que a tinham transportado do Mediterrâneo para o norte da Gália, o centro da gravidade do mundo ocidental.[necessário esclarecer]

E portanto é Roma, mas a Roma dos papas, que decide a sua sorte. Não vemos o interesse que teria empurrada os carolíngios a atacar e conquistar o Reino Lombardo se a sua aliança com o papado não os obrigasse. A influência da Igreja, libertada da tutela bizantina, que desde então atuou sobre a política da Europa, apareceu aqui pela primeira vez às claras. O Estado não pode doravante separar-se da Igreja. Entre ela e ele forma-se uma associação de serviços mútuos que, misturando-os sem deixar um ou outro, misturando assim as questões espirituais com questões temporais e fazia da religião o factor essencial na ordem política. A reconstituição do Império Romano, em 800, é a manifestação definitiva de esta citação nova e a garantia da sua duração futura[43]

A SaxóniaEditar

Do lado de lá do rio Reno, um poderoso povo conservava ainda, com a sua independência, a fidelidade ao velho culto nacional: os Saxões, repartidos entre quatro grupos (Westphales, Ostphales, Agrivarii, Nordalbingiens) e estabelecidos entre o Ems e o Elba, desde as costas do mar do Norte até as montanhas do Harz.

Ao contrário dos demais germânicos, é por mar que na época das grande invasões, eles procuram novas terras. Durante todo o século V, os seus barcos inquietaram as costas da Gália assim como as da Grã-Bretanha. Houve estabelecimentos saxões, ainda hoje reconhecíveis na forma de nomes de locais, na foz do rio Canche e do rio Loire. Mas é apenas na Grã-Bretanha que os Saxões e os Anglos, e povos do sul da Jutlândia estreitamente aparentados a eles, se estabelecem de forma duradoura. Eles revoltaram a população celta da ilha nos distritos montanhosos do oeste, Cornualha e país de Gales, onde esta se encontrava muito próxima, e ela emigrará no século VI na Armórica, que portanto adquiriu o nome de Bretanha como a parte conquistada da Grã-Bretanha recebeu o nome de Inglaterra. Estes saxões insulares não conservaram relações com os seus compatriotas do continente. Eles tinham-nos tão esquecidos que na época, tendo sido convertidos por Gregório, o Grande, comprometeram-se na conversão dos Germânicos, e foi para a Alta Alemanha que eles dirigiram os seus esforços.

A meio do século VIII, os Saxões continentais estavam relativamente preservados da influência romana e cretiana. Durante a romanização dos seus vizinhos ou a sua conversão, as suas instituições e a sua cultura nacional próprias desenvolviam-se e afirmavam-se. O reino franco, do qual eles eram limítrofes, não era capaz de exercer sobre eles o prestigio e a atração cujo Império Romano tinha sido objeto por parte dos bárbaros. Ao lado deste, eles conservaram a sua independência na qual eles tinham tudo o que lhes permitiu pilhar as províncias limítrofes. Eles eram agarrados à sua religião como à marca e à garantia da sua independência.[43]

Desde 748, eles foram tributários do reino franco. O tributo de 300 cavalos por ano, estabelecido em 758, no entanto não é pago até ao fim do reinado de Pepino, o Breve e o reino é submetido regularmente a incursões saxónicas.

Carlos Magno fez a sua primeira expedição na Saxónia em 772, destruindo em particular o principal santuário, o Irminsul, símbolo da resistência do paganismo saxónico e local de reunião dos pagãos que lhe faziam uma oferenda após cada vitória. Depois, a partir de 776, após intermédio italiano, iniciou-se uma guerra feroz contra os Saxões, que comandados por Viduquind, um chefe vestefálio, lhes opôs uma vigorosa resistência. Após várias campanhas marcadas pela devastação de diferentes partes da Saxónia e a submissão provisória dos chefes, mas também por um reverso grave dos Francos em 782 em Süntel, além do Weser. Esta derrota leva a uma operação de represálias que termina no massacre de 4500 Saxões em Verden. Widukind acabou por submeter-se em 785 e foi baptizado.

Carlos Magno impôs então a Capitulaire De partibus Saxoniae (primeiro capítulo saxão), uma legislação de excepção que previa a pena de morte para as numerosas infracções, em particular para toda a manifestação de paganismo (cremação de defuntos, recusa do baptismo para os recém-nascidos). Uma política de deportação dos Saxões e de colonização pelos Francos ocorre ao mesmo tempo. A legislação de excepção chega ao fim em 797 (terceiro capítulo saxão), mas a submissão definitiva só é verdadeiramente atingida em 804.

Até agora o cristianismo espalhara-se de forma relativamente pacifica entre os Germânicos. Na Saxónia contudo Carlos Magno foi obrigado a usar a força. Daí que as violências contra todos os que sacrificaram aos seus "ídolos" e a fúria que levou os Saxões a defender os seus deuses tornaram-se a proteção das suas liberdades. Para certos milhares de nacionalistas germânicos, a imagem de Carlos Magno é a do "Carrasco dos Saxões" em resultado do massacre de Verden.[44] Assim em 1935, para comemorar o evento, o regime nazi construiu o monumento de  Sachsenhain.

A conquista dos Saxões permitiu igualmente colocar um fim uma vez por todas na ameaça permanente que os Saxões faziam pesar sobre a segurança do reino franco. Uma vez a anexação e a conversão da Saxónia, o último elemento da antiga Germânia, concluídas, a fronteira oriental do Império Carolíngio atinge o Elba e o Saale. Ele dirigia-se desde a cabeça do Adriático pelas montanhas da Boémia e do Danúbio, englobando o país dos bávaros.[45]

A EspanhaEditar

Desde a sua derrota em Poitiers, os muçulmanos não tinham mais ameaçado a Gália. A retaguarda que eles tinham deixado no país de Narbona tinha sido reprimida por Pepino, o Breve. A Espanha, onde haveria de se instalar o emirado de Córdova, já não olharia mais para o Norte e a civilização brilhante lá se espalhou sob os primeiros Omíadas, dirigindo a sua actividade para as instituições islâmicas próximas ao Mediterrâneo. A rapidez do progresso do Islão nas ciências, nas artes, na indústria, o comércio é quase tão surpreendente como a rapidez das suas conquistas. Mas estes progressos tiveram naturalmente por consequência o desviar das suas energias das grandes empresas de proseletismo para as concentrarem sobre si mesmo. Ao mesmo tempo que as ciências se desenvolveram e que e a arte se expandiu, surgiram as querelas religiosas e políticas. A Espanha não foi mais poupada que o resto do mundo muçulmano.

Aliança com Suleyman Ibn al-Arabi (777)Editar

Em 777, depois da assembleia de Paderborn, na Saxónia, Carlos Magno recebeu os emissários de vários governos muçulmanos de Espanha, incluindo o de Barcelona, em rebelião contra o emirado de Córdoba. Sulayman concordou permitir aos Francos a apreensão de Saragoça. Carlos Magno decide acompanhar e intervir no norte de Espanha, provavelmente não por motivos religiosos ( cartas do papa desta época mostram que este preferia um intervenção em Itália, contra os cretianos), mas sobretudo para segurança da fronteira sul da Aquitânia.

A expedição de 778Editar

Uma dupla expedição ocorreu na primavera de 778, e durante o verão os dois exércitos reuniram-se antes de Saragoça, mas neste momento, a cidade é mantida por legalistas, contrariamente ao que alegou Suleyman. Ameaçados de uma intervenção do Emir de Córdoba, os Francos levantam o cerco e deixam Espanha, após terem pilhado Pamplona. Esta falha é aumentada pelo revés muito grave sofrido pela retaguarda de Carlos Magno pelos Vascões, senhores da travessia dos Pirenéus. A emboscada[46], é principalmente conduzida pelos Bascos, mas é provável que tenham também participado os habitantes de Pamplona e os ex-aliados muçulmanos de Carlos Magno,[47] insatisfeito com um recuo rápido (apresentados por Suleyman os reféns são libertados durante a operação).

Para os contemporâneos, esta expedição passou um pouco despercebida. A lembrança do conde Rolando morto na emboscada não se perpetuou antes de tudo do que pelas pessoas da sua província, na terra de Coutances. Levou ao entusiasmo religioso e guerreiro que se apreendeu na Europa na época de Primeira Cruzada por fazer de Rolando o mais heroico dos valentes da epopeia francesa e cristã e transformar a campanha na qual ele entrorará a morte numa luta gigantesca contra o Islão por « Carles li reis nostre emperere magne»[48].

A constituição da Marca Espanhola (785-810)Editar

Depois disso, Carlos Magno não interveio mais pessoalmente em Espanha, deixando o cuidado das operações aos responsáveis militares da Aquitânia, os condes de Toulouse Chorson, depois Guilherme de Tolosa, depois o rei Luís. Apesar de uma derrota sofrida por Guilherme na Septimânia (793), os Aquitanos eram capazes de conquistar quaisquer territórios em Espanha: incluindo Gerona, Barcelona (801), a Cerdanha e Urgel. No entanto, apesar de três tentativas por parte de Luís, eles não conseguem tomar Tortosa. Em 814, Saragoça e o vale do Ebro permanecem muçulmanos, assim por muito tempo.

Os territórios reconquistados formam a Marcha de Espanha.

OutrosEditar

A BavieraEditar

Desde 748, ela é dirigida pelo duque Tassilo III, neto de Carlos Martel, empossado por Pepino, o Breve a quando da morte do duque Odilo. Contudo Tassilo procurou preservar a sua independência, casando em 763 com Liuteberga, filha de Desidério e futura cunhada de Carlos Magno.

Embora Tassilo não tenha intervindo após a campanha contra os Lombardos em 773-774, Carlos Magno esforça-se para reforçar o seu controlo. Tassilo teve de prestar juramento de fidelidade em 781, depois novamente em 787. Em 788, é colocado em julgamento perante a assembleia, condenado à morte, depois perdoado e trancado num mosteiro com a sua esposa e seus dois filhos. Carlos Magno nomeou condes para a Baviera e coloca o seu cunhado Geraldo á frente do exército com o título de prefeito. Em 794, Tassilo comparece de novo perante uma assembleia e proclama a sua renúncia ao trono da Baviera, doravante totalmente integrado no reino franco.

Os ÁvarosEditar

Este povo de cavaleiros, de origem turca, tinha no século VI anexado os Gépidas (com auxilio dos Lombardos) e desde então instalados no vale do Danúbio, de onde assediavam por vezes o Império Bizantino e a Baviera.

Em 791, com ajuda do seu filho Pepino de Itália, Carlos Magno conduz contra os ávaros uma primeira campanha. Em 795, ele consegue tomar o seu campo entrincheirado, o "Anel Ávaro", com um tesouro considerável, fruto de várias dezenas de anos de pilhagem. Em 805, os últimos Ávaros rebeldes são definitivamente submetidos.

Estas foram as campanhas de extermínio. Os Ávaros foram massacrados ao ponto de desaparecerem muitos indivíduos. A operação terminou, Carlos, para combater as novas agressões, lança em todo o vale do Danúbio uma Marca, como quem diz um território de guarda submisso a uma administração militar. Esta foi a "marca" oriental (marca orientalis), ponto de partida da Austria moderna que ainda conserva o nome.[49]

Os FrísiosEditar

A anexação da Frísia Oriental (a região estende-se do golfo Zuiderzee até à foz do Weser) pelos Francos não ocorreu, aparentemente, antes de 782, ou 785. A situação permaneceu tensa durante vários anos para os Francos.

Os BretõesEditar

Na Península Armórica, a chegada dos Bretões ocasionada pelo assédio dos povos Anglos e Saxões, propicia a formação dos reinos da Cornualha, de Leon, de Bro Wéroc, além de Domnonée. São esses os reinos que os francos encontram em suas incursões para além de seus limites no Oeste, a Bretanha passa por um rápido período de dominação francesa durante o reinado dos filhos de Clóvis. No século VII apesar da submissão de Judicael, rei de Domnonée, a independência prevalece na região, no entanto os francos mantiveram presentes na Bretanha, pois ainda tinham o controle tributário dos reinos de Nantes e Rennes, e mais tarde conquistaram Vannes. Dessa forma, os francos, sob o comando de Carlos Magno, passaram a possuir uma zona de proteção contra os Bretões que ainda se mantinha independentes.

Apesar da influência adquirida na Bretanha, Carlos Magno tinha pouco interesse pelo Ocidente, de modo que a independência da Bretanha é consequência tanto da resistência dos Bretões, quanto da falta de empenho do reino franco, tendo em vista que o rei que sempre tinha a preocupação em se mostrar presente nos fronts de batalha, não chegava a ser visto naquele front, pois a área de domínio Franco na Bretanha tinha mais uma função defensiva, do que papel em uma estratégia expansionista na região.[50]

Os EslavosEditar

Antes do final do século VII, os eslavos tinham avançado na Europa Central. Eles tinham tomado posse da terra abandonada pelos Germânicos entre o Vístula e o Elba, pelos Lombardos e os Gépidas na Boémia e Morávia. De lá, eles atravessaram o Danúbio e entraram na Trácia, de onde se espalharam para as costas do Adriático.

Este lado mais uma vez, foi a segurança do império. Desde 807 outras "marcas" foram estabelecidos ao longo do Elba e do Saale, barrando o caminho às tribos eslavas dos Sorábios e Obotritas. Esta fronteira foi, ao mesmo tempo, como o Reno no quarto e quinto século,ou seja, a fronteira entre a Europa cristã e o paganismo. É interessante para avaliação das ideias religiosas da época, observar que não houve um renascimento momentâneo da escravidão. O paganismo dos eslavos colocava-os, na visão da religião dominante, além da humanidade: aqueles dentre eles que foram capturados eram vendidos como gado. Além disso, a palavra que na maioria das línguas ocidentais significa escravo (esclave, sklave, slaaf) nada mais é do que o mesmo nome do povo eslavo.[51]

AscendênciaEditar

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16. Ansegisel
 
 
 
 
 
 
 
8. Pepino de Herstal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17. Begga de Landen
 
 
 
 
 
 
 
4. Carlos Martel
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18. Quildebrando da Saxônia
 
 
 
 
 
 
 
9. Alpaida
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19.
 
 
 
 
 
 
 
2. Pepino, o Breve
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20. Guerino, conde de Paris
 
 
 
 
 
 
 
10. Santo Lievin, Conde de Trier
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21. Gunza de Trêves
 
 
 
 
 
 
 
5. Rotrude de Trier
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22.
 
 
 
 
 
 
 
11. Guilgarda de Worms
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23.
 
 
 
 
 
 
 
1. Carlos Magno
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24.
 
 
 
 
 
 
 
12.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25.
 
 
 
 
 
 
 
6. Cariberto de Laon
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26. Teodorico III da Nêustria
 
 
 
 
 
 
 
13. Berta de Prum
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27. Santa Clotilde de Herstal
 
 
 
 
 
 
 
3. Berta de Laon
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28. Teodo V da Baviera
 
 
 
 
 
 
 
14. Grimualdo da Baviera
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29. Folchaid da Baviera
 
 
 
 
 
 
 
7. Berta da Beviera
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30. Dagoberto I da Austrásia
 
 
 
 
 
 
 
15. Biltrude da Baviera
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31. Nanthilde da Austrásia
 
 
 
 
 
 

VidaEditar

 
Carlos Magno e o Papa Adriano I, por Antoine Vérard

Carlos Magno foi o filho mais velho de Pepino, o Breve,[52] que foi o primeiro rei carolíngio, e de Berta de Laon. Foi irmão de Lady Berta, mãe de Rolando, marquês da Bretanha. Sua ascendência paterna chega até Arnulfo de Metz, um bispo cuja filiação é incerta.

Pepino, o Breve empossou o monopólio da cunhagem da moeda, decidindo sobre a atividade das casas de cunhagem, o peso das moedas, o seu valor e os caracteres representados.

A cunhagem de moeda na Europa foi, pois, reiniciada com Pepino, o Breve, que recuperou o sistema utilizado pelos antigos gregos e romanos e mantido no Império Romano do Ocidente (1 libra = 20 soldos = 240 dinheiros).

Com a morte de Pepino, o reino foi dividido entre Carlos Magno e o seu irmão Carlomano (que governou a Austrásia). Carlomano morreu em 5 de dezembro de 771, deixando Carlos Magno como líder de um reino Franco reunificado. Carlos Magno esteve envolvido constantemente em batalhas durante o seu reinado. Conquistou a Saxónia no século VIII, um objetivo que foi o sonho inalcançável de Augusto. Foram necessários mais de dezoito batalhas para que Carlos Magno conseguisse esta vitória definitiva. Procedeu à conversão forçada ao cristianismo dos povos conquistados, massacrando os que se recusavam a converter-se. Um dos seus objetivos era, também conquistar a Península Ibérica, mas nunca o alcançou.

A coroação imperial (25 de dezembro de 800)Editar

A ampliação das fronteiras converteu o Reino dos Francos no mais extenso da Europa Ocidental, reconstituindo em parte, antigos limites do Império Romano do Ocidente, o que atendia as concepções ecumênicas do papado. Daí a coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III, como imperador do Novo Império Romano do Ocidente.

'' Uma nova promessa de eternidade se desenha: graças ao trono de Pedro, o prestígio de Roma não pára de crescer aos olhos dos bárbaros, e particularmente dos francos vitoriosos: quando o Rei quiser restaurar o Império, será em Roma que receberá a Coroa. O império cristão do Ocidente terá então caído nas mãos de um bárbaro; mas esse bárbaro será ele próprio um cristão que restaurará o Império e que todos, no Ocidente, o terão por herdeiro legítimo das tradições romanas.'' (Trecho da Epístola ad Hilarium, de Leôncio de Arles. in: FREITAS, G. de op. cit. p 130)[53]

Os factores gerais da coroação

A situação na Europa OcidentalEditar

Expandida através da conquista no leste do Elba e Danúbio, no sul de Benevento e do Ebro, a monarquia franca no final do século VIII, domina quase todo o Ocidente cristão. Os pequenos reinos anglo-saxões e ibéricos, que ela não absorveu, representam uma quantidade insignificante e lhe prestam provas de deferência o que praticamente equivale ao reconhecimento do seu protectorado. Na verdade, o poder de Carlos estende-se a todos os países e todas as pessoas que reconhecem o Papa de Roma, Vigário de Cristo e chefe da Igreja. Fora isso, ou é o mundo bárbaro do paganismo, ou o mundo inimigo do Islão, ou, finalmente, o velho Império Bizantino, cristão, talvez, mas uma ortodoxia muito caprichosa e de mais a mais agrupavam-se em torno do Patriarca de Constantinopla e deixavam o Papa de lado.

A própria ideia de império, está presente nas mentes de muitas pessoas no final dos anos de 790, especialmente em Alcuíno.

A situação no Império BizantinoEditar

Desde 792, o império é realmente dirigido por Irene, mãe do imperador Constantino VI, mas em 797, ela assume oficialmente o título de basileu, que na sociedade da época é um pouco incongruente, especialmente porque o seu filho morreu pouco depois de ter sido cegado por ordem de Irene. Os círculos carolíngios acreditam que, sob estas condições, a título imperial bizantino já não é válido.

A situação do papadoEditar

Segundo Jean Favier, o papa Adriano I, no século VIII, redigiu uma carta para Carlos Magno ao pontuar a aprovação de Deus reinado desse rei. Ou seja, Cristo legitima o reinado de Carlos Magno. Além disso, o papa ainda relaciona o governo de Constantino com o de Carlos Magno ao homologar a cristandade do rei. Apesar das afirmações da Santidade, não foi, nessa circunstância, que haverá a validação do monarca como imperador do ocidente. É válido ressaltar que a ausência do título não influenciará nas políticas adotadas pelo soberano. As medidas adotadas foram influentes nas relações sociais. Posto que, Carlos Magno o encarregado de efetuar a vontade de Cristo. A principal característica do seu governo é ser expansionista, conquistando no século VIII os lombardos e os germanos. Porém, não há certeza sobre a relação dessa conquista com a iniciação do projeto da conquista da Península Ibérica. Conforme Jérôme Baschet, o governo de Carlos Magno será fundamental para restabelecer a maioria das fronteiras do Império do Ocidente. Pode-se relatar que principal motivo da aliança do Reino Franco com a Igreja seria em função de controlar o poder da instituição e sua área de abrangência. Carlos Magno derrota os lombardos. Segundo Favier, a permanência da Igreja Romana estava ameaçada. Por isso, existiu um plano traçado pelos líderes da igreja católica visando a união entre o reino franco e esta instituição. Carlos Magno forma uma aliança com Papa Adriano I que se fortalecerá com o decorrer dos anos. Esse é um dos principais fatores que favorecem coroação desse rei. A coroação não só é vista como uma restauração do império, mas também como autonomia desse território. Já que, o império do Oriente era o detentor desses reinos. A concepção de restabelecer as antigas fronteiras está relacionada a uma ideia pontifical. A coroação de Carlos Magno beneficiou significativamente a Igreja, em dezembro de 800 dc, no patrimônio de São Pedro. Os principais objetivos do imperador era combater as heresias e consolidar a hegemonia papal.

O atentado contra Leão III e consequênciasEditar

Conforme Jean Favier, o papa Leão III não era carismático, porém assumiu o cargo devido à influência dentro do papado. Essa situação desarmoniosa encandeará em um confronto entre a população com os líderes da igreja católica. Contudo, Leão III incitará a repulsa de Pascal, o sobrinho de Adriano I. Visto que, perdeu a função dentro da congregação religiosa. O ofício realizado por Pascal era de mediar o contato com os Francos. Na gestão de Leão III, ele perdeu a ocupação. A consequência dessa ação foi os protestos contra seu regime. Carlos Magno encaminhará um espreitador para saber como estava o governo de Leão III. Quando enviou o Conde Germaire, o pontífice tinha sofrido um atentado. Rumores de que os seus agressores teriam lhe cortado a língua e o cegado, o que revelaria inexato, mas que permitem falar-se de um milagre. Poucos dias depois, ele foi libertado através da intervenção do duque franco Vinigis de Espoleto, que o leva a Espoleto, em seguida, com os missi de Carlos Magno, é organizada uma viagem papal a Paderborn. Os historiadores Jérôme Baschet e Jean Favier relatam a falta de vestígios sobre esse episódio. É evidente que o fato auxiliou a Carlos Magno conquistar a posição de imperador, devido a defesa do patrício na investigação do caso. Com isso, o rei franco era visto como verdadeiro sucessor de Constantino.

De Paderborn a RomaEditar

Leão III gasta cerca de um mês em Paderborn, encontrando várias vezes Carlos Magno. O conteúdo político das suas discussões é ignorado. Não sabemos, especialmente se a atribuição do título imperial foi discutido. Mas podemos notar que um poema escrito durante esta entrevista, fala sobre Carlos Magno como o Pai da Europa e Aquisgrano como a Terceira Roma. Em qualquer caso, Carlos Magno concorda em ir a Roma para lidar com a disputa entre Leão e os seus oponentes.

Parece que Carlos Magno tinha planeado uma viagem a Roma no início de 799, antes da crise, já que numa carta Alcuíno pediu para ser dispensado por motivos de saúde. A viagem é confirmada em Paderborn, mas Carlos Magno não se precipita para Roma. Ele dá tempo para Leão restaurar a sua posição em Roma. Também é possível que lhe pareça aconselhável estar em Roma para o Natal do ano de 800.

Leão está de volta a Roma, com um acompanhante e alguns dignitários francos no final de outubro de 799; os missi recebem uma reclamação formal contra ele. Uma comissão reúne-se em Latrão[54] e uma investigação é conduzida. No geral, apesar de tudo, a situação de Leão é quase restaurada.

Carlos Magno passa a primavera e o verão de 800 em viagem na Nêustria, prolonga-se particularmente em Bolonha, que é considerado o problema de defesa costeira, depois em Tours, onde reencontra Alcuíno, mas também Luís da Aquitânia. Depois, então, parte para Itália, uma expedição militar contra o Ducado de Benevento também está sendo considerada. O cortejo pára em Ravena: Pepino é enviado contra Benevento, enquanto Carlos Magno parte para Roma.

Ele chega aos arredores de Roma, a 23 de novembro. De acordo com o protocolo bizantino, o basileu, se viesse a Roma, devia ser saudado pelo próprio papa, a seis mil quilómetros de Roma. Por isso, é significativo que Carlos Magno, único rei dos Francos e dos Lombardos, seja acolhido pelo papa a 12 milhas, em Mentana.[55]

Carlos Magno vence Roma, em 24 e estabelece-se no Vaticano, fora dos muros da cidade.

Dezembro de 800Editar

Após uma semana de cerimônias religiosas e Laudes- aclamações destinadas aos apóstolos, aos anjos e aos santos em favor do papa, depois do rei, em seguida da família real e, enfim, de todos os “juízes”. No qual o papa acredita ter resolvido o problema, o tom é modificado, pois nesse meio tempo, chega ao rei um informe em que a investigação de modo algum inocenta o papa. Nesse sentido, Carlos Magno decidiu fazer o julgamento de Leão III e, ao mesmo tempo, dos conspiradores de 799 e reúne em São Pedro uma assembléia do clero, presidida por ele, onde os Francos e os Romanos tomam assento. No entanto, como era de se esperar, os responsáveis ​​pelo ataque percebem o contexto da situação e tomam o cuidado de não contrariar o rei, e na presença de Carlos Magno, abdicaram de acusar o papa, e cada um tentou culpar os outros, em que tais discussões se estenderiam aproximadamente por um mês.Tendo em vista que, não se apresentou nenhuma testemunha contra o papa, e que muitos bispos externaram sua recusa em julgar o pontífice , a situação permaneceria da mesma forma.Se não fosse a obstinação de Carlos, que está habituado a presidir concílios em seu reino e impor sua vontade, em razão disso, o rei propõe ao papa que se justifique através de um juramento. E a Leão III não resta escolha, pois se ele se recusa, não sabe o que pensará os bispos, mas sabe qual será a reação de Carlos que o julgará culpado. Mediante o contexto, segundo o autor Jean Favier no juramento realizado em 23 de dezembro o papa se justifica da seguinte forma: ele jura, segurando o evangeliário acima da cabeça, que não cometeu os “falsos crimes” que “os romanos” lhe imputam. Fator enaltecido por ele no seguinte dizer:

“Vós ouvistes, caríssimos irmãos, que homens maus me atacaram, quiseram me mutilar e apresentaram contra mim graves acusações”.

Em seguida, a reunião apresenta como pauta a questão da adesão de Carlos Magno ao título imperial. Os argumentos utilizados, provavelmente pelos prelados a seguir a Carlos Magno[61], preocupados com a vaga no trono de Constantinopla e o fato de que Carlos Magno tem sob seu controle as antigas residências imperiais do Ocidente, incluindo Roma, mas também Ravena, Milão, Tréveris. A assembleia saúda estes argumentos e Carlos Magno aceita a honra que lhe é oferecida.

Diante disso, estava previsto que uma cerimônia aconteceria em 25 de dezembro, por ocasião da missa de Natal, que normalmente ocorre em São João de Latrão, mas desta vez seria realizada na Basílica de São Pedro.

A Cerimônia de 25 de dezembroEditar

A cerimônia de 25 de dezembro de 800, realizada durante a missa de Natal em Roma, guiada o papa Leão III coroou Carlos Magno como imperador do Ocidente,[52] título em desuso no ocidente desde a abdicação de Rómulo Augusto em 476 (aproveitando o facto de então reinar no Oriente uma mulher, a imperatriz Irene de Atenas, o que era considerado um vazio de poder significativo). O evento realizado, que conta com a presença de líderes políticos e autoridades eclesiásticas se deu da seguinte maneira: Durante a missa o pontífice se aproximou de Carlos, trazendo nas mãos o diadema imperial, para em seguida o coroar como Imperador do Sacro Império Romano.

No qual, segundo o autor Jean Favier, o papa se pronuncia e realiza a aclamação inspirada nas Laudes: " A Carlos, Augusto, coroado por Deus poderoso e pacífico imperador, vida e vitória!" Depois da aclamação o que se tem são aplausos e ninguém se encontra surpreso.Logo, é notório que as aclamações que se seguem à coroação remetem a adesão do povo a uma escolha já firmada pelo diálogo entre o rei e o concílio e já expresso na simbologia do diadema.

Com relação ao papel de Leão III na cerimônia, passa a impressão dele ter feito o imperador e não apenas de ter confirmado a escolha do povo. Uma maneira de dizer que é ele, o papa, que faz o imperador o que antecipa as muitas querelas dos séculos seguintes entre a Igreja e o império. Em seguida o que se vê se é a prosternação do papa, diante do Imperador uma reprodução do rito que ocorria em Bizâncio, ato em que o papa não tinha orgulho em se lembrar, por remeter de certo modo a um ato humilhante dele diante do Imperador.Aspecto que se deve ao fato de Roma sera origem e o papa o único disponível como sucessor e representante de São Pedro. Pois, como ele detém a sua autoridade do apóstolo, é em nome do apóstolo que ele confere o poder imperial.[56]Ainda que o título o ajudasse a afirmar a sua independência em relação a Constantinopla, Carlos Magno apenas o usou bastante mais tarde, já que receava ficar dependente, por outro lado, do poder papal.

A cerimônia prossegue com a sagração previamente anunciada de Carlos, o Jovem, único dos filhos do então Imperador que ao acompanhar seu pai desde sempre ainda não tinha um reino para chamar de seu. Nesse sentido, agora, ele ao menos é rei. Logo, canta-se a missa de Natal.

A reação bizantinaEditar

Mas o Império Bizantino se recusa a reconhecer a coroação imperial de Carlos Magno, vêem-na como uma usurpação. Carlos e os seus conselheiros argumentam que o Império do Oriente depois de ter caído nas mãos de uma mulher, a Imperatriz Irene de Bizâncio, isso equivale a uma inativação pura e simples do título imperial, o que não pode ser assumida por um homem. Irene procura a paz com os francos, mas a coroação de Carlos Magno como imperador romano é vista em Constantinopla como um acto de rebeldia. No outono de 801, ela propõe a Carlos Magno um projecto de união conjugal para reunificar o Império Romano mas a aristocracia bizantina, hostil a Irene, vê neste projecto um ato de sacrilégio, e organiza um golpe de Estado, em outubro de 802 contra a imperatriz[57].

Com o tratado de paz de Aquisgrano, em 812, o imperador do Oriente Miguel I Rangabe dignou adornar Carlos Magno com o título de Imperador , mas usando fórmulas desviadas evitando pronunciar-se sobre a legitimidade do título, tal como "Carlos, Rei dos Francos (...), chamado a si imperador." É o imperador bizantino Leão V, o Arménio que realmente aceita reconhecer-lhe o título de Imperador do Ocidente em 813.[58]

A teoria carolíngia do impérioEditar

Carlos Magno considera que a dignidade imperial não lhe é conferida como título pessoal, por seus feitos, e não se espera que seu título que lhe sobreviva. Nos seus actos, o título soberano de "imperador governante do Império Romano, rei dos Francos e Lombardos" (Karolus serenissimus augustus, a Deo coronatus, magnus et pacificus imperator Romanum gubernans Imperium, qui et per misericordiam Dei rex Francorum e Langobardorum). No seu testamento, no ano de 806], ele dividiu o império entre seus filhos, de acordo com o costume franco, e não faz nenhuma menção à dignidade de imperador. Só em 813, quando tem apenas um filho sobrevivente, o futuro Luís, o Piedoso, é que Carlos Magno decide no seu testamento a manutenção de todo o império e o título imperial.

De acordo com os estudiosos da época, como Alcuíno, o príncipe ideal deve ter um propósito religioso, e lutar contra os hereges e pagãos, inclusive através das fronteiras. Mas também deve ter um propósito político: não só contentar-se com a dignidade real, tornar-se imperador do Ocidente. Leão III vai nessa direcção, mas para ele prevalece o poder espiritual sobre o poder temporal, o que explica a organização na coroação de Carlos Magno.

Com esta coroação, Carlos Magno é agora apresentado como um "novo David", um Christus Domini (um "rei-sacerdote")[59].

Fim do reinadoEditar

O seu filho Pepino da Itália morreu em 810 e o mais jovem Carlos em 811. Em 813, ele foi apanhado, por cinco concílios provinciais, uma série de disposições relativas à organização do Império. Eles foram ratificados no mesmo ano por uma assembleia geral convocada em Aquisgrano, na qual ele teve a precaução de colocar ele mesmo a coroa imperial na cabeça de Luís, o único sobrevivente dos seus filhos.

Carlos Magno morreu a 28 de janeiro de 814 em Aquisgrano, de uma doença aguda que parece ter sido uma pneumonia.[60]

Segundo Éginhardo,[61] Carlos Magno não teria deixado nenhuma indicação relativa ao seu funeral, após as cerimónias fúnebres simples na Catedral de Aquisgrano (embalsamamento e sepultamento antes da cerimónia durante a qual uma "efígie viva"[62] provavelmente colocada em seu caixão para o representar[63]), ele foi enterrado numa cova no mesmo dia sob o pavimento da Capela Palatina. O monge Adémar de Chabannes, na sua Chronicon, crónica escrita entre 1024 e 1029, torna este funeral mais faustoso, criando o mito de um Otão III, que encontrou uma adega abobadada na qual o Imperador "com a barba que flui" está sentado num banco de ouro, revestido com as suas insígnias imperiais, cingindo a sua espada de ouro, com as mãos um Evangelho de ouro, e sobre a sua cabeça uma coroa com um pedaço da Cruz Verdadeira.[64] Em 1166, Frederico Barba Ruiva, depois de obter a canonização de Carlos Magno, faz abrir o túmulo para depositar os seus restos mortais num sarcófago de mármore onde diz "sarcófago de Proserpina", a 27 de julho de 1215 Frederico II começa um segundo translatio num sarcófago de ouro e em prata[65]. Segundo a lenda, durante a exumação, foi encontrado pendurado no pescoço de Carlos Magno o talismã, que ele sempre usava.[66]

Após a sua morte em 814, o seu vasto império é delimitado a oeste pelo oceano Atlântico (excepto a Bretanha), a sul pelo rio Ebro, em Espanha, pelo Volturno, em Itália; a leste pela Saxónia, o Rio Tisza, no sopé dos Cárpatos e o Oder; a norte com o mar Báltico, o rio Eider, mar do Norte e o canal da Mancha.

Aspectos gerais do reinadoEditar

Numa observação mais de perto, vê-se que o reinado de Carlos Magno não é apenas a continuação e como um prolongamento do reino de seu pai Pepino, o Breve. Sem originalidade lá aparece: aliança com a Igreja, luta contra os pagãos, lombardos e os muçulmanos, transformações governamentais, preocupação em despertar de seus estudos de descanso, tudo isso já germina em Pepino. Como todos os grandes agitadores da história, Carlos não fez mais do que activar a evolução das necessidades sociais e políticas impostas no seu tempo. O seu papel encaixa-se tão completamente com as novas tendências de seu tempo, que ele parece ser o instrumento e é muito difícil distinguir no seu trabalho o que é pessoal do que é o jogo de circunstâncias.[67]

As relações diplomáticasEditar

Califado Abássida de BagdáEditar

Estas relações levantam a questão de "Relações com o Islão"; parece que, de fato, os francos, mesmo clérigos, não percebiam neste época os muçulmanos do ponto de vista religioso. O Islão é muito conhecido e mais ou menos equiparado ao paganismo.

Enquanto existe uma tensão entre os francos e do Emirado de Córdoba, que controla a Espanha e realiza os ataques a contra Aquitânia, Carlos Magno tem boas relações com o califa abássida de Bagdá, Harune Arraxide, seu aliado de fato contra o emirado, mas também contra o Império Bizantino. Note-se que os Anais chamam [Harune Arraxide, e às vezes o apresentam como "rei dos persas."

Uma primeira embaixada é enviada por Carlos Magno em 797, a propósito do acesso aos lugares santos de Jerusalém.

Harune responde com uma embaixada que chegou a Itália em 801, portanto, por uma feliz coincidência, logo após a coroação imperial, com notáveis ​​presentes: entre outros, um elefante branco chamado Abul-Abbas, que acompanhou Carlos Magno até à sua morte em 810.[68] O califa também garante a plena liberdade aos peregrinos cristãos.

Outra embaixada de Harune ocorre em 806, desta vez com um relógio hidráulico.

A administração do impérioEditar

Reduzindo os recursos das áreas privadas, o Imperador não poderia atender às necessidades de uma administração digna desse nome. Na falta de dinheiro, o Estado é obrigado a usar os serviços gratuitos da aristocracia, cujo poder não pode crescer se o Estado estiver enfraquecido. Para evitar este perigo, no final do século VIII, um juramento especial de fidelidade, semelhante à dos vassalos, é exigido aos condes no momento da sua entrada no suporte. Mas a cura é pior do que a doença. De fato, o vínculo de vassalagem, que liga o empregado à pessoa do soberano, enfraquece ou até mesmo cancela a natureza pública do oficial. Faz com que ele, além disso, considere a sua função como um feudo, ou seja, como um bem em que ele tem prazer e não como um poder delegado pela Coroa e exercido em seu nome.

O Império passou a ser administrado pelos Condes, Duques e Marqueses. O Conde era responsável pela cobrança de impostos e multas e também de cumprir as leis. Para os Duques foi designada a tarefa da formação militar. Os Marqueses cuidavam das fronteiras das regiões. Em cada um desses distritos, dois enviados imperiais, emissários, seculares e eclesiásticos, ficavam responsáveis por monitorar os funcionários, observando os abusos, entrevistar as pessoas e realizar um relatório anual sobre a sua missão; eram os Missi Dominici. Nada mais benéfico que uma instituição deste tipo, no entanto, desde que esta tenha o poder de sancionar. Agora, ela não tem nenhum porque os funcionários são praticamente inamovíveis. É descoberto este vazio pelos Missi Dominici que conseguiram endireitar as falhas que eles tinham por toda a parte; a realidade era mais forte do que a boa vontade do imperador.

Espelhando-se em Constantino, Carlos Magno cria uma série de medidas (Capitular geral). Faz a revisão sistemática das leis (Capitulares) nacionais, uma vez que lhes garante gozar plenamente de seus direitos como Imperador e não mais como um rei. Faz também reformas de cunho moral tanto para a Igreja quanto para os homens, na qual, essas reformas eram acompanhadas de uma enorme repressão e severidade para aqueles que não seguirem. Para Carlos Magno, Constantino continua sendo o modelo de imperador ideal. Observa-se também um grande comércio dos povos vizinhos ao Império (muçulmanos, escandinavos) o que deu início a uma reorganização monetária, deixando de lado o ouro e passando a cunhar moedas de prata.

Em 802, numa assembleia em Aix, depois de uma longa conversa com seus conselheiros, ele criou um programa de governo que incluía a reforma da Igreja e também do Estado. Quatro anos depois, em 806, temendo haver guerra entre seus filhos depois que ele morresse, Carlos Magno faz a partilha dos territórios do império (Divisio regnorum) entre seus herdeiros. Essa Ordinatio regni (As indicações do reino) deveria evitar o esfacelamento da unidade imperial, uma vez que não iria dividir em reinos independentes, mas sim, criar governos locais regidos por seus filhos; parecido com a reforma empreendida pelo Diocleciano no século IV. “É-nos um pouco difícil compreender essa construção política (...) trata-se agora de um reino em três reinos”[1] [pg 500/501] [69]

Outra grande reforma administrativa feita por Carlos Magno, desrespeita a criação de uma sede fixa que viria a substituir os palácios de Pepino em Attigny e Paderborn. O Imperador fez de Aix a capital do império e, mais que uma transferência de sede, ele criou uma conjuntura política favorável parar reger o império. A aristocracia local estabeleceu-se em volta. Ou seja, ele não precisaria mais fazer longas e cansativas viagens quando fosse necessário. Outro feito importante desse imperador foi a criação de um espaço destinado a um centro de estudo. De início, esses centros eram reservados em catedrais e monastérios e com um objetivo bem explícito: difundir a literatura cristã.

Os capítulos, que constituem a maior parte do trabalho legislativo de Carlos Magno que chegaram até nós, são as diretrizes desenvolvidas na corte durante os grandes encontros chamados de plaid. Tomando como modelo as decisões proferidas pelos conselhos, eles formulam ensaios de reformas, tentativas de melhoraria, ou inclinações para inovar em todas as áreas da vida civil ou administração. Assim, Carlos Magno introduziu na corte do palácio, em vez do procedimento formal do direito germânico, o procedimento para a investigação que ele emprestou aos tribunais eclesiásticos.

Para a maioria, no entanto, os conteúdos dos capítulos indicam sobretudo um programa de reformas eficazes e inúmeras decisões que estão longe de estarem todas feitas. Aqueles que estavam, por exemplo, a imposição de cortes vereadoras estavam longe de ter penetrado em todas as partes do Império. As forças da monarquia não foram à altura das suas intenções. O pessoal de que se dispunha era insuficiente e, mais importante, estava em poder aristocracia um limite que não se poderia atravessar ou suprimir[3].

A política religiosaEditar

Carlos Magno assume o poder dos Francos. O seu governo será fundamental em relação à união da Igreja e a monarquia Franca. A principal característica do seu governo é ser expansionista, conquistando no século VIII os lombardos e os germanos. É válido ressaltar que não há certeza sobre a relação dessa conquista com a iniciação do projeto da conquista da Península Ibérica. Apesar dessa situação duvidosa, Jérôme Baschet afirma que o governo de Carlos Magno será fundamental para restabelecer a maioria das fronteiras do Império do Ocidente. Pode-se relatar que principal motivo da aliança do Reino Franco com a Igreja seria em função de controlar o poder da instituição e sua área de abrangência.

O ano 800 dc será o ápice dessa aliança. Já que, vai legitimar Carlos Magno como imperador do Ocidente. Pode-se relatar que principal motivo da aliança do Reino Franco com a Igreja seria em função de controlar o poder da instituição e sua área de abrangência. Além de ser uma das razões do rompimento com o bispo de Constantinopla. O historiador argumenta que a ruptura só foi possível pelo o enfraquecimento de Constantinopla devido a coação muçulmana e ao conflito das questões iconoclastas. Os motivos do enfraquecimento do império do Oriente estão relacionados nas questões religiosas e nas questões políticas. O historiador Paul Lemerle expõe que as causas religiosas estão associadas a necessidade da religião de se purificar. Posto que, o paganismo estava vinculado ao culto das imagens. Em relação, aos fatores políticos, se relacionam com o modo de evitar que o Islamismo fascinasse o império. Com a ocupação de Irene a posição de imperatriz regente, o caos piorou. Uma vez que, a imperatriz incluía nas suas normas o restabelecimento do culto as imagens.

Em paralelo a essa situação, o império bizantino não reconhecia Carlos Magno como imperador e, por outro lado, o mesmo não reconhecia o governo ocupado por uma mulher. Como forma de resolver esse caso, a volta da união dos impérios era uma proposta citada. Isso se daria por meio de um matrimônio. Contudo, esse acordo não pode ser firmado, devido a conspiração que destronou a imperatriz Irene e colocou Nicéforo na posição. É válido ressaltar que Carlos Magno tem desempenhado um papel importante no funcionamento da Igreja Católica. As suas principais ações foi o atendimento das necessidades papal, como a difusão dos mosteiros, o dízimo obrigatório.

A política econômicaEditar

Com a unidade imperial estabelecida, acontece uma elevação dos níveis de desenvolvimento e um grande salto demográfico. Em detrimento desse salto, observa-se a volta de um grande comércio dentro e fora do império. Grandes mercadores voltam a adentrar no território para abasteceras cortes imperiais com produtos provenientes do Oriente. Por conta desse fluxo comercial, o imperador é obrigado a fazer uma reorganização na moeda. Carlos Magno renuncia à cunhagem de moedas de Ouro e passa para um sistema de cunhagem de moedas de Prata; uma vez que, era um metal em maior número e maior adaptado as trocas.

“A libra de prata é, então, fixada em 491 gramas (50% a mais que na Antiguidade), com sua divisão em vinte soldos de doze denários cada um, que serão a base da organização monetária durante toda a Idade Média.”[1] [pp 73-74] [70] O relatório que fixa as moedas permaneceu em uso em toda a Europa continental até à adopção do sistema métrico e na Grã-Bretanha até 1971, a unidade é a libra (até 1971 dividida em vinte shillings, cada um com doze pênis). Só o dinheiro é moeda real: a moeda e a libra são utilizados apenas como moeda de conta, e seria assim até às reformas monetárias do século XII.[76] O dinheiro de prata, a moeda única do Império Carolíngio, é o modelo direto ou indireto de cunhagem ocidental produzido a partir do nono para o décimo terceiro século.[77]

Continuando as reformas iniciadas pelo seu pai, Carlos Magno avançou com um sistema monetário baseado no soldo de ouro - procedimento seguido também pelo rei Offa de Mércia. Instituiu um novo padrão monetário a partir de unidades de medida como a libra e o próprio soldo que eram, até à data, apenas unidades de medida (apenas o dinheiro se manteve como uma das moedas do seu domínio). Note-se que o sistema monetário inglês antes da decimalização tem semelhanças com este: efetivamente, a libra inglesa (pound) valia 20 xelins (analogamente aos sólidos de Carlos Magno) ou 240 pênis (de forma semelhante aos dinheiros instituídos por este imperador).

Carlos Magno aplicou este sistema a uma grande parte do continente europeu, enquanto que o padrão de Offa foi voluntariamente adaptado pela maior parte do território inglês.

O que restou do imposto romano desapareceu no final da época merovíngia ou transformou-se em direitos usurpados pelos grandes. Duas fontes ainda alimentam o tesouro imperial: uma intermitente e imprevisível: os despojos de guerra; outra permanente e regular: as áreas de renda pertencentes à dinastia. Esta última apenas é susceptível de proporcionar as necessidades atuais. Carlos ocupou-se cuidadosamente e o Capitulaire De Villis prova pela minúcias de detalhes, a importância que dava à boa administração da sua propriedade. Mas o que lhe trouxeram, eram prestações em espécie, apenas o suficiente para abastecer o Tribunal. Na verdade, o Império Carolíngio não tem as finanças públicas e basta observar este fato para apreciar como a sua organização é rudimentar quando comparada com a do Império Bizantino e do Califado Abássida com os seus impostos levantados em dinheiro, o seu controle financeiro e a sua centralização fiscal que prevê os salários dos funcionários, obras públicas, a manutenção do exército e da marinha[78].


As transformações na sociedade rural e o feudalismoEditar

A partir de 800, as campanhas militares tornam-se mais raras e o modelo económico franco baseado na guerra deixa de ser viável. É baseado em mão-de-obra alternativamente combatente ou servil onde a agricultura ainda é largamente inspirado no modelo do antigo escravo. Mas estes escravos têm baixa produtividade, não só porque eles não estão interessados ​​nos resultados do seu trabalho, mas porque são caros na época. Em tempos de paz, muitos homens livres que optam por depor as armas para trabalhar a terra, tornam-na mais rentável. Eles confiam a sua segurança a um protector contra as tropas de reabastecimento ou de sua casa. Alguns conseguem manter a sua independência, mas a maioria cede as suas terras ao protector, e tornam-se exploradores de manso, por conta deste último.

Por outro lado, os escravos são emancipados a servos, dependentes de um senhor a quem pagam uma taxa e se tornam mais rentáveis. Este evolução é ainda melhor porque a Igreja condena a escravidão entre os cristãos. A diferença entre camponeses livres e aqueles que não o são atenua-se.

A renascença carolíngiaEditar

Segundo o historiador Jérôme Baschet, o renascimento carolíngio não é igual ao renascimento do século XV e XVI. Visto que, a renascença carolíngia está relacionada ao cristianismo. Carlos Magno assume o poder dos Francos. O seu governo será fundamental em relação à união da Igreja e a monarquia Franca. A principal característica do seu governo é ser expansionista, conquistando no século VIII os lombardos e os germanos. É válido ressaltar que não há certeza sobre a relação dessa conquista com a iniciação do projeto da conquista da Península Ibérica. Apesar dessa situação duvidosa, Baschet afirma que o governo de Carlos Magno será fundamental para restabelecer a maioria das fronteiras do Império do Ocidente. Pode-se relatar que principal motivo da aliança do Reino Franco com a Igreja seria em função de controlar o poder da instituição e sua área de abrangência. Carlos Magno derrota os lombardos. Esse é um dos principais fatores que favorecem a sua coroação. A coroação não só é vista como uma restauração do império, mas também como autonomia desse território. Já que, o império do Oriente era o detentor desses reinos. A concepção de restabelecer as antigas fronteiras está relacionada a uma ideia pontifical. A coroação de Carlos Magno beneficiou significativamente a Igreja, em dezembro de 800 dc, no patrimônio de São Pedro.

Os principais objetivos do imperador era combater as heresias e consolidar a hegemonia papal. Além de fazer Carlos Magno o imperador dos territórios cristãos, englobando bizâncio. O império Bizantino não reconheceu a coroação de Carlos Magno, causando conflitos entre esses dois territórios. Durante no início do IX, a proposta de paz foi por meio de um casamento político. Porém, a imperatriz Irene foi deposta, assumindo, assim, Nicéforo. A situação só será pacificada no governo de Miguel I. O novo imperador do Oriente reconhecerá a restauração do ocidente devido a posse do território da Dalmácia e de Veneza. É importante salientar que, apesar de ter reconhecido o império do ocidente, não acontecerá sua transferência. Recapitulando o contexto da coroação de Carlos Magno, esse chefe foi o grande transmissor da cristandade, ao englobar a função de tutor da religião cristã. O governo franco é teocrático. Posto que, existia a vinculação entre os princípios seculares e os fundamentos sagrados. Um dos grandes apoiador do império do ocidente será Alucuíno, a admitir que esse território é um império cristão. Visto que, possuía a concepção que Carlos Magno seria o responsável de orientar a sociedade cristã. Além de compreender que a proteção de Carlos Magno estava vinculada a um poder superior. Uma vez que, foi Deus proverá o poder supremo sobre as outras sociedades.

É válido ressaltar que Carlos Magno transfigura-se no notável governante franco. Além de delinear a renascença carolíngia. Essa reforma foi motivada pela restauração do império. Visto que, a restituição do território manifestava-se pela reforma cultural. As características da renascença abrangiam uma transformação dos hábitos e um maior grau da composição acadêmica. Além de homologar os assuntos abordados nos colégios e de aplicar os livros corrigidos como base, para ver suas edições alteradas. O imperador ocidental criará inúmeras escolas eclesiásticas, como forma de elaborar uma política de proteção a Igreja e de propagação dos seus ideais. Como o clero não realizava suas atividades de forma efetiva, as escolas foram criadas com o objetivo prosperar a “qualidade” cultural a fim de alcançar contribuintes preparados para administrar o território. Essa reforma educacional não surgiu do nada. Mas, se originou por meio de atividades de alguns eclesiásticos em diversos reinos ocidentais. A prática pode ser vista no território Britânico. Os clérigos se fixavam no território irlandês e no anglo-saxão visando transmitir os aspectos letrados a fim de implantar meios para a existência de características da transformação.

objetivos dessa deslocação estava relacionadas a missão evangelizadora. Um dos seus princípios era propagar o latim, conservando sua autenticidade e seu rigor. Além de ter como proposta fazer os povos entender as Sagradas Escrituras. Essa análise era fundamental para esclarecer a explicação exposta na bíblia. A maior parte das escolas está associada aos mosteiros beneditinos. A regra da beneditina é um pré-requisito para as escolas funcionarem. Por meio dessa instituição, as universidades são formadas. Os principais intelectuais da época eram Alcuíno e Aquiléia. O primeiro religioso citado foi um dos principais contribuintes para a existência da renascença carolíngia, participando da restauração e da correção dos manuscritos, da propagação cultural e do remodelamento clerical. O monge Alcuíno será fundamental na reforma da educação. Além de uma das suas produções ser a remodelagem da bíblia. Estabeleceu em Aquisgrano uma escola palatina para formar a futura elite secular e religiosa. Ela colocou em prática um programa de educação abrangente sobre a estrutura das sete artes liberais e promoveu a poesia na sua academia palatina. Em suma, o renascimento carolíngio é a antítese da própria Renascença, visto que O renascimento carolíngio exclusivamente eclesiástico e cristão, voltou-se especialmente aos modelos mais antigos do estilo. O estudo é justificado apenas para fins religiosos e os clérigos carolíngia não escrevem mais do que a glória de Deus. Os Scriptorium prosperaram em mosteiros carolíngios. O sucesso destas oficinas de cópia foi possível graças à invenção de uma nova escrita, a minúscula carolíngia, que ganhava visibilidade porque as palavras são separadas umas das outras, e as letras melhor desenhadas.


Reforma na educaçãoEditar

 
Autógrafo de Carlos Magno.
Ver também: Ciência medieval, Renascença carolíngia

Para unificar e fortalecer o seu império, Carlos Magno decidiu executar uma reforma na educação. O monge inglês Alcuíno elaborou um projeto de desenvolvimento escolar que buscou reviver o saber clássico estabelecendo os programas de estudo a partir das sete artes liberais: o trivium, ou ensino literário (gramática, retórica e dialética) e o quadrivium, ou ensino científico (aritmética, geometria, astronomia e música). A partir do ano 787, foram emanados decretos que recomendavam, em todo o império, a restauração de antigas escolas e a fundação de novas. Institucionalmente, essas novas escolas podiam ser monacais, sob a responsabilidade dos mosteiros; catedrais, junto à sede dos bispados; e palatinas, junto às cortes.

Essa reforma ajudou a preparar o caminho para o Renascimento do século XII. O ensino da dialética (ou lógica) foi fazendo renascer o interesse pela indagação especulativa, dessa semente surgiria mais tarde a filosofia cristã da escolástica; e nos séculos XII e XIII, muitas das escolas que haviam sido fundadas nesse período, especialmente as escolas catedrais, ganharam a forma de universidades medievais.

Pontos particularesEditar

Geneologia de Carlos MagnoEditar

DescendênciaEditar

EsposasEditar
 
Estátua de Carlos Magno em Frankfurt
  • De sua primeira esposa, Himiltrude, com quem casou em 766 e cujo casamento nunca foi oficialmente anulado, teve:
  1. Amaudru, uma menina [71]
  2. Pepino, o Corcunda (767-813)
  1. Carlos, o Jovem (c. 772 – Baviera, 4 de dezembro de 811), que foi designado rei dos Francos, casou com Juliana;
  2. Adelaide (?-774)
  3. Rotruda (ou Hruodrud) (775- 6 de junho de 810), manteve relações com Rorgo I do Maine e dele teve dois filhos e uma filha. Rotrude terá sido monja no fim da sua vida. Noiva desde durante 6 anos de Constantino VI, filho da imperatriz Irene.
  4. Pepino de Itália (777-810), rei de Itália desde 781, teve várias amantes, cujos nomes não são totalmente conhecidos, e cuja ascendência não é igualmente totalmente conhecida. Entre as suas relações é tido como tendo casado com Berta de Toulouse, filha de Guilherme I de Toulouse,[73][74] conde de Toulouse e de uma das suas esposas, possivelmente de Guiburga de Hornbach.
  5. Luís I o Piedoso (778-840), gémeo de Lotário, rei da Aquitânia desde 781 e imperador e rei dos Francos desde 814]],
  6. Lotário (778-779 ou 780), morreu jovem, foi irmão gémeo de Luís I o Piedoso,
  7. Berta de França (779-823), foi casada com Angilberto de Ponthieu.
  8. Gisela (781-808)
  9. Hildegarda (782-783)
  1. Teodrada (n.784), abadessa de Argenteuil;
  2. Hiltruda (n.787), abadessa em Faremoutiers.
  • Da sua última esposa,Lutgarda, com que casou em 794, e que viria a falecer em 800, não houve descendência.

Concubinas e filhos varõesEditar

  • A sua primeira concubina conhecida foi Gersuinda. Dela, teve uma filha:
  1. Adaltruda (n.774)
  • Da sua segunda conhecida concubina, Madelgarda:
  1. Rodaida (775-810), abadessa de Faremoutiers
  • Da sua terceira concubina, de nome desconhecido:
  1. Rotaida (784-814)
  • Da sua quarta concubina, Amaltrud de Viena:
  1. Alpaida (n.794)
  • Da sua quinta conhecida concubina, Regina:
  1. Drogo (801-855), bispo de Metz desde 823
  2. Hugo (802-844), grão-chanceler do império
  • Da sua quinta conhecida concubina, Adelinda:
  1. Teodorico (n.807)

A distinção entre esposas e concubinas legítimas e oficiais é às vezes difícil de se estabelecer. Os historiadores identificam cinco ou seis esposas, ou "nove esposas ou concubinas, outros amores menos relevantes e menos duráveis, uma multidão de bastardos, a licenciosidade das suas filhas, que ele parece ter amado também." [75] Não se pode dizer que ele praticava a poligamia, proibida pelos Francos, mas sobretudo uma monogamia serial e casamento para forjar alianças, especialmente com a aristocracia Franca do Oriente, ou melhor, para manter alguns aristocráticos da Francónia que se ressentiam da usurpação de Pepino, o Breve olhos - nos - olhos de Quilderico III.[76] Eginardo menciona rumores de incesto de Carlos Magno com as suas filhas, ao dizer que ele "não queria dar a ninguém em casamento, nem a um homem da sua casa, nem a um estrangeiro, mas ele as manteve todas em casa, com ele, até que 'na sua morte, dizia que não poderia viver sem a sua companhia. Mas porque, aquele que estava preenchido também teve de suportar a malícia de um destino contrário: no entanto, não o demonstra e fez como se sobre eles, nenhuma suspeita de incesto nunca tinha visto o dia, como se nenhum rumor se tenha espalhado".[77] Este rumor de incesto é um mito nascido do fato de Carlos Magno não querer casar oficialmente as suas filhas com aristocratas ou seus vassalos que poderiam diluir o seu legado ou adquirir também poder[78]. Pelo contrário, ele permitiu que várias delas forjarem uniões ilegítimas mas quase oficiais e os amantes delas podiam até ser funcionários da Corte, como Angilberto que viveu dois anos com Berta e com quem teve dois filhos. Carlos Magno também o fez casar-se secretamente com a sua filha.[79]

Os nomes de Carlos MagnoEditar

O verdadeiro nome de Carlos Magno é Karl, transcrito em latim Carolus (latim clássico) ou Karolus (uso de chancelaria franca , moeda, etc.).

Este nome de Karl vem da palavra, em alto alemão antigo, Karal, que significa "homem" (do sexo masculino).

Carlos Magno é a transcrição francesa de Carolus Magnus ("Carlos, o Grande"). Desde a época de Carlos Magno, encontra-se em alguns textos Karolus seguido de magnus, mas este último em posição de adjetivo em relação a um outro nome: Karolus magnus rex Francorum ("Carlos, o grande rei dos francos"), Karolus Magnus imperator ("Carlos, o grande imperador"). O uso de Carolus Magnus mais curto é uma denominação literária, cujo primeiro exemplo é em um texto Nithard (cerca de 840), várias décadas depois da morte do requerente. Esse epíteto está gradualmente generalizado nos documentos da Chancelaria dos Breves Apostólicos.[80]

Na Canção de Rolando,[81] em francês antigo, o imperador é nomeado de diferentes formas: Carles (verso 1) ou Charles (28, verso 370), Carles li magnes (68, verso 841) ou Charles li Magnes (93, verso 1195), tradução de Carolus Magnus, mas também Carlemagnes (33, verso 430) ou Charlemaignes (138 verso 1842). O adjetivo grant é comum na Canção de Rolando, mas não é usado para nomear o imperador. Depois disso, é a forma contraída que surgiu: a fórmula "Charles, o Grande" é rara em uso corrente, ao contrário da alemã (Karl der Große).

Quanto ao nome de seu irmão Carlomano, é uma transcrição Francesa de Karlmann em que Mann também significa "homem"; o "-mano" de Carlomano, portanto, não tem nenhuma ligação com o "-magne" de Carlos Magno.

Além disso, assim como em alemão e nas outras línguas, "César" (Kaiser) tornou-se sinónimo de imperador, o nome de Carlos Magno, sob a forma de Karl ou Karolus, levou em Húngaro (király) e nas línguas eslavas ao significado do rei: король ("korol") em russo, král em checo, Król em poloco, kralj em croata, etc.

O monograma de Carlos MagnoEditar

 
Assinatura de Carlos Magno contendo seu monograma

Carlos magno aprendeu a escrever ou será que nunca conseguiu dominar esta técnica difícil? Os historiadores Bruno Dumézil e Martin Gravel consideram-no como iletrado mas não analfabeto: os diplomas reais emitidos pelo imperador não contêm qualquer assinatura manuscrita Eginardo também sugere que ele nunca soube escrever (apresentando a vida do Imperador desde dia em que parece mais lisonjeiro, o autor da primeira biografia de Carlos Magno certamente não hesitaria em mencioná-lo), apenas dizendo que ele estava tentando ler.[82] Para permitir assinar algo mais do que sinal que não seja uma simples cruz, Eginardo ensina-lhe a desenhar este sinal simples, um monograma, que contém todas as letras do seu nome em latim Karolus. Consoantes são sobre os braços da cruz, as vogais contidas no losango central (A em cima,O é o losango, U é a metade inferior). No entanto, ainda se debate sobre se Carlos Magno é realmente o autor de seu monograma, apenas a parte central seria escrito por ele mesmo, as outras letras são obra de um secretário.[83]

No entanto, Carlos Magno aprendeu a ler mais tarde. A sua língua materna é a franca; ele é fluente em latim e grego.[83]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Jean Subrenat, « Sur la mort de l'empereur Charlemagne » dansCharlemagne et l'épopee romane, Librairie Droz, 1978, [lire en ligne [archive]], 205
  2. Charlemagne. Enciclopédia Britannica em inglês. Páginas visitadas em 13 de fevereiro de 2016.
  3. |Coroação de Carlos Magno - início do renascimento carolíngio. DW - Made for minds em português. Páginas visitadas em 13 de fevereiro de 2016
  4. McKitterick 2008, pp. 80–81.
  5. Capitulaire Karoli Divisio Regnorum, MGH, Capitularia Regum Francorum I], [lire en ligne [archive]],  126-130, et plus particulièrement col. 1 et 2,  126.
  6. Bernardine Melchior-Bonnet, Dictionnaire de la Révolution et de l'Empire, 1965, [lire en ligne [archive]],  279
  7. Papst Johannes Paul II (2004). «Ansprache von seiner Heiligkeit Papst Johannes Paul II» (em German). Internationaler Karlspreis zu Aachen 
  8. Robert John Morrissey, L'empereur à la barbe fleurie - Charlemagne dans la mythologie et l'histoire de France, 1997,  24
  9. Thomas Ferenczi, Pourquoi l'Europe ?, 2008,  101
  10. Élisabeth Guigou, Je vous parle d'Europe, 2004,  26
  11. Riché 1993, Preface xviii. "Personally, he enjoyed an exceptional destiny, and by the length of his reign, by his conquests, legislation and legendary stature, he also profoundly marked the history of Western Europe."
  12. Philippe Depreux, Charlemagne et la dynastie carolingienne], 2007, [lire en ligne [archive]]
  13. Jean Favier, , Librairie Arthème Fayard,‎ 1999,  11
  14. a b Baldwin, Stewart (2007–2009). «Charlemagne». The Henry Project 
  15. Einhard 1999, 4. Plan of This Work
  16. Einhard 1999, 1. The Merovingian Family
  17. Os Annales se utilizam do termo maiores domus, um plural seguido por um singular: uma casa, dois oficiais. Einhard, putative 741-829, Year 742
  18. Einhard, putative 741-829, Years 745, 746
  19. a b Einhard 1999, 3. Charlemagne's Accession
  20. Collins 1998, pp. 32–33.
  21. Einhard, putative 741-829, Year 768
  22. Michel Rouche, Clovis - Histoire et mémoire, vol. 1, Presses Paris Sorbonne, 1997,[lire en ligne [archive]],  777.
  23. Mello, José Roberto (1990). O Império de Carlos Magno. São Paulo: Atíca S.A. pp. pp.16 
  24. Jean-Claude CheynetL'exarchat de Ravenne et l'Italie byzantine:Clio.fr [archive]
  25. Michel Balard, Jean-Philippe Genet et Michel Rouche, Le Moyen Âge en Occident, Hachette 2003, 42
  26. Philippe Norel, L'invention du marché, Seuil, 2004,  139 et Georges Duby,Guerriers et paysans, Gallimard, 1973,  69
  27. Michel Balard, Jean-Philippe Genet et Michel Rouche, Le Moyen Âge en Occident, Hachette, 2003, 45
  28. Michel Balard, Jean-Philippe Genet et Michel Rouche, Le Moyen Âge en Occident, Hachette 2003, 65-66
  29. Minois 2010
  30. Russell 1930.
  31. a b Butler, Alban (1995). Thurston, Herbert J, S.J.; Atwater, Donald, eds. Butler’s Lives of the Saints. Col: Christian Classics. Vol. 1. Allen, Texas: Thomas Moore Publishers. pp. 188–189. ISBN 0-87061-045-7 
  32. FAVIER, Jean (2004). Carlos Magno. São Paulo: Estação Liberdade. pp. 50–51 
  33. Collins 2004, pp. 130–131, "The sequence of events ... has not been assisted by the tendency of the historians to take all the information ... from all the available sources and combine it to produce a single synthetic account.... As a rule of thumb, reliability, and also brevity of narrative, are usually in direct proportion to chronological proximity."
  34. James 2009, p. 49.
  35. Collins 2004, pp. 131–132.
  36. James 2009, p. 54
  37. James & 2009 pp-51-52.
  38. Douglass & Bilbao 2005, pp. 38–39.
  39. Douglass & Bilbao 2005, p. 40.
  40. A história, contada originalmente no Annales Mettenses priores, é recontada em Freeman, Edward Augustus; Holmes, T Scott (1904). Western Europe in the eighth century & onward. London, New York: Macmillan and Co. p. 74 
  41. Russell 1930, p. 88.
  42. McKitterick 2008, pp. 118–125.
  43. a b Pirenne, H (1939). Histoire de l'Europe. Des Invasions au XVI siècle. Paris-Bruxelles: [s.n.] p. 49 
  44. Laurentin, Emmanuel. «Charlemagne». La Fabrique de l'histoire 
  45. Pirenne, H (1939). Histoire de l'Europe. Des Invasions au siècle XVI. Paris-Bruxelas: [s.n.] p. 47-48 
  46. Traditionnellement localisée au col de Roncevaux, mais qui pourrait avoir eu lieu au col d'Ibaneta (Favier 1999, p. 234).
  47. Favier, page 234.
  48. H. Pirenne, Histoire de l'Europe. Des Invasions auxvie siècle, Paris-Bruxelles, 1939, p. 50
  49. H. Pirenne, Histoire de l'Europe. Des Invasions auxvie siècle, Paris-Bruxelles, 1939, p. 48
  50. Favier, Jean (2004). Carlos Magno. Brasil: Estação Liberdade. pp. pp.56 
  51. Pirenne, Histoire de l'Europe. Des Invasions auxvie siècle, Paris-Bruxelles, 1939, p. 48-49
  52. a b Biografias, UOL Educação, Enciclopédia Mirador Internacional.
  53. Freitas, Gustavo de (1975). Textos e documentos de história. Lisboa: Plátano. 130 páginas 
  54. Favier 1999, p. 537
  55. Favier 1999, p. 540
  56. H. Pirenne, Histoire de l'Europe. Des Invasions au xvie siècle, Paris-Bruxelles, 1939, p. 53
  57. Jacques Bloeme, , Éditions L'Harmattan, 2012,p. 129
  58. Jacques Bloeme, op. cité, p. 130
  59. Yves Sassier, , Armand Colin,2012, p. 57
  60. Les morts mystérieuses de l'histoire Volume 1 du docteurAugustin Cabanès
  61. Éginhard, Vita Karoli Magni, éd Halphen, 1938, p. 86-89
  62. Effigie mortuaire consistant en un mannequin de bois dont seules la tête et les mains sont en cire, le visage est réalisé d’après le masque mortuaire.
  63. Abel Hugo, , F.-M. Maurice, 1825, p. 6
  64. Fernand de Mély, « , Comptes-rendus des séances de l'Académie des Inscriptions et Belles-Lettresvol. 59, no 5, 1915, p. 343-345(lire en ligne [archive])
  65. Armelle Alduc-Le Bagousse, , Publications du CRAHM, 2009, p. 281-287
  66. Jean Hubert, Jean Porcher, Wolfgang Fritz Volbach, , Gallimard, 1968, p. 356
  67. H. Pirenne, Histoire de l'Europe. Des Invasions au xvie siècle., Paris-Bruxelles, 1939, p. 46
  68. Les Annales notent la mort d'Abul Abbas, en parallèle à celle de Rotrude un peu avant.
  69. FAVIER, Jean. In: Carlos Magno (2004) Editora Liberdade, São Paulo.
  70. BASCHET, Jérôme. In: A Civilização Feudal: do ano 1000 à colonização da América. São Paulo, Editora Globo S.A 2006
  71. Gerd Treffer, Die französischen Königinnen. Von Bertrada bis Marie Antoinette (8.-18. Jahrhundert) pág. 30
  72. Genealogie-mittelalter
  73. Lewis, Archibald R. University of Texas Press: Austin, 1965.
  74. Luiz de Mello Vaz de São Payo, A Herança Genética de D. Afonso Henriques, Universidade Moderna, 1ª Edição, Porto, 2002, pág. 287.
  75. Edward Gibbon, , Payot, 2012, p. 140
  76. « À la recherche de Charlemagne », documentaire de Perrine Kervran, France Culture, 30 avril 2013
  77. Éginhard, Vita Karoli Magni, XIX
  78. Régine Le Jan, , Publications de la Sorbonne, 1995, p. 300
  79. Biographie universelle ancienne et moderne : histoire par ordre alphabétique de la vie publique et privée de tous les hommes…, publié sous la dir. de M. Michaud, tome I, p. 698
  80. Emmanuel Laurentin, « Charlemagne », émission La Fabrique de l'histoire, 29 avril 2013
  81. Édition utilisée ici : La Chanson de Roland, édition d'Alfons Hilka révisée par Gerhard Rohlfs, UGE, coll. 10/18, 1968.
  82. « À la recherche de Charlemagne », documentaire de Perrine Kervran,France Culture, 30 avril 2013
  83. a b « À la recherche de Charlemagne », documentaire de Perrine Kervran, France Culture, 30 avril 2013
Precedido por:
ninguém
Imperador do Sacro Império
800814
Seguido por:
Luís I, o Piedoso
Precedido por:
Vago
última posse:
Quilperico
Rei da Aquitânia
768771
Precedido por:
Vago
última posse:
Pepino, o Breve
Rei dos Francos
771814
 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Carlos Magno