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Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís

PEM do Parcel de Manuel Luís
Categoria II da IUCN (Parque Nacional)
Peixe-papagaio, uma das espécies vistas no parque
Localização Maranhão, Brasil Brasil
Dados
Área 45 237,9 ha[1]
Criação 11 de junho de 1991
Gestão Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão[2]
Coordenadas 0° 50' S 44° 15' O
PEM do Parcel de Manuel Luís está localizado em: Brasil
PEM do Parcel de Manuel Luís
Nome oficial: Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís, inclusive os Baixios do Mestre Álvaro e Tarol
Tipo: Banco de corais
Critérios: 1, 2, 3, 4, 7, 8
Data de registro: 28 de fevereiro de 2000
Referência: 1021
País: Brasil
Subregião: América do Sul

O Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral à natureza localizada no Oceano Atlântico, a 45 milhas náuticas da costa do Maranhão e a cerca de 100 milhas náuticas de São Luís. Formalmente vincula-se ao município de Cururupu.

A região se assenta sobre uma falha geológica de origem vulcânica numa área que mede 4,5 quilômetros por 150 metros de largura, geralmente não detectáveis pelo sonar.[3]

HistóricoEditar

 
Navio Lloyd Brasileiro Uberaba, um dos mais importantes navios naufragados no parcel.

NaufrágiosEditar

O parcel é bastante referido como o "Triângulo das Bermudas" brasileiro, pois é um dos maiores cemitérios de embarcações do mundo, com mais de 200 navios e galeões naufragados.[4] Fortes correntes marinhas, grandes variações de marés e inumeráveis bancos de areia, além dos cinturões de recifes de corais, sempre fizeram do litoral maranhense um dos locais mais perigosos do mundo para grandes navios.

O motivo para tantos naufrágios é que só em 1820 o parcel foi incluído oficialmente nas cartas de navegação, isso 320 anos depois da descoberta do Brasil.[3] A dificuldade de mapeamento estava no fato de que praticamente ninguém que naufragasse naquela região escaparia para indicar o local exato do acorrido.[3]

Na reportagem Cemitério Submerso, da revista Veja de 14 de julho de 1993, lê-se:

«Numa área submersa do tamanho da cidade de Florianópolis repousam as carcaças de cerca de 250 navios, naufragados entre 1536 e 1983. É um número cinco vezes maior do que o registrado nas Bermudas, onde até hoje desaparecem sem explicações cinquenta aviões e navios.»[3]

Criação do parqueEditar

O parque foi criado através do Decreto Estadual nº 11.543, de 11 de junho de 1991, com uma área de 45 237,9 ha.[1][2] Seu principal objetivo é a preservação da fauna e da flora marinhas e dos recifes de corais do Parcel de Manuel Luís.[1][5]

O nome do parcel foi escolhido em homenagem ao pescador Manuel Luís, descobridor da formação rochosa no século XIX.

Em 2014, também foram criados os Parques Estaduais Marinhos Banco do Álvaro e Banco do Tarol.[6]

Alguns naufrágiosEditar

  • Uberaba: este transatlântico pertencia à marinha mercante alemã e tinha o nome Henny Woermann. Quando foi capturado pela Marinha Brasileira durante a Primeira Guerra Mundial foi renomeado Uberaba.
  • Ana Cristina: é o naufrágio mais recente, por isso o mais bem conservado. O Ana Cristina era um navio petroleiro de 80 metros.
  • Navio do Cobre: estava carregado de cobre, carga que depois do naufrágio foi furtada por saqueadores vindos do Ceará.
  • Cyril: cargueiro inglês da Booth Steamship Company que naufragou em 16 de setembro de 1905.[3]

Historiadores acreditam que o navio Ville de Boulogne, que trazia o poeta Gonçalves Dias da Europa para o Brasil, repouse nessas águas.[3]

CaracterísticasEditar

O parcel constitui-se na maior formação coralínea da América do Sul, com fileiras de paredões de pedra que vão bem próximo à superfície do mar.[3] Ali podem ser encontradas algumas espécies de peixes nativos, como o peixe-papagaio, o sargentinho e o peixe-borboleta, assim como outros de maior porte, como meros e garoupas, além de tartarugas-marinhas e tubarões.[2] Exitem ainda muitas espécies de corais nativos e endêmicos do Brasil como por exemplo a gorgônia Phyllogorgia dilatata que é abundante nesse local.

O acesso ao parque é difícil, já que ele fica distante da costa, e por se tratar de um banco de corais, as suas águas são rasas e extremamente perigosas. Além disso, também existem fortes correntes na região e não há nenhum ancoradouro no local. A existência desse patrimônio subaquático é ignorada por boa parte dos brasileiros.

Referências

  1. a b c «Decreto nº 11.902 de 11 de junho de 1991» (PDF). Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão. 11 de junho de 1991. Consultado em 14 de fevereiro de 2012 [ligação inativa]
  2. a b c «Parque Estadual Marinho do Parcel do Manuel Luís». Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão. 2010. Consultado em 14 de fevereiro de 2012 
  3. a b c d e f g «Cemitério Submerso». Veja nº 1296. 14 de julho de 1993. Consultado em 21 de setembro de 2015 
  4. Juliana Briggs (2011). «Equipe visita local conhecido como "Triângulo das Bermudas Brasileiro"». Globo Mar. Consultado em 1 de fevereiro de 2012 
  5. «Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís». Cadastro Nacional de Unidades de Conservação. 14 de fevereiro de 2012. Consultado em 14 de fevereiro de 2012 
  6. «Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais - SEMA». www.sema.ma.gov.br. Consultado em 25 de outubro de 2018 

Ligações externasEditar