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Rebecca Walker
Nascimento 17 de novembro de 1969 (49 anos)
Jackson, Mississippi
Residência Califórnia e Havaí
Nacionalidade norte-americana
Etnia afro-americana
Progenitores Mãe: Alice Walker
Pai: Melvyn Leventhal
Filho(s) Tenzin
Alma mater Universidade Yale
Ocupação escritora
Página oficial
www.rebeccawalker.com

Rebecca Walker (nascida em 17 de novembro de 1969 com o nome de Rebecca Leventhal) é uma escritora, feminista e ativista norte-americana. Walker é considerada uma das principais vozes da terceira onda do feminismo desde que publicou um artigo na revista Ms. em 1992 onde proclamou: "Eu sou a Terceira Onda."[1]

A escrita, o ensino e os discursos de Walker se concentram em raça, gênero, política, poder e cultura.[2][3] Em seu trabalho como ativista, ela ajudou a fundar o Fundo Terceira Onda que se transformou na Fundação Terceira Onda, uma organização que ajuda mulheres de cor jovens e pessoas LGBTI providenciando ferramentas e recursos que eles precisam para serem líderes em suas comunidades através do ativismo e filantropia.[2]

Walker escreve e fala extensivamente sobre justiça de gênero, racial, econômica e social em universidades dos Estados Unidos e internacionais.[4]

Em 1994, a revista Time nomeou Walker uma dos 50 futuros líderes da América.[5] Seu trabalho já foi apresentado em várias publicações incluindo The Washington Post, The Huffington Post, Salon, Glamour, e Essence, assim como CNN e MTV.[6]

Primeiros anos e educaçãoEditar

Ela nasceu Rebecca Leventhal em 1969 em Jackson, Mississippi, filha de Alice Walker, escritora afro-americana cujo trabalho inclui o livro The Color Purple, e Mel Leventhal, judeu advogado dos direitos civis. Seus pais se casaram na cidade de Nova Iorque antes de irem para o Mississippi trabalhar em prol dos direitos civis.[7] Após seus pais se divorciarem em 1976, Walker passou a infância alternando a cada dois anos entre a casa do seu pai no bairro majoritariamente judeu de Riverdale no Bronx e o ambiente majoritariamente afro-americano onde sua mãe morava em São Francisco. Walker estudou na Escola Urbana de São Francisco, em Haight-Ashbury.

Quando tinha 15 anos, decidiu mudar seu sobrenome de Leventhal para Walker, sobrenome de sua mãe. Após o ensino médio, estudou na Universidade Yale, onde se formou cum laude em 1992. Walker se identifica como negra, branca e judia, que é também o título do seu livro de memórias, publicado em 2001.[8]

Emergência como líder no feminismoEditar

Walker surgiu como uma feminista proeminente aos 22 anos quando escreveu um artigo para a revista Ms. intitulado "Becoming the Third Wave".[9] Em seu artigo, Walker critica a confirmação de Clarence Thomas como Juiz da Suprema Corte após ter sido acusado de abusar sexualmente de Anita Hill, uma advogada que ele supervisou durante seu tempo no Departamento de Educação dos Estados Unidos e da EEOC. Usando isso como exemplo, Walker aborda a opressão da voz feminina e introduz o conceito de terceira onda do feminismo.[10] Ela define "terceira onda do feminismo" no fim do artigo dizendo "Ser feminista é integrar uma ideologia de igualdade e empoderamento feminino à própria fibra da vida. É buscar clareza pessoal no meio da destruição sistêmica, unir-se à irmandade com as mulheres quando muitas vezes estamos divididas, entender as estruturas de poder com a intenção de desafiá-las."[11]

AtivismoEditar

Fundo Terceira OndaEditar

Após se formar na Universidade Yale, ela co-fundou o Fundo Terceira Onda, uma organização sem fins lucrativos destinada a encorajar mulheres jovens a se envolverem em ativismo e liderança. A missão inicial da organização, baseada no artigo de Walker, era "preencher um vazio na liderança de mulheres jovens e mobilizar jovens para se envolverem social e politicamente em suas comunidades".[12] Em seu primeiro ano, a organização iniciou uma campanha que registrou mais de 20.000 novos eleitores nos Estados Unidos. A organização agora fornece subsídios para indivíduos e projetos que apoiam mulheres jovens. O fundo foi adaptado para Fundação Terceira Onda em 1997 e continua a apoiar jovens ativistas. Na sequência da eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016, a organização recebeu mais de quatro vezes o número normal de pedidos de subsídios de emergência.[13]

DocênciaEditar

Walker vê o ensino como uma maneira de dar às pessoas a força para falar a verdade, mudar as perspectivas e capacitar as pessoas com a capacidade de mudar o mundo.[4] Ela dá palestras sobre como escrever memórias, feminismo multi-geracional, diversidade na mídia, identidade multi-racial, artes visuais contemporâneas e culturas emergentes.[4]

OratóriaEditar

Walker se concentra em falar sobre a identidade multicultural (incluindo a sua própria), masculinidade iluminada e feminismo intergeracional e de terceira onda em escolas, universidades e conferências ao redor do mundo. Ela já falou em Harvard, Exeter, Head-Royce, Oberlin, Smith, MIT, Xavier, Stanford[6] e na Universidade do Estado da Luisiana.[14] Ela também já palestrou em organizações e corporações como o Conselho Nacional de Professores de Inglês, o Walker Art Center, a Associação Americana de Mulheres Universitárias, a Associação Nacional de Estudos Femininos, Out and Equal, a Organização Nacional de Mulheres, e Hewitt Associates. Nos Estados Unidos, ela já apareceu em vários meios de comunicação populares como Good Morning America, The Oprah Winfrey Show, e Charlie Rose.[6]

Livros e escritaEditar

A primeira grande obra de Walker foi o livro To be Real: Telling the Truth and Changing the Face of Feminism (1996), que consistia de artigos que ela compilou e editou. O livro reavaliava o movimento feminista da época. A crítica Emilie Fale, professora assistente de Comunicação na Faculdade de Ithaca, o descreveu: "Os vinte e três colaboradores de To Be Real oferecem perspectivas e experiências variadas que desafiam nossos estereótipos de crenças feministas enquanto negociam as águas turbulentas dos papéis de gênero, políticas de identidade e "feminismo de poder".[15] Como uma coletânea de "testemunhos pessoais", esta obra mostra como os ativistas da terceira onda usam narrativas pessoais para descrever suas experiências com injustiças sociais e de gênero.[16] Colaboradores incluem feministas proeminentes como bell hooks e Naomi Wolf. Segundo o site de Walker, este livro foi ensinado em programas de estudos de gênero em todo o mundo.[6]

Em seu livro de memórias, Black, White and Jewish: Autobiography of a Shifting Self (2000), Walker explora seus primeiros anos no Mississippi como a filha de pais que militaram ativamente nos últimos anos do movimento dos direitos civis. Ela também aborda a vida com dois pais com carreiras muito ativas, o que ela acredita ter levado à sua separação. Ela discute o encontro com o preconceito racial e as dificuldades de ser mestiça em uma sociedade com rígidas barreiras culturais. Ela também discute o desenvolvimento de sua sexualidade e identidade como uma mulher bissexual.[17]

Seu livro de memórias de 2007 Baby Love: Choosing Motherhood After A Lifetime of Ambivalence explora sua vida com um enteado e filho biológico contra um quadro de feminismo. Ela discute temas tradicionais da gravidez, como dieta e preparação para o trabalho. Ela incentiva as jovens a entenderem que a maternidade é possível mesmo quando elas têm uma carreira ou se resistem a ela por ter tido uma infância difícil.[3] Ela diz que o livro aborda o compromisso "trabalho versus maternidade" que as mulheres de sua geração e mais jovens enfrentam depois de crescer em um cenário social que acredita que as mulheres devem fazer uma escolha para ter filhos.[3] Ela disse que foi inspirada a escrever o livro pelo nascimento de seu filho, Tenzin. Sua criação dele mudou alguns dos seus pontos de vista sobre a maternidade e laços familiares.[3]

Walker foi editora da revista Ms. por muitos anos. Sua escrita foi publicada em uma série de revistas, como Harper's, Essence, Glamour, Interview, Buddhadharma, Vibe, Child, e Mademoiselle. Ela já apareceu na CNN e na MTV, e foi matéria no The New York Times, Chicago Times, Esquire, Shambhala Sun, entre outras publicações. Walker ministrou oficinas de redação em conferências internacionais e programas de MFA. Ela também trabalha como consultora de publicação privada.[6]

Seu primeiro romance, Adé: A Love Story, foi publicado em 2013. Ele apresenta uma estudante universitária birracial, Farida, que se apaixona por Adé, um homem negro queniano. O plano do casal de se casar é interrompido quando Farida contrai malária e os dois devem lutar durante uma guerra civil no Quênia.[18]

BibliografiaEditar

  • To Be Real: Telling the Truth and Changing the Face of Feminism (1996) (editora)
  • Black, White and Jewish: Autobiography of a Shifting Self (2000)
  • What Makes A Man: 22 Writers Imagine The Future (2004) (editora)
  • Baby Love: Choosing Motherhood After a Lifetime of Ambivalence (2007)
  • One Big Happy Family: 18 Writers Talk About Polyamory, Open Adoption, Mixed Marriage, Househusbandry, Single Motherhood, and Other Realities of Truly Modern Love (2009) (editora)
  • Black Cool: One Thousand Streams of Blackness (Soft Skull Press, February 2012) (editora)[19]
  • Adé: A Love Story (2013), (romance)

CinemaEditar

No filme de 1998 Primary Colors, Walker interpretou a personagem March. O filme é um roman à clef sobre a campanha presidencial de 1992 de Bill Clinton.

Em março de 2014, os direitos do filme para seu romance Adé: A Love Story (2013) foram relatados como tendo sido escolhidos, com Madonna atuando como diretora.[20]

Vida pessoalEditar

Walker se identifica como bissexual. Ela teve um relacionamento com a cantora de neo soul Meshell Ndegeocello, cujo filho ela ajudou a criar mesmo depois de se separarem.[21][22]

Aos 37 anos, Walker engravidou durante seu relacionamento com seu parceiro Glen, um professor budista. Juntos tiveram um filho chamado Tenzin, nascido em 2007.[23]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Walker, Rebecca (27 de outubro de 2011). «Anita Hill Woke Us Up». Huffington Post (em inglês). Consultado em 19 de abril de 2017 
  2. a b «About». www.rebeccawalker.com (em inglês). Consultado em 19 de abril de 2017 
  3. a b c d Rosenbloom, Stephanie (18 de março de 2007). «Alice Walker - Rebecca Walker - Feminist - Feminist Movement - Children». The New York Times. ISSN 0362-4331. Consultado em 19 de abril de 2017 
  4. a b c «Speaking». www.rebeccawalker.com (em inglês). Consultado em 19 de abril de 2017 
  5. Miller, Zeke J.; Lily Rothman (5 de dezembro de 2014). «What Happened to the 'Future Leaders' of the 1990s?». TIME Magazine. Consultado em 17 de agosto de 2015 
  6. a b c d e «Full Biography». www.rebeccawalker.com (em inglês). Consultado em 19 de abril de 2017 
  7. Ross, Ross (8 de abril de 2007). «Rebecca Walker bringing message to Expo». Pensacola News Journal. Consultado em 8 de abril de 2007. Arquivado do original em 5 de julho de 2007 
  8. Rebecca Walker (23 de maio de 2008). «Rebecca and her mother». London: Dailymail.co.uk. Consultado em 5 de dezembro de 2013 
  9. Walker, Rebecca (1992). «Becoming the Third Wave». Ms. 11, no. 2 (2): 39–41 
  10. Walker, Rebecca (27 de outubro de 2011). «Anita Hill Woke Us Up». Huffington Post (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2017 
  11. Walker, Rebecca (28 de fevereiro de 2007), "Becoming the Third Wave" by . HeathenGrrl's Blog. Retrieved May 7, 2012.
  12. History Arquivado em 2012-10-07 no Wayback Machine., Third Wave Foundation. Retrieved May 7, 2012.
  13. «Welcome to Third Wave Fund!». Third Wave Fund. Consultado em 20 de abril de 2017 
  14. www.lsu.edu (PDF) https://www.lsu.edu/hss/wgs/files/newsletterspr2005.pdf. Consultado em 19 de dezembro de 2018  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  15. «To Be Real». www.rebeccawalker.com (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2017 
  16. Fisher, J. A. (16 de maio de 2013). «Today's Feminism: A Brief Look at Third-Wave Feminism». Being Feminist. Consultado em 20 de abril de 2017 
  17. Walker, Rebecca (2000). «Nonfiction Book Review: Black, White, and Jewish: Autobiography of a Shifting Self». Publishers Weekly (em inglês). Riverhead Books. ISBN 978-1-57322-169-6. Consultado em 20 de abril de 2017 
  18. Schultz, Laurie. «Review: Adé: A Love Story». www.nyjournalofbooks.com (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2017 
  19. Staff (12 de dezembro de 2011). "Black Cool: One Thousand Streams of Blackness. Edited by Rebecca Walker", Publishers Weekly.
  20. Kellogg, Carolyn (25 de março de 2014). «Madonna to film Rebecca Walker's 'Ade: A Love Story'». Los Angeles Times 
  21. Maran, Meredith (28 de maio de 2004), «What Little Boys are Made of», Salon, consultado em 7 de abril de 2011 
  22. Rosenbloom, Stephanie (18 de março de 2007). «Evolution of a Feminist Daughter». The New York Times. Consultado em 7 de abril de 2011 
  23. Krum, Sharon (26 de maio de 2007). «'Can I survive having a baby? Will I lose myself ... ?'». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 20 de abril de 2017 

Ligações externasEditar