Ricardo Cravo Albin

Ricardo Cravo Albin (Salvador, 20 de dezembro de 1940) é um advogado, jornalista, historiador, crítico, radialista e musicólogo brasileiro, sendo considerado um dos maiores pesquisadores da Música Popular Brasileira.[1]

Ricardo Cravo Albin
OMC
Cravo Albin em 2011
Nascimento 20 de dezembro de 1940 (80 anos)
Salvador
Residência Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileiro
Ocupação musicólogo
Principais trabalhos MIS-RJ, MIS-SP
Prêmios Ordem do Mérito Cultural
Ordem de Rio Branco

Sua maior obra é o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, disponível em meio digital, com cerca de sete mil verbetes e referência na área musical.

BiografiaEditar

Formou-se em Direito, Ciências e Letras pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil em 1963, no ano seguinte formou-se em Direito Comparado pela Universidade de Nova Iorque, bem como tendo estudado línguas em instituições privadas e entre 1961-1962 o curso do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva.[1]

Cravo Albin fundou e dirigiu o Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro entre 1965 e 1971, além de outros análogos em várias cidades brasileiras; Albin foi ainda diretor geral da Embrafilme e presidente do Instituto Nacional de Cinema (INC). É também autor, desde 1973, de aproximadamente 2500 programas radiofônicos para a Rádio MEC.[1]

Em 29 de março de 1968, após três meses daquele ano promovendo a gravação de depoimentos de personalidades da música popular brasileira, em especial representantes dos ranchos e escolas de samba, promoveu o hoje célebre depoimento secreto de João Cândido Felisberto, o líder da Revolta da Chibata, no estúdio do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, tendo como parceiro na entrevista o historiador Hélio Silva.[1]

Regime MilitarEditar

Durante o regime militar Ricardo Cravo Albin trabalhou para o Conselho Superior de Censura, onde em seu livro memórias se expôs como "opositor inarredável" da censura, ao lado dos outros conselheiros progressistas contra as decisões tidas como estúpidas, tomadas pelos funcionários da DCDP(Divisão de Censura de Diversões Públicas)[2].

Ainda em seu livro, ele referiu aos pareceres dos censores como "indigentes" e "amontoado de asneiras e preconceitos" [3].

Porém, dentre os vários artistas, propostos por Ricardo Cravo Albin para censura através da DCDP, encontramos Raul Seixas com exemplo da proibição de difusão do Rock das 'Aranha' em emissoras de rádio e TV em veto oficializado[4].

ConquistaEditar

Uma das grandes conquistas é o Instituto Cultural Cravo Albin, uma sociedade civil, sem fins lucrativos, com sede na cidade do Rio de Janeiro, fundada em janeiro de 2001 com a finalidade de promover e incentivar atividades de caráter cultural no campo da pesquisa, reflexão e promoção das fontes que alimentam a cultura e, em especial, a música brasileira, visando a divulgação, defesa e conservação do nosso patrimônio histórico e artístico.[1]

Bibliografia do autorEditar

Ricardo Cravo Albin publicou diversos livros sobre vários assuntos, entre eles:

  • O canto da Bahia (monografia/1973);
  • De Chiquinha Gonzaga a Paulinho da Viola (1976);
  • Da necessidade do fazer popular (1978);
  • Índia, um roteiro bem e mal humorado, Editora Mauad (1996);
  • MPB - A história de um século, edição trilíngue, MEC/Funarte (1997).
  • Dicionário Cravo Albin da MPB. Rio de Janeiro: 2002.

Referências

  1. a b c d e Institucional. «Ricardo Cravo Albin - biografia». Dicionário MPB. Consultado em 31 de julho de 2019. Cópia arquivada em 31 de julho de 2019 
  2. GUEDES, Wallace Andrioli. Notas sobre a atuação do Conselho Superior De Censura (CSC) no ano 1981: Entre a memória e a história. In: 30º Simpósio de História. Recife, 2019 (pp.7)
  3. ALBIN, Ricardo Cravo. Driblando a censura: de como o cutelo vil incidiu na cultura. Rio de Janeiro: Gryphus, 2002 (pp. 25-33)
  4. FERREIRA, Mauro. Raul Seixas é desmistificado em biografia que expõe complexidade do artista. Portal G1, 16 de novembro de 2019.

Ligações externasEditar