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Rádio MEC

Estação de rádio brasileira sediado no Estado do Rio de Janeiro
Rádio MEC
Música, Educação e Cultura
Empresa Brasil de Comunicação S.A. - EBC
País Brasil
Frequência(s) AM 800 kHz
Sede Rio de Janeiro, RJ
Slogan A primeira do Brasil
Fundação 20 de abril de 1923 (1923-04-20)
Fundador Edgard Roquette-Pinto
Henrique Charles Morize
Pertence a Rádios EBC (EBC)
Antigo(s) proprietário(s) Roquette-Pinto (1923–1936)
Ministério da Educação
Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto
Formato Pública
Gênero
Idioma Português
Prefixo ZYJ 457
Nome(s) anterior(es) Rádio Sociedade (1923–1936)
Emissoras irmãs
Dados técnicos Potência: 100 kW
Classe: A
Agência reguladora ANATEL
Webcast Ouça ao vivo
Aplicativo móvel Google Play
Página oficial radios.ebc.com.br/mecamrio

Rádio MEC é uma emissora de rádio brasileira sediada no Rio de Janeiro, capital do estado homônimo. Opera no dial AM, na frequência 800 kHz, e pertence ao grupo de rádios da Empresa Brasil de Comunicação. Sua programação é voltada para músicas do gênero MPB. Seus estúdios estão localizados ao lado da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Centro da cidade, juntamente com sua co-irmã MEC FM.

É considerada a mais antiga emissora de rádio em operação no Brasil, tendo sua primeira transmissão ocorrida em 20 de abril de 1923 por inciativa dos educadores Edgard Roquette-Pinto e Henrique Charles Morize sob o nome Rádio Sociedade (embora a Rádio Clube do Recife já estivesse operando desde 1919, porém de forma irregular), com programas de cunho educativo. Em 1936, a rádio é doada ao então Governo Federal, passando a adotar a atual nomenclatura.

HistóriaEditar

 
Fachada da sede da emissora no centro do Rio de Janeiro em julho de 2008.

A Rádio MEC descende da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em 1923, por Roquette-Pinto, Henrique Morize e outros membros da Academia Brasileira de Ciências e da sociedade da época. Como, naquela época, o modelo de programação mais próximo do que pretendiam botar no ar era a programação das agremiações lítero-musicais, movidas a palestras e recitais, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro constitui-se como uma agremiação desse tipo — com o diferencial de que podia irradiar os seus saraus. Foi a segunda rádio do Brasil, tendo surgido após a Rádio Clube de Pernambuco em 1919.

Durante seus 13 anos de existência, a emissora manteve uma programação eminentemente “cultural”, e, demonstrando que cultura também “educa”, “ensinou” poesia, literatura e ciência e “educou” ouvidos para a música de concerto. O rádio brasileiro foi um dos principais responsáveis pela unificação linguística do país[carece de fontes?]. Assim, apesar de transmitir uma programação cultural, a Rádio Sociedade também foi o berço da ideia do rádio educativo — uma ideia que amadureceu enquanto Roquette-Pinto era seu diretor, e que estava pronta, quando ele doou a estação ao governo[1].

Em 1936, a nova lei de comunicações exigiu que todas as estações aumentassem a potência de seus transmissores e, Roquette-Pinto, que dirigia a descapitalizada Rádio Sociedade, descartando a possibilidade de buscar capital na praça e tornar-se um empresário do ramo das comunicações, preferiu doar a emissora ao, então, Ministério da Educação e Cultura. Mas impôs as condições de que a rádio transmitisse apenas programação educativa/cultural e não fizesse proselitismo de qualquer espécie – comercial, político ou religioso. Tal compromisso, assumido através de ato jurídico perfeito, foi mantido até 1995, quando, logo no início de seu governo, Fernando Henrique Cardoso desvinculou a Rádio daquele ministério e colocou-a, junto com a TVE — atual TV Brasil —, sob a tutela da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

A Rádio Ministério da Educação e Saúde, depois Rádio Ministério da Educação e Cultura e hoje Rádio MEC, é uma rádio de resistência cultural, e tem prestado um inestimável serviço. Uma legião de ilustres colaboradores produziu, ao longo de 7 décadas, uma programação única. Produtores, músicos, escritores, radioatores, poetas e jornalistas como Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Manoel Bandeira, Fernanda Montenegro e Fernando Torres, Sergio Viotti, Otto Maria Carpeaux, Edna Savaget, Nestor de Holanda, Francisco Mignone, Alceo Bocchino, Edino Krieger, Marlos Nobre, Paulo Santos, entre muitos outros.

Em 5 de julho de 2019, o colunista Lauro Jardim, do O Globo, publicou em seu blog na versão online do jornal que a EBC pretendia extinguir a Rádio MEC devido a um enxugamento nos gastos da empresa.[2] O encerramento da emissora se daria no dia 31, porém, no dia 17, Jardim divulga a revogação da decisão, que ocorreu devido a um processo de racionalização das rádios da empresa, descartando o fechamento de qualquer rádio.[3]

A Orquestra Sinfônica NacionalEditar

Nenhuma rádio brasileira divulgou tanto e por tanto tempo a música de concerto. A importância que ela teve para a nossa música erudita equivale à importância que a Rádio Nacional teve para a nossa música popular. No que diz respeito à produção da música de concerto brasileira, propriamente dita, a Rádio MEC prestou um serviço incomparável, porque, além de transmitir e divulgar, produziu centenas de gravações exclusivas de sua orquestra, atual Orquestra Sinfônica Nacional (OSN-UFF), além da orquestra de câmara, e também de duos, trios, quartetos e quintetos instrumentais. Várias dessas gravações foram realizadas no Estúdio Sinfônico pelo lendário técnico Manoel Cardoso. A propósito da OSN, a única rádio orquestra que o país teve, deixou de pertencer à Rádio em 1981 e foi integrada desde 1984, a Universidade Federal Fluminense, em Niterói.

O órgão da rádio foi inaugurado pelo organista carioca Antônio Silva.

Projeto MinervaEditar

Abrigada no Ministério da Educação, e pondo em prática o modelo sonhado por Roquette-Pinto, a rádio provocou a criação do SRE–Serviço de Radiodifusão Educativa, e passou a transmitir uma programação única, que, na década de 40, já apresentava qualidade de broadcasting e incluía divulgação científica, literatura, aulas de ginástica, cursos de alemão, francês, inglês e língua portuguesa. De lá pra cá, passando pelos programas do Colégio do Ar nos anos 1950 e pelos do Projeto Minerva nos anos 1970 até 1998, quando foi retirada do Ministério da Educação, são quase cinquenta anos de produção ininterrupta, transmitindo milhares de programas e centenas de séries educativas. Com o Serviço de Radiodifusão Educativa (SRE) ainda ativo, e a famosa Portaria federal nº 568 — que tornava obrigatória a transmissão de programas educacionais em todas as rádios —, as séries e campanhas produzidas ali, no centro do Rio de Janeiro, alcançavam quase todo o país.

Após o Projeto Minerva, e até mesmo após a extinção do SRE, a Rádio continuou produzindo, em menor escala, séries de educação para o trânsito, higiene, programas de ciência, história e língua portuguesa. Hoje, apesar de praticamente não transmitir programação educativa, a emissora continua a educar, pois continua a ser uma rádio cultural.

Referências

  1. Zaremba, Lilian (2009). «Ecos da Rádio Sociedade numa FM do século XXI». Recine : revista do Festival Internacional de Cinema de Arquivo. 6 (6): 46-57 
  2. Lauro Jardim (5 de julho de 2019). «EBC extingue rádio MEC AM, a emissora mais antiga do Brasil». O Globo (em português brasileiro). Blog do Lauro Jardim. Consultado em 28 de julho de 2019 
  3. Lauro Jardim (17 de julho de 2019). «EBC desiste de fechar a rádio MEC AM». O Globo (em português brasileiro). Blog do Lauro Jardim. Consultado em 28 de julho de 2019 

Ligações externasEditar