Abrir menu principal

Saarauís

(Redirecionado de Sarauís)

Saarauís[3][4][5][6][7][8][9][10][11] ou povo saarauí os habitantes autóctones (nativos) do Saara Ocidental. O nome "saarauí" vem do árabe الصحراويون‎, transliterado al-ṣaḥrāwī , que significa "povo do deserto" ("ou povo do Saara").

Saarauí ou saaraoui
The Sahrawi refugees – a forgotten crisis in the Algerian desert (6).jpg
Mãe e filho saarauís
População total

250 000 pessoas

Regiões com população significativa
Saara Ocidental, Marrocos, Argélia
Línguas
árabe hassania,[1] espanhol, marroquino[2]
Religiões
islamismo[1][2]
Etnia
Árabes Berberes[1]
Crianças saarauís

O Saara Ocidental oficialmente é território não-governado, mas está sob a custódia da Organização das Nações Unidas - ONU,[2] além de ser ocupado militarmente em quase toda a sua área por Marrocos desde 1976, depois da saída de Espanha. A maioria dos componentes desta etnia habitam na parte do Saara ocupado por Marrocos e nos acampamentos de refugiados em Tindouf, na Argélia. O resto encontra-se disperso pelo mundo, principalmente emigrados em Espanha, França, Mauritânia e Mali. O seu idioma é um dialeto chamado hassania, derivado do árabe clássico.

O território possui fronteiras terrestres com: Marrocos, Argélia e, Mauritânia, sendo banhado pelo Oceano Atlântico a oeste. Especulasse a existência de fontes de minérios na região, tais como: fosfato, minério de ferro, petróleo e gás natural, o que podem motivar interesses econômicos na região.[2]

São aproximadamente 250 000 pessoas (em 1974 seriam cerca de 70 000), das quais aproximadamente 175 000 vivem nos campos de refugiados de Tindouf desde 1975, onde formaram a República Árabe Saarauí Democrática (RASD, também conhecida como República Saarauí), e encontram-se divididos em quatro assentamentos, denominados vilaietes que são a base da Frente Polisário. São assistidos pela ONU, por meio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), pois vivem numa zona onde são escassos a água e os alimentos.[12][13][8]

HistóriaEditar

De 1884 são os primeiros registros da colonização espanhola no Saara Ocidental, entre a então região de Tarfaya (atual sul do território do Marrocos) e a então Villa Cisneros (atual cidade de Dakhla), ao sul do Saara, situação que seguiu até o ano de 1976.<[2] Durante este período colonial houveram revoltas de tribos locais contra a metrópole, muitas sem sucesso.[2] Em 1898, o povo saarauí iniciou uma resistência contra os espanhóis na cidade de Smara, a qual foi abafada em 1912 com apoio francês.[2] Mas a paz ainda não estava plena, então na década de 1930 a Espanha e a França conduziram operações militares combinadas, com a finalidade de conter as manifestação.[2] Em 1956, ocorreu outra revolta contra Espanha por tribos locais, porém mais uma vez, com apoio francês em uma ação militar combinada, denominada Operação Écouvillon, para debelar as iniciativas contrárias à dominação europeia.[2]

Em 1934, as fronteiras do Saara Ocidental foram confirmadas pela Espanha e França, mas a partir de 1956 o Marrocos reivindicou o território, culminando em enfrentamento (impasse que dura até hoje).[2] A partir de 1965, ocorreram iniciativas de descolonização planejadas pela Organização das Nações Unidas, declararando o Saara Ocidental um território não-governado, em virtude de ainda ser uma colônia espanhola e com base na resolução 1514, todas as pessoas teriam o direito à autodeterminação,[2] o que deveria ser exercido por meio de um referendo.[2] Na ocasião, o Rei Hassan II do Marrocos clamou à ONU a anexação da parte norte do território e a Mauritânia, a parte sul.[2]

Paralelamente, movimentos saarauis de libertação começaram a se organizar em prol da independência e da criação do Estado-Nacional Saara Ocidental,[2] com o primeiro movimento foi denominado Harakat Tahrir, a partir de em 1967.[2] No entanto, este foi dizimado um ano depois, mas em 1973, surgiu um movimento mais consistente, com componentes político e militar bem definidos, denominado Frente para a Liberação de Saguia-el-Hamra e Río de Oro, ou Frente Polisário.[2]

Em 1974, a Espanha estava pronta para realizar o referendo e organizou um recenseamento da população no território, como medida preliminar à realização da medida da ONU, solicitando à Corte Internacional de Justiça parecer sobre o estado do Saara Ocidental, a qual considerou que nem Marrocos, nem a Mauritânia poderiam estabelecer qualquer vínculo de soberania do território.[2] A decisão da Corte estimulou uma reação de Marrocos que, anunciando uma marcha “pacífica” de 350 mil marroquinos em direção ao Saara Ocidental, que ficou conhecido como “Marcha Verde” em 1974.[2] Este apoiado pelo Exército Real Marroquino, iníciou ao conflito com a Frente Polisário a partir de então. Então a Espanha firmou o Acordo de Madri, com o Marrocos e com a Mauritânia, o qual cedia dois terços do norte do território ao Marrocos e um terço do sul à Mauritânia; considerado invalido pela ONU pois foi realizado consultando apenas parte das lideranças locais.[2]

Em 1976, a guerra passou a ser travada em dupla frente pela Frente Polisário, contra as Forças Armadas do Marrocos e da Mauritânia. Esse conflito provocou um grande êxodo de refugiados para a Tindouf.[2] Em fevereiro de 1976, a presença colonial espanhola veio a fim. O Djemma, uma assembleia consultiva tribal subsaariana de líderes, criado pela Espanha, votou pela integração com o Marrocos e Mauritânia.[2] No entanto, dias depois, um grupo formado por ex-membros do Djemma e outros sheiks pró-Polisário proclamaram a República Árabe Saaraui Democrática (RASD), com os líderes da Frente Polisário nomeados para o seu governo.[2]

Referências

  Este artigo sobre etnologia ou sobre um(a) etnólogo(a) é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
  Este artigo sobre o Saara Ocidental é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.