Sempre Xonxa

filme de 1989 dirigido por Chano Piñeiro

Sempre Xonxa é um filme galego do género drama, realizado e escrito por Chano Piñeiro. Estreou-se na Galiza a 25 de novembro de 1989.[1] Foi o primeiro filme galego rodado em 35 mm, junto com os filmes Urxa de Carlos A. López Piñeiro e Alfredo García Pinal, e Continental de Xavier Villaverde, tornando-se um dos primeiros filmes de ficção em língua galega.

Sempre Xonxa
Flag of Spain.svg Espanha
Galiza
1989 •  cor •  114 min 
Realização Chano Piñeiro
Produção Manuel Martínez Mallo
Argumento Chano Piñeiro
Elenco Uxía Blanco
Miguel Ínsua
Xavier R. Lourido
Género drama
Música Pablo Barreiro
Carlos Ferrant
Marcial Prado
Cinematografia Miguel Ángel Trujillo
Edição Cristina Otero
Distribuição Baños Films
Biblos Clube de Lectores
Ignacio Benedeti Cinema S.L.
La Voz de Galicia
Lançamento Galiza 25 de novembro de 1989
Idioma galego

ArgumentoEditar

Sempre Xonxa é um filme sobre as consequências emocionais da emigração. Dois miúdos, Pancho e Birutas que vivem placidamente na mesma aldeia, estão platonicamente apaixonados por Xonxa. Mas um dos rapazes, o Birutas, tem de emigrar deixando Xonxa e Pancho na aldeia. Quando Birutas regressa da emigração, convertido num homem rico, Xonxa já está casada com Pancho.

ElencoEditar

CaracterísticasEditar

A história abrange o período entre 1947 e 1986, e estrutura-se em quatro episódios, cada um vinculado a uma estação do ano. A primavera corresponde à infância, o verão à puberdade, o outono à maturidade e à emigração forçada, e o inverno à velhice e ao retorno.

Trata-se dum filme realista, mas pode considerar-se enquadrado no realismo mágico, próprio de Álvaro Cunqueiro, destacando neste sentido o personagem Caladiño, que entronca com a Galiza mágica e lendária dos contos populares. Na primeira parte do filme aparece retratado o mundo da aldeia galega durante o franquismo, tal como já havia feito Chano Piñeiro no filme Mamasunción.

ProduçãoEditar

O argumento de Sempre Xonxa conheceu o seu primeiro esboço já no final de 1985, antes mesmo da rodagem de Esperanza. Chano Piñeiro encontrou a inspiração nas histórias da emigração que tinha ouvido contar em sua terra natal Forcarei, e nas aldeias de Rubillón e Baíste (Avión), onde gravou Mamasunción. O filme teve até nove versões antes do argumento final em 1988. Entre versão por versão, Chano Piñeiro começou a buscar os lugares para rodar o filme, e achou em Santa Olaia de Valdeorras, cuja aldeia seria a vila de Trasdomonte na ficção.

A rodagem começou em 1988, mas por motivos económicos e técnicos, demorou durante um ano e meio. Pelo caminho, esgotaram-se as finanças e a saúde do seu realizador. O filme foi lançado em 1989, alcançando um grande êxito nos cinemas da Galiza. No restante de Espanha, o filme passou completamente despercebido, que é facilmente compreensível devido à sua temática centrada na emigração e no mundo rural galego. A nível internacional ganhou diversos prémios e teve uma certa vida comercial, especialmente em países onde a emigração galega tinha certa presença.

O papel de Xonxa foi interpretado por Uxía Blanco, um papel que a colocaria como a mais importante atriz do incipiente panorama audiovisual galego. Miguel Ínsua interpretou Birutas, enquanto Xavier R. Lourido fez o papel de Pancho. Uma das interpretações mais notáveis foi a de Roberto Vidal Bolaño como o mestre da vila. Também participaram no filme as atrizes Aurora Redondo e Loles León, assim como o fotógrafo Manuel Ferrol que interpretou a si mesmo, no qual Piñeiro fez uma homenagem aos fotógrafos populares que retrataram a Galiza emigrante.

A rodagem de Sempre Xonxa esteve cheia de dificuldades. Chano Piñeiro esperava contar com o apoio do Ministério da Cultura, que negou-lhe a subvenção, três vezes. As dificuldades financeiras travaram a produção e Chano Piñeiro esgotou-se. Só foi continuada quando conseguiu o patrocínio da Conselharia da Cultura da Junta da Galiza (graças à influência de Xosé Luís Barreiro Rivas, vice-presidente do governo galego), da Deputação de Pontevedra e da Comissão do V Centenário da Descoberta da América.

No entanto, a produção apresentava complexidades que Chano Piñeiro não calibrou adequadamente. Para começar, teve que alongar a filmagem mais do que o necessário, para poder rodar nas diferentes estações do ano. Para além disso, o domínio da produção cinematográfica ainda não era suficiente para lidar com a realização, que resultou em atrasos.

Referências

  1. Arenas, José (25 de novembro de 1989). ««Cinegalicia», tres filmes para una puesta de largo». Vigo: ABC (em espanhol) 

Ligações externasEditar