Vigo

cidade de Espanha na província de Pontevedra
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Vigo é um município da Espanha na província de Pontevedra, comunidade autónoma da Galiza. Tem 109,1 km² de área e em 2019 tinha 295 364 habitantes (densidade: 2 707,3 hab./km²) e uma alta taxa de população rural.[1] A cidade tem uma população de 198.537 habitantes (INE, 2016) o que a torna a segunda cidade mais povoada da Galiza despois de A Coruña.[2] Os seus habitantes são chamados vigueses ou olívicos.

Espanha Vigo 
  Município  
Vista de Vigo
Vista de Vigo
Símbolos
Bandeira de Vigo
Bandeira
Brasão de armas de Vigo
Brasão de armas
Gentílico Vigués/sa Olivico/a
Localização
Situacion Vigo.PNG
Vigo está localizado em: Espanha
Vigo
Localização de Vigo na Espanha
Coordenadas 42° 14' 10" N 8° 43' 36" O
País Espanha
Comunidade autónoma Galiza
Província Pontevedra
Alcaide Abel Caballero (PSOE)
Características geográficas
Área total 109,1 km²
População total (2019) [1] 295 364 hab.
Densidade 2 707,3 hab./km²
Altitude 0 m
Código postal 362xx
Código do INE 36057
Website hoxe.vigo.org

Fica situada à beira da ria que leva o seu nome. Dista 29 km de Pontevedra (capital da província) e 71 km de Santiago de Compostela (capital política da Galiza) e pouco mais de 20 km de Valença, a localidade portuguesa mais próxima.

É município mais populoso da Galiza. Porto marítimo, com importante atividade pesqueira, sendo o principal porto pesqueiro da Europa. Centro comercial e económico do sul da província de Pontevedra e cabeceira duma área industrial da comunidade autónoma.

HistóriaEditar

Pré-história (origens)Editar

Vigo e a sua comarca estiveram povoadas desde tempos remotos. Entretanto, até ao momento não se localizou nenhuma comprovação da era paleolítica e os poucos achados são da Idade da Pedra e estas peças encontram-se no Museu Municipal de Castrelos.

Época pré-romanaEditar

A região de Vigo foi povoada por diversas tribos cétilberas, tendo uma influência maior dos Galaicos. Pouco se sabe sobre essa época, pois a cultura local não permitia o uso da escrita, apenas da palavra. Entretanto, há vestígios que comprovam a presença desses povos, como restos de castros, armas e ferramentas usadas no cotidiano.

A época romanaEditar

 
Villa romana de Toralha

Em Vigo o processo de romanização foi intenso. Evidências arqueológicas indicam uma importante atividade portuária e comercial no litoral viguês desde o século II a.C., desenvolvendo-se um progressivo processo de romanização, consolidado durante o século I d.C., uma vez estabelecida a paz romana.

O processo de romanização durou cerca de seiscentos anos, dos quais ficaram relevantes vestígios, investigados em numerosas escavações arqueológicas: vilas (villae) distribuídas pelo litoral (Alcabre, Toralha…), restos de instalações portuárias, ruas, instalações produtivas, necrópoles, além da intensa romanização dos povoados castrejos

Recentes escavações arqueológicas no Areal e no centro histórico põem a possibilidade da existência, pelo menos entre os séculos III e VI d.C., de um importante assentamento humano.

Do século XII ao XIV (Idade Média)Editar

Conta-se com muito pouca informação, especialmente da Alta Idade Média. Foi o tempo de frequentes incursões da pirataria procedentes do norte da Europa que fizeram que a população se mudasse para o interior em busca de mais segurança.

Durante a Idade Média, a Igreja dominou a sociedade galega. Vigo dependeu durante muitos anos do mosteiro cisterciense de Melón.

A partir do século XII, Vigo começa a recuperar sua população, mas segue submetida a um estrito controle do poder eclesiástico e dos senhores feudais. A paróquia de Santiago de Vigo era a mais importante da vila.

Do século XV ao XVI (Época dos descobrimentos/Renascimento)Editar

 
Batalha de Rande (1702). Obra de 1705 conservada no Rijksmuseum Amsterdam.

Apesar do período dos corsários, a vila foi crescendo. Vigo tinha uma importante atividade artesanal e comercial, mas o principal era o marítimo. Alguns documentos comprovam já nesta época a importância que tinha a pesca de sardinha. Em 1573 foi assinado o primeiro ato que regulava essa pescaria.

Em 1587 as epidemias da peste e a pirataria dizimaram a população.

Do século XVII ao XVIII (Barroco)Editar

Em 1702 acontece a batalha de Rande. A frota anglo-neerlandesa persegue a frota espanhola e os barcos de guerra franceses que a escoltavam. Esta importante frota, carregada de riquezas procedentes da América, foi destruída depois de uma cruel batalha em mar e terra. Ainda hoje existem restos deste episódio bélico nos fundos da Rande.

Em 1778, Carlos III rompe com o monopólio dos portos autorizados a comercializar com a América e Vigo começa a obter benefícios do tráfico de alto bordo. Por esta época a vila estava completamente cercada com uma muralha, construída pelo motivo da Guerra de Restauração Portuguesa diante do temor de uma invasão.

A chegada à cidade na segunda metade do século XVIII de comerciantes e industriais catalães levam a uma pequena revolução económica.

Século XIX (Romantismo)Editar

Como outros muitos lugares da Península Ibérica, Vigo foi ocupada pelo exército francês em 1809. A resistência popular a esta invasão provoca um levantamento dirigido pelos militares Pablo Morillo e Bernardo González "Cachamoinha" que com a ajuda inestimável do Conde de Gondomar, sem cujajuda não teriam podido fazer frente ao exército invasor, terminam com um assalto às muralhas e com a expulsão do exército de Napoleão. Este episódio motivou a concessão a Vigo do título de cidade Fiel, Leal e Valorosa.

Em 1833 é construído o caminho real que leva a Madrid, conhecido como estrada de Castilla ou de Villacastín. Um ano depois são terminadas as obras de construção da Colegiata por Melchor de Prado, já que o antigo templo havia sido destruído em um dos numerosos saques sofridos pela vila. A cidade cresce e seus governantes concordam em demolir as muralhas para facilitar sua expansão.

A segunda metade do século XIX foi um período de contínuo crescimento da cidade, propiciado, entre outras coisas, pelo incremento das relações com a América. Neste tempo continuam abrindo-se fábricas o que provoca o crescimento da população assalariada e também de uma burguesia financeira. Vigo se expande extramuros com a abertura de novas ruas e a construção de nobres edifícios.

Século XX (A modernidade)Editar

 
A Praça da Espanha em Vigo

Com a entrada no século XX, a burguesia liberal viguesa toma em suas mãos os mecanismos de poder económico e político. Instalam-se novas indústrias ao mesmo tempo que melhoram as comunicações. Em pouco mais de dez anos a população é duplicada (em 1910 havia 30 000 habitantes).

No primeiro terço deste século, o porto de Vigo está unido à imagem de vários galegos que embarcaram rumo à emigração americana. Outro símbolo é o elétrico, que começou a funcionar em 1914. Todo este dinamismo ficou neutralizado com o início da Guerra Civil Espanhola.

Nas décadas de 1960 e 1970, Vigo sofreu um crescimento urbano acelerado, e por vezes desordenado, motivado pelo desenvolvimento industrial.

GeografiaEditar

LocalizaçãoEditar

A cidade de Vigo se estende em direção noroeste-sudoeste pela margem sul da ria de Vigo, no sopé do Monte do Castro, que acabou rodeando completamente devido ao crescimento urbano.

ClimaEditar

O clima da cidade de Vigo é oceânico com influências mediterrâneas (tipo "Csb" na classificação climática de Köppen-Geiger). Caracteriza-se por invernos suaves e chuvosos, e verões quentes mas não ao extremo, pois as temperaturas não chegam a superar os 32 °C.

Temperatura e precipitações médias mensais (Estação de Peinador)
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Temperatura °C 10 11 13 14 15 17.3 19.4 19.4 18.0 14.6 11.3 9.2
Precipitações mm. 255 219 145 148 141 73 43 40 113 215 228 298

DemografiaEditar

Variação demográfica do município entre 1991 e 2015
1991 1996 2001 2004 2016
276109 286774 280186 292059 292.817

Governo e administraçõesEditar

 
Prefeitura de Vigo

A prefeita de Vigo desde dezembro de 2003 até junho de 2007 foi Corina Porro, do Partido Popular, que governou em minoria.

Conforme a divisão em comarcas prevista pela Junta da Galiza, a Comarca de Vigo está integrada pelos seguintes municípios: Vigo, Redondela, Porrinho, Nigrám, Baiona, Gondomar, Mós, Fornelos de Montes, Paços de Borbém, Salzeda de Caselas e Soutomaior.

A divisão interna do município de Vigo é complexa, como o restante de prefeituras galegas. É dividido em paróquias, e estas por sua vez em bairros e os bairros são divididos em lugares. Por exemplo o Camiño da Feira está no lugar das Relfas, bairro de Moledo e paróquia de Sárdoma.

A cidade é dividida em 24 paróquias: Alcabre, Beade, Bembrive, Bouzas, Cabral, Candeán, Castrelos, Cies, Coia, Comesaña, Coruxo, Freixeiro, Lavadores, Matamá, Navia, Oia, Saiáns, San Paio, San Xoán do Monte, Sárdoma, Teis, Valadares, Vigo Centro e Zamáns.

EconomiaEditar

 
Porto de Vigo

A comarca de Vigo caracteriza-se pela economia diversificada vinculada à indústria e aos serviços. Entre os motores da economia de Vigo está a indústria automobilística, liderada pelo Grupo PSA (Peugeot/ Citroën). São importantes a construção naval e o setor pesqueiro em todas suas vertentes, desde a indústria extrativa, armadores, até comercial. Vigo é o primeiro porto de comércio de peixe para consumo humano do mundo (650000 toneladas no ano de 2004). O porto de Vigo conta com mais de 9 km de milhas de atraque.

Uma infraestrutura relevante na economia de Vigo é o aeroporto de Vigo (ou aeroporto de Vigo-Peinador) situado nos municípios pontevedreses de Redondela, Vigo e Mos, que em 2005 superou a cifra de 1 100 000 viajantes.

Outras atividades económicas importantes em Vigo são a indústria química e farmacêutica, a indústria têxtil, a indústria editorial, alimentícia, a fabricação de produtos para a construção, a fabricação de maquinaria industrial, a engenharia naval e em menor escala a indústria aeronáutica.

Lugares de interesseEditar

  • O centro histórico: É a zona antiga de Vigo. Onde se encontra a praça e mercado da Pedra, além da praça da Constituição, a Colegiada de Santa Maria.
  • A Colegiada de Santa Maria: Iniciada em 1816 e terminada de construir em 1836, em substituição do templo gótico anterior.
  • A Alameda e Montero Ríos-Areal: Zona de passeio próxima ao porto desportivo e ao Casco Vello.
  • A Porta do Sol: Lugar onde se encontra o monumento conhecido popularmente como "o Sereio", do escultor Francisco Leiro.
  • A Praça da Constituição (antiga Praça da Vila): À entrada do casco antigo, considerada como a Praça Maior de Vigo. Muito familiar, com terraços e cafés.
  • Santa Maria de Castrelos (rural): Do século XII, está formada por uma única nave de abside semicircular e uma planta de 20 por 7 metros.
  • Sam Salvador de Corujo (rural): Também do século XII. Destaca sua monumental abside. Trata-se da igreja monasterial do antigo priorado que existiu em Vigo.
  • Santiago de Bembrive (rural): Igreja do século XII.
  • Museu municipal Quiñones de León
  • Casa Galega da Cultura (ou Biblioteca Penzol)
  • A praia de Samil: Uma das maiores de Vigo e a mais frequentada pelos turistas ourensans.
  • A praia do Vau
  • As Ilhas Cíes, a 15 quilômetros de Vigo, arquipélago que forma parte do Parque nacional das Ilhas Atlânticas. Dispõe de praias e parque de campismo.

DesportosEditar

O Celta de Vigo, principal clube de futebol da cidade, disputou a primeira divisão espanhola, a La Liga. O Celta está frequentemente entre os 20 melhores clubes da Espanha que disputam a liga principal. Possui um estádio Balaídos com capacidade para 31 500 pessoas.

Referências

Ligações externasEditar

 
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