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Sertanistas

pessoa que se embrenhava nos sertões à caça de riquezas

Sertanista era aquele que, durante o período colonial, se embrenhava nos sertões à caça de riquezas, como os bandeirantes. Em seu sentido atual, a palavra designa alguém que é grande conhecedor do sertão e dos hábitos sertanejos, como os irmãos Villas-Bôas.

No período colonial, os sertanistas, embora tivessem a ambição de encontrar metais preciosos, se ocupavam principalmente da captura e escravização de indígenas[1]. Como afirma o historiador John Manuel Monteiro,

"Com certeza, atrás das façanhas desses intrépidos desbravadores (os bandeirantes) esconde-se a envolvente história dos milhares de índios – os negros da terra – aprisionados pelos sertanistas de São Paulo"[2]

Um dos principais focos de ataques dos sertanistas apresadores de indígenas eram as missões jesuíticas, aldeamentos organizados por clérigos da Companhia de Jesus para catequizar os povos nativos da América.

Dessa forma, os sertanistas penetravam no interior do território da América Portuguesa, por meio das Entradas e das Bandeiras e das Monções, povoando e ocupando áreas que hoje pertencem aos atuais estados brasileiros de Paraná, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na época, tais regiões, de acordo com o meridiano estipulado pelo Tratado de Tordesilhas (1494), pertenciam ao Império Espanhol. Elas viriam a ser incorporadas pela América Portuguesa só no século XVIII, com o Tratado de Madri (1750), que se valeu do princípio jurídico do Uti possidetis para legitimar a posse portuguesa dessas áreas. No entanto, conforme pondera o historiador Sérgio Buarque de Holanda, é inadequado afirmar que os sertanistas tivessem o desejo de "ampliar deliberadamente a área da colonização lusitana"[1]

Muitos sertanistas se miscigenavam com indígenas e boa parcela dos bandeirantes era mameluca. Ademais, os costumes e hábitos sertanistas incorporaram diversas técnicas de de matriz indígena de caça, coleta, medicação[3] orientação geográfica, navegação fluvial, lavoura e vestimenta, como analisa Sérgio Buarque de Holanda na obra Caminhos e Fronteiras.

Uma modalidade do Sertanismo particularmente vigente no século XVII foi o Sertanismo de Contrato, que consistia na contratação de sertanistas para captura de tribos indígenas que resistiam à dominação colonial e de escravizados fugidos. Essa repressão era legitimada pela doutrina católica da guerra justa. Um notório caso de Sertanismo de Contrato foi a expedição, liderada pelo paulista Domingos Jorge Velho , para a destruição do Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, oeste do atual estado de Alagoas, em 1694. A expedição havia sido contratada pelo governo da Capitania de Pernambuco[4].

  • Referências
  1. a b HOLANDA, Sérgio Buarque de. O Extremo Oeste.   São Paulo: Brasiliense: Secretaria da Cultura, 1986, p. 28.
  2. MONTEIRO, John Manuel. Negros da Terra - índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Cmapanhia das Letras, 1994. Apud PEIXOTO, Fernanda. Revista de Antropologia Vol. 38, No. 2 (1995), pp. 241-243
  3. GURGEL, Cristina Brandt Friedrich Martin . "Índios, jesuítas e bandeirantes. Medicinas e doenças no Brasil dos séculos XVI e XVII". Tese de Doutoramento. Faculdade de Ciências Medicas da Universidade Estadual de Campinas, 2009.
  4. «Os brutos que conquistaram o Brasil». Superinteressante. Consultado em 30 de março de 2019 

Ver tambémEditar

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