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Verão Quente de 1975

(Redirecionado de Verão Quente)
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Verão quente (desambiguação).

O período ficou conhecido em Portugal por Verão Quente de 1975, uma época conturbada caracterizada por uma certa anarquia no Governo, Forças Armadas e Sociedade,[1][2] que teve como consequência crescentes tensões entre grupos de esquerda e de direita.

Este período teve como prenúncio as comemorações do 1º de Maio desse ano, levadas a cabo pela Intersindical.[3]

Índice

HistóriaEditar

O general António de Spínola, como outros militares, teve um papel determinante nesse período. Durante o PREC, as facções de direita e a Igreja Católica receavam uma evolução mais radical do processo político iniciado com a Revolução dos Cravos e actuaram para a impedir. Em resposta às expropriações e ocupações de terras promovidas pela esquerda no Sul do país,[4] foram assim perpetrados actos violentos, como o assalto a sedes de partidos de esquerda e atentados bombistas, que tiveram lugar em várias localidades, sobretudo no Norte[5] e em que Rio Maior, que palco de grandes distúrbios e onde passava a Estrada Nacional nº 1, era a fronteira.[6]

Como contra-resposta, as associações de esquerda incendiaram terrenos por todo o país perto das povoações, com o intuito de instituir medo nas populações rurais.

Uma violência tal, das duas facções opostas, que justifica o surgimento de rumores acerca de uma possível guerra civil.[7]

Como consequência disso, seguiu-se a demissão do IV Governo Provisório, coligação entre partidos de esquerda e direita, dando azo à crise governamental que levaria à queda deste Governo e, logo a seguir, à contestação ao V Governo Provisório e à demissão de Vasco Gonçalves.[8]

Nesta altura surge o Grupo dos Nove, liderado por Melo Antunes, que tomaram posição através da elaboração do "Documento dos Nove".[9]

O PS abandona o governo como sinal de protesto contra a ocupação do jornal "República", facto que ficou conhecido como "Caso República".[10]

Os interesses estratégicos dos EUA fizeram-se então sentir pela acção do seu embaixador Frank Carlucci, dirigente da CIA, nessa altura destacado para Lisboa, e pelos propósitos pouco pacíficos de Henry Kissinger, que não excluía a hipótese de uma intervenção armada norte-americana, de que foi dado sinal pelo envio do porta-aviões Saratoga, que fundeou no Tejo. Mário Soares, ao lado de Carlucci, teve papel importante nesse processo.[11]

Outro dos eventos que marcou o Verão Quente, foi o caso que ficou conhecido por "O saneamento dos 24", situação que envolveu o despedimento de 24 jornalistas do Diário de Notícias - metade da redacção do Jornal- no seguimento de os mesmos terem entregue à direcção um abaixo assinado em que defendiam a revisão da linha editorial. Um dia depois, na recusa da sua publicação no DN, o abaixo assinado foi publicado no Expresso e enviado à BBC.[12]

Referências

  1. Verão Quente de 1975, CITI, Universidade Nova de Lisboa
  2. No dia seguinte à abertura da Assembleia Constituinte (2 de Julho), há o primeiro atentado bombista contra-revolucionário em Lisboa (3 de Junho). No dia 8 de Junho, a Assembleia do MFA aprovava o projecto da Aliança Povo/MFA, mas três dias depois já o centro de trabalho do PCP em Fafe era atacado à granada. Otelo Saraiva de Carvalho (que chefiava a COPCON), em 14 de Junho, ainda fala em mandar os fascistas para o Campo Pequeno, mas dois dias depois, era assaltada a sede do MDP em A-ver-o-mar. No dia 19 de Junho, o MFA aprova um Plano de Acção Política, uma espécie de segundo programa do MFA, assumindo-se como movimento de libertação do povo português. O processo revolucionário em curso começava a estar ao rubro, dando-se em 3O de Junho a fuga de 88 agentes da PIDE/DGS, detidos em Alcoentre - in: Verão Quente, Politipédia.
  3. Verão Quente de 1975, CITI, Universidade Nova de Lisboa
  4. http://www.infopedia.pt/$verao-quente-de-1975
  5. «Verão Quente de 1975». CITI Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas. Consultado em 11 de agosto de 2011 
  6. Um caso de violência política: o «Verão quente» de 1975, por Diego Palacios Cerezales, Análise Social, vol. XXXVII (165), 2003, 1127-1157
  7. Verão Quente de 1975, CITI, Universidade Nova de Lisboa
  8. «Verão Quente de 1975». Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. Consultado em 11 de agosto de 2011 
  9. Verão Quente de 1975, CITI, Universidade Nova de Lisboa
  10. Verão Quente de 1975, CITI, Universidade Nova de Lisboa
  11. Álvaro Cunhal (1999). A verdade e a mentira na Revolução de Abril: A contra-revolução confessa-se. Lisboa: Edições Avante!. ISBN 972-550-272-8. Consultado em 11 de agosto de 2011 
  12. Carla Aguiar (19 de junho de 2010). «O director que marcou o 'verão quente' de 1975». Diário de Notícias. Consultado em 11 de agosto de 2011 

BibliografiaEditar

ArtigosEditar

LivrosEditar

  • Revolução das Flores, Do 25 de Abril ao Governo Provisório (Documentos), Pedro Seobreiro e Raúl Nascimento, Lisboa, Editorial Aster, 1975.
  • A Resistência. O Verão Quente de 1975 , José Gomes Mota, Lisboa, Edições jornal Expresso, Junho de 1976.
  • Congeminações: 25 de Novembro, a data que não se comemora: O Verão Quente de 1975, Edições jornal Expresso, Junho de 1976
  • A Resistência. O Verão Quente de 1975, José Gomes Mota, Lisboa, Edições jornal Expresso, 1976
  • Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido, Rui Mateus, Lisboa, Dom Quixote (ver referências e passagens do livro artigo)
  • Perspectivas e Realidades, Lisboa, Dom Quixote, 1996 (Ver referência)
  • Verdade e Mentira na Rev. de Abril (Ver: O 25 de Novembro, cap. 8), Álvaro Cunhal, Lisboa, Edições Avante, 1999
  • Igreja Católica, Estado e Sociedade, 1968-1975: o Caso Rádio Renascença, Paula Borges Santos, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, 2005
  • Carlucci vs. Kissinger - Os EUA e a Revolução Portuguesa, Bernardino Gomes e Tiago Moreira de Sá, Dom Quixote, Lisboa, 2008 (Recensão: As Memórias Secretas de Washington no PREC, Maria Inácia Rezol, em Scielo Portugal, 22-06-2009)
  • Verão Quente de 1975 - Portugal Tempo de Paixão, por Leonor Xavier, Temas & Debates/Círculo de Leitores[1]
  • 25 de Abril -Episódio do Projecto Global , Fernando Pacheco de Amorim, Porto, 1997
  • Os Saneamentos Políticos no Diário de Notícias no Verão Quente de 1975, por Pedro Marques Gomes, Alêtheia Editores, 2013, ISBN: 9789896225926.
  • 1975: Independência? – O ‘verão quente’ nos Açores, de José Andrade, Publiçor, 2015

Teses universitáriasEditar

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

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  1. Leonor Xavier e o «Verão Quente de 1975», Diário Digital, 01-10-2015