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Vasco Gonçalves
Vasco Gonçalves numa manifestação no Porto, em 5 de Maio de 1982
Primeiro-ministro de Portugal Portugal
Período 18 de julho de 1974 até
19 de setembro de 1975
Presidente António de Spínola
(1974)
Francisco da Costa Gomes
(1974–1975)
Antecessor Adelino da Palma Carlos
Sucessor José Pinheiro de Azevedo
Dados pessoais
Nascimento 3 de maio de 1921
Lisboa
Morte 11 de junho de 2005 (84 anos)
Almancil
Profissão Militar (General)
Força companheiro Vasco, 1975, pintura mural[1]

Vasco dos Santos Gonçalves OA (Lisboa, 3 de Maio de 1921 — Almancil, 11 de Junho de 2005) foi um militar (General) e um político português da segunda metade do século XX. Foi primeiro-ministro de Portugal dos II, III, IV e V Governos Provisórios, no período que ficou conhecido como Processo Revolucionário em Curso (PREC).

Índice

BiografiaEditar

Nascimento e educaçãoEditar

Vasco dos Santos Gonçalves nasceu em 3 de Maio de 1921 na antiga freguesia de Graça, na cidade de Lisboa.[2] Era filho de Victor Gonçalves, administrador de uma casa de câmbios na Baixa de Lisboa.[2] Ainda muito novo, mudou-se com os pais para São Jorge de Arroios, onde frequentou a escola primária com o seu irmão António, cerca de quatro anos mais novo.[2] Quando tinha cerca de onze anos, integrou-se no Liceu camões, onde concluiu o curso secundário, e conheceu Urbano Tavares Rodrigues.[2]

Durante a sua juventude, Vasco dos Santos Gonçalves teve duas influências principais, a do seu pai, de linha conservadora e apoiante de António de Oliveira Salazar, e de um professor que era amigo do pai, e que era contra a política salazarista.[2]

Frequentou depois o Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e a Faculdade de Ciências de Lisboa, onde se interessou por várias correntes políticas e culturais, como música e cinema.[2] Leu várias obras que não eram permitidas pelo regime, e estudou o Materialismo Dialéctico, disciplina que não foi reconhecida pela faculdade até à Revolução de 1974.[2]

Entrou depois para a Arma de Engenharia da Escola do exército, onde se formou como engenheiro.[2]

 
Vasco Gonçalves a discursar, em 1974 ou 1975.

Carreira militar e políticaEditar

Entrou então para a carreira militar como engenheiro, tendo desempenhado igualmente a posição de professor na Escola do Exército.[2] Combateu durante a Guerra Colonial, onde ganhou consciência do sacrifício de homens e de capitais contra um conflito que era inútil.[2] Por este motivo aderiu, com o posto de coronel, ao falhado Movimento dos Capitães, em Dezembro de 1973,[2] numa reunião alargada da sua comissão coordenadora efectuada na Costa da Caparica.[carece de fontes?]

Na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, que restaurou a democracia em Portugal, foi um dos coordenadores do Movimento das Forças Armadas,[2] tendo integrado a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas.[carece de fontes?] Passou a ser o elemento de ligação com Francisco da Costa Gomes.[carece de fontes?] Liderou o conselho revolucionário, órgão criado pelo Movimento das Forças Armadas nos inícios de 1975.[3]

Foi nomeado como primeiro-ministro nos segundo, terceiro, quarto e quinto governos provisórios.[2] Naquela posição, foi um dos principais promotores para profundas alterações sociais e económicas em Portugal, incluindo o salário mínimo, os subsídios de férias e desemprego, e a licença de parto.[2] Vasco Gonçalves foi um dos responsáveis pela desmontagem do Império Português, tendo nacionalizado várias empresas bancárias, seguradoras, da indústria,[3] como siderurgias, e dos transportes públicos, e promoveu a reforma agrária.[carece de fontes?]

O seu protagonismo durante os acontecimentos do Verão Quente de 1975 levou os apoiantes do gonçalvismo, na pessoa de Carlos Alberto Moniz, a inclusive comporem uma cantiga em que figurava o seu nome: «Força, força, companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço!».[carece de fontes?]

Vasco Gonçalves mostrou simpatias pelo Partido Comunista Português, e fazia parte da linha mais dura do Movimento das Forças Armadas, tendo afirmado que só existiam duas posições políticas, quem estava pela revolução ou era reaccionário, sem existirem meios termos.[3] No entanto, nas eleições, que ajudou a organizar, verificou-se um reduzido apoio aos militares mais extremistas do MFA e aos seus aliados comunistas, tendo sido demitido a 19 de Setembro de 1975, dois meses antes do golpe de 25 de Novembro.[3] Passou depois à reforma, embora tenha permanecido no activismo político.[2]

Família e falecimentoEditar

Casou em 1950, e teve dois filhos, Vitor e Maria João.[2]

Faleceu em 11 de Junho de 2005, vítima de ataque cardíaco enquanto nadava na piscina do seu irmão, Santos Gonçalves, em Almancil.[2] O funeral teve lugar dois dias depois, tendo sido realizado um cortejo fúnebre desde a Escola do Exército até ao Cemitério do Alto de São João, onde foi depositado no talhão militar.[2]

Prémios e homenagensEditar

A 1 de Abril de 1961 foi feito Oficial da Ordem Militar de Avis[4]. Também recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Almada, a título póstumo.[2]

O seu nome foi colocado em artérias das localidades de Almancil, Beja, Benavente, Cabrela (Guarda), Lumiar, Muge, Porto Alto, Santo António da Charneca, Seixal e Vendas Novas.[2]

Em 18 de Julho de 2014, a Associação Conquistas da Revolução apresentou o livro Vasco - Nome de Abril, em homenagem a Vasco dos Santos Gonçalves.[2]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Pinturas murais no 25 de Abril na cidade do Porto». Pinturasmurais25abrilporto.blogspot.com 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u MARREIROS, 2015:415-418
  3. a b c d «Portuguese ex-PM Goncalves dies» (em inglês). BBC News. 12 de Junho de 2005. Consultado em 25 de Fevereiro de 2019 
  4. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Estrangeiras». Resultado da busca de "Vasco dos Santos Gonçalves". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 7 de março de 2015 

BibliografiaEditar

  • MARREIROS, Glória Maria (2015). Algarvios pelo coração, algarvios por nascimento. Lisboa: Edições Colibri. 432 páginas. ISBN 978-989-689-519-8 

Ligações externasEditar