Vilão

personagem mau em uma história

Vilão (vilã na forma feminina) é um personagem fictício, de uma narrativa histórica ou de uma ficção literária. O Random House Unabridged Dictionary define tal personagem como: "uma pessoa cruelmente maliciosa que está envolvida, ou se dedica à maldade ou ao crime; canalha; um personagem de uma peça, romance ou semelhante, que constitui uma importante agência do mal na trama".[1] O antônimo de um vilão é um herói.

Estereótipo clássico para vilões utilizado em muitos desenhos animados, onde, notavelmente, a expressão facial evidencia malignidade.

O propósito estrutural do vilão é de servir como a oposição do herói e seus motivos ou ações más conduzem uma trama. Ao contrário do herói, que é definido por feitos de engenhosidade e bravura e a busca da justiça e para o bem maior, um vilão é frequentemente definido por seus atos de egoísmo, estupidez, maldade, loucura, crueldade e astúcia, exibindo um comportamento imoral que pode se opor ou perverter a justiça. No arquipélago da Madeira, o termo é usado para descrever as pessoas não pertencentes às classes sociais mais altas e que habitam as zonas mais rurais.

EtimologiaEditar

A palavra "vilão" refere-se ao habitante de uma vila. Poderá ter origem na palavra latina "villanus", referindo-se a alguém ligado a uma villa - uma grande quinta ou plantação agrícola, no Império Romano - significando, portanto, um camponês. Na Idade Média, o termo passou a equivaler a um não nobre.[2] Significando alguém não nobre, o termo "vilão" passou, modernamente, a ser usado para se referir a alguém que pratica atos não nobres ou indignos, como o roubo, o homicídio ou a violação. Os camponeses medievais eram os maiores alvos. Na Península Ibérica e Itálica, os vilões eram descendentes de antigos proprietários romanos.[3]

Idade MédiaEditar

Vilão era, na Idade Média, uma pessoa que não pertencia à nobreza feudal, e que habitava urbanamente em vilas. Devemos lembrar que, o trabalhador do feudo recebia o nome de servo, e que havia naquele, então, vários graus de servidão; os vilões eram aqueles servos mais próximos do senhor feudal, pelo qual recebiam maiores privilégios pessoais e econômicos e tinham menos deveres. Devido a tal distanciamento dos outros servos, que faziam o trabalho mais duro do feudo, tanto nas terras do senhor feudal como nas arrendadas, os vilões perdiam simpatia, pelo que o próprio termo ganhou sentido pejorativo.[4][5] O vilão era um descendente de camponeses livres, e assim, poderia deixar o feudo se o quisesse. Tal como os servos, os vilões deviam, aos senhores, o pagamento da talha e a corveia.[5]

No Portugal medieval, o termo "vilão" referia-se a um cidadão de uma cidade, vila ou concelho, não pertencendo à nobreza. Os vilões com condições econômicas e sociais mais elevadas ascendiam a cavaleiros-vilões, sendo obrigados a possuir armas e cavalos, para combater como cavaleiros na hoste do Rei.[5]

NarratologiaEditar

Em narratologia e nos estudos de literatura e roteiro, um vilão é a encarnação do mal em relatos históricos e trabalhos de ficção. Cumprem o papel de antagonista ante o herói/protagonista.

Geralmente, é uma figura ardilosa, que utiliza suas habilidades com o intuito de prejudicar alguém ou conseguir algo que deseja de formas escusas. Muitas vezes com planos, que são aplicados ao longo da trama, prejudicando normalmente o protagonista, mas ao término, é de praxe que para ter um final aceitável aos olhos do público, o vilão tem seu plano arruinado de forma heroica pelo personagem principal.

Ver tambémEditar

Referências

  1. «"Villain"» ["Vilão"] (em inglês). Dictionary.com. Consultado em 16 de abril de 2021. Arquivado do original em 2 de abril de 2014 
  2. «Perguntas da língua portuguesa». Ciber dúvidas. Consultado em 7 de julho de 2012 
  3. «Resolve» (PDF). Elite Campinas. Consultado em 7 de julho de 2012 
  4. Ledur, Paulo Flávio; Sampaio, Paulo (2000) [1993]. «Pecado nº1 - Mexendo no sentido das palavras». Os pecados da língua: pequeno repertório de grandes erros de linguagem. 8 ed. Porto Alegre: AGE. ISBN 9788585627140 
  5. a b c Rogerio Ribeiro Tostes. «PENÍNSULA IBÉRICA E SOCIABILIDADES POLÍTICAS: poderes simbólico e político na nobreza entre os séculos XII-XIV» (PDF). Consultado em 7 de julho de 2012  line feed character character in |título= at position 46 (ajuda)
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