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Vila Prudente (bairro)

bairro do São Paulo

Vila Prudente é um bairro pertencente ao distrito homônimo, no município de São Paulo. Atualmente ocupa uma área de 2,5 Km², mas, na sua origem, tinha apenas 1,05 Km².[1] Santo Emídio é o padroeiro do bairro e era o santo de devoção de seus fundadores.[1]

Vila Prudente
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Estação Vila Prudente 01.jpg
Área 2,5 Km²
Dia Oficial 4 de outubro
Fundação 4 de outubro de 1890 (129 anos)
Estilo arquitetônico inicial Eclético
Imigração predominante  Itália  Rússia
Distrito Vila Prudente
Subprefeitura Vila Prudente
Região Administrativa Leste


InfraestruturaEditar

  • Avenidas e Ruas: Todas pavimentadas, com redes de distribuição de eletricidade, água e coleta de esgoto. Algumas com rede gás.[2]
  • Estações do Metrô: Estações Vila Prudente, da Linha 2 Verde e Linha 15 Prata (Monotrilho), na Av. Prof. Luiz Inácio de Anhaia Mello.[2]
  • Estações de Trem: Estação Ipiranga da CPTM, Linha 10 Turquesa.[2]
  • Linhas de ônibus: Diversas, nas ruas do Orfanato, Ibitirama, Cap. Pacheco Chaves e Dianópolis. Também nas avenidas Prof. Luiz Inácio de Anhaia Mello e Paes de Barros.[2]
  • Corredores de ônibus: Dois, sendo um na Av. Paes de Barros e outro na Av. Prof. Luiz Inácio de Anhaia Mello.[2]
  • Terminais de ônibus: Na Av. Prof. Luiz Inácio de Anhaia Mello.[2]
  • Ciclovias: Uma, na Av. Prof. Luiz Inácio de Anhaia Mello.[2]
  • Cinemas: No shopping center da Rua Cap. Pacheco Chaves.[2]
  • Escolas: Duas públicas de ensino infantil, três públicas de ensino fundamental e médio, cinco da rede privada, uma universidade privada e uma escola do SESI.[2]
  • Bibliotecas: Uma, na Praça Centenário de Vila Prudente.[2]
  • Saúde: Vigilância em Saúde e Unidade Básica de Saúde, na Praça Centenário de Vila Prudente.[2]
  • Outros: Uma agência dos Correios, o Cartório de Registros Civis do Distrito e dois monumentos históricos.[2]


Antecedentes HistóricosEditar

Fica difícil compreender a formação dos bairros paulistanos sem o conhecimento de algumas características da cidade. A grande participação de imigrantes europeus, não oriundos da Península Ibérica, e a pequena participação dos negros, são coisas pouco comuns nas outras regiões do país onde a presença do colonizador português foi mais efetiva. Essa é a razão do breve relato que segue.

Durante quase três séculos a cidade de São Paulo viveu à margem das grandes correntes econômicas da vida brasileira. Para além do núcleo que lhe deu origem havia fazendas, sítios e chácaras onde seus proprietários eram pessoas simples, que trabalhavam na terra com a ajuda de seus familiares e, eventualmente, alguns índios. Praticavam a lavoura de subsistência, voltada para o mercado local, e não tinham recursos financeiros para terem escravos africanos. Algumas fazendas pertenciam à igreja, como a de Santo André e a de São Caetano; que pertenciam aos monges Beneditinos. No vasto território desta cidade havia diversos núcleos isolados, distantes um do outro, e dependentes do núcleo central. No início do século XIX a predominância da população feminina livre era evidente, pois a população masculina sofreu baixas em razão de suas aventuras pelo sertão, nas expedições conhecidas como Bandeiras. Nessa época, as lavoura de café nas cidades do interior ganhavam importância, e toda a produção passava por São Paulo, rumo ao Porto de Santos ou Rio de Janeiro. Por outro lado, tudo que chegava da Europa, destinado a abastecer as outras cidades do Estado, também passava por aqui, e São Paulo tornou-se um importante centro comercial, atraindo o interesse de investidores nacionais e europeus. Os grandes proprietários rurais do interior do Estado, chamados Barões do Café[nota 1], construíram suas residências na cidade e começaram a diversificar seus negócios, investindo na criação de indústrias. Muitos imigrantes europeus chegaram à cidade, atraídos pela possibilidade de novos negócios, ou a procura de emprego nas indústrias. São Paulo entrava na era industrial e precisava da mão-de-obra e do conhecimento técnico do Europeu. A necessidade de construção de moradias para todos esses imigrantes, e terras para instalação das indústrias, deu início à especulação imobiliária, e os proprietários rurais começaram a vender suas terras. Assim surgiram muitos bairros no final do século XIX e início do XX.[3][4][5]


HistóriaEditar

Em 20 de outubro de 1890 os irmãos italianos Emiídio, Panfilio e Bernardino Falchi, com auxílio do financista Seraphim Corso, firmaram a compra de uma gleba de terra de Maria do Carmo Cypariza Rodrigues. A intenção era lotear o terreno, criando ali um polo industrial com moradias para os operários. O nome escolhido foi uma homenagem ao Dr. Prudente de Moraes, governador do Estado que havia deixado o cargo havia um mês, e que sempre incentivou o projeto. Considera-se o dia 04 de outubro de 1890 como data de fundação da Vila Prudente porque o dia 04 de outubro é a data de nascimento de Prudente de Moraes, sendo essa mais uma homenagem.[6]

Os irmãos Falchi já estavam no Brasil havia algum tempo, e tinham um negócio de doces e confeitos. Foi pensando em ampliar os negócios da família que decidiram comprar as terras de Maria do Carmo. A eletricidade, necessária para funcionamento da indústria, seria gerada por máquinas a vapor, chamadas locomóveis, que necessitavam de água e lenha. O local escolhido tinha essas coisas em abundância; faltava pensar na mão-de-obra, então eles decidiram criar uma vila operária, com moradias para os trabalhadores, escolas, igrejas e áreas de lazer. Os trabalhadores precisavam morar próximos do local de trabalho, porque o deslocamento diário, de outras regiões da cidade, seria inviável.[7][8]

A iniciativa, aparentemente ousada, acabou por revelar o espírito empreendedor dos três irmãos e a lucidez de suas escolhas. Próximo dali estava a Estação Ferroviária do Ipiranga, que ligava cidades do planalto paulista ao Porto de Santos, administrada pela São Paulo Railway Company. Essa proximidade era um ponto favorável para o intento de seus fundadores, pois facilitava o escoamento da produção industrial, o recebimento de matérias primas e o transporte dos operários. Além disso, a nova vila estaria entre o centro da cidade e o recém-criado município de São Bernardo, que acabara de se emancipar de São Paulo, mas que ainda mantinha forte vínculo comercial com a capital. Ressalta-se que o novo município englobava Mauá, Santo André e São Caetano[9]. Para os irmãos Falchi parecia iminente a importância da região para uma cidade que começava a se industrializar.

O terreno adquirido, na encosta de uma colina, estava limitado, na parte alta, a nordeste, por uma antiga estrada de tropeiros que já havia se chamado Estrada do Oratório, mas que, na ocasião, tinha o nome de Estrada da Invernada. Essa estrada, que aparece na planta de loteamento da Vila Prudente,[2] corresponde, hoje, aos 700 metros finais da Rua do Oratório e os 400 metros iniciais da Avenida Vila Ema. Nas partes mais baixas o terreno era limitado por três cursos d’água: o Ribeirão das Vacas, o Córrego da Mooca e um córrego sem nome que, depois, passou a se chamar Córrego da Padaria Amália[10]. Hoje os três córregos estão canalizados. O Córrego da Mooca está sob a Avenida Prof. Luiz Inácio de Anhaia Mello; grande parte do Ribeirão das Vacas está sob a Rua José Zappi, desembocando no Córrego da Mooca, aproximadamente onde termina a Av. Paes de Barros; o Córrego da Padaria Amália está sob a Av. Salim Farah Maluf, e também desemboca no Córrego da Mooca. A estrada e os três cursos d’água formavam o perímetro original da Vila Prudente.

Tão logo os Falchi concretizaram a compra das terras, deram início ao loteamento e se mudaram para a vila. Instalaram, no local, a fábrica de chocolates da família e, logo depois, se associaram aos irmãos franceses Antoine, Henry e Ernest Saccoman, para, com a ajuda do Dr. Luiz Inácio de Anhaia Mello, fundarem a Cerâmica Vila Prudente. O plano era que a indústria cerâmica pudesse fornecer telhas, tijolos e tudo que fosse necessário para as edificações que seriam feitas na vila, e tudo correu como planejado. Nessa indústria os irmãos franceses deram início à produção de tijolos e das telhas de Marselha, que hoje são conhecidas como telhas francesas.[nota 2][11]

Atendendo às necessidades dos trabalhadores, os irmãos Falchi improvisaram uma sala nas dependências da fábrica de chocolates, para funcionar como escola para seus filhos. Doaram um terreno à Congregação dos Missionários de São Carlos Barromeu[nota 3], para construção da ala feminina do Orfanato Cristóvão Colombo, que também funcionaria como escola, e reservaram outra área para construção de uma igreja dedicada a Santo Emídio; santo de devoção da família.[12]

Depois da iniciativa dos três irmão, muitas outras empresas se instalaram no bairro e em seus arredores. Grande parte dos operários dessas indústrias eram de origem italiana. Muitos passaram a residir no bairro, construindo suas casas em regime de mutirão. Outros investidores europeus, como o alemão Victor Nothmann, seguindo a ideia de loteamento proposta pelos irmãos Falchi, passaram a adquirir terras na região e outras vilas foram se formando no entorno.

Além da Fábrica de Chocolates Falchi e da Cerâmica Vila Prudente, duas outras empresas são consideradas símbolos do bairro: a Indústria de Louças Zappi S/A e a Companhia Industrial Paulista de Papel e Papelão. A primeira, fundada pelo italiano José Zappi, que veio para o Brasil a convite do cônsul brasileiro, produzia louças sanitárias, artísticas e azulejos; a segunda produzia papeis Sulfit, Kraft, Flor Post e Cartão Bristol, todos com a marca Bufalo.[13]


CuriosidadesEditar

  • A energia elétrica só chegou à Vila Prudente em meados de 1910. Até então, as indústrias da região eram obrigadas a utilizar máquinas à vapor, conhecidas como locomóveis, para gerar eletricidade.
  • Em 1905 foi inaugurada a primeira linha de bonde, puxado a burro, ligando a estação ferroviária do Ipiranga à Vila Prudente. O percurso tinha 1,5 Km, e o veículo era destinado ao transporte de cargas e passageiros.
  • A Rua do Orfanato faz referência ao Orfanato Cristovão Colombo, cujo prédio continua no mesmo lugar, no número 883 dessa rua, escondido atrás de estabelecimentos comerciais. Não é mais um orfanato, mas sim uma escola do Instituto Cristóvão Colombo. Há estudos para que o prédio seja tombado pelo Patrimônio Histórico da cidade, como já ocorreu com outros prédios do Instituto no Ipiranga.
  • A Rua Falchi Giannini nos lembra a indústria de chocolates dos irmãos Falchi que, em determinada época, chamou-se Falchi Giannini & Cia.
  • A Rua José Zappi é uma homenagem ao ceramista italiano José Zappi, que instalou, no bairro, a Indústria de Louças Zappi, reconhecida e premiada internacionalmente pelos produtos de alta qualidade e grande beleza.
  • Monumento-da-Independência 2017-09-16.jpg
    O escultor italiano, Ettore Ximenes, tinha seu ateliê na esquina da Rua Cananéia com a rua que leva seu nome. Ali ele modelou as peças de bronze que ornamentam o Monumento da Independência, no Ipiranga. O escultor utilizou moradores do bairro como modelos, para a produção das peças.[14]


  • A avenida Professor Luiz Inácio de Anhaia Mello tem seu nome em homenagem ao diretor, e posteriormente sócio, da Cerâmica Vila Prudente.
  • No terreno da antiga fábrica de papelão, hoje está instalada uma universidade e algumas empresas.


Ligações externasEditar

Notas

  1. O título de Barão do Café era concedido, pelo Imperador do Brasil, a grandes cafeicultores que contribuíam para o desenvolvimento do país.
  2. Em 1893, os irmãos Saccoman compraram terras na região do Ipiranga e fundaram o Estabelecimento Cerâmico Saccoman-Frères. Essa indústria deu origem ao bairro do Sacomã.
  3. A Congregação dos Missionários de São Carlos Barromeu é uma organização religiosa católica que surgiu na Itália, com objetivo de promover a formação religiosa, moral, social e legal dos migrantes. Seus membros são conhecidos como Carlistas ou Escalabrinianos.


Referências

  1. Zadra, Newton (2010). Vila Prudente, Do Bonde a Burro ao Metrô. [S.l.: s.n.] 23 páginas 
  2. a b c d e f g h i j k l Prefitura de São Paulo. «Mapa Digital da Cidade de São Paulo». Consultado em 28 de outubro de 2019 
  3. Marcílio, Maria Luiza (1973). A Cidade de São Paulo, Povoamento e População. [S.l.]: Pioneira. pp. 09/29 
  4. Zadra, Newton (2010). Vila Prudente, Do Bonde a Burro ao Metrô. [S.l.: s.n.] pp. 19/22 
  5. Prefeitura de Santo André (2013). «Anuário de Santo André» (PDF). Consultado em 27 de setembro de 2019 
  6. Elizabeth Florido. «História de Vila Prudente». Consultado em 27 de setembro de 2019 
  7. Zadra, Newton (2010). Vila Prudente, Do Bonde a Burro ao Metrô. [S.l.: s.n.] pp. 23/30 
  8. Elizabeth Florido. «História de Vila Prudente». Consultado em 27 de setembro de 2019 
  9. Prefeitura de Santo André (2013). «Anuário de Santo André» (PDF). Consultado em 27 de setembro de 2019 
  10. Barbara Berges (2013). «Geomorfologia Urbana Histórica» (PDF). Consultado em 27 de setembro de 2019 
  11. Zadra, Newton (2010). Vila Prudente, Do Bonde a Burro ao Metrô. [S.l.: s.n.] pp. 66/69 
  12. Zadra, Newton (2010). Vila Prudente, Do Bonde a Burro ao Metrô. [S.l.: s.n.] 47 páginas 
  13. Zadra, Newton (2010). Vila Prudente, Do Bonde a Burro ao Metrô. [S.l.: s.n.] pp. 66/74 
  14. Zadra, Newton (2010). Vila Prudente, Do Bonde a Burro ao Metrô. [S.l.: s.n.] pp. 75/78 


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