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A Santa Aliança

filme de 1977 dirigido por Eduardo Geada
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A Santa Aliança
Portugal Portugal
1977 •  cor •  120 min 
Direção Eduardo Geada
Produção IPC
Distribuição Distribuidores Reunidos
Lançamento 20 de novembro de 1980
Idioma Não disponível
Página no IMDb (em inglês)

A Santa Aliança (1977) é um filme de Eduardo Geada, uma ficção do cinema militante português da década de setenta.

Estreia em Lisboa no City-Cine, a 20 de Novembro de 1980

Ficha sumáriaEditar

SinopseEditar

«Lisboa, Dezembro de 1974: abalada pelo movimento popular de Abril (no PREC), uma influente família de financeiros procura sobreviver e preservar as prerrogativas conquistadas em plena ditadura, jogando com as suas armas naturais: o dinheiro, com que se compram as pessoas; os prazeres camuflados, a imunidade a conservar, a esperança de "melhores dias". Uma experiência teatral revolucionária serve de contraponto» (sinopse do produtor, cit.: O Cais do Olhar, de José de Matos-Cruz, ed. da Cinemateca Portuguesa, 1999).

Enquadramento históricoEditar

A Santa Aliança é um dos poucos filmes de ficção do cinema militante português dos anos setenta, o que contrasta com o grande número de documentários dessa época que exploram o género. Tem como particularidade distintiva retratar uma classe social superior, a da alta burguesia, tal como a anterior ficção do mesmo autor: O Funeral do Patrão. Na sua quase totalidade, os filmes documentários do cinema militante retratam, pelo contrário, os problemas e as lutas das classes desfavorecidas: operários, camponeses ou pescadores, em suma os problemas da classe trabalhadora.

Trata-se assumidamente de puro cinema militante, sem concessões a qualquer outro género, distanciando-se, por um lado, da prática da antropologia visual explorada no cinema por vários dos seus colegas contemporâneos e, por outro, de qualquer tentação intimista ou psicológica que "explique" os personagens, tentação essa a que cedem muitas das obras do neo-realismo e da Nova Vaga, que inspiram o novo cinema português. A temática de A Santa Aliança enquadra-se num processo revolucionário em curso e por isso, tal como os documentários do género, num quadro em que o neo-realismo se esvazia, tornando-se prática menos crítica que construtivista: o socialismo, que dantes era um sonho, é então uma realidade em vias de se consolidar. Enquanto ficção, o filme possui significativo valor documental sobre as ilusões, as representações e o imaginário da época.

Há quem argumente, provavelmente com razão, ser A Santa Aliança «uma das mais lúcidas reflexões que o cinema português produziu sobre o período da Revolução de Abril». Mostra interiores burgueses: por eles se sente fascínio e se sente repulsa. Mostra um Poder que a corajosa aventura de vinte capitães não será capaz de destruir. Divaga em torno de amores encrespados de duas mulheres: Io Apolloni, militante ingénua e voluntarista e Lia Gama, burguesa excessiva que se entedia, transgride e morre. Essa história, em que, material de compra e venda, o erotismo e o prazer se insinuam, é uma ficção íntima em que a Revolução participa em «off-screen». Ouve-se ela ao longe nesses interiores burgueses, nessas paisagens muradas, no «espaço do desgosto» onde joga a classe dominante.

Ficção cuja dinâmica é a pura dialética marxista, A Santa Aliança apresenta-se ao mesmo tempo como uma lição de história e como obra militante que, implicitamente, se mostra insegura e ambivalente nos seus desígnios. Era de recear: a revolução abortou, ficaram pela rama os seus efeitos. O vigoroso cinema militante de então foi por uns enterrado vivo e por outros envergonhada ou ostensivamente esquecido. Alguns dos seus ilustres representantes foram marginalizados, como Geada, tornando-se a sua produtividade nula ou escassa, tendo de se dedicar a filmes de TV, ao ensino ou a outras actividades, tal como António de Macedo, que por isso deixa de filmar (ver biografia e entrevista [S.P.A.).

Ficha artísticaEditar

Ficha técnicaEditar

  • Argumento – Eduardo Geada
  • Diálogos – Eduardo Geada, (Gonçalves Preto) Edgar Gonsalves Preto, Manuel Machado da Luz
  • Realizador – Eduardo Geada
  • Assistente de realização – (Gonçalves Preto) Edgar Gonsalves Preto
  • Produção – IPC
  • Chefe de produção – Marcílio Krieger
  • Secretária de produção- Maria Luísa Gomes
  • Assistentes de produção – Anabela Gonçalves, José Damas e António Luís Campos
  • Rodagem – Julho / Agosto de 1975
  • Fotografia – Manuel Costa e Silva
  • Câmara – Francisco Silva
  • Assistente de imagem – Octávio Espírito Santo
  • Iluminação – João Silva, Carlos Afonso, Emídio Castro e Humberto Alves
  • Maquinista – Carlos Sequeira
  • Decoração – José Costa Reis
  • Vestuário – José Costa Reis
  • Caracterização – Conceição Madureira
  • Cabeleireiro – Maria Morais
  • Director de som – João Carlos Gorjão
  • Operador de som – Bento Palma
  • Música – Pedro Osório
  • Montagem – Eduardo Geada
  • Assistentes de montagem – Jacinta Guerreiro e Celeste Alves
  • Género – ficção, comédia dramática (cinema militante)
  • Formato – 35 mm cor
  • Duração – 120’
  • Distribuição – Distribuidores Reunidos
  • Ante-estreia – 7º Festival de Cinema da Figueira da Foz, 1978
  • Estreia – Lisboa, City-Cine, a 20 de Novembro de 1980

FestivaisEditar

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar