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Monumentos Megalíticos de Alcalar

(Redirecionado de Alcalar)
Vista exterior de uma das Necrópoles

Monumentos Megalíticos de Alcalar são um grupo de túmulos que compõem uma necrópole do período Calcolítico, localizado na freguesia da Mexilhoeira Grande, concelho de Portimão, em Portugal.

Esta necrópole compõe-se por um conjunto de sepulturas espalhadas por uma área de dez hectares. A mais impressionante dessas sepulturas é a grande mamoa conhecida como monumento número sete, que se situa no centro da atual área museológica, formada por um tolo central cuja cripta é acessível por um estreito corredor voltado para nascente.

Os vestígios arqueológicos de Alcalar dão conta da existência de uma população organizada cujo modo de subsistência básico era a agricultura, com uma apreciável capacidade de exploração dos recursos da terra. Localiza-se numa área de terras aráveis, razoavelmente planas, e onde terminava o troço outrora navegável da Ribeira da Torre.

No museu de Lagos podem ser observados machados de pedra e outros utensílios líticos desta região (não apenas de Alcalar). Ao longo da faixa costeira do Barlavento algarvio têm sido identificados vários vestígios megalíticos, com destaque para os de Vila do Bispo.

Índice

HistóriaEditar

Durante o terceiro milênio a.C., uma extensão de 10 hectares de terra, localizada na extremidade de uma parte navegável do rio Torre, tornou-se o centro de um assentamento. Foi construído sobre uma colina junto a faixa costeira de pedra calcária do Algarve, no que ficou conhecido como assentamento de Alcalar, a cerca de 5 km de Mexilhoeira Grande. É provável que o grupo de estruturas megalíticas que tornou esta região conhecida foi construído entre 2000 e 1600 a.C., no período Calcolítico.[1][2]

Cerca de 18 diferentes túmulos megalíticos foram construídos nas colinas circundantes, formando uma necrópole através do uso de diferentes técnicas de construção.[1] Em 1975, o Estado português adquiriu parcialmente adquirida o tolo 7.[2] No ano seguinte, uma cerca foi construída para proteger o local.[2] Em 1982, o governo adquiriu a casa rural chamada Courela das Minas e completou reparos ao cerco em torno do local.[2]

 
Interior de uma das Necrópoles

Durante os anos 1990, escavações do monumento e calcário do Monte de Canelas foram realizadas, resultando na descoberta do espaço usado como ossuário, onde vários rituais foram concluídos, principalmente enterrar o falecido em posição fetal.[2] Estas investigações culminaram na expedição de 8 de abril de 1997.[2] Em 23 de outubro de 1998, sob os auspícios do Programa de Salvaguarda e Valorização do Conjunto Pré-histórico de Alcalar, expedição 18 364/98, (publicado no Diário da República, Série 2, 245), o Estado passou a expropriar os edifícios rurais no centro da freguesia da Mexilhoeira Grande (nos termos do artigo 160, Secção J).[2] Isto foi seguido em 7 de maio de 1999, sob o mesmo programa, no âmbito Despacho 9109/99 (publicado no Diário da República, Série 2, 106), a aquisição da casa rural Courela das Minas, nos termos do artigo 161, seção J, para um centro interpretativo, desenhado por João Santa-Rita. Em 1998, o Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) foi envolvido no trabalho de restauração do túmulo, como o acesso à galeria de tolo 7, a recomposição dos megalitos, a drenagem dos espaços e proteção adequada do local, que envolveu ainda um estudo geotectônico da região.[2]

Em outubro de 2000, o Centro de Acolhimento e Interpretação dos Monumentos, construído pelo IPPAR, foi inaugurada para o público.[2] Em 25 de agosto de 2008, o DRCAlgarve, propôs a extensão da zona de protecção dos monumentos.[2] Este foi apoiado em 3 de Março de 2009 pelo Conselho Consultivo do IGESPAR para o alargamento da zona de classificação.[2] O Centro Interpretativo foi transferido, em 1 de Março de 2012, a partir da gestão da Direção Regional de Cultura do Algarve (DCRAlg) a uma parceria com o governo municipal de Portimão, tornando-se um núcleo do museu local.[2]

ArquiteturaEditar

O sítio está localizado em uma colina, com condições naturais que permitem a sua defesa. A área é povoada por uma necrópole de vários túmulos retangulares e tolos (com câmaras e corredores). Alguns incluem falsas cúpulas e nichos laterais, com várias técnicas arquitetônicas empregadas em sua construção.

Devido ao seu caráter monumental, o tolo 7 (que foi construído no terceiro milênio) constitui um centro de histórico-cultural e científico incontestável do sítio arqueológico, incluindo os vários artefatos descobertos.[1] O túmulo colméia monte de pedras, é construído a partir de um montículo de pedras em torno de um tolo, com um corredor subjacente e uma câmara abobadada.[1] A sua base é composta por xisto e é duplicada em uma parede que rodeia a estrutura, formando um caminho.[1] O seu diâmetro é de 27 metros, com uma entrada virada para o leste localizada no meio da estrutura. O acesso à câmara principal se dá através do corredor virado para o leste, coberto de grandes lajes de pedra calcária que concentram-se estritamente o acesso à cripta. Este espaço é coberto por uma laje de pedra calcária e fica no centro geométrico do túmulo.[1]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f Martins, A. (2011). IGESPAR, ed. «Archaeological Circuits in Alentejo and Algarve». Lisboa, Portugal: IGESPAR-Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Consultado em 28 de junho de 2012 
  2. a b c d e f g h i j k l Neto, João; Gordalina, Rosário (1998). SIPA, ed. «Monumentos de Alcalar/Conjunto Pré-histórico de Alcalar/Povoado Calcolítico de Alcalar/Necrópole Megalítica de Alcalar (n.PT050811020001)». Lisboa,Portugal: SIPA–Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Consultado em 28 de junho de 2012 

Ligações externasEditar