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Monumentos Megalíticos de Alcalar

(Redirecionado de Alcalar)
Monumentos Megalíticos de Alcalar
Vista exterior do monumento 7
Localização atual
Monumentos Megalíticos de Alcalar está localizado em: Faro
Monumentos Megalíticos de Alcalar
Localização do centro de interpretação de Alcalar
Coordenadas 37° 11' 53.59" N 8° 35' 19.46" O
País Portugal Portugal
Região Distrito de Faro
Dados históricos
Início da ocupação Calcolítico
Notas
Categoria de protecção  Monumento Nacional
(Decreto de 16-6-1910, D.G. n.º 136, de 23-06-1910)
Acesso público Sim

Os Monumentos Megalíticos de Alcalar são grupo de túmulos que compõem uma necrópole do período Calcolítico, localizado na freguesia da Mexilhoeira Grande, no concelho de Portimão, em Portugal. A família de monumentos inclui ainda um forno de cal.

Esta necrópole compõe-se por um conjunto de sepulturas espalhadas por uma área de dez hectares. A mais impressionante dessas sepulturas é a grande mamoa conhecida como monumento número sete, que se situa no centro da atual área museológica, formada por um tolo central cuja cripta é acessível por um estreito corredor voltado para nascente.

Os vestígios arqueológicos de Alcalar dão conta da existência de uma população organizada cujo modo de subsistência básico era a agricultura, com uma apreciável capacidade de exploração dos recursos da terra. Localiza-se numa área de terras aráveis, razoavelmente planas, e onde terminava o troço outrora navegável da Ribeira da Torre.

No museu de Lagos podem ser observados machados de pedra e outros utensílios líticos desta região (não apenas de Alcalar). Ao longo da faixa costeira do Barlavento algarvio têm sido identificados vários vestígios megalíticos, com destaque para os de Vila do Bispo.

Índice

Forno de cal em Alcalar, em 2017.

DescriçãoEditar

LocalizaçãoEditar

O sítio arqueológico de Alcalar está situado perto da vila da Mexilhoeira Grande, no interior do concelho de Portimão,[1] numa zona que vai desde a Serra de Monchique a Norte, até à Baía de Lagos a Sul, e que inclui o sistema lagunar da Ria de Alvor.[2]

O sítio está localizado numa colina, com condições naturais que permitem a sua defesa.[carece de fontes?] A área é povoada por uma necrópole de vários túmulos retangulares e tolos (com câmaras e corredores).[carece de fontes?] Alguns incluem falsas cúpulas e nichos laterais, com várias técnicas arquitetónicas empregadas em sua construção.[carece de fontes?] Ambos têm uma forma aproximada de seio, sendo por isso classificados como mamoas.[3] Esta forma, em conjunto com a sua construção num local elevado, poderia servir para serem mais facilmente vistas ao longe, tornando-as como símbolo de poder por parte da povoação que os edificou, e que ficava situada numa colina próxima.[3] Devido à sua construção, em grandes blocos de pedra, tanto o sétimo como o nono túmulos são considerados como monumentos megalíticos.[3]

Os túmulos era utilizados apenas para os corpos dos indivíduos mais influentes no povoado, sendo a restante população enterrada noutro local.[3] Isto é comprovado pelos adornos dos corpos nos interiores dos túmulos, em marfim, âmbar, cobre, ouro, e pedras verdes, materiais que em certos casos tinham de ser importados de longas distâncias.[3]

O topónimo do local, Alcalar ou Alcalá, é de origem muçulmana, existindo outros nomes semelhantes na região, como Alcantarilha ou Alcaria.[4]

Protecção e importânciaEditar

O conjunto dos Monumentos Megalíticos de Alcalar está classificado como Monumento Nacional.[3] É um dos monumentos mais visitados no Algarve, tanto pela população local como pelos turistas.[3] Do ponto de vista arqueológico, é um dos sítios mais importantes na região, devido às estruturas funerárias, e pelo grande número e significado dos objectos que foram encontrados.[1]

ComposiçãoEditar

O antigo complexo de Alcalar incluía um povoado e uma necrópole, formada por vários túmulos megalíticos, organizados em vários grupos.[2]

PovoadoEditar

A zona populacional de Alcalar estava localizada numa colina perto do local dos túmulos,[3] consistindo num conjunto de estruturas, como edifícios e silos, parcialmente escavados no solo, sendo por isso categorizada como Recinto de fossos.[5]

Núcleo centralEditar

Perto do centro de interpretação de Alcalar, A ocidente da Estrada Municipal 532, nas proximidades do centro de interpretação de Alcalar, encontra-se um grupo de seis monumentos funerários, conhecido como núcleo central.[6] O primeiro monumento, Alcalar 1, é uma anta coberta por uma mamoa, e apresenta um estado de degradação muito avançado.[6] O segundo monumento é um tolo, igualmente coberto por uma mamoa, e também está em mau estado de conservação.[7] O terceiro túmulo, denominado de Alcalar 3, é outro tolo dentro de uma mamoa, e ainda se encontra em bom estado.[8] O monumento Alcalar 4, é igualmente uma mamoa encerrando um tolo, e apresenta um estado de conservação regular, sendo ainda visíveis partes da câmara funerária, tal como os dois monólitos à entrada.[9] O quinto e o sexto monumentos, ambos destruídos, eram tolos que partilhavam a mesma mamoa.[10][11] O monumento Alcalar 10 está situado junto aos túmulos 1 a 6, e é constituído por um tolo em bom estado de conservação.[12]

 
Interior do monumento 7.

Monumento 7Editar

Devido ao seu caráter monumental, o tolo 7 (que foi construído no terceiro milénio) constitui um centro de histórico-cultural e científico incontestável do sítio arqueológico, incluindo os vários artefatos descobertos.[13] O túmulo colméia monte de pedras, é construído a partir de um montículo de pedras em torno de um tolo, com um corredor subjacente e uma câmara abobadada.[13] A sua base é composta por xisto e é duplicada em uma parede que rodeia a estrutura, formando um caminho.[13] O seu diâmetro é de 27 m, com uma entrada virada para o leste localizada no meio da estrutura. O acesso à câmara principal é feito através de um corredor virado para o leste, coberto de grandes lajes de pedra calcária que concentram-se estritamente no acesso à cripta. Este espaço é coberto por uma laje de pedra calcária e fica no centro geométrico do túmulo.[13]

O monumento 7 data de meados do terceiro milénio a.C.[3]

 
Entrada do Monumento 9, em 2017.
 
Exterior do Monumento 9.

Monumento 9Editar

O monumento 9 foi construído cerca de 200 a 300 anos após o seu antecessor, já nos finais do terceiro milénio ou princípios do segundo.[3] Esta datação foi feita com base nas ossadas de um enterramento secundário, no interior da estrutura.[3] Estes vestígios, que estavam em cima de duas taças de cerâmica, eram compostos por ossos compridos e um crânio de um homem robusto de meia idade, que em certa altura sofreu de um traumatismo craniano, do qual sobreviveu, porque o osso foi reconstruído.[3] A idade dos ossos foi identificada pelo Laboratório de Antropologia da Universidade de Coimbra.[3] No túmulo foram encontrados os vestígios de mais quatro indivíduos, alguns adultos e outros crianças.[3]

Durante as escavações também foi encontrada um osso de falange, que foi inicialmente identificado como sendo de um cavalo e depois como parte de um zebro, um tipo de equídeo já extinto, que viveu na região até ao Século XV.[3] Normalmente, as falanges encontradas noutros túmulos estavam decoradas, o que não sucedeu com o osso encontrado no monumento 9.[3] Uma das peças mais importantes encontrada foi um pequeno cilindro de pedra que tinha sido decorado com figuras de olhos, conhecido como o ídolo oculado.[3] A metade decorada do cilindro foi descoberta no local, enquanto que a parte restante foi encontrada entre as terras que tinham sido removidas durante as escavações do Século XIX, e que foram depois analisadas.[3] A peça foi alvo de restauro no Museu de Portimão, onde foi exposta.[3]

Foi edificado de forma diferente do seu antecessor, em pedra calcada com barro, o que deixou mais resistente, embora tenham permanecido falhas na estrutura interna, que o terão feito colapsar ainda durante o seu período de utilização.[3] Era de dimensões mais reduzidas do que o sétimo túmulo.[2]

Tal como sucedeu com o sétimo monumento, o túmulo 9 era composto por uma câmara interior e um corredor de acesso, que foram ambos instalados com lajes de pedra de grandes dimensões, em calcário ou grês.[3] Esta câmara era habitualmente utilizada para colocar os cadáveres das pessoas mais influentes, que eram acompanhados por vários objectos que simbolizavam o seu poder.[3] O corredor e a câmara foram depois cobertos por pedras de menores dimensões, em certos casos ligados por barro, até formar um monte de forma circular.[3] O túmulo era depois coroado por pequenas pedras, principalmente em calcário branco, de forma a ser mais visível de longe, e finalmente rematado por lajes.[3] Era rodeado por um muro para contenção periférica, que foi erigido em alvenaria de calcário e arenito amarelo.[2] Uma vez que os construtores não sabiam erigir uma abóbada, colocaram uma grande laje de pedra no topo do túmulo, para tapar o furo em cima da câmara interior.[3]

Segundo Elena Morán e Rui Parreira, também é de grande importância o espaço aberto em frente do túmulo, cujas dimensões, quase tão grandes quanto a estrutura em si, possibilitavam a sua utilização em rituais.[3] Com efeito, neste espaço foram encontrados vestígios de reuniões sociais e de partilha comunitária.[2]

Núcleo ocidentalEditar

Os túmulos 8, 11, 14, 15 e 16 formam o chamado núcleo ocidental do grupo de monumentos de Alcalar.[14] O oitavo e o décimo primeiro eram tolos cobertos por mamoas, tendo o primeiro sido destruído,[14] enquanto que o segundo apresenta um péssimo estado de conservação.[15] O décimo quarto túmulo, em avançado estado de degradação, era também um tolo,[16] tal como o décimo quinto, que tinha mamoa.[17] O monumento Alcalar 16 era outro tolo.[18]

Núcleo do Vidigal VelhoEditar

Os monumentos 12 e 13 eram ambos tolos que foram destruídos, e formavam o núcleo do Vidigal Velho.[19][20]

 
Reconstrução dos métodos utilizados para a deslocação dos blocos de pedra, no Centro de Interpretação de Alcalar.

HistóriaEditar

Ocupação primitivaEditar

Durante o terceiro milénio a.C., foi formado um assentamento populacional de grandes dimensões na zona de Alcalar, com mais de 25 Ha, e que consistia numa zona residencial e numa necrópole com vários túmulos.[2] Esta zona estava localizada na extremidade de uma parte navegável da Ribeira da Torre.[carece de fontes?] Foi construído sobre uma colina junto à faixa costeira de pedra calcária do Algarve, no que ficou conhecido como assentamento de Alcalar, a cerca de 5 km de Mexilhoeira Grande. É provável que o grupo de estruturas megalíticas que tornou esta região conhecida foi construído entre 2000 e 1600 a.C., no período Calcolítico.[13][21]

Cerca de 18 diferentes túmulos megalíticos foram construídos nas colinas circundantes, formando uma necrópole através do uso de diferentes técnicas de construção.[13] O monumento 7 foi construído por volta de meados do terceiro século antes do Nascimento de Cristo, enquanto que o monumento 9 terá sido edificado cerca de 200 a 300 anos depois, na transição do terceiro para o segundo milénio.[3] Na altura da construção do nono túmulo, já o sétimo teria sido selado.[3] O novo túmulo entrou em colapso ainda durante o uso, devido a problemas na estrutura interna, apesar de ser mais robusto, no exterior, do que o seu antecessor.[3] A zona de Alcalar terá sido ocupada originalmente durante cerca de 1500 anos.[2]

Num local perto dos monumentos de Alcalar, conhecido como Monte António José Serrenho, foram encontrados três silos do período romano.[22] Outro vestígio daquele período foi uma sepultura, já destruída, situada perto do túmulo Alcalar 4, onde foram encontrados fragmentos de uma urna de vidro, uma pequena conta azul também em vidro, e uma moeda, talvez do período do imperador Cláudio.[23]

 
Planta do Monumento 7, desenhada por Estácio da Veiga no Século XIX.
 
Pormenor de um nicho na cripta do Monumento 7.

RedescobertaEditar

Primeira faseEditar

O sítio arqueológico de Alcalar foi estudado no Século XIX por Estácio da Veiga, tendo o espólio que recolheu sido originalmente preservado no Museu Etnográfico Português, em Lisboa.[1] Os resultados das investigações foram compilados nos primeiro e terceiro volumes da sua obra, Antiguidades Monumentaes do Algarve.[1] No entanto, os métodos utilizados ainda foram muito primitivos, tendo sido abertas trincheiras até ao interior dos monumentos, para tentar encontrar artefactos, levando a danos nas estruturas.[3] Em 1882, o túmulo romano foi alvo de escavações por Estácio da Veiga.[23]

Em 1933, a sepultura romana foi novamente investigada, por José Formosinho.[23]

Segunda faseEditar

Em 1975, o Estado português adquiriu parcialmente adquirida o tolo 7.[21] No ano seguinte, uma cerca foi construída para proteger o local.[21] Em 1980, iniciou-se o Projecto Alcalar, um programa para a investigação do sítio, de forma a obter melhores informações sobre o mesmo.[2] Em 1982, o governo adquiriu a casa rural chamada Courela das Minas e completou reparos ao cerco em torno do local.[21] Na Década de 1990, foi organizado o programa «Itinerários Arqueológicos do Alentejo e do Algarve», no âmbito de uma parceria entre a Secretaria de Estado do Turismo e o então Instituto Português do Património Arquitectónico, que promoveu a investigação em Alcalar.[2] Durante os anos 90, foram realizadas escavações do monumento e calcário do Monte de Canelas, resultando na descoberta do espaço usado como ossuário, onde vários rituais foram concluídos, principalmente enterrar o falecido em posição fetal.[21] Estas investigações culminaram na expedição de 8 de abril de 1997.[21] A partir desse ano, a intervenção debruçou-se mais sobre o grupo oriental da necrópole, incluindo a instalação de um centro para visitantes, a musealização e o arranjo paisagístico da zona que podia ser visitada, e a investigação e a realização de obras de conservação no Monumento 7.[2] O propósito destas obras foi facilitar o acesso e o estudo dos monumentos de Alcalar, devido à sua importância para compreender o ambiente do terceiro milénio a. C., e ao mesmo tempo empreender a valorização de um recurso cultural, como parte de um esforço para promover o turismo sustentável.[2] Esta intervenção fez parte de um conjunto de iniciativas em torno de Alcalar, como forma de transmitir à sociedade em geral o conhecimento científico sobre os monumentos, e que também incluíram a divulgação dos resultados obtidos no âmbito do Projecto Alcalar, a realização de conferências e de visitas comentadas, a publicação de vários textos, como artigos científicos e de divulgação, roteiros e monografias, e a organização do evento anual Um Dia na Pré-História.[2] Em 23 de outubro de 1998, sob os auspícios do Programa de Salvaguarda e Valorização do Conjunto Pré-histórico de Alcalar, expedição 18 364/98, (publicado no Diário da República, Série 2, 245), o Estado passou a expropriar os edifícios rurais no centro da freguesia da Mexilhoeira Grande (nos termos do artigo 160, Secção J).[21] Isto foi seguido em 7 de maio de 1999, sob o mesmo programa, no âmbito Despacho 9109/99 (publicado no Diário da República, Série 2, 106), a aquisição da casa rural Courela das Minas, nos termos do artigo 161, seção J, para um centro interpretativo, desenhado por João Santa-Rita. Em 1998, o Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) foi envolvido no trabalho de restauração do túmulo, como o acesso à galeria de tolo 7, a recomposição dos megalitos, a drenagem dos espaços e proteção adequada do local, que envolveu ainda um estudo geotectónico da região.[21]

Em outubro de 2000, o Centro de Acolhimento e Interpretação dos Monumentos, construído pelo IPPAR, foi inaugurada para o público.[21] Também nesse ano foi aberto ao público o Monumento 7, após as obras de conservação.[2] Igualmente em 2000, a sepultura e os silos romanos de Alcalar foram alvo de pesquisas arqueológicas.[22][23]

 
Furo na cúpula do monumento 7, mostrando o interior da cripta.
 
Escavações no Monumento 7, em 2007.
 
Calçada entre o centro de interpretação e os monumentos, vendo-se ao fundo o sétimo túmulo.

Terceira faseEditar

Posteriormente, iniciaram-se as pesquisas arqueológicas no Monumento 9, igualmente no âmbito do Projecto Alcalar, tendo-se desta forma melhorado os conhecimentos sobre ambas as estruturas, especialmente do ponto de vista arquitectónico, não só no interior mas no espaço em redor, que tinha funções cerimoniais.[2]

Em 2008, foram feitas obras de consolidação no monumento 9.[3] Em 25 de agosto desse ano, o DRCAlgarve, propôs a extensão da zona de protecção dos monumentos.[21] Este foi apoiado em 3 de Março de 2009 pelo Conselho Consultivo do IGESPAR para o alargamento da zona de classificação.[21] O Centro Interpretativo foi transferido, em 1 de Março de 2012, a partir da gestão da Direção Regional de Cultura do Algarve (DCRAlg) a uma parceria com o governo municipal de Portimão, tornando-se um núcleo do museu local.[21] Na edição de 2015 da recriação histórica em Alcalar, foi apresentada a cerveja Alcalar, um produto baseado nos métodos de fabrico durante a pré-história, utilizando plantas que existiam naquele período.[24] A bebida foi reintroduzida na edição de 2016 com uma nova receita, sem utilizar lúpulo, ingrediente que não era empregue na fermentação da cerveja.[24] Em Abril de 2017, estava a ser elaborada uma monografia sobre o nono monumento.[2]

Em Fevereiro de 2018, estavam quase concluídas as obras de recuperação do Monumento 9, no âmbito de um programa que incluiu a reconstrução do edifício, a execução dos arranjos no exterior, e a publicação de monografia sobre o túmulo e os trabalhos em si.[3] O interior do edifício foi mantido, uma vez que já tinha sido anteriormente alvo de obras de consolidação, tendo sido apenas enchido com leca, de forma a garantir a estabilidade do monumento, que se encontrava num estado muito debilitado.[3] Também foram feitas de obras de reparação na fachada do túmulo, onde ainda são visíveis as pedras inclinadas devido à queda da estrutura, e foram instalados drenos para impedir a acumulação de água naquele local quando chovia.[3] Durante o restauro da fachada, foram apenas reutilizadas pedras da estrutura de condenação ou fecho do túmulo, que se iniciava no interior e depois rodeava o exterior do edifício.[3] Estes trabalhos foram feitas como uma intervenção reversível, ou seja, facilitando a realização de futuras análises no terreno ou obras de outros tipos.[3] Este método foi utilizado não só devido à importância do monumento na região do Algarve, mas também para servir de exemplo para futuras obras.[3] Estas obras foram candidatadas pela Direcção Regional de Cultura do Algarve ao Programa Operacional CRESC Algarve 2020, tendo importado em cerca de 106 Mil euros, suportados em 60% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.[3] Nessa altura, previa-se que as obras estariam terminadas em Maio, quando o monumento 9 seria mostrado ao público no âmbito das comemorações do aniversário do Museu de Portimão, e do evento anual Um Dia na Pré-História, realizado em Alcalar.[3] Com a conclusão das obras no Monumento 9, encerrou-se um ciclo de pesquisa e valorização do grupo oriental das necrópoles de Alcalar, que durou cerca de vinte anos, tendo sofrido vários atrasos devido a problemas de financiamento na área da cultura.[2] Durante este período, também foi ampliado o conhecimento sobre Alcalar noutras áreas, como a ocupação humana da zona entre o quinto e segundo milénio a.C., que foi divida em cinco grandes períodos, e a arquitectura da área residencial.[2] Devido a estas pesquisas, foi possível ampliar a zona protegida como Monumento Nacional, de forma a englobar todos os vestígios da antiga povoação de Alcalar.[2]

Em Maio de 2019, a arqueóloga espanhola Elena Morán apresentou o seu livro El Asentamiento Prehistórico de Alcalar (Portimão, Portugal) na Faculdade de Letras de Lisboa, onde descreveu as diversas pesquisas que foram feitas em Alcalar até 2014, tanto pelo governo como pela autarquia de Portimão.[25] Em conjunto com Rui Parreira, também arqueólogo, passaram várias décadas a estudar os monumentos de Alcalar.[3] Também em Maio desse ano, teve lugar o evento Um Dia na Pré-História em Alcalar, que incluiu actividades interactivas sobre várias facetas da vida pré-histórica, incluindo olaria, caça, gravuras, tecelagem, preparação dos alimentos e produção de cerveja, moagem, fabrico de utensílios e de adornos, e o processo para a movimentação dos monolitos.[26] Este evento é organizado no âmbito do programa DiVaM - Divulgação e Valorização dos Monumentos, da Direcção Regional de Cultura do Algarve, tendo atingido um número recorde de espectadores em 4 de Maio de 2019, com 1600 pessoas.[27]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d Vasconcelos, José de Leite (1898). «Estação prehistorica de Alcalar (Algarve)» (PDF). O Archeologo Português. Série I (Volume IV). Lisboa: Museu Ethnologico Português / Imprensa Nacional. p. 97. Consultado em 10 de Julho de 2019 – via Direcção-Geral do Património Cultural 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r MORÁN, Elena (6 de Abril de 2018). «Núcleo Oriental da Necrópole Megalítica de Alcalar: 20 anos de socialização do património arqueológico». Postal do Algarve. Consultado em 6 de Julho de 2019 
  3. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj ak al am an RODRIGUES, Elizabete (14 de Fevereiro de 2018). «Alcalar apresenta um "novo" túmulo megalítico». Sul Informação. Consultado em 4 de Julho de 2019 
  4. NUNES, José Joaquim (Janeiro de 1918). «Toponimia Algarvia» (PDF). Alma Nova. Ano III (25). p. 7-8. Consultado em 6 de Julho de 2019 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  5. «Alcalar - Povoado». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 7 de Julho de 2019 
  6. a b «Alcalar 1». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  7. «Alcalar 2». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  8. «Alcalar 3». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  9. «Alcalar 4». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  10. «Alcalar 5». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  11. «Alcalar 6». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  12. «Alcalar 10». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  13. a b c d e f Martins, A. (2011). IGESPAR, ed. «Archaeological Circuits in Alentejo and Algarve». Lisboa, Portugal: IGESPAR-Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Consultado em 28 de junho de 2012 
  14. a b «Alcalar 8». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  15. «Alcalar 11». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  16. «Alcalar 14». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  17. «Alcalar 15». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  18. «Alcalar 16». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  19. «Alcalar 12». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  20. «Alcalar 13». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Julho de 2019 
  21. a b c d e f g h i j k l Neto, João; Gordalina, Rosário (1998). SIPA, ed. «Monumentos de Alcalar/Conjunto Pré-histórico de Alcalar/Povoado Calcolítico de Alcalar/Necrópole Megalítica de Alcalar (n.PT050811020001)». Lisboa,Portugal: SIPA–Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Consultado em 28 de junho de 2012 
  22. a b «Alcalar». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 7 de Julho de 2019 
  23. a b c d «Alcalar». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 7 de Julho de 2019 
  24. a b VARELA, Ana Sofia (4 de Março de 2016). «Cerveja Alcalar mostra o sabor da pré-história». Barlavento. Consultado em 2 de Julho de 2019 
  25. «Arqueóloga Elena Morán lança livro sobre Alcalar na Faculdade de Letras de Lisboa». Sul Informação. 6 de Maio de 2019. Consultado em 2 de Julho de 2019 
  26. «DiVaM convida a viajar no tempo em Milreu e Alcalar». Sul Informação. 29 de Abril de 2019. Consultado em 2 de Julho de 2019 
  27. NUNES, Nilton (7 de Maio de 2019). «1600 pessoas viajaram até à Pré-História em Alcalar». Sul Informação. Consultado em 2 de Julho de 2019 

Leitura recomendadaEditar

  • MORÁN, Elena Morán; PARREIRA, Rui Parreira; SANTA-Rita, João (2007). Alcalar: monumentos megalíticos. Col: Roteiros da arqueologia portuguesa. Volume 10. Lisboa: IGESPAR Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico. 109 páginas. ISBN 978-989-8052-05-6 
  • PARREIRA, Rui; ALVES, Dora; RIBEIRO, Manuel (2009). Era uma vez... na pré-história: Alcalar: monumentos megalíticos. Portimão: Câmara Municipal de Portimão. 16 páginas. ISBN 978-989-95125-2-8 
  • MORÁN, Elena; PARREIRA, Rui (2004). Alcalar 7: Estudo da reabilitação de um monumento megalítico. Lisboa: Instituto Português do Património Arquitectónico. 335 páginas. ISBN 972-8736-29-0 
  • MORÁN, Elena (2019). El Asentamiento Prehistórico de Alcalar (Portimão, Portugal). Col: Estudos e Memórias. Volume XII. Lisboa: Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa 
 
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Ligações externasEditar