Aleksandr Parvus

Aleksandr Lvovitch Parvus (em russo: Алекса́ндр Льво́вич Па́рвус), nascido com o nome de Izrail Lazarevitch Gelfand (Изра́иль Ла́заревич Ге́льфанд) e também conhecido pelos pseudónimos Aleksandr Molotov (Александр Молотов) e Aleksandr Moskovitch (Александр Москович) (8 de setembro de 1867 - 12 de dezembro de 1924), foi um socialista revolucionário.[1]

Aleksandr Parvus
Nascimento Израиль Лазаревич Гельфанд
8 de setembro de 1867
Bierazino
Morte 12 de dezembro de 1924 (57 anos)
Berlim
Sepultamento Urnenhain Tolkewitz
Cidadania Império Russo, Alemanha, Império Alemão, República de Weimar
Etnia judeus
Alma mater
Ocupação jornalista, político

BiografiaEditar

Primeiros anosEditar

Parvus nasceu em Bielorrússia numa família judaica e passou a sua infância em Odessa (Ucrânia), onde começou a estebelecer os primeiros contactos com círculos revolucionários judeus relacionados com o Bund.

Época revolucionáriaEditar

Com 19 anos, marcha a Zurique, onde atinge o grau de Doutor em Filosofia em 1891. Após aderir ao marxismo, translada-se a Alemanha, onde ingressa no Partido Social-Democrata da Alemanha, onde manteve uma estreita relação de amizade com Roza Luksemburg e Wilhelm Liebknecht. Em 1900, Parvus contacta Lenin pela primeira vez em Munique, e começa uma relação amigável e com certa admiração das respetivas obras. Com efeito, Parvus financiará o jornal revolucionário Iskra, em que Lenin estava envolvido junto com outros exiliados russos como Georgi Plekhanov, Vera Zasulitch, Pavel Akselrod, Julius Martov ou Aleksandr Potresov.

Revolução russaEditar

Durante a Guerra Russo-Japonesa, Parvus vaticinou grandes perdas para Rússia. A exatidão da sua predição e a novidade de utilizar os fracassos de uma guerra exterior para provocar revoltas no interior colocaram Parvus numa boa posição entre os socialistas alemães. Porém, em 1905, Parvus transladou-se à Rússia utilizando documentação austro-húngara falsa. Em dezembro daquele ano, Parvus escreveu um artigo contrário à linha económica do governo que levou a população a retirar a poupança dos bancos, o que conseguiu centrar a atenção das autoridades sobre ele, mas não causar uma catástrofe financeira. Parvus foi detido, junto com Lev Trotski e outros, por participar na desestabilização do governo e por atividades antigovernamentais durante a Revolução de 1905. Parvus foi condenado a três anos de exílio na Sibéria, mas conseguiu fugir para a Alemanha, onde publicou um livro sobre a sua experiência intitulado Na Bastilha russa durante a Revolução.

O assunto GorkiEditar

Durante a sua estância na Alemanha, Parvus relacionou-se com o escritor russo Maksim Gorki e produziu a sua obra teatral As profundidades, cujos benefícios iriam em grande parte para o Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Porém, problemas económicos de Parvus fizeram com que fosse impossível assumir os gastos da representação, pelo que Gorki o acusou de estafa e ameaçou com denunciar Parvus. Foi Roza Luksemburg quem convenceu ambos para manter o litígio no interior do Partido. Finalmente, Parvus reintegrou o dinheiro a Gorki, mas a sua reputação, já deteriorada pelo seu gosto pelo luxo e a libertinagem, foi danificada.

O período de IstambulEditar

Pouco depois, Parvus transladou-se a Istambul, onde permaneceu por cinco anos. Lá, criou uma empresa mercantil de armas que obteve grandes lucros durante a Guerra Balcânica. Converteu-se no tutor político e financeiro dos Jön Türkler, e em 1912 financiou a publicação do seu jornal, Turk Yurdu.

O período da Revolução RussaEditar

Nesse tempo em Istambul conheceu e manteve uma relação de amizade com o embaixador alemão Hans Freiherr Von Wagenheim, quem o envolveu num projeto para desestabilizar internamente a Rússia com financiamento da Alemanha, que então estava em guerra com a própria Rússia e com os seus aliados. Von Wagenheim enviou Parvus a Berlim, onde expôs ao governo alemão o seu plano, intitulado Preparação de greves políticas maciças na Rússia. O plano pensado por Parvus recomendava a divisão da Rússia mediante o financiamento dos bolcheviques do Partido Operário Social-Democrata Russo, a agudização dos nacionalismos étnicos em várias regiões russas e o apoio aos escritores que, durante a guerra russo-alemã, continuavam a escrever contra o tsarismo. Na rede de translado de capital para os bolcheviques participaram Iakov Ganetski e Moisei Uritski, além do próprio Parvus.

Porém, as relações entre Lenin e Parvus, que se foram tornando progressivamente mais difíceis, eram já insustentáveis, pelo que Parvus começou a procurar outras vias de ação. Ademais, a sua reputação no Ministério dos Negócios Extrangeiros alemão também se deteriorava rapidamente, ao ponto de os alemães congelarem o financiamento do plano de Parvus. Contudo, após a Revolução de Fevereiro e a negativa do Governo Provisório a assinar um acordo de paz com a Alemanha, e após Parvus conseguir sabotar o maior barco de guerra russo numa ofensiva russa contra a armada turco-alemã, o governo alemão decidiu recuperar o programa de Parvus e reiniciar o financiamento dos bolcheviques. Parvus organizou também o regresso de Lenin à Rússia através da Alemanha, o que, combinado com o dinheiro fornecido por Alemanha, possibilitou o início da Revolução de Outubro de 1917 e a queda do governo de Aleksandr Kerenski.

Retirada e morteEditar

Parvus pediu a Lenin um papel ativo na revolução. Mas Lenin o negou, o que acabou por arruinar definitivamente as relações entre ambos. Isso acabou produzindo também um deterioramento dos contactos com Roza Luksemburg e outros socialistas alemães. Parvus reduziu paulatinamente a sua atividade política até se retirar numa ilha alemã numa mansão luxuosa. Morreu em dezembro de 1924.

Outros artigosEditar

 
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ReferênciasEditar

  1. «Aleksandr Parvus» (em catalão). GEC. Consultado em 14 de maio de 2020