Garcia II do Congo

Garcia II (1615 - 1660) foi o manicongo (rei) do Reino do Congo entre 22 de fevereiro de 1641 até 23 de janeiro de 1660. Antes de ser rei havia sido governador e marquês de Kiowa.[1][2][3]

Garcia II
Marquês e Governador de Kiowa
Manicongo
Rei do Congo
Reinado 22 de fevereiro de 1641 - 23 de janeiro de 1660
Antecessor(a) Álvaro VI
Sucessor(a) António I
 
Dinastia Nlaza kanda
Nome completo Garcia Nkanga a Lukeni a Nzenze a Ntumba
Nascimento 1615
Morte 23 de janeiro de 1660 (45 anos)
Filho(s) Afonso
Religião Catolicismo

Primeiros anosEditar

Nascido em 1615, foi irmão de Álvaro VI e descendente de Ana Ntumba, filha do rei Afonso I.

Antes de ser nomeado como rei era conhecido como Garcia Okimbaku e acompanhou seu irmão Dom Álvaro no golpe de derrubou o jovem rei Álvaro IV. Ele também ajudou o rei Álvaro V á lutar contra um governador rebelde ao lado do irmão. Após serem nomeados como governadores de duas poderosas regiões do reino, o rei Álvaro V conspirou contra os dois por medo de sua influência ofuscar a do próprio rei.

Após saber disso os irmãos lideraram um golpe de estado contra o rei, que foi deposto e posteriormente decapitado. Dom Álvaro foi nomeado rei com o nome de Álvaro VI e reinou até 1641, quando faleceu. Após sua morte Garcia foi nomeado rei, adiando á entronização de seu sobrinho Pedro, que serviu como príncipe-herdeiro de seu tio até sua morte em 1648.

ReinadoEditar

Garcia foi o segundo rei da dinastia Nlaza e poucos meses após iniciar seu reinado, Luanda foi invadida e dominada pelos holandeses no contexto da Guerra dos Oitenta Anos. Ele logo fez uma aliança com os holandeses, descartando a antiga aliança política e religiosa com os portugueses. Durante o início de seu reinado, o conde de Soyo, Dom Daniel da Silva declarou a separação da região homônima ao resto do reino. Com isso deu-se início á Primeira Guerra Civil do Reino do Congo, que durará desde 1641 até 1645, quando o rei reconhece a soberania do príncipe de Soyo.

Em 15 de agosto de 1648, os portugueses reconquistam Luanda e tomam conhecimento da aliança feita com o Garcia II. Os portugueses quase declararam guerra ao Congo, se não fosse por uma conferência de paz seguida de um acordo pouco tempos depois, onde o rei teve de ceder a soberania da Ilha de Luanda aos portugueses, ainda tendo que assinar um tratado onde o mesmo se comprometia a não realizar alianças e diplomacia com os Países Baixos e a Espanha, já que na época os reinos de Portugal e Espanha estavam em guerra. Outro comprometimento seria de ceder as montanhas do reino para a exploração portuguesa de matais preciosos, como a prata e cobre.

Em 1650 o papa Gregório XV envia um grupo de padres capuchinhos para realizar missões no Congo. Na mesma época o rei entra em uma disputa com os nobres e o Conselho Real, já que a monarquia congolesa ainda tinha traços do período pré-português, onde a monarquia era eletiva e Garcia tentou torna-la hereditária, mas sem sucesso. Um anos depois em 1651 o rei entra em conflito com os capuchinhos, já que o padre italiano Hyacinthe de Vetralla criticou o rei e afirmou que ele tinha "má conduta" e era adepto de "crendices tradicionais" coisa que irritou profundamente a Garcia. O manicongo acusou os capuchinhos ao governo de Luana de traição e estarem sendo espiões de holandeses e espanhóis. Foi feita uma investigação e os padres foram inocentados. Após este vergonhoso ocorrido para o rei, ele teve de assinar um tratado de desculpas e de paz em relação aos portugueses, além de os indenizar, pois a acusação contra os padres foi vista quase como uma declaração de guerra.

Garcia teve muitas decisões tirânicas em seu reinado, pois odiava os portugueses e todos que declarassem apoio aos mesmo eram executados, inclusive seu filho e herdeiro Afonso, que foi condenado a morte por supostamente conspirarar contra seu pai com apoio lusitano. O rei também chegou a uma quase guerra com os portugueses devido ao não cumprimento da clausula assinada em 1649 que cedia as montanhas do reino á exploração.

Garcia II do Congo faleceu em 1660 com 45 anos, sendo sucedido por seu sobrinho António I.

Ver tambémEditar

Referências