António I do Congo

António I (São Salvador, c.1617- Ambuíla, 29 de outubro de 1665) foi o manicongo (rei) do Reino do Congo desde 23 de janeiro de 1660 até sua morte em 29 de outubro de 1665 na Batalha de Ambuíla contra os portugueses.[1] Foi sobrinho de Dom Garcia II, um rei congolês que não teve boas relações com os portugueses, gerando rivalidades entre ambos reinos.[2]

António I
Marquês de Kiva
Manicongo
Rei do Congo
Reinado 23 de janeiro de 1660 - 29 de outubro de 1665
Antecessor(a) Garcia II
Sucessor(a) Afonso II (Nkondo)
Sebastião (Kibangu)
Álvaro VII (São Salvador)
Manuel de Vuzi da Nóbrega (Mbamba-Lovata)
Pedro III (Mbula)
 
Dinastia Nlaza kanda
Nome completo António Nvita para Nkanga
Nascimento 1617
  São Salvador do Congo
Morte 29 de outubro de 1665 (48 anos)
  Ambuíla
Filho(s) Francisco
Pai António, marquês de Kiva
Religião Catolicismo
Brasão

Primeiros anosEditar

António nasceu em 1637, sendo filho de Dom António, marquês de Kiva. Ele foi declarado herdeiro em meados da década de 1650 por seu tio, Dom Garcia II que na mesma época havia arrumado rivalidades com os portugueses, principalmente em relação ás montanhas do reino que supostamente teriam prata. Após a morte de Garcia, ele o sucedeu ao trono.[3]

ReinadoEditar

António chegou ao trono em 23 de janeiro de 1660, impondo uma política impetuosamente contra a influência portuguesa. Por isso foi considerado um herói pelo povo e pela nobreza do Congo.

Em 1661 o governador de Luanda, Dom André Vidal de Negreiros enviou uma carta ao rei para negociar as explorações nas montanhas congolesas de cobre e prata. António nega rotundamente á existência de metais preciosos nas montanhas congolesas. Além disso afirmou que não devia nada ao rei de Portugal, provocando a ira das autoridades de Luanda. O governador envia a declaração em carta do rei do Congo ao rei de Portugal, Dom Afonso VI que ordena ao governador declarar guerra ao Congo.

André Vidal de Negreiros preparou um exercito com o objetivo de ocupar as montanhas de Embo, comandadas por Luís Lopes de Siqueira. Os soldados portugueses marcharam pelo Rio Dande e recrutam alguns guerreiros nativos, principalmente Jagas, que eram contra o rei do Congo. O exercito congolês se armou com mais de 20 mil homens armados com mosquetes, além de um pequeno grupo de mestiços liderados por Pedro Dias de Cabral. Conta-se que tenham sido mais de 100 mil homens, mas é apenas uma sugestão. O exercito português no entanto tinha pouco mais de 300 homens, mas obtinha a ajuda de mais de 7 mil nativos negros, entre escravos e jagas.

Batalha de AmbuílaEditar

O confronto mais mortal da guerra luso-congolesa foi em 29 de outubro de 1665, com a Batalha de Ambuíla. Na ocasião uma vanguarda de 10 mil congoleses liderados pelo Duque de Mbamba se encontram em Ambuíla com os portugueses, aliados com vários jagas armados com mosquetes e forças de artilharia. O som das armas assustam muitos congoleses do exercito que fugiram e cerca de 4 mil fogem do campo de batalha. A vanguarda congolesa é quebrada neste momento António lidera uma nova ofensiva aos portugueses acompanhados de muitos guerreiros, mas é atingido por uma bala perdida que o faz cair no chão. Neste momento o exercito congolês restante é massacrado pelos portugueses e um soldado português identifica o rei e o decapita com uma espada. A cabeça de António e posta numa lança e exibida aos poucos soldados congoleses que restavam, gerando a rendição dos mesmos. Pouco depois o exercito português invade e destroem São Salvador.

Após o fim da batalha, no lado português apenas 12 homens foram mortos, com 25 nativos e mais de 250 feridos apenas. Já no lado do Congo morreram mais de 5 mil homens, incluindo nobres e familiares do rei. Entre os mortos estavam; o padre Manuel Rodrigues, confessor do rei e padre Francisco S. Salvador, capelão mulato e o capelão-chefe Manuel Medeiros é feito prisioneiro. O filho do rei, Francisco de apenas um ano e alguns irmãos de António são capturados. As esposas de António foram executadas por crime de adultério. Além disso muitos tesouros como a coroa real e muitas pedras e metais preciosos foram saqueados pelos portugueses.

Os portugueses não tinham no momento força bélica o suficiente para ocupar e anexar o país de vez, por isso se retiraram alguns dias depois.

Crise SucessóriaEditar

Após a morte de António, o reino se fragmentou após várias reivindicações de nobres da alto aristocracia e as disputas geraram a desastrosa Segunda Guerra Civil do Congo, que durara 34 anos e terminara apenas em 1709 com a reunificação do reino sob o rei Pedro IV.[4]

O pequeno filho de António, Dom Francisco foi criado em Luanda e quando completou 20 anos visitou São Salvador, mas foi considerado "ocidentalizado" demais para realizar qualquer papel político. Ademais que o reino estava em guerra e qualquer reivindicação seria conflituosa.

Referências

BibliografiaEditar

  • "The Origins and Early History of the Kingdom of Congo" in International Journal of African Historical Studies 34/1, 2001.

Precedido por
Garcia II
Reis do Congo
16651666
Sucedido por
Afonso II
 
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