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Arroio Dilúvio
Diluvio Passarela.png
Localização
País
Localização
Coordenadas
Dimensões
Comprimento
17 km
Hidrografia
Tipo
Arroio
Bacia hidrográfica
Maior cidade
Nascente
Foz

O Arroio Dilúvio[1] é um córrego de Porto Alegre que flui em áreas com grande densidade populacional. Outros nomes pelos quais foi ou é conhecido: riacho Ipiranga[2] (resultando no nome da avenida Ipiranga), arroio da Azenha (resultando nos nomes de avenida da Azenha e bairro Azenha), Riacho, Riachinho e do Sabão, atual nome do arroio que lhe confere a nascente mais distante[3][1].

Correndo no sentido leste-oeste, suas nascentes mais distantes estão no Parque Natural Municipal Saint’Hilaire[4] (Viamão) e sua foz no Lago Guaíba.

Possui extensão de 17.605m das nascentes até a foz. A extensão canalizada e retificada está estimada em 12km, dos quais 10km finais tendo calha central entre as pistas da Avenida Ipiranga, abrangendo o percurso entre a Avenida Antônio de Carvalho e a foz[1].


O arroio Dilúvio antes da canalização, na década de 1930.

HistóriaEditar

A primeira referência feita ao arroio Dilúvio aparece numa carta datada de 1740, denominado de rio Jacareí, que significa rio dos Jacarés na língua guarani, como o divisor da sesmaria de Jerônimo de Ornelas[1].

Antigamente, o riacho desaguava na Ponta da Cadeia, ao lado da Usina do Gasômetro, e antes de chegar ali passava embaixo da Ponte de Pedra, que existe ainda hoje, perto do atual Largo dos Açorianos. Com o crescimento da cidade, foi recanalizado para o curso atual. A obra que mudou o traçado do manancial, incluindo a construção das pistas da Avenida Ipiranga, iniciou em 1940, durante a administração do prefeito Loureiro da Silva,[5], e demorou mais de 20 anos para ser concluída. Na sua execução, o Município contou com o auxílio do Governo Federal, por meio do extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS).[6]


PoluiçãoEditar

Até a década de 1950, o Dilúvio apresentava águas muito limpas, e ganhou este nome porque costumava inundar os bairros vizinhos, como Menino Deus ou Cidade Baixa, em dias de chuva forte. Atualmente, estima-se que receba cerca de 50 mil metros cúbicos de resíduos e terra por ano, além do esgoto cloacal de três bairros, necessitando de dragagens periódicas.

Atualmente, o Arroio Dilúvio é uma das principais entradas de poluição no Lago Guaíba [7], principal manancial de abastecimento público de Porto Alegre.

Projetos de despoluiçãoEditar

Em junho de 2011, a imprensa divulgou que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) — ambas com instalações de ensino situadas na avenida Ipiranga, às margens do arroio — decidiram propor junto à prefeitura uma parceria para a revitalização do Dilúvio [8][9][10][11]. Para isso, as duas universidades pretendiam adotar o modelo utilizado para recuperar o arroio Cheonggyecheon, em Seul, capital da Coreia do Sul - que, similarmente, flui por uma grande área urbanizada de sua cidade, tendo sido bastante poluído no passado. Desde sua recuperação, finalizada em 2002, o Cheonggyecheon tem apresentado águas limpas, à beira das quais a população local encontra áreas de lazer arborizadas. Em 2016, o projeto era reportado como estagnado; a prefeitura alega falta de recursos [12][13].

Em 2016, uma "ecobarreira" foi instalada próxima a foz do no Arroio Dilúvio, visando a coleta de resíduos que desembocariam no Lago Guaíba[14].

Fatos notóriosEditar

  • Constatou-se que, em um período de dois anos (2009 a 2010), ao menos 20 carros caíram no arroio Dilúvio pela falta de cordões de calçada com altura suficiente, devido aos recapamentos de asfalto que fizeram ao longo dos anos os mesmos perderem altura sem ter correções feitas pela prefeitura.[15]
  • Em novembro de 2009, o arroio ficou cheio e barrento por causa de uma chuva forte, e um grupo de surfistas, ignorando a poluição do Dilúvio, surfou em suas ondas[16]
     
    Arroio Dilúvio, entre os bairros Santana e Santa Cecília.

Referências

  1. a b c d MORANDI, Iara Conceição; FARIA, Carla Marques - A difícil recuperação de arroios em áreas urbanas - Arroio Dilúvio - Porto Alegre - RS - ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental, consulta em 2019-06-07
  2. ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural - No Riacho Ipiranga, Porto Alegre RS, Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7, consulta em 2019-06-07.
  3. ANDRADE, Leonardo Capeleto de. IMPACTOS DO AMBIENTE URBANO NA POLUIÇÃO DOS SEDIMENTOS DO LAGO GUAÍBA. Tese (Doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Agronomia, Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo, Porto Alegre, RS, 2018. 116 f.
  4. «Parque Natural Municipal Saint'Hilaire». SMAM 
  5. Júlia Schiedeck Nunes, Ana Rosa Sulzbach Cé: Avenida Ipiranga: Processo Evolutivo ao Longo do Século XX. (PUCRS,2009).
  6. PMPA/DEP: O Arroio Dilúvio
  7. de Andrade, Leonardo Capeleto; Tiecher, Tales; de Oliveira, Jessica Souza; Andreazza, Robson; Inda, Alberto Vasconcellos; de Oliveira Camargo, Flávio Anastácio (2 de dezembro de 2017). «Sediment pollution in margins of the Lake Guaíba, Southern Brazil». Environmental Monitoring and Assessment (em inglês). 190 (1). ISSN 0167-6369. doi:10.1007/s10661-017-6365-9 
  8. «UFRGS e PUCRS podem adotar exemplo de cidade coreana para revitalizar arroio Dilúvio». Consultado em 3 de junho de 2016. Arquivado do original em 4 de agosto de 2016 
  9. «Assinado acordo para revitalização do Dilúvio». Consultado em 3 de junho de 2016. Arquivado do original em 6 de agosto de 2016 
  10. UFRGS assina protocolo de cooperação para revitalizar o arroio Dilúvio
  11. Revitalização do Dilúvio mobiliza prefeituras e universidades
  12. UFRGS ‘joga a toalha’ em projeto do Dilúvio
  13. Projeto de revitalização do Arroio Dilúvio está parado na prefeitura
  14. «Ecobarreira do Arroio Dilúvio já reteve 250 toneladas de resíduos». Jornal do Comércio 
  15. MasterNET - Em dois anos, ao menos 20 veículos caíram no arroio Dilúvio, na Capital[ligação inativa]
  16. "Já tomamos até vermífugo", diz surfista do Dilúvio"