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Disambig grey.svg Nota: Para outras pessoas de mesmo nome, veja Bardanes.
Bardanes III Mamicônio
Nacionalidade Armênio
Progenitores Mãe: irmã de Artabanes
Pai: Bassaces
Ocupação General

Bardanes III Mamicônio (em armênio/arménio: Վարդան Գ Մամիկոնյան, Vardan III Mamikonyan; em grego: Βαρδάνης Μαμικονιάν, Bardanes Mamikonián), também mencionado como Bartan (em grego: Βαρταν) e Uardanes (em grego: Ουαρδάνης)[1] foi um nobre armênio da família Mamicônio que ostentou o título de asparapetes (comandante-em-chefe).

FamíliaEditar

Bardanes era filho de Bassaces e irmão de Gregório.[2] O irmão e o pai eram nobres de origem armênia citados por Procópio. Na verdade, fala de Artabanes, general da família dos arsácidas, que era cunhado de Bassaces, general entre 539 e 542, e tio de Gregório, capitão em 546. Bassaces é a forma grega do armênio Vasak e Christian Settipani identifica Bassaces e Gregório, respectivamente, como pai e irmão de Bardanes.[3] Também se sabe que era irmão de Manuel II.[1]

BiografiaEditar

 
Soldo de Justino II (r. 565–578)
 
Dracma de Cosroes I (r. 531–579)

Bardanes é mencionado pela primeira vez numa carta do católico Narses II (r. 548/549–557/558), onde estão listados os inscritos para o segundo concílio de Dúbio em 555. No verão de 571[4][5] (ou início de 572[6]), após o marzobam Surena assassinar seu irmão Manuel, Bardanes e Vardes rebelaram-se abertamente contra a autoridade do Império Sassânida sobre a Armênia. Foram apoiados pelos ibéricos de Gurgenes I e pelo imperador Justino II (r. 565–578), com quem os persarmênios haviam firmado uma aliança secreta em 570. Em 2 de fevereiro de 572, Bardanes assassina Surena em Dúbio[7] e envia a cabeça dele para o general bizantino Justiniano em Teodosiópolis.[8]

Justiniano participou na defesa de Dúbio contra a investida persa. Apesar dos esforços dos rebeldes, a fortaleza caiu[9] e Bardanes e seus apoiantes foram obrigados a se refugir em Constantinopla, onde foram obrigados a comungar com os bizantinos em Santa Sofia.[10][11] Mais tarde em 572, Dúbio seria recuperada pelos rebeldes após uma investida bizantino-armênia bem-sucedida liderada por Justiniano e Bardanes. Logo, contudo, atritos surgiriam entre Justiniano e os nobres armênios, pois os bizantinos incendiaram a Igreja de São Gregório, o Iluminador, situada fora de Dúbio, que estava sendo utilizada pelos persas como armazém.[8][9]

Em 573, lutou com um exército de 20 000 persas liderado por Miranes, o Servo de Mitra na Batalha de Calamaque, em Taraunita, onde saiu vitorioso e conseguiu capturar os elefantes de guerra inimigos.[12] No outono de 575, lutou com Justiniano e Curs contra Cosroes I (r. 531–579) próximo de Melitene e o derrotou.[8][13] No mesmo ano, quando um armistício foi selado, a Armênia voltou para o controle persa e Bardanes e seus aliados (incluindo o católico João II) foram obrigados a se assentar na Anatólia Ocidental.[4][14] É possível que tenha havido várias tensões, já que inúmeras vezes nas fontes gregas menciona-se personagens de nome Bardanes.[15]

Referências

  1. a b Martindale 1992, p. 1365.
  2. Settipani 2006, p. 131-135.
  3. Settipani 2006, p. 112.
  4. a b Garsoian 1997, p. 108.
  5. Greatrex 2002, p. 137-138.
  6. Hewsen 2001, p. 82.
  7. Greatrex 2002, p. 138.
  8. a b c Martindale 1992, p. 745.
  9. a b Greatrex 2002, p. 149.
  10. Dédéyan 2007, p. 203.
  11. Greatrex 2002, p. 138-142.
  12. Grousset 1947, p. 242-245.
  13. Greatrex 2002, p. 154, nota 21; 155-156.
  14. Dédéyan 2007, p. 204.
  15. Settipani 2006, p. 217.

BibliografiaEditar

  • Garsoian, Nina (1997). Hovannisian, Richard G., ed. The Armenian People From Ancient To Modern Times Vol. I - The Dynastic Periods: From Antiquity to the Fourteenth Century. Nova Iorque: St. Martin's Press 
  • Greatrex, Geoffrey; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9 
  • Grousset, René (1947). História da Armênia desde suas origens até 1071. Paris: Payot 
  • Hewsen, Robert H. (2001). Armenia: A historical Atlas. Chicago e Londres: The University of Chicago Press. ISBN 0-226-33228-4 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). «Vardan Mamokonian». The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8 
  • Settipani, Christian (2006). Continuité des élites à Byzance durant les siècles obscurs. Les princes caucasiens et l'Empire du vie au ixe siècle. Paris: de Boccard. ISBN 978-2-7018-0226-8