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Colégio Angélica

instituição educacional

A Escola Normal Nossa Senhora do Carmo e Ginásio Angélica, mais conhecida como Colégio Angélica,[2] é uma instituição de ensino do município brasileiro de Coronel Fabriciano, no interior do estado de Minas Gerais. Foi criada em 1950 e seu prédio é administrado pela Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência, a qual foi a mantenedora do educandário até 2011. Desde 2016, no entanto, a escola tem como responsável o Instituto Católico de Minas Gerais (ICMG), que fornece a educação infantil e os ensinos fundamental, médio e técnico em análises clínicas.

Colégio Angélica
Fachada do Colégio Angélica
Tipo Particular
Fundação 5 de setembro de 1950 (67 anos)
Abertura 1952 (65 anos)
Localização Coronel Fabriciano, Minas Gerais, Brasil
Subdivisão Setor 1
Distrito Sede
Bairro Centro
Endereço Rua Maria Mattos, nº. 128
CEP 35170-111
Unidades 1
Cursos oferecidos Educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, ensino técnico
Orientação religiosa Católica
Mantenedor(a) Instituto Católico de Minas Gerais (ICMG)
Funcionários 64 (2015)[1]
Alunos 360 (2015)[1]
Cores Amarelo, azul e branco
Página oficial Colégio Angélica

A fachada do colégio foi tombada como patrimônio cultural fabricianense em 1997, mantendo todo o projeto original. Os elementos de sua frente se repetem de forma simétrica e as janelas cobrem quase todos os planos e possuem estrutura em madeira. Em dezembro de 2015, em vista de um possível fechamento da instituição, foi decretado o tombamento municipal de todo o prédio, vetando qualquer alteração em sua estrutura física e retirada de bens materiais.

Índice

HistóriaEditar

Criação e consolidaçãoEditar

A Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência, definida como mantenedora da instituição, instalou-se em Coronel Fabriciano destinada a tratar dos trâmites referentes à construção da escola em 1947. Durante as obras, também se envolveu com prestação de serviços no Hospital Siderúrgica (atual Hospital Doutor José Maria Morais).[3] Em 5 de setembro de 1950, a Escola Normal Nossa Senhora do Carmo, mais conhecida como Colégio Angélica, foi fundada pelo arcebispo de Mariana Dom Helvécio Gomes de Oliveira, sendo a primeira grande escola de Coronel Fabriciano. Sua pedra fundamental foi lançada em 26 de setembro de 1950[4] e o nome pelo qual é popularmente chamado homenageia Angélica Rosa da Silveira, mãe do superintendente local da Belgo-Mineira Joaquim Gomes da Silveira Neto, o qual doou o terreno para a construção do colégio.[5]

Nas dependências da escola, consta a seguinte inscrição registrada em uma placa:[6]

Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Arcebispo de Mariana, fundou este colégio, em 05/09/50, para a formação da juventude do Vale do Aço, sendo o capelão o Reverendíssimo Padre Antônio Rocha e Superiora Geral Madre Maria de Nossa Senhora da Glória.
 
Placa de inauguração do Colégio Angélica.
 
Colégio Angélica em 2007.

Foram as primeiras freiras Carmelitas a se instalarem em Coronel Fabriciano as irmãs Nazareth, Beatriz e Izaura, além da diretora Madre Ester de Cristo Rei. O funcionamento começou em 1952, quando foram iniciadas a educação infantil e o primário. Desde 1928, havia ensino público de primeira à quarta séries na cidade. Em 1955, o Colégio Angélica tornou-se a primeira instituição do atual Vale do Aço a fornecer o curso ginasial (correspondente ao ensino médio) e em 1962, teve início o curso normal. Até 1968, também havia o regime de internato devido à demanda de alunos que vinham de cidades vizinhas, sendo desativado em função da criação de novas escolas.[3]

As Irmãs Carmelitas estendiam sua atuação em outros setores da sociedade, como ministrando a catequese às crianças nas próprias dependências em apoio à Paróquia São Sebastião e prestando assistência social aos moradores do Morro do Carmo, onde desenvolveram cursos de trabalhos manuais, culinária, corte e costura.[7] Entre as décadas de 1960 e 80, as freiras mantiveram um posto de saúde na propriedade da escola destinado, principalmente, às gestantes e crianças.[3] No final da década de 1980, parte do terreno do Colégio Angélica foi doado pela Congregação Carmelita para a construção da Catedral São Sebastião.[8] Também fazia parte do complexo do colégio a Escola Estadual Arcebispo Dom Helvécio, onde os alunos carentes contavam com consultas médicas e cirurgias disponibilizadas pela Congregação Carmelita, pelo Lions Clubs International e pelo Rotary International.[3] Essa escola foi demolida em 2009[7] para mais tarde ceder espaço ao Supermercado Coelho Diniz, após o terreno anexo ao Angélica ser vendido pelas Irmãs Carmelitas.[3][9]

Mudanças de mantenedora e possível fechamentoEditar

 
Entrada principal em 2010.

O aniversário de 60 anos do Colégio Angélica, em 2010, foi comemorado com solenidades festivas e uma seção na Câmara Municipal de Coronel Fabriciano, em que foi aprovado o projeto de lei que concede o título de cidadania honorária às irmãs Auxiliadora, Aracoeli e Donatila, benfeitoras da escola.[6][10] Foi a escola que obteve o melhor desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010 no município (o quarto colocado da Região Metropolitana do Vale do Aço), com 645,14 pontos.[11]

Então com 346 alunos e 45 funcionários, foi anunciado em setembro de 2011 o fechamento da instituição já no final deste ano, por motivos financeiros e burocráticos por parte de sua mantenedora, as Irmãs Carmelitas.[12][13] Houve manifestações na cidade contra o fechamento e foi formada uma comissão de pais com o objetivo de cobrar medidas que evitassem o desativamento,[14] até que no dia 19 de outubro foi divulgado que a Congregação das Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus passaria a ser a nova mantenedora da escola, não havendo portanto o encerramento das atividades.[15] As Irmãs Carmelitas, no entanto, continuaram a ser proprietárias do imóvel.[16]

 
Entrada lateral, usada por alunos.

Em setembro de 2015, foi novamente anunciado o fim das atividades da instituição, com as Irmãs Franciscanas alegando motivos financeiros e necessidade de reformas do prédio. Assim como em 2011, houve manifestações e foi formada uma comissão de pais, que se reuniu com a prefeita Rosângela Mendes.[17] Em 9 de outubro de 2015, o Instituto Católico de Minas Gerais (ICMG), integrante da União Brasiliense de Educação e Cultura (UBEC) — mantenedora do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste) —, decidiu assumir a administração da escola,[18] mas em 18 de dezembro, quase dois meses após a abertura do período de matrículas para 2016, a Congregação das Irmãs Carmelitas comunicou à comissão de pais e ao ICMG que não concederia o contrato de aluguel para a manutenção da escola no ano seguinte.[1]

O fechamento do Colégio Angélica era dado como certo e deixaria 64 funcionários desempregados e 360 alunos da educação infantil aos ensinos médio e técnico tendo que se matricular em outras escolas.[1] Em meados de janeiro de 2016, no entanto, houve um novo acordo entre as Irmãs Carmelitas e o ICMG sob o intermédio da Diocese de Itabira-Fabriciano, garantindo a manutenção do colégio pelo ICMG e o retorno das atividades normais nos primeiros dias de fevereiro de 2016.[19][20]

Vista parcial da fachada
Quadras e interior do Colégio Angélica
Arraiá do Bastião, festa junina da Paróquia São Sebastião, no interior do colégio (2016).
Interior da capela do colégio

Cultura e implantaçãoEditar

 
Vista da fachada.

O Colégio Angélica se encontra na esquina das ruas Maria Mattos (entrada principal) e Angélica (entrada lateral).[21] Sua fachada foi tombada como patrimônio cultural municipal em 31 de março de 1997, mantendo todo o projeto original. Os elementos de sua frente se repetem de forma simétrica e as janelas cobrem quase todos os planos e possuem estrutura em madeira.[8][22] Em dezembro de 2015, poucos dias depois do anúncio do fechamento da instituição, a prefeita Rosângela Mendes divulgou o tombamento municipal de todo o prédio e a possibilidade de seu tombamento em âmbito estadual após uma visita do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), vetando qualquer alteração em sua estrutura física e retirada de bens materiais.[23]

O interior do colégio abriga uma capela, onde eram realizadas algumas missas da Paróquia São Sebastião. Até a conclusão da Catedral São Sebastião o pátio da escola foi utilizado para a celebração de missas da paróquia quando havia uma expectativa maior público,[24] bem como festas, bailes e competições esportivas da cidade.[25] O nome do bairro Nossa Senhora do Carmo, popularmente conhecido como Morro do Carmo, homenageia as Irmãs Carmelitas, responsáveis pela consolidação da escola.[26] Duas quadras esportivas atendem às aulas de educação física.[27] Uma série de bens materiais inventariados pela prefeitura também se localiza no interior do Colégio Angélica, dentre os quais as imagens de Nossa Senhora do Carmo que encontram-se situadas no hall e no pátio e de São José no hall do colégio.[28] Dentre os eventos que se fazem presentes, cabem ser ressaltadas a Coroação de Maria, realizada anualmente na capela do colégio nos meses de maio,[29] e a festa junina.[30]

Vista panorâmica da fachada do Colégio Angélica.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d Jornal Diário do Aço (23 de dezembro de 2015). «Situação do Colégio Angélica ganha mais um capítulo». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  2. Governo de Minas Gerais (13 de fevereiro de 2015). «Diário do Executivo, 13 de fevereiro de 2015» (PDF). Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  3. a b c d e Assessoria de Comunicação (9 de setembro de 2015). «Parecer técnico - Colégio Angélica» (PDF). Prefeitura. Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  4. Plox (15 de setembro de 2015). «Pais temem fechamento do Colégio Angélica em Fabriciano». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  5. Revista Caminhos Gerais, nº 35, pag. 24.
  6. a b Jornal Diário do Aço (20 de dezembro de 2009). «História: Colégio Angélica completará 60 anos». Consultado em 27 de janeiro de 2016 
  7. a b Amir José de Melo. «História do Colégio Angélica» (PDF). Colégio Angélica. Consultado em 27 de fevereiro de 2010. Cópia arquivada em 8 de junho de 2012 
  8. a b Assessoria de Comunicação (1 de março de 2012). «Patrimônio Cultural». Prefeitura. Consultado em 13 de julho de 2014. Cópia arquivada em 13 de julho de 2014 
  9. Jornal Diário do Aço (24 de maio de 2012). «Justiça suspende obra do Coelho Diniz». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  10. Plox (23 de outubro de 2010). «Revista comemora os 60 anos do Colégio Angélica». Consultado em 27 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2016 
  11. Jornal Diário do Aço (13 de setembro de 2011). «Inep divulga desempenho das escolas no Enem». Consultado em 20 de outubro de 2011. Cópia arquivada em 8 de junho de 2012 
  12. Jornal Vale do Aço (13 de setembro de 2011). «Colégio Angélica fecha as portas no final do ano». Consultado em 20 de outubro de 2011. Cópia arquivada em 8 de junho de 2012 
  13. Jornal Diário do Aço (14 de setembro de 2011). «Ato público mobiliza em defesa do Colégio Angélica». Consultado em 20 de outubro de 2011. Cópia arquivada em 8 de junho de 2012 
  14. Jornal Diário do Aço (30 de setembro de 2011). «Comissão de Pais trabalha para evitar fechamento do Colégio Angélica». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  15. Jornal Vale do Aço (20 de outubro de 2011). «Angélica tem nova mantenedora». Consultado em 20 de outubro de 2011. Cópia arquivada em 8 de junho de 2012 
  16. Jornal Diário Popular (17 de setembro de 2015). «Ameaça de fechar Colégio Angélica mobiliza Fabriciano». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  17. Jornal Diário do Aço (17 de setembro de 2015). «Comissão quer manter Colégio Angélica aberto». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  18. Jornal Diário do Aço (9 de outubro de 2015). «ICMG quer manter Colégio Angélica». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  19. «ICMG assume definitivamente o Colégio Angélica e aulas no educandário voltam na próxima semana». Jornal Cultura, 26 de janeiro de 2016. Em cena em 8:20-12:71. TV Cultura Vale do Aço. Consultado em 27 de janeiro de 2016 
  20. InterTV dos Vales (26 de janeiro de 2016). «É oficializada a manutenção de atividades do Colégio Angélica, em Coronel Fabriciano». G1. Consultado em 27 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2016 
  21. Assessoria de Comunicação (29 de julho de 2009). «Mapa turístico de Fabriciano». Prefeitura. Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  22. PDDI 2014, p. 673–674
  23. Jornal Diário do Aço (23 de dezembro de 2015). «Decretado tombamento integral do prédio do Colégio Angélica». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  24. Paróquia São Sebastião. «São Sebastião - Matriz / Co-Catedral (Centro)». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  25. Jornal Diário do Aço (24 de julho de 2011). «Reencontro com o passado». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  26. Leonardo Gomes (janeiro de 2012). «Grande Guia dos Bairros de Coronel Fabriciano». Revista Nosso Vale (nº 10): pag. 4. Consultado em 14 de janeiro de 2016 
  27. Denir Estevam dos Santos. «Escola Normal Nossa Senhora do Carmo e Ginásio Angélica (imagens em anexo)». Consultado em 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2016 
  28. SMEC 2013, p. 62–63
  29. SMEC 2013, p. 96–97
  30. SMEC 2013, p. 102

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar