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Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal

Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal
Sociedade anónima de responsabilidade limitada
Atividade Transporte ferroviário
Fundação 14 de Janeiro de 1927
Destino Extinta
Encerramento 1 de Janeiro de 1947
Área(s) servida(s) Portugal
Locais Porto, Póvoa, Famalicão, Guimarães, Fafe
Antecessora(s) Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães
Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão
Sucessora(s) Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses

A Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, mais conhecida como Companhia do Norte, foi uma sociedade portuguesa, formada a partir da fusão das Companhias do Caminho de Ferro de Guimarães e do Porto à Póvoa e Famalicão, em 14 de Janeiro de 1927, para gerir as Linhas de Guimarães e do Porto à Póvoa e Famalicão, em Portugal.[1] Foi extinta com a sua integração na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, em 1947.[2]

Índice

HistóriaEditar

 
Carruagem mista de primeira e terceira classes da Companhia do Norte, parte de um lote que foi encomendado à Officine Ferroviarie Meridionali, de Nápoles, e entregue em Setembro de 1931.

Antecedentes e formaçãoEditar

Na transição para o Século XX, a rede ferroviária de via estreita no Minho era composta pela Linha da Póvoa, operada pela Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão, e pela Linha de Guimarães, da Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães.[1] Desde os princípios do Século que o Estado Português encetou esforços para fundir estas duas companhias[1], primeiro porque existiam dúvidas sobre a capacidade para sobreviverem individualmente[2], e segundo porque permitiria unificar a rede, e a uniformização das bitolas, que eram diferentes em cada linha.[1] Por outro lado, possibilitaria a concessão única, não só para ambas as linhas, mas também para as outras que estavam em planeamento, que deveriam ser construídas pela nova empresa.[1]

A fusão esteve quase a fazer-se em 1908[1], e uma lei de 20 de Junho de 1912 estabeleceu que a fusão entre estas duas companhias com a empresa que, nessa altura, possuía a concessão para construir as Linhas do Alto Minho, de Braga a Guimarães, e de Viana a Ponte da Barca, só seria aprovada se a via na Linha do Porto à Póvoa e Famalicão fosse alargada para a bitola métrica, e se fosse construída uma ligação ferroviária, utilizando a mesma bitola, entre a estação de Mindelo, nesta Linha, e Lousado, na Linha de Guimarães; após a fusão, seria efectuado um novo contrato, com a duração de 80 anos.[3] Apesar de se terem iniciado as negociações, especialmente no campo financeiro, este processo foi cancelado devido à Primeira Guerra Mundial.[1] Porém, as duas empresas principais continuaram os seus esforços neste sentido, tendo conseguido fundir-se na Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, com a publicação dos novos estatutos, em 14 de Janeiro de 1927, que foram aprovados por uma portaria, datada do dia 25 do mesmo mês.[1] A alteração dos estatutos foi apresentada na assembleia extraordinária de 27 de Agosto, e aprovada pela Portaria n.º 5:125, de 16 de Dezembro.[4]

OperaçõesEditar

 
Antiga Estação de Famalicão, com as vias da Linha do Porto à Póvoa e Famalicão, de bitola métrica, à esquerda, e as da Linha do Minho, em bitola ibérica, à direita.

Um contrato de 8 de Agosto de 1927 autorizou a Companhia do Norte a construir o ramal entre a Trofa, na Linha de Guimarães, e Senhora da Hora, na Linha do Porto à Póvoa e Famalicão, que entrou ao serviço em 14 de Março de 1932.[1] O contrato de 1927 também estabeleceu que a bitola na Linha da Póvoa devia ser alterada, de 900 para 1000 mm, processo que foi efectuado de forma rápida e eficaz, sem suspender a circulação.[1]

No dia 28 de Janeiro de 1928, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses arrendou à Companhia do Norte a exploração da Linha do Tâmega.[1]

Em 1933, a gerência desta empresa passou por uma crise que a impediu de honrar os seus compromissos e obrigações, pelo que o decreto-lei n.º 22951, de 5 de Agosto de 1933 ordenou que a administração fosse feita, de forma provisória, por uma comissão do Ministério das Obras Públicas e Comunicações.[5]

Para financiar o prolongamento da Linha da Póvoa até à Trindade, que exigiu um grande esforço financeiro, a Companhia do Norte teve de vender capital à Divisão do Minho e Douro dos Caminhos de Ferro do Estado.[6]

ExtinçãoEditar

Em 7 de Setembro de 1945, foi publicada a Lei n.º 2008, que se destinava a planear a reunião de todas as concessões ferroviárias numa só, de forma a melhorar a coordenação dos transportes terrestres em Portugal.[7] Assim, a Companhia do Norte foi integrada na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que começou a explorar as linhas no dia 1 de Janeiro de 1947.[8]

CaracterizaçãoEditar

Material circulante e tipos de atrelagemEditar

Entre o material motor da Companhia do Norte, contavam-se as locomotivas número 10 e 11, herdadas da Companhia da Póvoa, e que foram depois transformadas na Série E61 a E62 da CP.[2]

O tipo de atrelagem utilizado nesta Companhia foi o de tampão central e tensores laterais, provavelmente devido à influência da Divisão do Minho e Douro dos Caminhos de Ferro do Estado; o tampão era obliterado na vertical para ser compatível com o antigo sistema de tampão central e gancho em cutelo utilizado no antigo material circulante da Linha de Guimarães.[6]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j k TORRES, Carlos Manitto (16 de Março de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 71 (1686). Lisboa. p. 133-140. Consultado em 20 de Dezembro de 2014 
  2. a b c NUNES, Nuno Miguel (2005). «Locomotivas da série E 61 a E 62». O Foguete. Ano 4 (13). Entroncamento: Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário. p. 11-12. ISSN 124550 Verifique |issn= (ajuda) 
  3. PORTUGAL. Lei sem número, de 20 de Junho de 1912. Ministério do Fomento - Secretaria Geral. Paços do Governo da República. Publicado no Diário da República n.º 149, Série I, de 27 de Junho de 1912
  4. PORTUGAL. Portaria n.º 5:125, de 16 de Dezembro de 1927. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral do Comércio e Indústria. Paços do Governo da República. Publicado no Diário do Governo n.º 284, Série I, de 23 de Dezembro de 1927
  5. PORTUGAL. Lei n.º 22:951, de 5 de Agosto de 1933. Ministério das Obras Públicas e Comunicações - Gabinete do Ministro. Paços do Governo da República. Publicado no Diário da República n.º 175, I Série, de 5 de Agosto de 1933.
  6. a b TÃO, Manuel Margarido (2005). «Atrelagens: Uma Breve Abordagem Histórica». O Foguete. 4 (13). Entroncamento: Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário. p. 30-38. ISSN 124550 Verifique |issn= (ajuda) 
  7. PORTUGAL. Decreto n.º 2:008, de 7 de Setembro de 1945. Presidência da República - Secretaria. Publicado no Diário da República n.º 200, Série I, de 7 de Setembro de 1945. Paços do Governo da República.
  8. REIS et al, 2006:63
 
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BibliografiaEditar

  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; Gomes, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 

Ligações externasEditar