Dede Oetomo (Pasuruan, Indonésia, 1953) é um ativista dos direitos LGBT na Indonésia, especialista em questões de gênero na província de Java Oriental, fundador da Lambda Indonésia e da GAYa Nusantara Foundation em Surabaia. Membro do Conselho Consultivo Regional da Asia-Pacific Coalition on Male Sexual Health (APCOM) e do Partido Democrático Popular (conhecido como PRD), colaborador na organização Ashoka desde 1991 e ganhador do Prêmio Felipa de Souza em 1998.[1][2][3][4]

Dede Oetomo
Nascimento 1953
Pasuruan, Java Oriental, Indonésia
Nacionalidade indonésia
Alma mater Universidade Cornell
Ocupação Ativista dos direitos LGBT

Biografia editar

Infância e educação editar

Dede Oetomo nasceu em uma família chinesa-indonésia de classe alta em 1953 na província de Pasuruan, Java Oriental, Indonésia.[5][6] Frequentou uma escola católica, mas não foi criado em uma família religiosa. Dede aprendeu a falar inglês na escola usando um livro intitulado English for the SLTP, desenvolvido para estudantes indonésios com financiamento da Fundação Ford. Declarou-se gay para os seus pais aos 20 anos de idade.[7] No período entre 1979 e 1980 Oetomo morou nos Estados Unidos e pôde enviar vários materiais de leitura para seus pais e outros familiares para os auxiliarem na aceitação de sua homossexualidade, ajudando-os a compreender que não se tratava de um transtorno mental e também que sua condição como gay não poderia ou precisaria ser modificada.[8] Ele tem como principais fundamentos para sua luta em favor da libertação dos LGBTs a análise marxista da posição das mulheres (como feito por Friedrich Engels) além de outros pensamentos progressistas feministas.[8]

Em 1978, concluiu o curso Teaching English to speakers of other languages (TESOL) e recebeu uma bolsa da Fundação Ford para estudar linguística na Universidade Cornell em Ithaca, Nova Iorque. Em 1984, recebeu uma segunda bolsa para trabalhar no Cornell's Modern Indonesia Projects, estabelecido no início dos anos 50 por John M.Echols e pelo professor, historiador e cientista político George McTurnan Kahin.[7][9][10]

Carreira editar

Entre 1983 e 1984 Oetomo recebeu bolsa de estudos do Social Science Research Council (SSRC). Depois da defesa de sua dissertação, começou a estudar sobre sexualidade, gênero e questões relacionadas ao HIV/AIDS na Indonésia. Entre 1984 e 2003, Oetomo lecionou Ciência Política na Airlangga University em Surabaia, Java Oriental.[11] Oetomo teve um grande impacto no movimento LGBT na Indonésia, seu trabalho ajudou a produzir especificamente identidades gays e lésbicas na Indonésia, como relativamente ocorre no Ocidente contemporâneo.[12][13][14]

A Associação Lambda Indonésia foi criada por Oetomo em 1982, enquanto ele ainda estava em Cornell. Desde seu início, a Lambda Indonésia era aberta ao público. Os organizadores enviavam comunicados à imprensa na forma de cartas de leitores para vários meios de comunicação, tanto na Indonésia quanto no exterior e por meio desses boletins informativos as pessoas recebiam conselhos sobre questões relacionadas a temática LGBT.[2][15] Foi considerada uma das primeiras associações abertamente gays da Ásia. Após sua criação, outras organizações LGBT começaram a surgir em outras cidades, como Jacarta, Joguejacarta e Surabaia. A Lambda foi fechada em 1986 e em seguida Oetomo fundou a Gaya Nusantara.[16] Em 2016, havia mais de 100 organizações LGBT na Indonésia.[17][18] No entanto, houve também crescente repressão na Indonésia e Oetomo criticou grupos de financiamento como a Fundação Ford, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) por não fazerem mais para ajudar os direitos LGBT no país.[17] A partir de 2019, Oetomo admitiu que a árdua luta pelas liberdades civis dos LGBTs estava sendo corroída como parte de uma mudança mais ampla em direção ao conservadorismo.[19]

A era pós-Suharto na Indonésia começou em 1998 e Oetomo concorreu a eleição várias vezes representando o Partido Democrático Popular (conhecido como PRD). Ele também se candidatou para dirigir a Comissão Nacional de Direitos Humanos, mas não foi eleito.[5] Em 2010, juntamente com a feminista e pesquisadora Soe Tjen Marching, fundou o Jurnal Gandrung, a primeira revista acadêmica da Indonésia que discute gênero e sexualidade.[20] Desde 1991, é membro da Ashoka Empreendedores Sociais.[6]

Gaya Nusantara editar

Gaya Nusantara é uma organização de direitos LGBT criada pela Oetomo, que se concentra na educação dos direitos humanos, na saúde sexual, incluindo a conscientização sobre o HIV/AIDS e no combate à discriminação sexual.[7] A partir de 1987, trouxe à tona um boletim informativo publicado nacionalmente.[14] Destacou a invisibilidade das lésbicas na Indonésia com artigos como "Indonesian lesbians: Where are you?" (Lésbicas indonésias: onde estão?) e "Where are the Indonesian lesbians" (Onde estão as lésbicas indonésias).[21] Em 1998, o grupo lutou pelos direitos LGBT ao lado de outras organizações como a Arus Pelangi.[14]

Prêmios editar

  • 1998: Prêmio Felipa de Souza.[22]

Referências editar

  1. «Leading a double life in Indonesia». The Sydney Morning Herald (em inglês). 27 de junho de 2013. Consultado em 3 de janeiro de 2022 
  2. a b Suryakusuma, Julia. «View Point: Leaders come and go; gays are here to stay». The Jakarta Post (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2022 
  3. «Dédé Oetomo». Drupal (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2022 
  4. Reuters. «LGBTI e "retro": são assim as revistas descobertas na Indonésia, que agora ganham vida online». PÚBLICO. Consultado em 3 de janeiro de 2022 
  5. a b Emont, Jon (19 de agosto de 2016). «A Happy Warrior in a Faltering Battle for Indonesian Gay Rights». The New York Times. Consultado em 3 de janeiro de 2022 
  6. a b «Dede Oetomo | Ashoka | Everyone a Changemaker». www.ashoka.org (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2022 
  7. a b c Webb, Cynthia (18 de abril de 2012). «Dede Oetomo: Starting something». The Jakarta Post (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2022 
  8. a b «DR. Dede Oetomo: Sesuatu Yang Tidak Salah Tidak Usah Dipermalukan». indoprogress.com. 17 de junho de 2013. Consultado em 4 de janeiro de 2022 
  9. Kahin, George McT (1989). «Cornell's Modern Indonesia Project». Cornell University Southeast Asia Program. Consultado em 3 de janeiro de 2022 
  10. «Celebrating Indonesia» (PDF). The Ford Foundation. 2003. Consultado em 3 de janeiro de 2022 
  11. «Dede Oetomo « Center for Minority, Gender and Human Rights». web.archive.org. 9 de janeiro de 2010. Consultado em 4 de janeiro de 2022 
  12. Prasetyo, Stanley Adi; Tornquist, Olle; Priyono, A. E. (2005). Indonesia's post-Soeharto democracy movement. Jakarta, Indonésia: Demos. 482 páginas. ISBN 9789799802903 
  13. Robertson, Jennifer (2005). Same-Sex Cultures and Sexualities: An Anthropoligical Reader. (PDF). Malden; Oxford; Carlton: Blackwell Publishing. 322 páginas. ISBN 9780631232995 
  14. a b c Ford, Michele; Dibley, Thushara (2019). Activists in Transition: Progressive Politics in Democratic Indonesia. Ithaca: Cornell University Press. p. 156. ISBN 9781501742491 
  15. «Gay identities». Inside Indonesia (em inglês). 30 de setembro de 2007. Consultado em 4 de janeiro de 2022 
  16. «Sejarah Gerakan dan Perjuangan Hak-hak LGBT di Indonesia». magdalene.co (em inglês). Consultado em 5 de janeiro de 2022 
  17. a b Mann, Tim. «Q&A: Dede Oetomo on the LGBT panic». Indonesia at Melbourne (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2022 
  18. Ikawati, Kartika (4 de março de 2015). «Kilas balik 3 dekade organisasi LGBT Indonesia bersama Dede Oetomo». RAPPLER (em inglês). Consultado em 5 de janeiro de 2022 
  19. «Reformasi's broken promises». Inside Indonesia (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2022 
  20. «Sebut Praktik LGBT Ada di Pesantren, Dede Oetomo Dicari Banyak Warganet». Tribunnews.com (em indonésio). Consultado em 5 de janeiro de 2022 
  21. Sullivan, Gerard; Jackson, Peter A (2001). Gay and lesbian Asia: culture, identity, community (em inglês). New York: Harrington Park Press. 171 páginas. ISBN 9781317992820. OCLC 45700647 
  22. «Awards 2019». OutRight Action International (em inglês). 15 de janeiro de 2019. Consultado em 10 de janeiro de 2022 

Ligações externas editar