Deus Não Está Morto

filme de 2014 dirigido por Harold Cronk

Deus Não Está Morto (no original em inglês: God's Not Dead) é um filme de drama da indústria cinematográfica cristã protestante de 2014, dirigido por Harold Cronk e estrelado por Kevin Sorbo, Shane Harper, David A. R. White e Dean Cain. Foi lançado nos cinemas norte-americanos em 21 de março de 2014 pela Pure Flix Entertainment e, em 21 de agosto do mesmo ano, nos circuitos brasileiros pela Graça Filmes, distribuidora ligada à Igreja Internacional da Graça de Deus. Com um investimento de US$ 2 milhões, o filme arrecadou 64.7 milhões, garantindo 02 sequências.

Deus Não Está Morto
God's Not Dead
 Estados Unidos
2014 •  cor •  113 min 
Direção Harold Cronk
Produção Michael Scott
Russell Wolfe
Anna Zielinski
Roteiro Cary Solomon
Chuck Konzelman
Baseado em God's Not Dead: Evidence for God in an Age of Uncertainty[1]
Elenco Kevin Sorbo
David A. R. White
Shane Harper
Dean Cain
Trisha LaFache
Hadeel Sittu
Marco Khan
Cory Oliver
Jim Gleason
Benjamin Onyango
Cassidy Gifford
Paul Kwo
Gênero drama
Música Will Musser
Newsboys
Cinematografia Brian Shanley
Edição Vance Null
Companhia(s) produtora(s) Pure Flix Entertainment
Red Entertainment Group
Distribuição Estados Unidos Pure Flix
Brasil Graça Filmes
Lançamento Estados Unidos 21 de Março de 2014
Brasil 21 de Agosto de 2014
Portugal 19 de Novembro de 2015
Idioma inglês
Orçamento US$ 2 milhões
Receita US$ 64.7 Milhões[2]
Cronologia
God's Not Dead 2
(2016)

O filme foi bem recebido e apoiado por católicos, evangélicos e pentecostais, mas não foi bem recebido pela crítica especializada, que avaliou negativamente o filme como apologético[3] e previsível, com a narrativa estadunidense do complexo de perseguição cristão.[4][5]

Algumas fontes citaram semelhanças do filme com uma lenda urbana popular. A premissa básica de um estudante evangélico debater com um professor ateu e vencê-lo na frente da classe (que então o aplaude) é assunto em publicações populares, inclusive nos famosos quadrinhos evangélicos Chick Tracts.

EnredoEditar

Josh Wheaton (Shane Harper), um jovem protestante, se matricula em uma universidade que possui aulas de filosofia, ministradas pelo professor Jeffrey Radisson (Kevin Sorbo) — um ateu — que exige que seus alunos entreguem-lhe uma declaração de que "Deus está morto" para poderem obter uma nota de aprovação.[6] Josh é o único aluno da classe que se recusa a assinar e por isso Radisson exige que ele debata o assunto, de modo que o estudante tenha de provar que Deus não está morto, mas permitindo que a classe decida quem vence o debate.

O professor dá a Josh vinte minutos ao final de três seminários para que o aluno argumente que Deus existe. Nos dois primeiros debates, Radisson tem contra-argumentos para todos os pontos de Josh. Kara, a namorada de Josh (Cassidy Gifford), termina com ele, temendo o fim do futuro acadêmico deles por causa do professor. Em última instância, tudo se resume ao terceiro e último debate entre aluno e professor, no qual mais uma vez há pontos de concordância. Josh então interrompe sua linha de raciocínio para fazer uma pergunta a Radisson: "Por que você odeia Deus?". De imediato, Radisson não responde. A pergunta é refeita, e então o professor tem um ataque de raiva, afirmando que ele odeia Deus pela morte de sua mãe, que o deixou sozinho, apesar de suas orações. Josh então casualmente lhe pergunta como ele odeia alguém que não existe. No final, Martin (Paul Kow), um estudante estrangeiro cujo pai o incentivou a não se converter ao cristianismo, se levanta e diz "Deus não está morto". Quase toda a classe segue o exemplo de Martin, e Radisson deixa a sala derrotado.

Fora do contexto dos debates, uma série de subtramas periféricas relacionados ao assunto se desenvolve. Josh, além de debater com seu professor nas aulas, conversa sobre cristianismo com seus colegas. Mostra-se a relação do casal Radisson e Mina, uma mulher cristã que ele humilha em frente a seus companheiros ateus. É contada também a história de uma estudante muçulmana chamada Ayisha (Hadeel Sittu), que se converte, porém é deserdada por seu pai quando ele descobre por causa de seu irmão.

ElencoEditar

ProduçãoEditar

A filmagem principal de God's Not Dead foi iniciada em outubro e finalizada em novembro de 2012, em Baton Rouge, Louisiana, com a cena do concerto feita em Houston, Texas.[7]

Russell Wolfe, o CEO da Pure Flix Entertainment, afirmou que:

A inspiração para a criação do filme remota há alguns anos atrás. Eu estava em uma reunião no Fórum Pinnacle e Alan Sears da Alliance Defending Freedom, estava falando sobre um jovem que foi convidado a fazer algumas coisas contra a sua fé e ficou em apuros por não fazê-las. Essa história deixou meu queixo no chão e me fez pensar sobre quantos alunos vão para a faculdade, como cristão e como poucos continuam cristão depois que termina seus quatro anos. Foi essa história que me inspirou para definir o filme em um campus universitário.
— Russell Wolfe[8]

RecepçãoEditar

Crítica especializadaEditar

God's Not Dead teve recepção desfavorável pela maior parte da crítica especializada. Com base em 6 avaliações profissionais, alcançou uma pontuação de 16 em 100 no Metacritic, indicando "antipatia esmagadora".[9] No site do agregador de críticas de cinema Rotten Tomatoes, o filme recebeu uma avaliação de 12%, com base em 26 críticos, com uma avaliação média de 3,40/10. O consenso crítico do site diz: "Distribuindo teatralidade de marreta em vez de entregar sua mensagem com uma dose de boa fé, God's Not Dead possui drama ruim e um argumento não convincente para os não convertidos."[10]

Alissa Wilkinson criticou o filme por apresentar uma narrativa baseada em um complexo de perseguição cristão,[11] especificamente a ideia de faculdades como "fábricas ateístas", premissa criticada como estereótipo impreciso por Emma Green, escrevendo para o The Atlantic.[12] Escrevendo para o The A.V. Club, Todd VanDerWerff deu ao filme um D-, dizendo que "Mesmo para os padrões bastante laicistas da indústria cinematográfica cristã, God's Not Dead é um desastre. É um retorno sem inspiração ao passado de correntes de e-mail com mensagens de bichos papões cristãos que parece demorar muito tempo em apenas 113 minutos". O avaliador Scott Foundas da Variety escreveu que "... mesmo a classificação em uma curva generosa, este melodrama estridente sobre os esforços insidiosos do sistema universitário dos Estados Unidos para silenciar os verdadeiros crentes no campus é tão sutil como uma pilha de bíblias que cai em sua cabeça .... "[9] Steve Pulaski da Influx Magazine, no entanto, foi menos crítico ao filme, dando-lhe um C + e afirmando que "God's Not Dead tem problemas, muitos deles fáceis de detectar e fortemente perturbadores. No entanto, é surpreendentemente eficaz em termos de mensagem, ação e discernimento, que são três campos em que o cinema cristão mais batalha".[13]

Uma série de fontes citaram semelhanças do filme com uma lenda urbana popular. A premissa básica de um estudante evangélico que debate com um professor ateu e que ganha o debate na frente da classe (que então o aplaude) e tem sido objeto dos quadrinhos evangélicos conhecidos como Chick Tracts.[14][15][16][17]

Evangélicos e católicosEditar

Em um comunicado da própria Pure Flix Enterteinement mesmo sendo protestante, o filme foi apoiado por diversas organizações católicas e evangélicas, como a Alliance Defending Freedom, a American Heritage Girls, a Faith Driven Consumer, a Denison Forum da Truth and Culture, a Trevecca Nazarene University, a The Dove Foundation e a Ratio Christi.[18]

Referências

  1. Broocks, Rice (2013). God's Not Dead: Evidence for God in an Age of Uncertainty (em inglês). [S.l.]: Thomas Nelson Inc. ISBN 978-0-8499-6430-5 
  2. «God's Not Dead (2014)». Box Office Mojo (em inglês). IMDb. Consultado em 17 de maio de 2015 
  3. Fiori, Fernando Martins (2018). «Argumentações e manipulações no filme Deus não está morto». EID&A - Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação. 15: 84–101. ISSN 2237-6984. doi:10.17648/eidea-15-1948. Do passado cruel medieval, quando o Cristianismo era imposto à força, hoje, vemo-lo ser propagado por outros artifícios, pelos meios de comunicação de massa e pela cultura pop, que gozam de forte potencial persuasivo e alcance de público. Os porta-vozes cristãos, utilizando-se das mais variadas técnicas argumentativas, sempre pretenderão levar-nos à conversão, a crer em sua doutrina como uma verdade absoluta, e caberá a nós, consumidores de tais textos midiáticos, aceitarmos ou não tal contrato proposto. 
  4. Wilkinson, Alissa (3 de abril de 2018). «How the Christian movie series God's Not Dead fails to be Christian». Vox (em inglês). Consultado em 28 de setembro de 2020 
  5. Ehrlich, David (2018). «'God's Not Dead: A Light in the Darkness' Review: A Hellishly Bad Drama About America's Christian Persecution Complex». IndieWire (em inglês). Cópia arquivada em 4 de agosto de 2020. These movies are fundamentalist propaganda aimed at people who are convinced their religion is under attack in this country just because it doesn’t exempt them from the Constitution. At a time when antisemitic hate crimes are on the rise and America is openly hostile towards its own Muslim community (to say nothing of the Trump administration’s dehumanizing attitude towards immigrants, people of color, and the LGBTQ population), “God’s Not Dead” contends that white Christians are the real victims here. 
  6. Daniaja Davis, God’s Not Dead : A Conversation With Shane Harper, huffingtonpost.com, USA, 28 de outubro de 2013
  7. Taylor Schoen (19 de novembro de 2012). «Christian movie filming on campus». Lsureveille (em inglês). Lsureveille.com. Consultado em 9 de agosto de 2014 
  8. «Exclusive Interview With Pure Flix Entertainment for God's Not Dead Movie» (em inglês). Alliance Defending Freedom. 14 de fevereiro de 2014. Consultado em 2 de abril de 2014 
  9. a b «God's Not Dead». Metacritic (em inglês). CBS Interactive. Consultado em 8 de maio de 2015 
  10. «God's Not Dead». Rotten Tomatoes (em inglês). Consultado em 20 de agosto de 2021 
  11. Wilkinson, Alissa (3 de abril de 2018). «How the Christian movie series God's Not Dead fails to be Christian». Vox (em inglês). Consultado em 20 de agosto de 2021 
  12. Green, Emma (14 de agosto de 2014). «It Turns Out Colleges Aren't Actually Atheist Factories». The Atlantic (em inglês). Consultado em 20 de agosto de 2021 
  13. «God's Not Dead». Inlux Magazine (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2015. Arquivado do original em 18 de maio de 2015 
  14. «'Noah' Washes Away Competition At The Box Office». Etonline (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2015 
  15. «"God's Not Dead," But this Trope Is». Patheos (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2015 
  16. «If an anti-atheist story on Snopes were made into a film, it'd be this one». Patheos (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2015 
  17. «Big Daddy?». www.chick.com. 2002. Consultado em 4 de setembro de 2016 
  18. «God's Not Dead - Endorsements». Pure Flix Entertainment (em inglês). God's Not Dead Movie. Consultado em 8 de maio de 2015 

Ligações externasEditar