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Eleições estaduais em Sergipe em 1954

As eleições estaduais em Sergipe em 1954 ocorreram em 3 de outubro como parte das eleições gerais no Distrito Federal, em 20 estados e nos territórios federais do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima.[1][nota 1]

1950 Brasil 1958
Eleições estaduais em  Sergipe em 1954
3 de outubro de 1954
(Turno único)
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Candidato Leandro Maciel Edelzio Melo
Partido UDN PSD
Natural de Rosário do Catete, SE Rosário do Catete, SE
Vice José Machado de Souza Hermeto Feitosa
Votos 52.884 51.522
Porcentagem 44,04% 42,91%


Brasão de Sergipe.svg
Governador de Sergipe

Leandro Maynard Maciel nasceu em Rosário do Catete (SE) em 8 de dezembro de 1897, filho de Leandro Ribeiro de Siqueira Maciel e de Ana Maynard Maciel. O pai, abastado senhor de engenho em Sergipe, foi político militante desde 1871, tendo sido, durante o Império, diversas vezes deputado provincial e deputado-geral; após a proclamação da República (15/11/1889), foi deputado por Alagoas à Constituinte de 1891 e à primeira legislatura do Congresso Nacional (1891-1893), além de senador por Sergipe (1894-1902).

Fez os estudos primários e secundários no Colégio Salesiano de Aracaju e nos colégios Spencer e dos Irmãos Maristas, em Salvador. Ainda estudante, influenciado pela figura de Rui Barbosa, tomou parte, na capital baiana, da Campanha Civilista, movimento que promoveu, entre agosto de 1909 e março de 1910, a candidatura de Rui Barbosa à presidência da República em oposição à do marechal Hermes da Fonseca, afinal eleito no pleito de março de 1910.

Aluno do curso de engenharia da Escola Politécnica da Bahia, representou sua faculdade no Congresso dos Estudantes de Engenharia, realizado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Ao terminar o curso, em março de 1922, apresentou uma tese que foi depois incorporada ao levantamento de um dos grandes problemas nacionais: O aproveitamento do potencial hidráulico do rio São Francisco na garganta de Paulo Afonso.

Recém-formado, ingressou nos quadros do Ministério de Viação e Obras Públicas, sendo designado para exercer suas funções na Paraíba. Ali trabalhou nas obras do porto da cidade da Paraíba, atual João Pessoa, capital do estado. Transferido para o Rio de Janeiro, trabalhou no Departamento de Portos, Rios e Canais.

Ingressou na política em 1926, com a chegada de Ciro Franklin de Azevedo à presidência de Sergipe. Com a morte deste, em 1927, assumiu o governo o coronel Manuel Correia Dantas, presidente da Assembléia Legislativa, a quem se ligou politicamente, ocupando em seu governo o cargo de diretor do Departamento de Obras Públicas do estado. Em 1929 filiou-se ao Partido Republicano (PR) de Sergipe e candidatou-se a deputado federal nas eleições de maio de 1930, sendo eleito com o apoio da Coligação Democrática Sergipana.

Em 3 de outubro de 1930 estalou a revolução. No dia 14, o capitão Juarez Távora, à frente dos revolucionários vindos da Paraíba, ocupou o estado de Sergipe e depôs o presidente Correia Dantas. Assumiu o governo o primeiro-tenente Eronides Ferreira de Carvalho, que ainda antes do final do ano foi substituído pelo capitão Augusto Maynard Gomes, nomeado interventor federal pelos chefes revolucionários. Leandro Maciel manteve o cargo de diretor de Obras Públicas do novo governo.

Em maio de 1933, elegeu-se deputado por Sergipe à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD) de seu estado, tomando posse em novembro do mesmo ano. Promulgada a nova Constituição em 16 de julho de 1934 e eleito, no dia seguinte, o presidente constitucional da República, Getúlio Vargas, até então chefe do Governo Provisório, os deputados constituintes tiveram os mandatos prorrogados até maio de 1935. Nas eleições de outubro de 1934, Leandro Maciel elegeu-se deputado federal na mesma legenda para a primeira legislatura ordinária após a Constituinte. Entretanto, com a instalação da Assembléia sergipana no início de 1935, foi eleito indiretamente senador por seu estado. Preferindo exercer o mandato no Senado, abriu mão de sua cadeira na Câmara dos Deputados. Com o golpe do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, que fechou todos os órgãos legislativos vigentes no país, teve porém o mandato de senador interrompido.

Em abril de 1945, foi criada a União Democrática Nacional (UDN), partido que nasceu da campanha pela redemocratização do país e que reuniu as forças políticas contrárias ao presidente Getúlio Vargas. Filiando-se à UDN, Leandro Maciel participou da primeira reunião de seu diretório nacional, realizada no dia 21, quando foram nomeadas as comissões para a elaboração do primeiro projeto de estatuto do novo partido. Coube-lhe participar da comissão incumbida do estudo dos problemas estaduais e municipais.

Em 29 de outubro desse ano, Getúlio Vargas foi deposto pelos chefes militares. No pleito de dezembro, Leandro Maciel elegeu-se deputado por Sergipe à Assembléia Nacional Constituinte, na legenda da UDN. Empossado em 19 de fevereiro de 1946, participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta (18/9/1946), passou a exercer mandato legislativo ordinário. Em 1948, foi eleito membro da Comissão de Obras Públicas e membro da Comissão Especial da Bacia do Rio São Francisco, na Câmara dos Deputados.

Em outubro de 1950, reelegeu-se deputado federal, sempre na legenda da UDN, para o período legislativo de 1951-1955. Nesse mesmo ano, concorreu pela UDN ao governo de seu estado, sendo derrotado por Arnaldo Rollemberg Garcez, lançado pelo PSD e pelo Partido Republicano (PR). Como deputado federal por Sergipe, canalizou verbas para seu estado, destinadas a obras de construção de açudes, estradas de rodagens, hospitais e escolas, e à aquisição de máquinas e geradores elétricos para diversos municípios.

Em outubro de 1954, venceu as eleições para governador de seu estado, na legenda da UDN e com o apoio do Partido Social Progressista (PSP), do Partido Social Trabalhista (PST) e do Partido Trabalhista Nacional (PTN), vencendo Edélzio Vieira de Melo, candidato do PSD. Deixando a Câmara em janeiro de 1955, assumiu o governo em fevereiro, tendo como vice-governador o médico José Machado de Sousa, que o substituiu de março a junho desse ano. Nesse período viajou ao Rio de Janeiro a fim de tratar de interesses do estado, ligados à usina hidrelétrica de Paulo Afonso, cuja expansão até Sergipe pleiteava.

Durante sua administração, realizou a dragagem e desobstrução do porto de Aracaju e a construção de mais de trezentos quilômetros de estradas de rodagem. Reconstruiu a rede de distribuição de energia elétrica e reformou o sistema de abastecimento de água do estado. Restaurou o palácio Olímpio de Campos ou das Secretarias, destinado ao funcionamento dos vários órgãos do governo, e vários edifícios e escolas públicas, inaugurando em fevereiro de 1958 o Instituto de Educação Rui Barbosa, em Aracaju. Concluiu e inaugurou igualmente o aeroporto de Santa Maria, também na capital estadual. Instituiu, finalmente, o sistema de mesas-redondas para debater assuntos de interesse público e obter maiores esclarecimentos sobre os vários problemas do estado. Findo o seu governo, passou o cargo, em 31 de janeiro de 1959, a Luís Garcia.[2]

Índice

Resultado da eleição para governadorEditar

Com informações extraídas da Justiça Eleitoral.[1]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Leandro Maciel
UDN
José Machado de Souza
UDN
22
UDN, PSP, PST, PTN
52.884
44,04%
Edelzio Melo
PSD
Hermeto Feitosa
PSD
41
Aliança Social Democrática
(PSD, PR, PSB)
51.522
42,91%
Francisco Macedo[nota 2]
PTB
Manoel Domingos Sobral
PTB
14
PTB (sem coligação)
15.677
13,05%
  Eleito

Resultado da eleição para vice-governadorEditar

Com informações da Justiça Eleitoral.[1]

Candidatos a vice-governador
Candidatos a governador do estado Número Coligação Votação Percentual
José Machado de Souza
UDN
Leandro Maciel
UDN
221
UDN, PSP, PST, PTN
53.909
51,50%
Hermeto Feitosa
PSD
Edelzio Melo
PSD
411
Aliança Social Democrática
(PSD, PR, PSB)
50.450
48,19%
Manoel Domingos Sobral
PTB
Francisco Macedo[nota 2]
PTB
141
PTB (sem coligação)
320
0,31%
  Eleito

Resultado da eleição para senadorEditar

Dados extraídos do Tribunal Superior Eleitoral.[1]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Lourival Fontes
UDN
Lauro Dantas Hora
UDN
225
UDN, PSP, PST, PTN
87.879
43,22%
Maynard Gomes
UDN
Jorge Maynard
UDN
223
UDN, PSP, PST, PTN
52.548
25,84%
Durval Cruz
PSD
Diniz Gonçalves
PSD
414
Aliança Social Democrática
(PSD, PR, PSB)
49.667
24,42%
Carlos Meira
PSD
João Ribeiro do Bonfim
PSD
410
Aliança Social Democrática
(PSD, PR, PSB)
13.251
6,52%
  Eleito

Deputados federais eleitosEditar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[3][4]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Leite Neto PSD 15.661 Riachuelo   Sergipe
Francisco Macedo[nota 2] PTB 15.148 Boquim   Sergipe
Armando Rollemberg PR 11.083 Japaratuba   Sergipe
Walter Franco[nota 3] UDN 9.919 Laranjeiras   Sergipe
José Sobral[nota 3] PSD 9.704 Itaporanga d'Ajuda   Sergipe
Seixas Dória UDN 8.625 Propriá   Sergipe
Luís Garcia UDN 7.033 Rosário do Catete   Sergipe

Deputados estaduais eleitosEditar

Foram eleitos 32 deputados estaduais distribuídos da seguinte forma: doze para a coligação que elegeu o governador, PSD nove, PR seis, PTB três, PSP dois.[1]

Notas

  1. No Distrito Federal não houve eleição para governador e sim para eleger dois senadores.
  2. a b c Graças ao artifício da "candidatura múltipla", embora tenha perdido a disputa para governador, foi eleito deputado federal no mesmo pleito.
  3. a b Durante a legislatura foram efetivados Airton Teles e Jocelino Carvalho em razão das mortes, respectivamente, de José Sobral e Walter Franco.

Referências

  1. a b c d e «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 11 de março de 2017 
  2. Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «LEANDRO MAYNARD MACIEL». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 16 de dezembro de 2018 
  3. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 11 de março de 2017. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  4. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 11 de março de 2017