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Império Cuxita, ca. 700 a.C.

A XXV dinastia egípcia também conhecida como Dinastia Núbia ou Faraós Negros, foi a última dinastia do Terceiro Período Intermediário do Egito que ocorreu após a invasão núbia.

A XXV dinastia era uma linha de faraós que se originaram no Reino de Cuxe, localizado no atual norte do Sudão e no Alto Egito. A maioria dos reis da dinastia viu Napata como sua pátria espiritual. Eles reinaram em parte ou em todo o Egito Antigo de 744–656 a.C.[1] A dinastia começou com a invasão de Cáchitano Alto Egito e culminou em vários anos de guerras bem-sucedidas e malsucedidas com o Império Neo-Assírio, baseado na Mesopotâmia. A reunificação da 25ª Dinastia do Baixo Egito, Alto Egito e Cuxe criou o maior Império egípcio desde o Império Novo. Eles assimilaram-se na sociedade, reafirmando as tradições religiosas, os templos e as formas artísticas do Egito Antigo, ao mesmo tempo em que introduziam alguns aspectos únicos da cultura cuxita.[2] Foi durante a 25ª dinastia que o Vale do Nilo viu a primeira construção generalizada de pirâmides (muitas no que hoje é o Sudão) desde o Império Médio.[3][4][5]

Os núbios, um povo vizinho aos egípcios, estabelecidos ao sul do Sudão, foram dominados pelos egípcios durante séculos, mas conquistaram o Egito liderados por Piiê, que se proclamou o verdadeiro senhor do Egito (herdeiro das tradições espirituais dos faraós).[6] A chegada dos núbios se deu pela navegação do rio Nilo, onde aportaram em Tebas por volta de 730 a.C., a capital do Alto Egito, e venceram o exército local após cerca de um ano de batalhas, estendendo seu poder até o Mar Mediterrâneo. Após a vitória, Piiê retornou à Núbia, e nunca mais voltou ao Egito, governando remotamente.[7] A vitória núbia foi acompanhada de um grande butim de guerra, onde os núbios levaram para sua terra uma grande soma de ouro e outras preciosidades, que conseguiram ao receber em troca da manutenção da vida de egípcios da nobreza ou por meio de pilhagem.[6][7][8]

Após a morte de Piiê, por volta de 715 a.C., seu irmão, Xabaca, estabeleceu a 25ª dinastia na cidade egípcia de Mênfis, resgatando a tradição e a cultura original do Egito. Xabaca ordenou a construção de diversos monumentos, alguns ainda existentes no Egito, em Tebas e Luxor.[7] Taraca foi o terceiro faraó da dinastia, filho de Piiê, e assumiu em 690 a.C. após a morte do tio.

O controle dos núbios durou até 670 a.C., quando os assírios passaram a controlar o Egito, encerrando o período dos faraós negros.[7][9]

ArqueologiaEditar

Durante um longo período a arqueologia deu pouca relevância a esse período da história do Egito Antigo. Passou-se por um período de negação do poder dos núbios, considerando que a 25ª dinastia tivesse a pele mais clara, sendo descendentes dos egípcios ou líbios, teoria apresentada pelo arqueólogo norte-americano George Reisner, da Universidade de Harvard, nas primeiras décadas do século XX. A partir da década de 1960 os novos estudos arqueológicos passaram a considerar o controle dos negros sobre o Egito, fato que foi confirmado em 2003, quando foram encontradas sete estátuas feitas em granito dos faraós negros, na região norte do Sudão, dentro de uma cratera próxima ao rio Nilo, pelo arqueólogo suíço Charles Bonnet, da Universidade de Genebra.[10][7] Acredita-se que as estátuas, que tiveram suas cabeças e pés esmagados, foram destruídas e enterradas pelos egípcios da Antiguidade como uma forma de apagar os registros do domínio núbio em seu império.[10]

Lista de faraósEditar

Ordem: Nome de batismo, (nome do cartucho, nome escolhido pelo faraó para reinar) – data aproximada do reinado (ainda há muita divergência[11])

Referências

  1. Török, László (1998). The Kingdom of Kush: Handbook of the Napatan-Meroitic Civilization. Leiden: BRILL. p. 132. ISBN 90-04-10448-8.
  2. Bonnet, Charles (2006). The Nubian Pharaohs. New York: The American University in Cairo Press. pp. 142–154. ISBN 978-977-416-010-3.
  3. Mokhtar, G. (1990). General History of Africa. California, USA: University of California Press. pp. 161–163. ISBN 0-520-06697-9.
  4. Emberling, Geoff (2011). Nubia: Ancient Kingdoms of Africa. New York: Institute for the Study of the Ancient World. pp. 9–11. ISBN 978-0-615-48102-9.
  5. Silverman, David (1997). Ancient Egypt. New York: Oxford University Press. pp. 36–37. ISBN 0-19-521270-3.
  6. a b «Faraós negros do Egito Antigo». Brasil Escola. Consultado em 18 de março de 2019 
  7. a b c d e «A dinastia dos faraós negros». Superinteressante. Consultado em 18 de março de 2019 
  8. «Faraós negros do Egito Antigo». The Telegraph (em inglês). Consultado em 18 de março de 2019 
  9. «Núbia». britannica Escola. Consultado em 18 de março de 2019 
  10. a b «Arqueólogos descobrem estátuas de 'faraós negros'». BBC Brasil. Consultado em 18 de março de 2019 
  11. Nota: Repare que mesmo os artigos em outros idiomas da Wikipédia divergem, como o inglês e o francês. As datas deste artigo são as que constam no livro Grandes Império e Civilizações listado acima.
  12. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Grandes Império e Civilizações
  13. Nota:A título de comparação; artigo em inglês (en) desconhecida, artigo em francês (fr) 760-747 a.C.
  14. (en) 752-721 a.C., (fr) 747-716 a.C.
  15. (en) 721-707 a.C., (fr) 716-702 a.C.
  16. (en) 707-690 a.C., (fr) 702-690 a.C.
  17. (en) 690-664 a.C., (fr) 690-664 a.C.
  18. (en) 664-656 a.C., (fr) 664-656 a.C.
Precedido por
XXIV dinastia
Dinastias faraónicas
Sucedido por
XXVI dinastia


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