Geografia da Póvoa de Varzim

Ocupando uma área de 8224 hectares, a Póvoa de Varzim localiza-se entre os rios Cávado e Ave, ou, de uma forma mais abrangente, a meio caminho entre os rios Minho e Douro, na costa norte de Portugal (também conhecida como Costa Verde). Embora pela reforma administrativa de 1936 tenha sido integrada no Douro Litoral (com o qual partilha tradições culturais e históricas), tal é discutível, pois a Póvoa, por se achar numa região de transição (neste caso, entre o Douro Litoral e a velha província do Minho), tem também características tipicamente minhotas, pelo que é talvez preferível reconhecer a Póvoa como integrada na antiga região, mais abrangente, do Entre-Douro-e-Minho, dada até a sua posição geográfica central nessa região.

Mapa com as sete freguesias da Póvoa de Varzim (desde 2013).
Mapa com as doze freguesias da Póvoa de Varzim (vigorou até à reforma administrativa de 2013).

O município acha-se limitado a Norte pelo concelho de Esposende, a Nordeste por Barcelos, a Leste pelo de Vila Nova de Famalicão e a Sul por Vila do Conde. A poente, é banhado pelo oceano Atlântico.

Geografia físicaEditar

 
A Enseada da Lagoa.
 
Do sopé do Monte de São Félix vislumbra-se o anel verde (bouças) que envolve a cidade (visível a 7km de distância) e as zonas suburbanas do concelho.

As arribas rochosas, comuns desde a foz do Rio Minho, desaparecem na Póvoa de Varzim dando lugar a uma planície litoral. A planície é originada a partir de uma antiga plataforma marítima que confere um solo arenoso à terra varzinense, atravessando os litorais das freguesias da Póvoa, A Ver-o-Mar, Navais até à Aguçadoura e Estela, formando-se dunas, principalmente no norte da Aguçadoura.

Vagueando pela costa sobressai o cabo de Santo André que é, possivelmente, o Promontório Avarus referido por Ptolomeu, geógrafo da Grécia Antiga, no território dos Callaici.

A amplitude altimétrica do concelho é de 190 metros. Na paisagem sobressaem o monte de São Félix (202 metros) e o monte da Cividade (155 m). Apesar da pouca elevação, a predominância da planície faz com que estas elevações sejam pontos de referência evidentes no horizonte. A cadeia montanhosa chamada serra de Rates divide o concelho em duas áreas distintas: a planície litoral dá lugar aos montes; as florestas tornam-se mais abundantes e o solo tem menor influência marinha. Nesta paisagem dominada pela planície e colinas de pouca altitude e de declives bastante suaves, apenas a encosta da Corga da Soalheira (150 m), na faixa interior, adquire alguma relevância.

Aprisionada entre o mar e a serra, a cidade domina a planície litoral. Pelo sul, existe uma continuidade urbana com Vila do Conde, uma outra cidade e município, estabelecendo-se como o limite sul.

A hidrografia do município é muito pouco expressiva em termos de grandes caudais, mas compreende numerosos pequenos cursos de água devido ao relevo da planície litoral.

Alguns destes cursos de água são permanentes, sendo o rio Este, um afluente do rio Ave, o maior. O rio do Esteiro nasce na base do monte da Cividade e desagua na praia de Aver-o-Mar e o rio Alto nasce no sopé do Monte de São Félix para desaguar na praia do Rio Alto. A terra é bem irrigada, sendo muito comum o aparecimento de fontes e poços, dado que, muitas vezes, o lençol freático está próximo à superfície.

ClimaEditar

A região possuiu um microclima próprio, sendo privilegiada nesse aspecto dado que é considerada a região menos sujeita a geadas em todo o Norte de Portugal devido aos ventos de Inverno que, normalmente, sopram de Sul e Sudoeste.

Ventos do Norte levantam-se, normalmente, no Verão depois do meio dia e são designados de Nortadas, e tal como os nevoeiros típicos desta estação acabam por refrescar o ar e são característicos da Póvoa num clima que se classifica como temperado marítimo. O concelho possui Verões amenos e Invernos suaves, com temperaturas médias que oscilam entre os 12,5 e os 15 graus. A precipitação varia entre os 1200 e os 1400 mm anuais.

AmbienteEditar

 
Ecossistema dunar na Praia do Quião, com marcas de passagem de um veículo pelo areal.
Classes de Ordenamento do
Plano Director Municipal
Área
(m2)
Núcleo Central (urbano) 3 495 425
Área a consolidar (urbano) 9 388 503
Áreas de Transição 9 409 531
Equipamento (de domínio público) 4 249 415
Esp. Industriais (zona industrial) 1 417 703
Caulino 633 887
Zona Floresta Condicionada 2 418 420
Zona Agroflorestal 9 845 941
Zona de Salvaguarda Paisagística 2 980 897
Masseiras 4 948 377
REN ( reserva ecológica nacional) 14 218 988
RAN ( reserva agrícola nacional) 33 747 278
Área Total do PDM 82 144 610

As manchas florestais sofrem de uma forte pressão demográfica e da agricultura intensiva. A cobertura florestal é ainda relevante nas paróquias que abraçam a Serra de Rates, cuja flora se distingue pelas carvalheiras, azevinho e carquejeiras. No século XVIII, o mosteiro de Tibães procedeu ao plantio de pinhais, que caracterizam a freguesia da Estela. No passado predominava a floresta atlântica, com árvores de médio e grande porte, tais como carvalhos, freixos, aveleiras, medronheiros, azinheiras e amieiros.

Os penedos ao longo de toda a costa, que dividem os extensos areais, são verdadeiros viveiros de moluscos, peixes e algas. Os penedos e as dunas são ecossistemas que possuem uma riqueza ecológica importante, mas ameaçados por veraneantes, desportos nas dunas e construções costeiras.

A areia oriunda da barra da Póvoa e a do areal em que assenta a freguesia da Aguçadoura tem sido extraída e negociada para a construção civil. Este comportamento tem causado problemas ecológicos, em especial na Aguçadoura, cujas masseiras dependem da areia, mas que tem sido vendida pelos próprios agricultores que procuram o lucro fácil, recorrendo ao uso de estufas.

A Póvoa de Varzim e outros municípios do Grande Porto têm um plano estratégico de ambiente para o Grande Porto - o «Futuro Sustentável» - em que se pretende saber dos problemas, criar soluções e novos projectos ambientais para o Grande Porto que vá de encontro aos desejos dos seus cidadãos.

Na órbita urbana, o Parque da Cidade (800 mil m2) que se estenderá desde a auto-estrada A28 até à lagoa da Pedreira e contemplará áreas densamente arborizadas, clareiras, montes, um novo lago e área desportiva, que com excepção desta área desportiva, não passa ainda de uma promessa. O Verde Urbano do Anjo, de importância paisagística para a cidade – dado ser uma mancha florestal composta por carvalheiras, será complementado com um parque rural.

Área urbanaEditar

 
A cidade da Póvoa de Varzim assenta numa área total de 12,8 km2 e está dividida em 11 partes.

A cidade da Póvoa de Varzim é constituída por onze Partes, que são bairros da cidade e de diferenciação essencialmente popular e topológica. A divisão da Póvoa de Varzim em bairros é feita a partir de meados do século XIX, divisão essa feita pelo então administrador do concelho e aprovada pela municipalidade, cuja denominação se baseava na igreja que se situava no respectivo ângulo. A cidade estava então dividida em três bairros, o Bairro da Conceição, o Bairro da Lapa e o Bairro de S. José.[1] Estes três bairros continuam ainda hoje a ser a espinha dorsal dos bairros poveiros e as suas denominações foram secularizadas, no século XX, como Bairro da Matriz, Bairro Sul e Bairro Norte. Formando cada um deles uma freguesia eclesiástica ou paróquia desde 1937.

A cidade contemporânea, como delimitada no Plano de Urbanização, assenta em território das freguesias da Póvoa de Varzim, Argivai e Aver-o-Mar, além de pequenas porções em Beiriz e Amorim, possuindo 12,8 km2 e 42 396 habitantes (2001). Para o INE, todo o concelho da Póvoa de Varzim é predominantemente urbano, se bem que note que o Centro Urbano da Póvoa de Varzim seja composto por 6 das 12 freguesias: Póvoa de Varzim, Aver-o-Mar, Argivai, Beiriz, Aguçadoura e Amorim, num total de 26 km2 e 49 574 habitantes (2001).

A cidade começou por ser uma vila interior que se foi estendendo para a costa. O Bairro da Matriz era um povoado significativo no século XIV, cujo núcleo foi o centro por onde a cidade cresceu e corresponde à zona histórica da cidade, sendo o bairro composto por casario antigo e de carácter unifamiliar.

O Bairro Sul constituiu-se a partir da população de pescadores oriundos do Bairro da Matriz, e a sua estrutura de ruas paralelas à costa com casario piscatório - «colmeia dos pescadores» - já se encontrava razoavelmente desenvolvida no século XVIII.

O Bairro Norte desenvolveu-se no começo do século XX com ruas paralelas ao mar, tal como o Bairro Sul. Dado ter-se tornado numa zona balnear, tornou-se muito urbanizado, o mais populoso e com edifícios bastante altos. Este bairro tem provocado o desenvolvimento de áreas vizinhas, sobretudo Agro-Velho, Barreiros e Parque da Cidade.

A Mariadeira, Regufe, Penalves e Gândara são lugares antigos, mas ainda pouco desenvolvidos, possuindo diferentes topologias e de carácter quase exclusivamente residencial com pequenas centralidades. A actual zona Centro tem um carácter oposto às anteriores, nomeadamente a Junqueira que se tornou num bairro comercial.

O Bairro de Belém (Giesteira), que mantém o seu aspecto rural situado no interior da cidade, originou-se a partir da antiga aldeia da Giesteira que com Argivai constituía outrora o núcleo principal do povoamento antes do século XIV, cujos lavradores ajudaram na instalação da "póvoa" no litoral.

Aver-o-Mar ganhou carácter distinto devido à mistura das vivências rural e piscatória, formando uma comunidade própria de pescadores-lavradores. Com excepção do Quião, que, na zona norte, mantém uma identidade piscatória ilesa e se diferencia pelas moradias unifamiliares que cresceram de forma espontânea com estrutura ortogonal. O restante tem vindo a ser urbanizado a partir do Bairro Norte.

Os presentes limites da cidade encontram-se definidos por uma resolução do Conselho de Ministros de 5 de Janeiro de 2006 que decreta que "a organização espacial da cidade [é] coincidente com o perímetro urbano delimitado na planta de zoneamento" do Plano de Urbanização.[2] Assim a cidade inclui três freguesias (freguesia sede da Póvoa de Varzim, Argivai e Aver-o-Mar), para além de uma parte significativa de Beiriz e outra residual de Amorim também estão incluídas.

Os bairros têm maior importância para a população durante as «rusgas» no qual os seis bairros tradicionais (Bairro de Belém, Bairro da Mariadeira, Bairro da Matriz, Bairro Norte, Bairro de Regufe e Bairro Sul) competem entre si na noite de São Pedro, parte das festas da cidade. As rusgas são algo semelhantes à competição entre bairros nas marchas populares de Lisboa, mas com carácter nortenho.

Área periurbanaEditar

 
Largo de Santo António de Cadilhe em Amorim.
 
Calves é um lugar com quintas românticas junto à cidade.

A zona periurbana localiza-se na planície litoral em volta da cidade, uma área densamente povoada onde vivem mais de 10 mil habitantes em pouco mais de 10 km2, composta pelas freguesias de Aguçadoura, Amorim e Beiriz.

Para a Aguçadoura, com densidade elevada, no entanto, com estrutura rural, a câmara municipal encontra-se a elaboração o Plano de Urbanização de Aguçadoura (PUag) desde 2008.

Aver-o-Mar e Argivai, freguesias de natureza suburbana e com forte ligação ao centro da cidade, em especial Aver-o-Mar que se destaca no norte de Portugal, segundo o INE, como das freguesias mais suburbanas da região, foram elevadas à condição de urbanas, constituindo partes da cidade.

Beiriz é célebre pelos tapetes de Beiriz e suas quintas e Amorim é popular no município pela sua broa típica comida quente. A Aguçadoura possuiu uma terra muito produtiva, abastecedora de produtos hortícolas.

Área ruralEditar

 
Laundos rodeando o monte sagrado de São Félix.
 
Igreja de São Pedro de Rates.

As zonas medianamente povoadas, mais rurais, é composta pelas freguesias de Balasar, Estela, Laúndos, Navais, Rates e Terroso. Na zona rural, para além das povoações principais, existem pequenas aldeias, nomeadamente: Além, Fontainhas, Gandra, Gestrins, Gresufes, Sejães e Têso.

Nos extensos areais do norte do município encontram-se as freguesias da Aguçadoura, Estela e Navais. Têm aspectos comuns, como a agricultura dunar, as masseiras.

A Estela é uma das zonas mais dinâmicas a nível turístico do concelho, em especial, no lugar do Rio Alto. Muito conhecida em Navais é a Fonte da Moura Encantada (ou do Crasto) situada a nascente da Nacional 13, cuja água, outrora, era usada para celebrar missas, o povo atribuía-lhe lendas e virtudes mágicas, desde uma junta de bois de ouro que ali aparecia até bruxas que ali se penteavam durante a noite.

Nas freguesias de Laundos e Terroso encontram-se os montes da Póvoa - o monte de São Félix e o monte da Cividade. Na Idade Média, São Félix (o eremita) viveria e meditava no primeiro monte; no segundo encontra-se uma das principais cidades da cultura castreja, a Cividade de Terroso.

Rates é uma pequena vila histórica que se desenvolveu à volta do mosteiro fundado pelo Conde D. Henrique em 1100 por cima de um templo mais antigo e ganhou importância devido à lenda de São Pedro de Rates, primeiro bispo de Braga, tornando-se num local central no Caminho Português de Santiago de Compostela. No século XVI, o mosteiro desorganizou-se e é criada uma Comenda da Ordem de Cristo, cujo primeiro Comendador, o Cavaleiro Fidalgo Tomé de Sousa, que D. João III fez Governador do Brasil.

A freguesia de Balasar ganhou importância religiosa no século XX dado que se tornou famosa por todo o país devido aos milagres de Alexandrina, falecida em 1955, a qual ganhou fama de santa, beatificada pelo papa.

ReferênciasEditar

  1. Archivo pittoresco Volume XI. [S.l.]: Castro Irmão & C.ª. 1868 
  2. Resolução do Conselho de Ministros n.o 15/2006 - Diário da República