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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Graciano (desambiguação).
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Graciano
Augusto do Império Romano do Ocidente
Soldo com efígie de Graciano
augusto júnior do Ocidente sob Valentiniano I
Reinado 4 de agosto de 367-17 de novembro de 375
Consorte Flávia Máxima Constância
Antecessor(a) Valentiniano I
Sucessor(a) Elevação a augusto sênior
augusto sênior do Ocidente com Valentiniano II
Reinado 17 de novembro de 375-09 de agosto de 378
Predecessor Reinado como augusto júnior
Sucessor Elevação a augusto sênior do império inteiro
augusto sênior com Valentiniano II
Reinado 09 de agosto de 378-19 de janeiro de 379
Predecessor Valentiniano I
Sucessor Teodósio I (Oriente)
augusto sênior do Ocidente com Valentiniano II
Reinado 19 de janeiro de 379-25 de agosto de 383
Predecessor Valentiniano I
Sucessor Magno Máximo e Valentiniano II
 
Nascimento 18 de abril/23 de maio de 359
  Sirmio
Morte 25 de agosto de 383
  Lugduno
Pai Valentiniano I
Mãe Marina Severa
Religião Cristianismo

Flávio Graciano (em latim: Flavius Gratianus; Sirmio, 18 de abril ou 23 de maio de 35925 de agosto de 383), mais tarde renomeado como Flávio Graciano Augusto (em latim: Flavius Gratianus Augustus) em decorrência de sua ascensão, foi um imperador romano do Ocidente de 375 a 383.

Em 378, com a morte de Valente no campo de Adrianópolis, Graciano passou a governar também o Império Romano do Oriente, que concedeu em 19 de janeiro de 379 a Teodósio I. Favoreceu claramente a religião cristã contra o paganismo, recusando os tradicionais atributos pagãos dos imperadores e tirando o Altar da Vitória do senado.

BiografiaEditar

Era filho do imperador Valentiniano I e a primeira esposa deste, Marina Severa, nasceu na cidade de Sirmio (a atual Sremska Mitrovica, Sérvia), na então província romana da Panônia.

A 4 de agosto de 367, foi proclamado augusto pelo seu pai. À morte de Valentiniano (17 de novembro de 375), as tropas destacadas na Panônia proclamaram imperador o seu irmão pequeno Valentiniano, que então era apenas um bebê. Valentiniano era meio-irmão de Graciano, nascido de Justina, viúva de Magnéncio e segunda esposa de Valentiniano I.

Graciano aproveitou a oportunidade; reservou para si a administração das províncias galas, enquanto pôs as províncias da Itália, Ilíria e África Proconsular sob o comando de Valentiniano e a sua mãe, os quais estabeleceram a sua residência em Milão. A divisão, no entanto, era meramente nominal e a autoridade real ficou por completo nas mãos de Graciano.

O Império Romano do Oriente estava sob o domínio do seu tio Valente. Em maio de 378, Graciano derrotou completamente os lentenses, a tribo mais austral dos alamanos, na Batalha de Argentovária, perto da atual Colmar. Esse mesmo ano, Valente encontrou a morte na batalha de Adrianópolis a 9 de agosto. Anteriormente recusara aguardar por Graciano e pelo seu exército para combater juntos contra os godos; ao mesmo tempo, dois terços do exército romano oriental caíram também.

O governo do Império de Oriente ficou em poder de Graciano, mas, ao sentir-se incapaz de resistir as incursões dos bárbaros, propôs o general hispânico Flávio Teodósio o governo da parte oriental, sendo coroado imperador de Oriente a 19 de janeiro de 379. Graciano e Teodósio limparam então os Bálcãs de invasores bárbaros.

Durante alguns anos governou o império com sucesso e energia, mas caiu gradualmente na indolência, ocupando-se nomeadamente do prazer da persecução político-religiosa e tornando-se numa ferramenta nas mãos do general franco Merobaldo[1] e o bispo de Milão, Ambrósio.

Ao tomar ao seu serviço um corpo de alanos e aparecer em público com a vestimenta própria de um guerreiro cita, Graciano despertou o desprezo e ressentimento das tropas romanas. Um general hispânico parente de Teodósio chamado Magno Clemente Máximo, conde da Britânia (comes britanniorum), aproveitando as suas vitórias na Britânia frente aos pictos, invadiu a Gália com um grande exército. Graciano, que aguardava fazer-lhe frente em Paris, foi atraiçoado pelas suas tropas após cinco dias de escaramuças e viu-se obrigado a fugir. Porém, foi atingido em Lugduno (atual Lyon); ali foi entregue pelo governador da cidade a Andragácio, um dos generais de Máximo, e assassinado a 25 de agosto de 383.[2]

LegadoEditar

Sob a influência de Ambrósio, Graciano proibiu as cerimônias pagãs em Roma; recusou levar o título de pontífice máximo (pontifex maximus) por o considerar incompatível com o seu cristianismo, segundo Zósimo.[3] Retirou o Altar da Vitória do senado romano em Roma, apesar dos protestos dos membros pagãos do senado, e confiscou as suas rendas; proibiu as doações de propriedades às Vestais e aboliu outros privilégios que possuíam os sacerdotes e sacerdotisas pagãos. Estes movimentos encerraram um período de convivência relativamente pacífica que vinha desde os tempos de Juliano o Apóstata.[4]

Graciano também publicou um decreto pelo qual todos os seus súditos deviam professar a fé dos bispos de Roma e de Alexandria (ou seja, a fé de Niceia). O movimento visava a poder acabar assim com o arianismo, mas também foram proibidas outras seitas dissidentes menores, tais como os macedônios.

Árvore genealógicaEditar


Referências

  1. Gibbon 1932, p. 958.
  2. Gibbon 1932, p. 960.
  3. «Pontifex Maximus». Livius. 2002 
  4. Dill, Samuel (1958). Roman Society in the Last Century of the Western Empire 2 ed. Nova Iorque: Meridian New York. p. 26 

BibliografiaEditar

  • Gibbon, Edward (1932). The Decline and Fall of the Roman Empire. [S.l.]: The Modern Library 

Ver tambémEditar

Referências