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Gualtério Gifardo, Senhor de Longueville, Normandia (também conhecido como "Gifardo de Barbastre"), foi um barão normando, tenente e cavaleiro cristão na Inglaterra que lutou contra os sarracenos na Espanha durante a Reconquista e foi um dos 15 ou mais Companheiros conhecidos de Guilherme, o Conquistador, na Batalha de Hastings em 1066.

VidaEditar

Gualtério[nota 1] era o filho de Osborne de Bolbec, Senhor de Longueville e Avelina,[nota 2][1] irmã de Gunora, duquesa da Normandia.[2][3] Como tal, ele era primo de Guilherme, o Conquistador.[2]

A partir de meados da década de 1040 seu nome apareceu entre os apoiadores leais de Guilherme II da Normandia.[4] Gualtério esteva na Batalha de Mortemer e entre os barões normandos que surpreendeu e derrotou os condes Odo e Renaud liderando o contingente francês atacando a Normandia do leste.[5] Em particular, ele e um outro grande vassalo de Robert d'Eu encontrou o exército de Odo acampando na aldeia de Mortemer sem sentinelas e os soldados estavam bêbados.[6] Os normandos atacaram os franceses enquanto dormiam, a maioria sendo mortos ou feitos prisioneiros.[6] Enquanto o próprio Odo escapou, quando o rei Henrique I soube do destino de seu irmão pelo exército de Odo, ele prontamente retirou suas forças restantes e deixou a Normandia.[6] Em 1054 Gualtério foi o encarregado de manter o cerco do castelo de Arques, contra Guilherme de Talou, que havia se rebelado contra o duque.[7]

Como muitos outros cavaleiros normandos e franceses durante o início dos séculos XI e XII, Gualtério serviu como um cavaleiro cristão na Espanha (c. 1064-65) contra os sarracenos.[8] Seu epíteto le Barbastre[nota 3] foi conquistado quando participou do cerco de Barbastro, uma investida condenada pelo Papa Alexandre II contra os mouros em 1064, uma das mais famosas façanhas daquele tempo.[8] Até o momento da Conquista, Gualtério tinha retornado para a Normandia tendo um presente do rei da Espanha para o duque Guilherme, um magnífico cavalo de guerra. O mesmo cavalo espanhol de guerra que o duque Guilherme pediu na manhã da batalha de Hastings.[8] O rei espanhol em questão era com toda a probabilidade Sancho Ramirez de Aragão (1063-1094), que era conhecido por fazer amigos e recrutamento de cavaleiros e soldados do norte da França.[9] Gualtério também foi um dos primeiros, se não o primeiro na Inglaterra a ir em peregrinação a Santiago de Compostela, na qual ele fez após o cerco de Barbastro e antes de retornar para a Normandia.[9]

No início de janeiro de 1066, depois que o duque Guilherme recebeu a notícia da coroação de Haroldo Godwinson como rei da Inglaterra, ele convocou uma reunião que incluiu seis de seus principais magnatas, sendo Gualtério Gifardo um deles.[10] Depois de contar-lhes de seu plano para invadir a Inglaterra e tomar a coroa todos eles aconselharam-no o apoiando totalmente, mas sugeriram que ele convocasse uma reunião de todos os seus vassalos, na qual Guilherme fez.[10] Na fase de preparação para a batalha de Hastings, foi um dos magnatas normandos que forneceu navios para a frota de invasão de Guilherme. No seu caso, forneceu trinta.[11] Gualtério era um dos dois que, depois de ter sido oferecido o privilégio de levar o estandarte de Guilherme na batalha, respeitosamente recusou. Embora a essa altura um guerreiro mais velho, de cabelos brancos, ele queria ambas as mãos livres para lutar.[12] Como recompensa por sua participação, recebeu o baronato feudal de Long Crendon,[13] compreendendo 107 feudos, 48 dos quais estavam em Buckinghamshire,[14] do qual o caput estava em Long Crendon, Buckinghamshire. A data de sua morte não é registrada, mas seu filho Gualtério o sucedeu antes de 1085.[3][14]

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FamíliaEditar

Gualtério era casado com Ermengarde, filha de Geraldo Flaitel.[3][14][1] Gualtério e Ermengarde eram os pais de:

Notas

  1. Este Gualtério tem sido confundido com seu filho, Gualtério Gifardo, primeiro conde de Buckingham. Orderico confundiu relatos de pai e filho enquanto Freeman, não percebendo que o Gualtério mais velho tinha morrido na época do Conquistador, assumiu que Guilherme Rufus tinha criado o primeiro Gualtério como conde de Buckingham quando na verdade ele era seu filho Gualtério, que se tornou o primeiro conde. Veja: Records of Buckinghamshire, Vol 8, Ed. John Parker (Aylesbury: G.T. de Fraine, "Bucks Herald" Office, 1903), pp. 289-293.
  2. Roberto de Torigni chamou ela de Weva, The Complete Peerage, Vol II, 386 nota (a) afirma que ela era Avelina, e ambos eram nomes das irmãs de Gunora, mas permanece incerto qual era qual. Europäische Stammtäfeln II, 695 também a chama de Weva.
  3. Como exemplos de algumas das armadilhas encontradas em traduções de obras anteriores, o epíteto de Gualtério Gifardo, de Barbastre, aparece em um verso de Godofredo Gaimar. O primeiro de seus tradutores inglês adivinhado que De Barbastre o refere como um barbeiro. O segundo pensamento na tradução de Godofredo, de Barbastre era uma referência de alguma forma para o primo de Gualtério, Guilherme, o Conquistador, sendo um bastardo. Na verdade, "Gualtério de Barbastre" era um título honorífico ganhado no cerco bem sucedido de Barbastro, em Aragão, perto de Saragoça. Veja: Archer, 'Giffard of Barbastre', EHR, 18, 70 (1903), pp. 304-05; Lomax, 'The First English Pilgrims ot Santiago de Compostela', Studies in Medieval History: Presented to R.H.C.Davis Ed. Henry Mayr-Harting, Hambldeon (1985), 165-176.

Referências

  1. a b c d e Barns-Graham, Peter. "Giffard01". Families Database. Stirnet. 15 de novembro de 2011.
  2. a b George Edward Cokayne, The Complete Peerage of England Scotland Ireland Great Britain and the United Kingdom, Extant Extinct or Dormant, Vol. II, Ed. Vicary Gibbs (London: The St. Catherine Press, Ltd., 1912), p. 386 note (a)
  3. a b c d e Detlev Schwennicke, Europäische Stammtafeln: Stammtafeln zur Geschichte der Europäischen Staaten, Neue Folge, Band III Teilband 4 (Marburg, Germany: Verlag von J. A. Stargardt, 1989, Tafel 695
  4. David Crouch,The Normans (Nova Iorque: Hambledon Continuum, 2002), p.64
  5. David C. Douglas, William the Conqueror (Berlekey e Los Angeles: The University of California Press, 1964), p. 68
  6. a b c François Neveux, A Brief History of the Normans, Trans. Howard Curtis (Londres: Constable & Robinson, Ltd., 2008), p. 127
  7. David C. Douglas, William the Conqueror (Berlekey e Los Angeles: The University of California Press, 1964), p. 388
  8. a b c T. A. Archer, 'Giffard of Barbastre', The English Historical Review, Vol. 18, No. 70 (Apr., 1903), p. 304
  9. a b D.W. Lomax, 'The First English Pilgrims to Santiago de Compostela', Studies in Medieval History: Presented to R.H.C.Davis, Ed. Henry Mayr-Harting e R.I. Moore (Londres: The Hambledon Press, 1985), p. 166
  10. a b Elisabeth M.C. van Houts, 'The Ship List of William the Conqueror', Anglo-Norman Studies X; Proceedings of the Battle Conference 1987, Ed. R. Allen Brown (Woodbridge, RU: The Boydell Press, 1988), p. 161
  11. Anglo-Norman Studies X, Proceedings of the Battle Conference 1987, ed. R. Allen Brown, The Boydell Press, Woodbridge, RU 1988, Apêndice 4. “Ships list of William the Conqueror”
  12. Edward A. Freeman, The History of the Norman Conquest of England, Vol. III (Oxford: At the Clarendon Press, 1869),p. 465
  13. Sanders, I.J. English Baronies: A Study of their Origin and Descent 1086-1327, Oxford, 1960, pp.62-4
  14. a b c George Edward Cokayne, The Complete Peerage of England Scotland Ireland Great Britain and the United Kingdom, Extant Extinct or Dormant, Vol. II, Ed. Vicary Gibbs (Londres: The St. Catherine Press, Ltd., 1912), p. 387
  15. K.S.B. Keats-Rohan, Domesday People, A Prosopography of Persons Occurring in English Documents 1066-1166, Volume I, Domesday Book (The Boydell Press, Woodbridge, 1999), p. 456
  16. C. Warren Hollister, 'The Strange Death of William Rufus', Speculum, Vol. 48, No. 4 (Outubro de 1973), pp. 645-46