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Guerra Civil na Colômbia
Conflicto interno armado en Colombia.png
Data 1964–presente
Local Colômbia
Desfecho Em curso
  • Acordo de paz de 2016; em caráter oficial, as FARC abandonam a luta armada
Combatentes
Colômbia Governo colombiano

Apoiado por:
 Estados Unidos
 Espanha
 Reino Unido
 Brasil (Operação Traíra)


Paramilitares de direita

Guerrilheiros de esquerda

Apoiados por:
Cuba Cuba (até 1991)
União Soviética União Soviética (pré-1991)
Venezuela Venezuela (alegado)[3]

Líderes e comandantes
Colômbia Iván Duque Márquez
Colômbia Juan Manuel Santos
Colômbia Álvaro Uribe
Colômbia Andrés Pastrana Arango
Colômbia Ernesto Samper Pizano
Colômbia César Gaviria Trujillo

Fidel Castaño 
Carlos Castaño 
Vicente Castaño[4]
Rodrigo Tovar Pupo
Salvatore Mancuso
Diego Murillo

FARC
Mauricio Jaramillo
Timoleón Jiménez
Joaquín Gómez
Iván Márquez

ELN
Antonio García
Francisco Galán

Forças
Polícia Nacional:
175 250[5]
Exército: 237 567[5]
Marinha: 33 913[5]
Força Aérea: 14 033[5]

Grupos paramilitares sucessores, incluindo as Águilas Negras: 3 749 – 13 000[6][7][8]

FARC: 7 000 - 10 000 (2013)[9][10][11][12][13]

ELN: 1 380 - 3 000 (2013) [11][12][14]
IRAFP: ~ 80

Vítimas
Colômbia Exército e Polícia:
4 286 mortos, 13 076 feridos (desde 2002)
FARC e ELN: 13 197 mortos, 34 512 capturados, 26 648 desmobilizados (desde 2002) [15]
Total de mortos: 262 197 (incluindo 215 000 civis)[16]
Total de pessoas deslocadas 2 400 000–4 000 000[17]

O conflito colombiano, um dos mais antigos da América Latina, deriva da disputa pelo poder entre liberais, conservadores e socialistas. Ele é marcado por ser um conflito com operações de falsa bandeira.[18]

O conflito colombiano iniciou aproximadamente em 1964 ou 1966 e é uma guerra assimétrica de baixa intensidade em curso entre o governo colombiano, os grupos paramilitares, os traficantes e os guerrilheiros de esquerda, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN), lutando entre si para aumentar sua influência em território colombiano. [19][20][21]

É historicamente enraizada no conflito conhecido como La Violencia, que foi desencadeado pelo assassinato do líder político populista Jorge Eliécer Gaitán em 1948, [22] e na sequência da forte repressão anticomunista apoiada pelos Estados Unidos na área rural da Colômbia na década de 1960, que levaria os militantes liberais e comunistas a se reorganizar nas FARC. [23]

Os liberais se aliaram com setores socialistas numa guerra civil contra os conservadores que durou 16 anos, de 1948 a 1964.

Em 1964, temendo a radicalização da guerrilha camponesa, influenciada pela revolução cubana, os liberais se aliam aos Conservadores e apoiam o envio de tropas ao povoado de Marquetália. Os camponeses comunistas, na fuga para as regiões montanhosas da selva, constituem as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Sob a liderança de Manuel Marulanda, o Tirofijo, ex-combatentes liberais fundam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo, popularmente conhecida como FARC ou FARC-EP, nos anos 60 para lutar pela criação de um estado marxista. Outros grupos de esquerda - como o guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN) - e milícias de extrema direita entram no conflito. A partir dos anos 80, a Guerra Cívil ganha um novo protagonista: o tráfico de drogas. As FARC-EP financiam a luta armada à custa dos serviços de proteção vendidos aos traficantes e tanto as FARC quanto o ELN financiam sua luta à custa do seqüestro de civis. Cerca de 3 mil resgates são pagos anualmente às guerrilhas. A violência já matou cerca de 30 mil pessoas desde os anos 60 e tem forçado maciços deslocamentos internos. Em consequência da guerra, a Colômbia é o país mais perigoso do mundo para o sindicalismo.[24]

SurgimentoEditar

Em 1964, os estadunidenses pressionaram o Exército Colombiano para eliminar um grupo rebelde, formado por pequenos proprietários rurais, influenciados pelo sucesso de Fidel Castro em Sierra Maestra. Resultado: os rebeldes reagiram e o pequeno sitiante Manuel Marulanda Vélez, apelidado Tirofijo, criou o embrião das FARC-EP, que depois recebe auxilio do então Partido Comunista da Colômbia. No ano seguinte surge o ELN.

Em 1968 foi aprovada uma lei que da liberdade para formação de milícias paramilitares para enfrentar os guerilheiros. Dali surgem as milícias de direita no combate. Com o tempo e já com a lei revogada, os diversos grupos de paramilitares juntaram-se e fundaram, em 1997, as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), sob o comando de Carlos Castaño e do ítalo-colombiano Salvatore Mancuso.

Iniciativas de pazEditar

A pacificação das guerrilhas não aconteceu nunca na vida é somente um mito, foi uma promessa eleitoral do presidente Andrés Pastrana. Assim que assumiu o poder, em 1998, ele retirou o Exército de uma área de 42 mil km², entregando-a às FARC-EP, como condição para a abertura de conversações, ocorrida em janeiro de 1999. Desde então, o diálogo foi suspenso e retomado em várias ocasiões, mas um acordo de cessar-fogo fracassou em julho de 2000. As FARC-EP reclamaram da falta de ação do governo para conter os paramilitares direitistas das AUC, que praticavam massacres em áreas controladas pela guerrilha.

Já os líderes do ELN se reuniram com representantes do governo em Genebra, em julho de 2000. Negociações anteriores, abertas em 1999, foram abandonadas pelo ELN diante da recusa do governo em desmilitarizar uma área de 8 mil km². Em 2000, a liberação, por parte dos EUA, de 1,3 bilhão de dólares em ajuda financeira para os programas anti-droga da Colômbia (Parte do Plano Colômbia) aumentou o temor da guerrilha de uma intervenção armada no país.

Com os índices de violência caindo, devido principalmente ao enfraquecimento das guerrilhas, novas conversas de paz foram iniciadas em 2016. Após muita negociação, em 23 de junho, o governo colombiano e a liderança das FARC concordaram em aceitar um cessar fogo.[25] O acordo foi formalmente assinado pelas partes em 26 de setembro de 2016.[26] O acordo, contudo, não inclui a ELN.[27]

O governo colombiano submeteu o acordo com as FARC a um plebiscito para consulta popular, a 2 de outubro de 2016. Numa apertada votação 50,2% dos votantes rejeitaram o acordo de paz, enquanto 49,7% o apoiaram (estima-se que 67% dos cidadãos aptos para votar não foram às urnas). Não se sabe o impacto que a vitória do "Não" no plebiscito terá no andamento do processo de paz, com os rebeldes rejeitando a ideia de renegociar o acordo com o governo.[28]

Em 12 de Novembro de 2016, firmou-se um acordo de paz entre o governo e as FARC, que previa principalmente o desarmamento e anistia aos guerrilheiros. Em 10 de Abril de 2017, o registro das armas foi concluído em conjunto com a Organização das Nações Unidas.[29]

Uma negociação de paz está prevista para ocorrer no Brasil em maio de 2017 entre o governo Colombiano e o ELN.[30]

Em junho do mesmo ano, as FARC anunciaram que haviam encerrado a luta armada e deixariam de existir como organização paramilitar, encerrando assim sua participação significativa no conflito colombiano, embora outros grupos persistiam na luta.[31]

Grupos armadosEditar

Guerrilhas marxistasEditar

  • Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo - "FARC-EP": são o maior e o mais antigo grupo rebelde da Colômbia. Foi fundado nos anos 60, sob impulso do Partido Comunista da Colômbia, e propõe utilizar a luta armada como parte de uma estratégia política para chegar ao poder. Sua origem aconteceu quando grupos de guerrilhas liberais, da guerra civil entre os partidos liberal e conservador que decorreu entre 1948 e 1958, decepcionados com a liderança do Partido Liberal se voltaram para o comunismo. Em 1966, Manuel Marulanda rebatizou o nome do grupo de Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP). Manuel Marulanda está à frente do movimento desde a sua criação.
  • Exército de Libertação Nacional da Colômbia - "ELN": o segundo maior grupo rebelde da Colômbia, foi fundado em 1965 por Fabio Vasquez Castano, inspirado pela experiência bem sucedida da revolução cubana. Numa sociedade como a colombiana onde as desigualdades sociais se fazem sentir de forma gritante, este movimento atraiu desde o seu início vários padres católicos, inspirados pela Teologia da Libertação, que defende uma sociedade mais justa e igual.

Paramilitares de direitaEditar

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Los Paisas». insightcrime.org 
  2. Erpac, dolor de cabeza de Uribe
  3. «Venezuela's relations with terrorism and FARC exposed». Consultado em 25 de março de 2014. Arquivado do original em 17 de fevereiro de 2015 
  4. «Vicente Castaño, muerto». Cambio. Arquivado do original em 27 de fevereiro de 2012 
  5. a b c d «Military Personnel, 2013» (PDF) (em (em castelhano)). mindefensa.gov.co 
  6. «New armed drug-trafficking groups menace Colombia». BBC News. 12 de setembro de 2010 
  7. Human Rights Watch, "World Report 2011: Colombia", World Report 2011, January 2011
  8. «10,000 demobilized fighters rearm – Colombia news». Colombia Reports. 14 de setembro de 2010 
  9. BBC News - Colombian soldiers die in clashes
  10. Colombia’s peace talks: To the edge and back again | The Economist
  11. a b «Desmovilización, principal arma contra las guerrillas» (em Spanish). eltiempo.com 
  12. a b «Colombia army claims guerrillas have lost 5000 fighters in past 2 years». colombiareports.co 
  13. «Comandantes de Fuerza presentaron resultados operacionales de los últimos 2 años» (em Spanish). mindefensa.gov.co 
  14. http://www.reuters.com/article/2013/10/18/us-colombia-rebels-oil-idUSBRE99H16T20131018
  15. «Desmovilización, principal arma contra las guerrillas» (em Spanish). eltiempo.com 
  16. «Conflito armado deixou mais de 260 mil mortos na Colômbia, diz relatório». Centro Nacional Colombiano de Memória Histórica. Consultado em 2 de agosto de 2018 
  17. Silva, Gustavo. «The price of Colombia's drug war». Colombia Reports 
  18. Colombian colonel sentenced for faking civilian murders BBC. 14 de julho de 2011.
  19. «Guerra y Droga en Colombia». Consultado em 25 de março de 2014. Arquivado do original em 20 de outubro de 2014 
  20. Neo-Paramilitary Groups Consolidating in Colombia: Report
  21. Neo-paramilitaries do not deserve political status: Govt
  22. Garry Leech (2009). Beyond Bogota: Diary of a Drug War Journalist. Boston, MA: Beacon Press. pp. 242–247. ISBN 978-0-8070-6148-0 
  23. Mario A. Murillo; Jesús Rey Avirama (2004). Colombia and the United States: war, unrest, and destabilization. [S.l.]: Seven Stories Press. p. 57. ISBN 978-1-58322-606-3 
  24. Colombia: el país más peligroso para ser sindicalista BBC. Arturo Wallace, em espanhol. Acessado em 25 de julho de 2014.
  25. «Colombia and Farc rebels sign historic ceasefire». BBC News. Consultado em 23 de junho de 2016 
  26. "Governo da Colômbia e Farc assinam acordo de paz para conflito de 52 anos". Página acessada em 27 de setembro de 2016.
  27. «Denuncian presencia de disidentes de las Farc en parque natural. Serían guerrilleros del frente primero, que no se acogieron el acuerdo de paz.». El Tiempo. 16 de setembro de 2016 
  28. «Em votação apertada, colombianos rejeitam acordo de paz com as Farc». BBC.com. Consultado em 2 de outubro de 2016 
  29. «ONU termina registro de armas das Farc na Colômbia | EXAME.com - Negócios, economia, tecnologia e carreira». exame.abril.com.br. Consultado em 22 de abril de 2017 
  30. «Brasil vai sediar negociação de paz entre Colômbia e guerrilha do ELN». Folha de S.Paulo 
  31. «Farc entregam armas e deixam de existir como guerrilha». R7. Consultado em 10 de julho de 2018 
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