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Guerra da Sucessão Espanhola

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Guerra da Sucessão Espanhola
Vendome-and-PhilipV.jpg
Data 9 de julho de 17017 de março de 1714
Local Europa e América do Norte
Desfecho Tratado de Utrecht, Filipe d'Anjou assume o trono espanhol.
Combatentes
Flag of Cross of Burgundy.svg Espanha leal a Carlos


Banner of the Holy Roman Emperor (after 1400).svg Sacro Império Romano


Flag of England.svg Inglaterra (até 1707)

Flag of Scotland.svg Escócia (até 1707)
Flag of Great Britain (1707–1800).svg Grã-Bretanha (a partir de 1707)
Prinsenvlag.svg República Unida dos Países Baixos
Flag of Portugal (1707).svg Portugal
Savoie flag.svg Ducado de Saboia
Dinamarca Reino da Dinamarca e Noruega

Bandera de España 1701-1760.svg Espanha leal a Filipe


França França
Flag of Bavaria (lozengy).svg Baviera
Mantua Flag 1575-1707 (new).svg Ducado de Mântua

Principais líderes
Banner of the Holy Roman Emperor (after 1400).svg Eugênio de Savoia
Banner of the Holy Roman Emperor (after 1400).svg Luis Guilherme de Baden-Baden
Banner of the Holy Roman Emperor (after 1400).svg Guido de Starhemberg
Flag of Great Britain (1707–1800).svg John Churchill
Flag of Great Britain (1707–1800).svg Henri de Massue
Prinsenvlag.svg Henry de Nassau
Flag of Portugal (1707).svg Marquês das Minas
Savoie flag.svg Vítor Amadeu II
Flag of Catalonia.svg Antonio de Villarroel
Flag of Catalonia.svg Rafael Casanova
França Duque de Villars

França Duque de Vendôme

França Duque de Boufflers

França Duque de Villeroy

França Conde de Tessé

França Duque de Berwick

Flag of Bavaria (lozengy).svg Maximiliano II

Mantua Flag 1575-1707 (new).svg Fernando Carlos I

Bandera de España 1701-1760.svg Marquês de Villadarias

Forças
232 000 373 000
400 000 - 700 000 mortos

A Guerra da Sucessão Espanhola disputou-se entre 1701 e 1714, pelo direito de sucessão da coroa espanhola, depois da morte do último monarca da Casa de Habsburgo, Carlos II de Espanha, sem deixar herdeiros da rainha Maria Luísa d'Orleães, a qual pertencia à família real francesa. A morte precoce de José Fernando da Baviera, Príncipe das Astúrias, levou ao trono espanhol Filipe V de Espanha, neto de Luís XIV de França, que ganhara o trono por testamento de Carlos II (1700); tal fato deu início à dinastia de Bourbon na Espanha.

Uma vez que os Bourbon teriam, além da França, o poder na Espanha, as demais potências europeias recearam da união de dois Estados tão poderosos, tanto quanto a França temia uma reunião da Espanha e da Áustria de novo sob as mãos de um Habsburgo. Daí ter-se gerado um conflito, motivado pela sucessão de Carlos II de Espanha. O imperador Leopoldo I da Áustria, parente próximo do rei falecido, julgando-se com direitos ao trono de Espanha, iniciou as hostilidades, e assim teve início a guerra.

Não houve vencedores propriamente ditos nesta guerra: através de um sistema de compensações chegou-se a um acordo. Filipe d'Anjou permaneceu como rei de Espanha (imposição de Luís XIV, seu avô). Para ser aceito pelos outros países beligerantes, Filipe V teve que ceder à Grã-Bretanha a ilha de Menorca, nas Baleares, assim como o rochedo de Gibraltar, e aos Habsburgos da Áustria os Países Baixos espanhóis. Também permitiu à Inglaterra um comércio limitado com suas colônias na América, por meio dos "navios de permissão", além de dar aos ingleses o direito de vender escravos por 30 anos no referido território, por meio do asiento.

A perda dos territórios mencionados marcou o início do declínio espanhol na Europa, por oposição ao da França, agora senhora praticamente inconteste na Europa continental, e da Grã-Bretanha, que dominava as rotas do comércio mundial. Além disso, a presença inglesa no comércio com as colônias espanholas ultrapassou os limites previamente definidos, reduzindo o controle castelhano sobre suas próprias colônias, sendo este um dos fatores que, posteriormente, favoreceriam as colônias em sua busca pela independência.

Índice

Antes da GuerraEditar

Carlos II antes da sua morte no dia 1 de novembro de 1700 nomeou como seu herdeiro um Bourbon. No entanto, essa escolha de um herdeiro direto, dividiu a Europa entre os Bourbons e Habsburgos, e o que deveria ser uma guerra de sucessão nacional acabou por se transformar em uma guerra internacional europeia, na Espanha se tornou uma guerra civil que dividia aqueles que apoiavam Felipe de Anjou e os que apoiavam o arquiduque Carlos d’Austria. Os dois príncipes exigiam o lugar de sucessor do monarca espanhol. (p.49)

Filipe de Anjou tinha o apoio do rei francês que também era seu avô para reivindicar o trono espanhol. A reivindicação tinha como base os direitos de sua esposa, Maria Teresa, primogênita de Felipe IV e irmã de Carlos II. O Tratado dos Pireneus converteu Maria Teresa como esposa do Rei Sol, porém ela tinha renunciado todos os direitos que poderiam leva-la a ser princesa da Espanha. Em contrapartida, Luís XIV alegava que o tratado que impedia Maria Teresa de se tornar princesa da Espanha tinha sido quebrado, visto que o dote de meio milhão de Coroas de ouro não tinha sido pago. (p.50)

O Arquiduque Carlos era neto da irmã de Felipe IV e bisneto de Felipe III, motivos pelos quais ele reivindicava o trono espanhol, pois seu pai, Leopoldo I, imperador da Áustria, teria esse direito, consequentemente ele também teria. (p.50)

Um mês depois da morte de Carlos II, rei da Espanha, Felipe de Borbón, duque de Anjou, foi para Madri no início de dezembro com 17 anos. Felipe foi recebido com grande clamor pelos espanhóis. Porém, problemas surgiram com as reformas políticas feitas pelo cardeal Portocarrero, suas reformas estavam eram comandadas por Luís XIV que buscava evitar prejuízos para a França. Assim, os apoiadores austríacos que faziam parte do Tribunal foram substituídos por ministros escolhidos pelo rei francês. (p.50,51)

Depois de alguns meses da chegada de Felipe a Madri, foi arranjado da França o seu casamento com Maria Luisa Gabñela de Saboya. Esse tipo de casamento servia como um mecanismo para manter alianças entre países. No caso, entre Espanha e França. Dessa forma, os países aliados poderiam defender-se e anexar novos territórios. O interesse era claro, a aliança com o duque de Savoya serviria para a entrada na Itália. (p.51)

Felipe V parte de Madri para Barcelona com o objetivo de encontrar sua esposa e para tratar de assuntos aragonês e catalão, pois relutavam em ajudar a causa de Bourbon. Para agradar os catalães, Felipe V concedeu um porto livre para Barcelona, isso permitiria a negociação com as índias, algo que antes era exclusivo para as províncias do sul. Dessa forma, Felipe V conseguiu triunfar com a sua política, mesmo sem ter conseguido a aliança com o bloco pró-austríaco. Criou-se, dessa forma, uma resistência que iria a favor de Carlos d’Áustria por estes. (p.52)

Os tratados com o rei de Portugal, Pedro II, foram renovados por Felipe V. Um dos artigos tinha como fato extraordinário o fechamento dos portos de Portugal para países que iriam contra o testamento de Carlos II. (p.52)

Porém, Portugal não manteve o contrato que havia estabelecido. Assim, trai o acordo assinando com a Inglaterra o Tratado de Methuen, isso quando já havia iniciado a guerra. Esse tratado abria os portos para que Portugal e suas colônias pudessem negociar com a Inglaterra. Para a Inglaterra, esse tratado tinha uma importância ainda maior, pois Portugal se tornaria uma ameaça para a fronteira espanhola e poderia controlar o estreito de Gibraltar, com isso a Inglaterra poderia manter a sua hegemonia. (p.52)

São colocados 3 erros que Luís XIV cometeu que desencadeou na Guerra de Sucessão Espanhola. O primeiro seria a não renuncia que o testamento de Carlos II exigia. Segundo, as intrigas que tinham os austríacos com a Inglaterra e Holanda. O terceiro erro foi conceder pelo apoio da Espanha que a companhia francesa tivesse da Guiné o privilégio da sede de negros para a América. A Inglaterra interpretou este último fato como uma afronta. (p.53, 54) Entretanto, não se pode colocar toda a culpa em Luís XIV, visto que por trás disso, haviam interesses políticos entre Áustria, Inglaterra, Holanda, Portugal, Savoya, França e Espanha. (p.54)

Dessa forma, a Europa entrava em guerra, afetando diretamente a Espanha, que também estava numa guerra civil entre os que apoiavam Felipe V e aos que queriam a volta dos Habsburgos. (p.54)

Desenvolvimento da guerraEditar

Uma aliança anglo-luso-alemã, entretanto, insurgiu-se para evitar a união dinástica de França e Espanha. Mesmo depois de reconhecer, em Paris, Filipe V, "tendo José da Cunha Brochado aceite o tratado de 18 de Junho de 1701, pelo qual Portugal se comprometia a guardar os direitos da França, com a promessa de um auxílio militar em caso de ameaça"[1], Portugal viu-se impelido a repensar a sua posição. Pedro II de Portugal anulou, em Setembro de 1702, o tratado com Luís XIV e, graças à intervenção do embaixador da Inglaterra John Methuen, "estabeleceram-se formas de cooperação que não eram ainda de aberta beligerância por parte de Portugal", e depois o país viu-se incluído em dois tratados: um de aliança defensiva com a Inglaterra e as Províncias Unidas, outro de aliança ofensiva e defensiva com a rainha Ana da Inglaterra, Leopoldo I de Áustria e os Estados da Holanda. O documento foi assinado em Lisboa a 16 de maio de 1703[2].

Aclamado rei da Espanha em Viena a 12 de Setembro de 1703, o arquiduque Carlos resolveu fazer do país a base de operações contra o seu adversário. Carlos III, como se intitulava, desembarcou em Lisboa em 9 de Março de 1704, recebido com fausto invulgar. Os generais ingleses e portugueses escolheram a fronteira da Província da Beira como o melhor caminho para o arquiduque penetrar na Espanha. Antecedeu-o D. Pedro II, que, por Santarém e Coimbra, foi até à Guarda, onde no início de setembro o recebeu. Decidiu-se atacar Ciudad Rodrigo. A campanha ficou porém sem efeito, regressando os monarcas separadamente a Lisboa. O projecto comum saldara-se num fracasso, como narra Veríssimo Serrão[3]. No ano seguinte Carlos III deixaria Lisboa numa esquadra inglesa, para se fixar na Catalunha. A morte de Leopoldo I, em 5 de maio, obrigava-o a aproximar-se da zona geopolítica da Alemanha, em especial do norte da Itália. Acompanhou-o o conde de Assumar na qualidade de embaixador. A sua partida aliviou o Tesouro das grandes despesas com a manutenção de sua vistosa corte…

Comandavam a Beira e o Alentejo D. António Luís de Sousa, 2º marquês das Minas, e D. Dinis de Melo e Castro, 1º conde das Galveias, que atacou Valência de Alcântara, rendida em 8 de maio de 1705, e logo depois Albuquerque. O conde de São Miguel libertou o castelo de Marvão. O marquês das Minas retomou as praças ao norte do rio Tejo, como Salvaterra do Extremo, Segura, Zebreira, Castelo Branco e Monsanto. Viu ocupado o seu lugar no comando por D. Fernando de Mascarenhas, marquês de Fronteira. Na campanha de 1706, Alcântara se rendeu a 14 de abril, foram caindo as terras da Estremadura, e em Castela a zona da Ciudad Rodrigo a Salamanca.

Evitando a marcha por Talavera, o marquês das Minas seguiu por Penharanda que lhe abriu as portas da Serra de Guadarrama e de Madrid, onde o exército português penetrou triunfante em 28 de Junho. O trono espanhol ficou à mercê do pretendente austríaco cujo nome, entretanto, não tinha qualquer ressonância nas populações, enquanto Filipe V recebia constantes socorros de além Pirenéus e beneficiava, além disso, da realeza em exercício. As cidades de Castela voltaram a apoiar o partido francês. Com o inverno de 1706 ficou mais uma vez adiada a solução.

Na guerra, a França enfrentou ao mesmo tempo a Áustria, a Inglaterra, Portugal e as Províncias Unidas. A luta caracterizou-se inicialmente por vitórias parciais francesas na Itália (1702) e na Alemanha (1703).

Houve pressão sobre o território francês, especialmente Flandres e Artois onde tropas inglesas e holandesas, comandadas pelo duque de Marlborough, capturaram praças fortificadas francesas, além de obterem vitórias em campo aberto, como em Ramilles. Porém, uma das batalhas mais decisivas foi travada longe dali, em Blenheim (1704), na Baviera.

Logo se seguiram reveses sérios: a invasão da Espanha pelo arquiduque Carlos (1707) e a derrota de Audenarde (Oudenarde), que abriu caminho para a invasão do norte da França, contida por Villars na batalha de Malplaquet (1709) e na vitória de Denain (1712). Embora a França tenha sofrido sucessivos reveses, a retirada prematura do exército britânico, devido a questões políticas internas, permitiu à França se levantar, batendo os austro-holandeses, comandados por Eugênio de Savoia, em Denain.

O partido dos Bourbons acabou por sair vencedor. Os tratados de Utrecht (1713), de Rastatt e de Baden (1714) puseram fim ao conflito. O primeiro desses tratados contribuiu fundamentalmente para o crescimento do poderio marítimo e colonial da Inglaterra.

Série
História de Espanha
Espanha na Pré-História
Espanha pré-romana
Hispânia
Visigodos e Suevos
Domínio árabe e a Reconquista
A Reconquista e o Reino das Astúrias
Reinos de Leão, Castela, Aragão e Navarra
Dinastia de Borgonha
Dinastia de Trastâmara
Reis Católicos
Descobrimentos
Guerra da Sucessão Espanhola
Guerra Peninsular
Governo de Fernando VII
Guerras Carlistas
Revolução de 1868 e Sexênio Revolucionário
Dinastia de Saboia
Primeira República
Restauração Bourbon
Ditadura de Primo de Rivera
Segunda República Espanhola
Guerra Civil
Franquismo
Transição Espanhola

Os desdobramentos do conflito para PortugalEditar

A 30 de Abril de 1704, Filipe V de Espanha declarou guerra a Portugal, iniciando-se uma etapa do conflito na Península Ibérica.

Muito importante foi a vinda a Lisboa do embaixador extraordinário John Methuen, a fim de negociar a entrada do país na liga contra a França, que veio a se traduzir num tratado comercial com a Inglaterra assinado em 27 de Dezembro de 1703: o tratado de Methuen, como ficou chamado, cujo texto[carece de fontes?] e valor histórico tem suscitado as mais variadas opiniões.

O Estado de Guerra de Portugal conta a França foi o que levou às incursões corsárias francesas ao Rio de Janeiro, sendo a primeira comandada por Jean-François Duclerc e a segunda por René Duguay-Trouin.

A 7 de Novembro de 1712, Portugal assinou armistícios com a Espanha e com a França. Posteriormente, assinou o Tratado de Paz com a França (1° Tratado de Utrecht, 11 de Abril de 1713), obtendo a completa renúncia gaulesa às possessões portuguesas na margem esquerda do rio Amazonas, no Estado do Maranhão. O processo seria concluído com a assinatura do Tratado de Paz com a Espanha (2° Tratado de Utrecht, 6 de Fevereiro de 1715).

Referências

  1. Veríssimo Serrão, História de Portugal, vol. V. p. 223.
  2. Veríssimo Serrão, Op. cit. p. 224.
  3. Op. cit., p. 227.
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Guerra da Sucessão Espanhola (1701) a (1713)
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